===== ESPIRITUALISMO ===== A doutrina segundo a qual o [[lexico:e:espirito:start|espírito]] constitui a [[lexico:s:substancia:start|substância]] de toda [[lexico:r:realidade:start|realidade]] (contrapõe-se ao [[lexico:m:materialismo:start|materialismo]]). — Diferencia-se da [[lexico:o:oposicao:start|oposição]] entre [[lexico:i:idealismo:start|Idealismo]] e [[lexico:r:realismo:start|realismo]], que são doutrinas sobre a [[lexico:o:origem-do-conhecimento:start|origem do conhecimento]] e [[lexico:n:nao:start|não]] sobre a [[lexico:n:natureza:start|natureza]] do [[lexico:s:ser:start|ser]]. [[lexico:l:leibniz:start|Leibniz]], por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], é um espiritualista na [[lexico:m:medida:start|medida]] em que sustenta originar-se a [[lexico:m:materia:start|matéria]] da [[lexico:e:energia:start|energia]], e a energia, de uma [[lexico:f:forca:start|força]] [[lexico:i:impossivel:start|impossível]] de perceber-se, logo, diz ele, de natureza espiritual. O espiritualismo contrapõe-se ao materialismo não apenas como o espírito à natureza, mas também como a [[lexico:v:vida:start|vida]] contrapõe-se ao [[lexico:m:mecanismo:start|mecanismo]]: a [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] de [[lexico:b:bergson:start|Bergson]], que afirma a irredutibilidade da vida a qualquer [[lexico:f:forma:start|forma]] de mecanismo físico-químico, conduz a um espiritualismo (em As duas fontes da [[lexico:m:moral:start|moral]] e da [[lexico:r:religiao:start|religião]]) que identifica a [[lexico:e:espontaneidade:start|espontaneidade]] da vida com a [[lexico:a:atividade:start|atividade]] criadora do espírito. Mais especificamente, a [[lexico:p:psicologia:start|psicologia]] espiritualista é a que estuda os fenômenos psicológicos como produtos das [[lexico:f:faculdades-da-alma:start|faculdades da alma]]. (V. [[lexico:c:cousin:start|Cousin]], [[lexico:l:lachelier:start|Lachelier]].) Designa-se espiritualismo (do latim: spiritus = espírito), em oposição a materialismo, a doutrina que defende a realidade do espírito ou de seres espirituais. — O espiritualismo metafísico procura [[lexico:e:explicar:start|explicar]] o ser, a partir do espírito. A forma monista do espiritualismo supõe que toda realidade é espírito, e precisamente o espírito [[lexico:u:unico:start|único]] e [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]] (assim no [[lexico:i:idealismo-alemao:start|idealismo alemão]]); a forma pluralista propugna que a realidade consta de uma [[lexico:p:pluralidade:start|pluralidade]] de seres espirituais; segundo isso, ao [[lexico:c:corpo:start|corpo]] não corresponde nenhum ser substantivo (assim o idealismo de [[lexico:b:berkeley:start|Berkeley]], a [[lexico:m:monadologia:start|monadologia]] de Leibniz, etc); a forma teísta afirma que o [[lexico:f:fundamento:start|fundamento]] [[lexico:p:primario:start|primário]] de toda realidade é espírito e, por tal [[lexico:m:motivo:start|motivo]], as demais [[lexico:c:coisas-reais:start|coisas reais]] possuem [[lexico:a:afinidade:start|afinidade]] com ele. — O 8»pt-ritualismo [[lexico:p:psicologico:start|psicológico]] professa a espiritualidade da [[lexico:a:alma:start|alma]] humana, quer como [[lexico:c:corolario:start|corolário]] do espiritualismo metafísico, quer em [[lexico:c:contraposicao:start|contraposição]] ao corpo material. A doutrina de [[lexico:d:descartes:start|Descartes]] apresenta uma forma estreme do espiritualismo psicológico: espírito (= [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] e [[lexico:l:liberdade:start|liberdade]]) e matéria (= [[lexico:e:extensao:start|extensão]] e [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]] [[lexico:m:mecanica:start|mecânica]]) opõem-se entre si imediatamente sem os graus intermédios da [[lexico:v:vida-vegetativa:start|vida vegetativa]] e sensitiva, os quais entanto não são puramente materiais, embora dependam da matéria. — O espiritualismo ético-sociológico acentua a [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] [[lexico:e:essencial:start|essencial]] existente entre os interesses animais e os especificamente espiritual-humanos. Quando exagerado, considera o corpóreo em seu mero [[lexico:v:valor:start|valor]] de servidor do espírito, ou simplesmente até como não-valor ou [[lexico:m:mal:start|mal]]. — Não se confunda o espiritualismo com o [[lexico:e:espiritismo:start|espiritismo]]. — Colocam-se os espiritualistas numa [[lexico:p:posicao:start|posição]] inversa. A Psicologia não pode ser reduzida à [[lexico:f:fisiologia:start|fisiologia]], e os fatos fisiológicos, [[lexico:p:por-si:start|por si]] sós, não são suficientes para explicar os fatos psicológicos. O espiritualista afirma a espiritualidade da alma, cuja atividade, [[lexico:b:bem:start|Bem]] como sua [[lexico:e:existencia:start|existência]], são independentes da matéria. Cabe ao espiritualista responder a um conjunto de perguntas que desde logo se colocam: 1) Qual é a natureza dessa alma? 2) Quais as [[lexico:r:relacoes:start|relações]] entre a alma e o corpo? 3) Qual a [[lexico:o:origem:start|origem]] e o [[lexico:d:destino:start|destino]] da alma? Muitas têm sido as respostas a essas perguntas fundamentais. Sintetizaremos apenas as mais importantes. 1) A alma é uma [[lexico:s:substancia-espiritual:start|substância espiritual]], imaterial, incorpórea. Não apresenta as características dos corpos que se dão no [[lexico:c:complexo:start|complexo]] tempo-espacial, que são extensistas com a tridimensionalidade própria do [[lexico:e:espaco:start|espaço]]. A alma, incorpórea, não tem a tridimensionalidade do espaço, embora atue no [[lexico:t:tempo:start|tempo]]. Como é [[lexico:s:simples:start|simples]], não é decomponível; portanto não conhece a [[lexico:m:morte:start|morte]], que é decomposição. É imortal, consequentemente. Esta é a [[lexico:o:opiniao:start|opinião]] dos espiritualistas em [[lexico:g:geral:start|geral]]. 2) A alma é uma coleção de fenômenos e de sensações. Não tem ela materialidade, mas é apenas um relacionamento coordenado de funções psíquicas. Esta opinião, acusada por muitos de materialista, tomou o [[lexico:n:nome:start|nome]] geral de [[lexico:f:fenomenismo:start|fenomenismo]], e foi defendida por [[lexico:t:taine:start|Taine]], que fazia [[lexico:q:questao:start|questão]] de que não o chamassem de materialista, mas podemos encontrá-la já esboçada em [[lexico:h:hume:start|Hume]]. "Quando penetro mais intimamente no que se chama [[lexico:e:eu:start|eu]] mesmo, caio sempre sobre alguma [[lexico:p:percepcao:start|percepção]] [[lexico:p:particular:start|particular]] ou alguma outra, de calor ou de frio, de [[lexico:l:luz:start|luz]] ou de obscuridade. .. Não posso, nunca, tomar a mim mesmo numa percepção, e pode-se dizer seguramente que eu não existo." (Hume). Não alcançamos nosso eu senão através de seus atos. É um [[lexico:f:fato:start|fato]] observável. Conclui pela inexistência do eu, pelo fato de não ser alcançado. Mas como concluir daí a sua inexistência? 3) A [[lexico:e:explicacao:start|explicação]] [[lexico:e:escolastica:start|escolástica]]. Para os escolásticos, a substância e os acidentes (o que acontece à substância), não são dois seres, mas dois [[lexico:p:principios:start|princípios]] de um mesmo ser. [[lexico:t:todo:start|todo]] [[lexico:a:acidente:start|acidente]], que pode surgir e pode desaparecer, supõe um [[lexico:s:suppositum:start|suppositum]], um suporte, o [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]], uma realidade permanente, na qual se produzem tais modificações. Como conceber a côr, o calor, sem corpos coloridos, quentes? Os fenômenos psicológicos são apenas acidentes, pois são transitórios, mutáveis. Ora estou triste, ora alegre, etc. Há, consequentemente, uma substância sub-jacente a esses fenômenos, a esses acidentes psicológicos. Nós captamos a [[lexico:u:unidade:start|unidade]] do nosso eu. A [[lexico:m:memoria:start|memória]] atribui ao mesmo eu fatos passados. Sem essa [[lexico:p:permanencia:start|permanência]], como haver memorização de fatos passados? Haveria, ao contrário, apenas fatos atuais. O acidente, [[lexico:c:como-se:start|como se]] viu na [[lexico:o:ontologia:start|ontologia]], não é um ser com uma existência [[lexico:i:independente:start|independente]]. Os acidentes dão-se na substância. O ser do acidente consiste em ser num ser (inesse). Também as relações, que são seres assistenciais, implicam os seus suportes. Mas a substância não é um ser sem acidentes, pois à substância tudo quanto acontece é acidente. A substância é essencial aos acidentes, mas estes não o são de [[lexico:m:modo:start|modo]] determinado à substância. Os [[lexico:f:fatos-psiquicos:start|fatos psíquicos]] implicam portanto uma substância, que realiza atos psíquicos. Essa alma é simples, imaterial. Se fosse composta de partes, e portanto material, cada [[lexico:p:parte:start|parte]] simples teria um [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] do todo. Teríamos então uma [[lexico:m:multiplicidade:start|multiplicidade]] de almas, tenho cada uma um conhecimento [[lexico:p:proprio:start|próprio]], [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] contrário à [[lexico:e:experiencia:start|experiência]] que temos da [[lexico:u:unicidade:start|unicidade]] do conhecimento. Ainda poderíamos observar que cada parte do [[lexico:p:principio:start|princípio]] cognoscente conheceria uma parte do [[lexico:o:objeto:start|objeto]], mas o próprio objeto não seria conhecido em seu conjunto, o que também é contrário aos fatos. A [[lexico:i:ideia:start|ideia]] de espiritualidade supõe a simplicidade, a [[lexico:i:imaterialidade:start|imaterialidade]]. Os estudos sobre a memória mostram-nos que não se pode explicá-la como uma mera [[lexico:f:funcao:start|função]] do cérebro, como já o provaram tanto filósofos como fisiologistas. A [[lexico:c:capacidade:start|capacidade]] de construir [[lexico:i:ideias:start|ideias]] abstratas e gerais não se pode explicar apenas pelo que é [[lexico:s:singular:start|singular]]. Uma [[lexico:i:imagem:start|imagem]] pode ser uma cópia da matéria, mas como concluir que o seja uma ideia abstrata? A ideia de [[lexico:j:justica:start|justiça]], de bem, de [[lexico:p:perfeicao:start|perfeição]] são puramente intelectuais, e não dadas pela experiência. Ora, há um [[lexico:a:axioma:start|axioma]] [[lexico:o:ontologico:start|ontológico]] que nos diz que cada ser atua segundo o que é ([[lexico:a:agere-sequitur-esse:start|agere sequitur esse]]). O espírito [[lexico:h:humano:start|humano]] tem representações intelectuais, portanto é uma [[lexico:i:inteligencia:start|inteligência]] pura. Se por [[lexico:m:meio:start|meio]] do material o espírito realiza o imaterial, espiritual, é porque ele sem [[lexico:d:duvida:start|dúvida]] é espiritual. Quidquid recipitur ad modum recipientis recipitur, cada um recebe a [[lexico:a:acao:start|ação]] que sofre segundo o que é. A fotografia de um [[lexico:t:triangulo:start|triângulo]], que o geômetra traça no papel, não é o pensamento sobre o triângulo. Só o [[lexico:h:homem:start|homem]] intui do [[lexico:c:concreto:start|concreto]] e do particular o [[lexico:a:abstrato:start|abstrato]] e o geral. Só o homem tem intuições eidéticas. [[lexico:a:alem:start|Além]] do mais, o homem capta ideias normativas, o [[lexico:e:ethos:start|ethos]], que estudaremos na "[[lexico:e:etica:start|Ética]]". Elas não nascem da experiência [[lexico:s:sensivel:start|sensível]], afirmam os espiritualistas. A ideia do bem e do [[lexico:b:belo:start|belo]] não surgem da nossa experiência, elas afirmam uma [[lexico:p:participacao:start|participação]] nossa em [[lexico:o:outro:start|outro]] [[lexico:m:mundo:start|mundo]] que não este, onde tais valores se dão numa perfeição [[lexico:s:superior:start|superior]] à que nós deles temos. A [[lexico:v:vontade:start|vontade]] mostra-nos uma atividade espiritual. P. Lamy analisa o exemplo do soldado que, na [[lexico:g:guerra:start|guerra]], tem um membro infeccionado. Não há anestésicos. É preciso amputá-lo. Todo o seu corpo diz não. Mas sua vontade diz sim, e aceita a proposta do médico. Como explicar tal [[lexico:a:ato:start|ato]], quando todo [[lexico:o:organismo:start|organismo]] se rebela à [[lexico:d:dor:start|dor]] que o ameaça? Ante as relações entre o corpo e a alma, explica o espiritualista : o homem não é um [[lexico:p:puro:start|puro]] espírito, ele é também corpo. É o espírito que [[lexico:a:anima:start|anima]] [[lexico:e:esse:start|esse]] corpo, um princípio imaterial que o anima. Mas como realidades tão heterogêneas podem agir uma sobre a outra? Os idealistas absolutos, que negam a matéria, resolvem este [[lexico:p:problema:start|problema]] pela aceitação de um [[lexico:m:monismo:start|monismo]] espiritualista. O paralelismo psico-fisiológico, que já estudamos na Psicologia, procura explicar, sem no entanto resolver, o problema da [[lexico:a:acao-reciproca:start|ação recíproca]] entre [[lexico:c:corpo-e-alma:start|corpo e alma]]. O problema coloca-se portanto deste modo: a.) enquanto os idealistas não são capazes de explicar o [[lexico:p:problema-da-sensacao:start|problema da sensação]], também não são os materialistas capazes de explicar o pensamento. b) A aceitação de um [[lexico:d:dualismo:start|dualismo]] não nos explica a ação recíproca. Vejamos a resposta de [[lexico:t:tomas-de-aquino:start|Tomás de Aquino]]: A alma é a forma do corpo. É a alma que dá ao corpo o ser, a vida, o [[lexico:s:sentimento:start|sentimento]], e é ao mesmo tempo o [[lexico:i:instrumento:start|instrumento]] do pensamento. Eia pode atuar e [[lexico:e:existir:start|existir]] independentemente da matéria. A alma não é uma forma como a dos seres corpóreos, como a da flor, que precisa da matéria para existir. A alma é uma forma subsistente, e pode [[lexico:s:subsistir:start|subsistir]] sem a matéria. Qual a origem e o destino da alma? A esta [[lexico:p:pergunta:start|pergunta]] são dadas, pelos espiritualistas, as seguintes respostas principais: Pondo-se de lado as opiniões evolucionistas, que não são aceitas por todos os. espiritualistas, senão sob certo [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]], a opinião predominante, no Ocidente, é a criacionista. Os evolucionistas, quando são espiritualistas, dizem que [[lexico:d:deus:start|Deus]] atua por [[lexico:c:causas:start|causas]] primeiras e causas segundas (e aqui aproveitam o [[lexico:r:raciocinio:start|raciocínio]] tomista). Se o homem é portador de uma alma, é porque Deus providenciou (pro-videre, viu com antecedência) ordenou o mundo de tal modo que se dessem tais ou quais consequências para que ela surgisse. A [[lexico:e:evolucao:start|evolução]] processou-se pela conjunção de causas segundas favoráveis, que atuando como predisponentes, permitiram a [[lexico:e:emergencia:start|emergência]] da alma, que nos animais é simplesmente vegetativa ou [[lexico:a:animal:start|animal]], mas que, no homem, é [[lexico:r:racional:start|racional]]. Esta posição realiza um [[lexico:c:compromisso:start|compromisso]] entre o [[lexico:e:evolucionismo:start|evolucionismo]] e o espiritualismo, e empresta à matéria uma [[lexico:v:virtualidade:start|virtualidade]] espiritual. No entanto, poderiam argumentar os defensores de tais ideias que não se empresta à matéria essa virtualidade, enquanto matéria. O material é um modo de ser, como o espiritual é um modo de ser. O ser que as antecede em [[lexico:d:dignidade:start|dignidade]] e poder é que se atualiza como espiritual, quando um conjunto de condições favoráveis permitiram que a matéria fosse receptáculo de outro ser, o espiritual, que não é um [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]] daquela enquanto tal, mas do ser, que a antecede. O ser animal, graças à [[lexico:p:providencia:start|providência]] divina, alcançou um [[lexico:e:estado:start|Estado]] em que podia receber a alma, isto é, [[lexico:t:ter:start|ter]] funções espirituais, afirmam os evolucionistas espiritualistas, ou a receber uma alma, afirmam os criacionistas, que admitem a evolução, que é um [[lexico:p:ponto:start|ponto]] intermédio entre os primeiros e os criacionistas puros. Uma pergunta impõe-se aos criacionistas puros, que não admitem nenhuma procedência da animalidade: por que Deus preferiu a forma animal, aparentada aos primatas, e não outra para ser receptáculo de uma forma espiritual? Não deveria corresponder fisiologicamente ao psicológico? Outras perguntas se impõem: ou a alma vem dos país, ou foi criada por Deus? E quando surge a alma da criança? Se ela preexistia, onde estava? Num animal, numa [[lexico:c:coisa:start|coisa]], ou pairava em um mundo imaterial à espera da sua informação material? A Igreja quanto à passagem bíblica que diz: "E Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à [[lexico:i:imagem-de-deus:start|imagem de Deus]]. Fê-lo do barro, e insuflou-lhe nas narinas um [[lexico:s:sopro:start|sopro]] de vida e o homem tornou-se um ser vivo" (II, 17), dá liberdade às investigações dos filósofos católicos. Reconhece que este [[lexico:t:texto:start|texto]] não pode ser tomado ao pé da letra. A Encíclica "[[lexico:d:divino:start|divino]] afflante Spirito" permite que se considere essa passagem como uma [[lexico:e:exposicao:start|exposição]] popular (exotérica), afim de ser melhor compreendida pelo homem do [[lexico:p:povo:start|povo]]. Fabre d’Olivet, traduzindo o texto hebraico, de cuja [[lexico:l:lingua:start|língua]] foi ele um restaurador, traduz deste modo: "E IHOAH, a [[lexico:d:deidade:start|deidade]] Criadora, modelou a substância de Adão, o homem, com a [[lexico:s:sublimacao:start|sublimação]] das partes mais subtis dos [[lexico:e:elementos:start|elementos]] adâmicos, e soprei-lhe na inteligência uma [[lexico:e:essencia:start|essência]] exaltada de vidas; e Adão tornou-se uma [[lexico:s:semelhanca:start|semelhança]] da Alma [[lexico:u:universal:start|universal]]." Às perguntas que acima alinhamos, os espiritualistas afirmam preferentemente que a alma veio de Deus. Outros, porém, admitem que seja transmitida pelos pais, o que explicaria o [[lexico:p:pecado-original:start|pecado original]], que é transmitido deste modo, por [[lexico:g:geracao:start|geração]]. Admitem outros que a alma animal é transmitida por geração. Mas o espírito não o é. Se se admite essa explicação, como surgiriam as funções espirituais? É esta dificuldade que leva a construir a ideia de espírito, que [[lexico:a:agora:start|agora]] se torna clara. Quanto ao seu destino, afirmam os espiritualistas a [[lexico:i:imortalidade-da-alma:start|imortalidade da alma]], por ser imaterial e espiritual, a qual não sofre a dissociação dos elementos, pois é simples. Desligada do corpo, não pode sofrer o destino do corpo. (in. Spiritualism, Personalism; fr. Spiritualisme; al. Spiritualismus; it. Spiritualismo). 1. Entende-se por esse [[lexico:t:termo:start|termo]] toda doutrina que pratique a filosofia como [[lexico:a:analise:start|análise]] da [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] ou que, em geral, pretenda extrair da consciência os dados da [[lexico:p:pesquisa:start|pesquisa]] filosófica ou científica. Essa [[lexico:p:palavra:start|palavra]] começou a ser utilizada no século passado por V. Cousin, que, no prefácio à edição de 1853 de sua [[lexico:o:obra:start|obra]] Du vrai, du beau et du bien, assim escrevia: "Nossa verdadeira doutrina, nossa verdadeira bandeira é o espiritualismo, essa filosofia tão sólida quanto generosa, que começa em [[lexico:s:socrates:start|Sócrates]] e [[lexico:p:platao:start|Platão]], que o Evangelho difundiu pelo mundo, que Descartes colocou nas formas severas do pensamento [[lexico:m:moderno:start|moderno]], que no séc. XVII foi uma das glórias e das forças da pátria, que pereceu com a [[lexico:g:grandeza:start|grandeza]] nacional no séc. XVIII e que no início deste século Royer Collard reabilitou no ensino [[lexico:p:publico:start|público]], enquanto Chateaubriand e Madame de Staël a transportavam para a [[lexico:l:literatura:start|literatura]] e para a [[lexico:a:arte:start|arte]]... Essa filosofia ensina a espiritualidade da alma, a liberdade e a [[lexico:r:responsabilidade:start|responsabilidade]] das [[lexico:a:acoes:start|ações]] humanas, as obrigações morais, a [[lexico:v:virtude:start|virtude]] desinteressada, a dignidade da justiça, a [[lexico:b:beleza:start|beleza]] da [[lexico:c:caridade:start|caridade]]; e além dos limites deste mundo mostra um Deus, autor e [[lexico:m:modelo:start|modelo]] da [[lexico:h:humanidade:start|humanidade]], que, depois de tê-la criado evidentemente para um propósito excelente, não a abandonará no desenrolar misterioso de seu destino. Essa filosofia é a aliada [[lexico:n:natural:start|natural]] de todas as causas justas. Sustenta o sentimento [[lexico:r:religioso:start|religioso]], favorece a verdadeira arte, a [[lexico:p:poesia:start|poesia]] digna desse nome, a grande literatura; é o apoio do [[lexico:d:direito:start|direito]]; rejeita igualmente a demagogia e a [[lexico:t:tirania:start|tirania]], etc". Esse programa do espiritualismo, magistralmente delineado por Cousin, foi adotado por todas as numerosíssimas formas assumidas por essa corrente filosófica na [[lexico:f:filosofia-moderna:start|filosofia moderna]] e contemporânea. O apoio às "boas causas", isto é, aos valores morais, políticos, sociais e religiosos da [[lexico:t:tradicao:start|tradição]], continuou sendo [[lexico:p:preocupacao:start|preocupação]] constante do espiritualismo, que, sob esse aspecto, tem o [[lexico:c:comportamento:start|comportamento]] e a natureza de uma escolástica. O meio de realizar seu programa foi também indicado por Cousin: o recurso à consciência, à [[lexico:r:reflexao:start|reflexão]] interior ou [[lexico:i:introspeccao:start|introspecção]] para o inventário dos dados indispensáveis à [[lexico:e:especulacao:start|especulação]]. O recurso à consciência, como o próprio Cousin observava, vincula o espiritualismo ao idealismo romântico, mas este não compartilha com o idealismo romântico a identificação entre consciência finita (humana) e Consciência infinita (divina). Como defensor da [[lexico:t:teologia:start|teologia]] cristã tradicional (a principal das suas "boas causas"), o espiritualismo não admite essa identificação, que lembra [[lexico:p:panteismo:start|panteísmo]] ou [[lexico:a:ateismo:start|ateísmo]]. A [[lexico:f:figura:start|figura]] principal do espiritualismo do século passado é [[lexico:m:maine-de-biran:start|Maine de Biran]] (1766-1824); a figura principal do espiritualismo do séc. XX é Henri Bergson (1859-1941). O espiritualismo tem congenialidade com a filosofia francesa, que hauriu em Montaigne e [[lexico:p:pascal:start|Pascal]] a prática de filosofar como [[lexico:i:interrogacao:start|interrogação]] da consciência. Mas em todos os países suas manifestações são numerosas, conquanto não muito diferentes. As grandes figuras da filosofia do risorgimento italiano, Galluppi, Rosmini, Gioberti e Mazzini, inspiraram-se na tradição espiritualista. Na Alemanha, a obra de Hermann Lotze inspirou e conduziu a retomada do espiritualismo, e a obra [[lexico:m:microcosmo:start|microcosmo]], desse autor, pode-se dizer que constitui o epítome do espiritualismo oitocentista, defendido de forma inteligente contra o cientificismo positivista. No mundo contemporâneo, a obra de Bergson renovou o espiritualismo ao ir ao encontro, na medida do [[lexico:p:possivel:start|possível]], das exigências da [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] e ao re-propor suas teses fundamentais sobre problemas específicos, como liberdade, alma, vida, [[lexico:m:moralidade:start|moralidade]], religião, etc. Em todas as suas formas, porém, o espiritualismo tem em comum algumas teses fundamentais", que derivam do seu [[lexico:c:conceito:start|conceito]] da filosofia como análise da consciência e que podem ser assim resumidas: 1a [[lexico:n:negacao:start|Negação]] da realidade do mundo [[lexico:e:externo:start|externo]], ou seja, o idealismo gnosiológico. Essa negação pode ser mais ou menos condicionada ou indireta, mas em última análise é inevitável, porque uma realidade [[lexico:e:exterior:start|exterior]] à consciência seria, por [[lexico:d:definicao:start|definição]], inacessível a esta e contradiria o compromisso metodológico do espiritualismo. Logo, direta ou indiretamente, essa doutrina reduz a realidade a objeto [[lexico:i:imediato:start|imediato]] da consciência; 2a [[lexico:c:consequente:start|consequente]] [[lexico:r:reducao:start|redução]] da ciência a conhecimento [[lexico:f:falso:start|falso]], imperfeito ou preparatório. Os espiritualistas mais avisados, como Lotze e Bergson, reduziram a ciência a conhecimento preparatório. 3a Inventário, na consciência, de dados aptos a construir o mundo da natureza e o mundo da [[lexico:h:historia:start|história]] em seu [[lexico:c:carater:start|caráter]] finalista ou providencial. 4a Inventário, na consciência — e, portanto, no mundo da natureza e da história —, de dados que remontariam a Deus ou a um princípio divino em alguma de suas especificações que se ajustasse à tradição teológica do cristianismo. 5a Defesa da tradição e das instituições em que a tradição se encarna, porquanto a tradição é interpretada como [[lexico:m:manifestacao:start|manifestação]] no mundo humano do mesmo princípio divino que se revela na consciência. A defesa das "boas causas", de que falava Cousin, na [[lexico:m:maioria-das-vezes:start|maioria das vezes]] se traduz em conservadorismo [[lexico:p:politico:start|político]]. 2. O mesmo que espiritismo. Esse [[lexico:u:uso:start|uso]] é mais comum em inglês, mas pode ser encontrado também em italiano e em alemão (cf., p. ex., a obra de I. H. [[lexico:f:fichte:start|Fichte]], Der neue Spiritualismus, 1878). {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}