===== ESCOLA DE MARBURGO ===== Os representantes da [[lexico:e:escola|escola]] "logicista" de Marburgo orientam-se todos para as ciências exatas da [[lexico:n:natureza|natureza]]. Muito embora também se apliquem à [[lexico:e:etica|ética]] e até mesmo à [[lexico:f:filosofia-da-religiao|filosofia da religião]], o centro de [[lexico:i:interesse|interesse]] deles é sempre a [[lexico:r:razao|razão]] teórica. Na [[lexico:c:critica-da-razao-pura|Crítica da Razão Pura]], e especialmente na [[lexico:d:deducao-transcendental|dedução transcendental]], vêem eles a [[lexico:p:parte|parte]] decisiva da [[lexico:o:obra|obra]] kantiana. Aperfeiçoam o [[lexico:i:idealismo|Idealismo]] num [[lexico:s:sentido|sentido]] extremamente radical: tudo sem [[lexico:e:excecao|exceção]] se reduz às leis lógicas imanentes da [[lexico:r:razao-pura|razão pura]]. Como todos os neokantianos, rejeitam a [[lexico:s:sensacao|sensação]] como fator autônomo do [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]]. A sensação [[lexico:n:nao|não]] se opõe ao [[lexico:p:pensamento|pensamento]] como um [[lexico:e:elemento|elemento]] estranho, mas é simplesmente uma [[lexico:g:grandeza|grandeza]] [[lexico:m:matematica|matemática]] X. Não é algo [[lexico:d:dado|dado]] (gegeben) ao conhecimento, é antes uma [[lexico:t:tarefa|tarefa]] imposta (aufgegeben) ao conhecimento, o qual deve determiná-la [[lexico:p:por-si|por si]]. Não há [[lexico:i:intuicao|intuição]]; a razão é um"[[lexico:p:produto|produto]]" desta [[lexico:a:atividade|atividade]]. Só que esta não deve [[lexico:s:ser|ser]] tomada no sentido de atividade psicológica: trata-se de combinações puramente lógicas de [[lexico:c:conceitos|conceitos]]. Estes conceitos são também [[lexico:r:relacoes|relações]] lógicas. Em [[lexico:s:suma|suma]], [[lexico:t:todo|todo]] ser, a [[lexico:r:realidade|realidade]] inteira, reduz-se a um tecido de relações lógicas e nega-se todo e qualquer elemento [[lexico:i:irracional|irracional]]. Deu-se a esta [[lexico:t:teoria|teoria]] o [[lexico:n:nome|nome]] "idealismo [[lexico:l:logico|lógico]]" ou "[[lexico:p:panlogismo|panlogismo]]". Como, dentro deste quadro, [[lexico:e:explicar|explicar]] a [[lexico:o:objetividade|objetividade]] dos juízos e atribuir sentido à [[lexico:p:palavra|palavra]] "[[lexico:v:verdade|verdade]]"? Os idealistas da [[lexico:e:escola-de-marburgo|escola de Marburgo]] respondem a esta [[lexico:p:pergunta|pergunta]] remeten-do-nos para as [[lexico:c:categorias|categorias]]. Segundo eles, estas são pontos de vista, regras metódicas de natureza totalmente apriórica, isto é, são independentes da [[lexico:e:experiencia|experiência]] e determinam o [[lexico:v:valor|valor]] de verdade dos juízos: um [[lexico:j:juizo|juízo]] é [[lexico:v:verdadeiro|verdadeiro]] e [[lexico:o:objetivo|objetivo]], quando formado de [[lexico:a:acordo|acordo]] com elas, e é [[lexico:f:falso|falso]] quando está em [[lexico:c:contradicao|contradição]] com elas. As categorias são as condições do conhecimento. Fora delas existe, decerto, um pensamento, nunca porém um conhecimento. Deste [[lexico:m:modo|modo]] explicam eles a objetividade do [[lexico:s:saber|saber]], sem se referirem a qualquer elemento [[lexico:t:transcendente|transcendente]] ou irracional. Também no domínio da [[lexico:m:moral|moral]], as normas são, para eles, necessariamente aprióricas, não procedem da experiência. No fundo, a ética [[lexico:n:nada|nada]] mais é do que uma [[lexico:l:logica|lógica]] do [[lexico:d:dever|dever]]; como em [[lexico:k:kant|Kant]], este dever é puramente [[lexico:f:formal|formal]], isto é, carece de conteúdo. Mas os marburgenses diferenciam-se do fundador do [[lexico:c:criticismo|criticismo]] pelo [[lexico:c:carater|caráter]] [[lexico:s:social|social]] de sua doutrina, em [[lexico:o:oposicao|oposição]] ao [[lexico:i:individualismo|individualismo]] de Kant. Chegaram mesmo a tentar uma [[lexico:s:sintese|síntese]] do [[lexico:k:kantismo|kantismo]] e do [[lexico:s:socialismo|socialismo]] marxista. Quanto à [[lexico:r:religiao|religião]], a escola de Marburgo não lhe reconhece qualquer [[lexico:s:significacao|significação]] própria; não é mais do que uma [[lexico:f:forma|forma]] da [[lexico:m:moralidade|moralidade]], da qual, segundo [[lexico:c:cohen|Cohen]], [[lexico:d:deus|Deus]] representa apenas um [[lexico:i:ideal|ideal]] moral, a meta a que se endereça o [[lexico:t:trabalho|trabalho]] especificamente moral. No caso de [[lexico:n:natorp|Natorp]], que a [[lexico:p:principio|princípio]] professava as mesmas [[lexico:i:ideias|ideias]], não se sabe ao certo se mais [[lexico:t:tarde|Tarde]] mudou realmente de [[lexico:o:opiniao|opinião]]. Neste [[lexico:p:particular|particular]] os marburgenses, mais que os restantes idealistas, permanecem fiéis a Kant. Prolongam assim o [[lexico:e:espirito|espírito]] do século XIX. O caráter monista de seu filosofar, que pretende explicar a realidade global por um só princípio lógico, vinca esta [[lexico:t:tendencia|tendência]] com um cunho ainda mais pronunciado.