===== ERIXIAS ===== O início do Erixias, que lembra o prólogo do [[lexico:c:carmides|Cármides]], põe em cena junto de [[lexico:s:socrates|Sócrates]] e de Erixias, [[lexico:c:critias|Crítias]] que se tornará um dos Trinta Tiranso e Erisistratos, o sobrinho do demagogo Feax, que foi talvez ele também, um dos Trinta. Erixias é o principal [[lexico:i:interlocutor|interlocutor]] da primeira [[lexico:p:parte|parte]], Critias da segunda, e Sócrates da terceira, enquanto permanece no conjunto apagado. Três teses são examinadas no curso deste [[lexico:d:dialogo|diálogo]] recontado: 1) Só o [[lexico:s:sabio|sábio]] é verdadeiramente rico; 2) A [[lexico:r:riqueza|riqueza]] [[lexico:n:nao|não]] é em si nem um [[lexico:b:bem|Bem]] nem um [[lexico:m:mal|mal]], mas pode se tornar; 3) A riqueza é indissociável da [[lexico:u:utilidade|utilidade]]. São ricos aqueles que possuem objetos de [[lexico:v:valor|valor]]. Mas [[lexico:n:nada|nada]] não tem mais valor do que a [[lexico:f:felicidade|felicidade]]. Ora a felicidade é indissociável da [[lexico:s:sabedoria|sabedoria]]. A conclusão se impõe logo: a sabedoria que garante ao [[lexico:h:homem|homem]] a felicidade é o mais precioso dos [[lexico:b:bens|bens]]. Erixias não está convencido porque considera como uma [[lexico:d:disputa|disputa]] oratória, e recomenda de prosseguir a [[lexico:d:discussao|discussão]] sobre um [[lexico:o:outro|outro]] terreno pondo a seguinte [[lexico:q:questao|questão]]: a riqueza é um bem ou um mal? Erixias estima que é um bem, enquanto Critias busca mostrar que nem sempre é o caso, pois a riqueza permite satisfazer todos os desejos, o que faz que por vezes seja [[lexico:f:fonte|fonte]] de males. Sócrates intervém para lidar com o [[lexico:a:amor-proprio|amor-próprio]] de Erixias contando uma [[lexico:a:anedota|anedota]]. Um dia Prodicos sustentava a mesma [[lexico:t:tese|tese]] que Critias, ele foi confundido por um jovem homem, e teve de deixar o ginásio onde falava. Como [[lexico:e:explicar|explicar]] então que Crítias seja [[lexico:a:agora|agora]] considerado como o vencedor? Pela [[lexico:q:qualidade|qualidade]] do homem. Em Prodicos, os auditores viram um [[lexico:s:sofista|sofista]] e falador; em Crítias, eles distinguem um homem [[lexico:p:politico|político]] digno de consideração. Mas a vitória de Crítias não é definitiva. Deve-se prosseguir na discussão. [[lexico:s:ser|ser]] rico, é possuir muitos bens. Trata-se de uma [[lexico:c:condicao|condição]] necessária, mas não suficiente. Ainda é [[lexico:n:necessario|necessário]] que estes bens sejam úteis, que sirvam para algo. Mas se é [[lexico:p:possivel|possível]] atender às [[lexico:n:necessidades-da-vida|necessidades da vida]] sem fazer intervir o que se considera como riquezas, o ouro e a prata por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], então é preciso concluir que o ouro e a prata não são riquezas. Por conseguinte, as riquezas não são úteis senão àqueles que delas sabem se servir, quer dizer aos sábios; daí decorre que somente os sábios são ricos, o que constitui um [[lexico:r:retorno|retorno]] à primeira tese. Enfim, é forçoso constatar que as riquezas servem para atender necessidades. Ora, as necessidades são dependentes de desejos, e aqueles que são ricos são aqueles que têm mais desejos. Mas os desejos podem levar ao mal. Consequentemente, o [[lexico:e:estado|Estado]] melhor é aquele onde se experimenta menos desejos, onde se tem menos necessidades, pois os mais ricos são também os mais miseráveis, o que constitui um retorno à segunda tese. Tudo leva a crer que este [[lexico:d:dialogos|diálogos]] foi redigido no quadro da Nova [[lexico:a:academia|Academia]] que se aproximou do [[lexico:e:estoicismo|estoicismo]]. A [[lexico:i:influencia|influência]] estoica aí é inegável, como testemunham a tese segundo a qual só o sábio é rico e a [[lexico:c:classificacao|classificação]] das riquezas entre as [[lexico:c:coisas|coisas]] "[[lexico:i:indiferentes|indiferentes]]", quer dizer entre aquelas que não são nem boas nem más em si. *(Brisson, Platon, oeuvres complètes)* [[lexico:e:estrutura|estrutura]] dada por Léon Robin à versão francesa da [[lexico:o:obra|obra]] completa de [[lexico:p:platao|Platão]]: Platon : Oeuvres complètes, tome 2 - Prólogo - A Sabedoria é a única riqueza autêntica - Em que a riqueza é máDebate entre Erixias e Crítias - Intervenção de Sócrates: a desventura de Prodicos - Para que bens se constituam em riqueza, é preciso que sejam úteisQuais são as coisas úteis que são uma riqueza e em quais condições? - Inútil por vezes à manutenção da [[lexico:v:vida|vida]], a [[lexico:f:fortuna|fortuna]] é por outro lado um [[lexico:s:sinal|sinal]] ou um adjucante da [[lexico:c:corrupcao|corrupção]] [[lexico:m:moral|moral]] - Conclusão