===== EPISTEMOLOGIA ===== [[lexico:e:estudo|estudo]] dos métodos de [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] que são praticados nas ciências. — [[lexico:k:kant|Kant]], e após ele Hermann [[lexico:c:cohen|Cohen]] ([[lexico:e:escola-de-marburgo|escola de Marburgo]]) inauguraram a epistemologia [[lexico:m:moderna|moderna]] e destacaram os [[lexico:p:principios|princípios]] e os métodos da [[lexico:f:fisica|física]] de Newton. A [[lexico:t:teoria|teoria]] das ciências foi completada por Ernst [[lexico:c:cassirer|Cassirer]] (em Erkenntnisproblem, Problemas do conhecimento na [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] e a [[lexico:c:ciencia|ciência]] dos novos tempos); por Leon [[lexico:b:brunschvicg|Brunschvicg]], que pôs em relevo (em As etapas da filosofia [[lexico:m:matematica|matemática]]) as formas do [[lexico:p:pensamento|pensamento]] matemático, notadamente o [[lexico:c:carater|caráter]] infinitamente criador do pensamento conceituai; e por Jules [[lexico:v:vuillemin|Vuillemin]] (na Filosofia da [[lexico:a:algebra|álgebra]], 1962) que, inspirando-se nos trabalhos de Cavaillès sobre o [[lexico:a:axiomatico|axiomático]] e o [[lexico:f:formalismo|formalismo]] algébrico, retraça a [[lexico:h:historia|história]] dos diferentes métodos de [[lexico:a:analise|análise]] matemática. Contudo, é [[lexico:b:bachelard|Bachelard]] o maior epistemólogo francês, o [[lexico:t:teorico|teórico]] da ciência moderna (em O novo [[lexico:e:espirito-cientifico|espírito científico]], 1934); ele demonstra que o pensamento [[lexico:r:racional|racional]], o [[lexico:e:esforco|esforço]] de sistematização precedem o contato com a [[lexico:e:experiencia|experiência]], mas que a experiência faz sempre eclodir todas as nossas sistematizações racionais: tal é o [[lexico:s:sentido|sentido]] do [[lexico:r:racionalismo|racionalismo]] aplicado (1949). A epistemologia permite-nos, a grosso [[lexico:m:modo|modo]], distinguir duas formas fundamentais de conhecimentos: 1.° os conhecimentos "sensualistas" quanto à sua [[lexico:g:genese|gênese]], "empiristas" quanto a seu [[lexico:m:metodo|método]], "realistas" quanto a seu [[lexico:f:fundamento|fundamento]]; 2.° os que são respectivamente "racionalistas", "intelectualistas" e "idealistas". Digamos, enfim, que a [[lexico:r:reducao|redução]] da filosofia à epistemologia caracterizava, ao [[lexico:f:fim|fim]] do século XIX, "o [[lexico:c:cientismo|cientismo]]" (a [[lexico:c:crenca|crença]] incondicionada que a ciência poderia fazer-nos conhecer o [[lexico:a:absoluto|absoluto]]). A epistemologia é, assim, apenas uma [[lexico:r:reflexao|reflexão]] sobre as ciências, das quais ela se esforça por destacar um método universalmente válido, que unificaria e simplificaria todas as operações nas ciências. A Epistemologia - [[lexico:t:teoria-do-conhecimento|teoria do conhecimento]], [[lexico:n:nao|não]] apenas do conhecimento "científico" -, não pode [[lexico:s:ser|ser]] a [[lexico:i:investigacao|investigação]] daquilo que não temos, e que precisamos adquirir. Jamais se poderá, assim, [[lexico:c:compreender|compreender]] o que interessa, ou seja, nossa [[lexico:i:ignorancia|ignorância]]. Não filosofamos para aprender, no sentido [[lexico:p:positivo|positivo]] de aprender, mas, ao contrário, para desaprender o que nos sujeita. Entenda-me [[lexico:b:bem|Bem]] o leitor: não para aprender a [[lexico:r:respeito|respeito]] do que nos sujeita, como nas [[lexico:c:ciencias-humanas|ciências humanas]] e sociais, mas para desaprender o que nos escraviza. Seria ingênuo, aqui, [[lexico:e:estar|estar]] apenas trazendo à baila o batido slogan de que "não importa o que nos determina, mas sim o que fazemos disto que o que nos determina faz de nós". Isto ainda seria apenas aumentar, mais uma vez, nosso "[[lexico:e:espaco|espaço]] de manobra", e não uma "[[lexico:c:conversao|conversão]] ao Ser". Diria [[lexico:p:platao|Platão]] que conhecer é lembrar-se? A Epistemologia é, então, antes de tudo, a investigação daquilo de que precisamos nos livrar, pois compreender a ignorância é [[lexico:c:coisa|coisa]] distinta de investigar positivamente o conhecimento. É a [[lexico:v:verdade|verdade]] que liberta, não o conhecimento. Este só nos aumenta - quando não diminui - nossa [[lexico:i:ilusao|ilusão]] de poder. Ora, à verdade não temos [[lexico:a:acesso|acesso]]. Para ela não há caminhos. Só podemos conhecer o [[lexico:f:falso|falso]] e, assim mesmo, se formos suficientemente atentos para vê-lo pelo que ele é. É preciso [[lexico:t:ter|ter]] isto sempre presente, ao investigarmos os temas clássicos da Epistemologia: a [[lexico:n:nocao|noção]] mesma de verdade; a [[lexico:r:relacao|relação]] do conhecimento com a verdade; as fontes do conhecimento ([[lexico:r:razao|razão]], experiência etc.); seu [[lexico:o:objeto|objeto]] ([[lexico:r:realidade|realidade]], [[lexico:a:aparencia|aparência]]); seus métodos (análise, [[lexico:s:sintese|síntese]]; [[lexico:i:inducao|indução]], [[lexico:d:deducao|dedução]]); e os critérios de avaliação de seus produtos ([[lexico:n:naturalismo|naturalismo]], [[lexico:s:sociologismo|sociologismo]], racionalismo). Tratar-se-á, em todos os casos, segundo este nosso programa ao [[lexico:a:ar|ar]] livre, de investigar aquilo de que precisamos nos livrar, jamais daquilo que precisamos adquirir. Mas o [[lexico:r:reconhecimento|reconhecimento]] do falso, como falso, exige uma [[lexico:q:qualidade|qualidade]] muito especial da [[lexico:a:atencao|atenção]]. Atenção ao que "é". E isto é [[lexico:i:impossivel|impossível]] se, ao invés de olharmos para [[lexico:o:o-que-e|o que é]], julgarmos o que ele deveria ser. [FERNANDES, Sérgio L. de C.. Filosofia e Consciência. uma investigação ontológica da Consciência. Rio de Janeiro: Areté Editora, 1995, p. 24-25]