===== EMPIRISMO LÓGICO ===== (in. Logical empiricism; fr. Empirisme logique; al. Logischer Empirismus; it. [[lexico:e:empirismo-logico|empirismo lógico]]). Com [[lexico:e:esse|esse]] [[lexico:n:nome|nome]] ou com o nome de [[lexico:p:positivismo-logico|positivismo lógico]] indica-se a [[lexico:o:orientacao|orientação]] instaurada pelo [[lexico:c:circulo-de-viena|Círculo de Viena]] e depois seguida e desenvolvida por outros pensadores, especialmente na [[lexico:a:america|América]] do Norte e na Inglaterra. A [[lexico:c:caracteristica|característica]] fundamental dessa corrente é a [[lexico:r:reducao|redução]] da [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] à [[lexico:a:analise|análise]] da [[lexico:l:linguagem|linguagem]]. Nela, porém, podem [[lexico:s:ser|ser]] distinguidas duas tendências fundamentais, segundo se entenda linguagem como linguagem científica ou linguagem comum. Essas duas tendências têm em comum um arsenal [[lexico:n:negativo|negativo]] e [[lexico:p:polemico|polêmico]] (a [[lexico:n:negacao|negação]] de qualquer "[[lexico:m:metafisica|metafísica]]") que elas compartilham com [[lexico:t:todo|todo]] o [[lexico:e:empirismo|empirismo]] [[lexico:m:moderno|moderno]] e que justificam com a [[lexico:t:tese|tese]] de que todos os enunciados metafísicos são desprovidos de [[lexico:s:sentido|sentido]], porque [[lexico:n:nao|não]] verificáveis empiricamente. Têm também em comum as duas teses propostas pela primeira vez por Ludwig [[lexico:w:wittgenstein|Wittgenstein]], em seu Tratado lógico-filosófico (1922): 1) os enunciados factuais, isto é, que se referem a [[lexico:c:coisas|coisas]] existentes, só têm [[lexico:s:significado|significado]] se forem empiricamente verificáveis; 2) existem enunciados não verificáveis, mas verdadeiros com base nos próprios termos que os compõem; tais enunciados são tautologias, ou seja, não afirmam [[lexico:n:nada|nada]] a [[lexico:r:respeito|respeito]] da [[lexico:r:realidade|realidade]]; a [[lexico:m:matematica|matemática]] e a [[lexico:l:logica|lógica]] são conjuntos de tautologias. A) A [[lexico:t:tendencia|tendência]] que atribui à filosofia a [[lexico:f:funcao|função]] de analisar a linguagem científica conta sobretudo com os nomes de Rudolf Carnap e Hans [[lexico:r:reichenbach|Reichenbach]]. As obras deste [[lexico:u:ultimo|último]] pertencem à [[lexico:m:metodologia|metodologia]] da [[lexico:c:ciencia|ciência]]. Ele estudou os Fundamentos filosóficos da [[lexico:m:mecanica|mecânica]] quântica (1944) e a [[lexico:t:teoria|teoria]] da [[lexico:p:probabilidade|probabilidade]] (1949) como [[lexico:f:fundamento-da-inducao|fundamento da indução]], considerando que a própria probabilidade baseia-se exclusivamente na frequência [[lexico:e:estatistica|estatística]]. Por sua vez, Rudolf Carnap deu mais [[lexico:a:atencao|atenção]] à matemática e à [[lexico:f:fisica|física]] 04 [[lexico:v:visao|visão]] lógica do [[lexico:m:mundo|mundo]], 1928; A [[lexico:s:sintaxe|sintaxe]] lógica da linguagem, 1934; Fundamentos da lógica e da matemática, 1939; Introdução à [[lexico:s:semantica|semântica]], 1942; [[lexico:f:formalizacao|Formalização]] da lógica, 1943; Significado e [[lexico:n:necessidade|necessidade]], 1947; Fundamentos lógicos da probabilidade, 1950; O [[lexico:c:continuo|contínuo]] dos métodos indutivos, 1952). Para a filosofia de Carnap, assim como para a de Reichenbach, conflui a corrente matemática da lógica contemporânea, especialmente o [[lexico:f:formalismo|formalismo]] de Hilbert, segundo o qual o [[lexico:t:trabalho|trabalho]] da matemática consiste em fazer deduções, segundo regras determinadas, a partir de outras proporções assumidas como fundamentais por convenção e chamadas de axiomas. Carnap estendeu esse [[lexico:p:principio|princípio]] a toda a lógica considerando-a um conjunto de convenções sobre o [[lexico:u:uso|uso]] dos signos, [[lexico:b:bem|Bem]] como de tautologias que se fundam nessas convenções (Logische Aufbau der Welt, § 107), e dando [[lexico:l:lugar|lugar]] assim ao [[lexico:c:convencionalismo|convencionalismo]] [[lexico:t:tipico|típico]] da filosofia contemporânea. Sobre as contribuições que essa corrente filosófica tem [[lexico:d:dado|dado]] a noções filosóficas e científicas fundamentais, como [[lexico:c:conceito|conceito]], [[lexico:c:causa|causa]], [[lexico:n:numero|número]], probabilidade, assim como à metodologia das ciências e à lógica, [[lexico:v:ver|ver]] os verbetes correspondentes, [[lexico:a:alem|além]] do verbete [[lexico:e:enciclopedia|Enciclopédia]]. B) A tendência que atribui à filosofia a função de analisar a linguagem comum tem início com a segunda [[lexico:o:obra|obra]] de Wittgenstein, [[lexico:i:investigacoes-filosoficas|Investigações filosóficas]], que, antes de ser publicada (1953), circulara pela Inglaterra e começara a inspirar o trabalho filosófico de um [[lexico:g:grupo|grupo]] de pensadores. A tese dessa obra é que toda linguagem é uma [[lexico:e:especie|espécie]] de [[lexico:j:jogo|jogo]] que segue determinadas regras, e que todos os jogos linguísticos têm o mesma [[lexico:v:valor|valor]]. Por isso, segundo Wittgenstein, a única [[lexico:r:regra|regra]] para a [[lexico:i:interpretacao|interpretação]] de um desses jogos é o uso que dele se faz; e, como a filosofia não tem outra função senão a de analisar a linguagem, cabe-lhe esclarecer as expressões linguísticas em seu uso corrente. Essa corrente recebeu grande contribuição de Alfred [[lexico:a:ayer|Ayer]], que já em 1936, no livro Linguagem, [[lexico:v:verdade|verdade]] e lógica, apresentava ao [[lexico:p:publico|público]] inglês as teses fundamentais do [[lexico:c:circulo|Círculo]] de Viena, e de Gilbert Ryle, que, em Conceito do [[lexico:e:espirito|espírito]] (1949), analisou com esse [[lexico:c:criterio|critério]] a [[lexico:n:nocao|noção]] de espírito, mostrando que, para entender e esclarecer as expressões da linguagem comum em que essa noção aparece, não há necessidade de afirmar a realidade [[lexico:s:substancial|substancial]] da [[lexico:a:alma|alma]] nem de admitir que a [[lexico:c:consciencia|consciência]] constitui um [[lexico:a:acesso|acesso]] privilegiado a essa realidade. A importância dessa tendência consiste no [[lexico:f:fato|fato]] de que, por [[lexico:m:meio|meio]] de análises da linguagem comum, procura esclarecer as situações mais comuns e recorrentes em que o [[lexico:h:homem|homem]] pode encontrar-se, ainda que só considerado como "[[lexico:a:animal|animal]] falante". Sob esse [[lexico:a:aspecto|aspecto]], o empirismo [[lexico:l:logico|lógico]] é autenticamente uma [[lexico:f:forma|forma]] de empirismo que identifica o mundo da [[lexico:e:experiencia|experiência]] com o mundo dos significados próprios da linguagem comum. Contudo nem sempre e para nem todos os seus seguidores, essa tendência apresenta esse [[lexico:c:carater|caráter]]: às vezes se perde em discussões estéreis e enfadonhas sobre a interpretação de expressões linguísticas retiradas do contexto, logo desprovidas do significado e do alcance que têm em tal contexto e, pór isso, das autênticas possibilidades interpretativas que só o contexto fornece. A esse respeito, Bertrand [[lexico:r:russell|Russell]] (que é considerado um dos fundadores da [[lexico:e:escola|escola]]) condenou claramente essa tendência verbalista, que torna a [[lexico:p:pesquisa|pesquisa]] filosófica inútil e enfadonha, e ressaltou a exigência de que a filosofia estude não só a linguagem, mas a realidade, e se funde portanto no [[lexico:s:saber|saber]] [[lexico:p:positivo|positivo]] dado pela ciência (cf. Hilbert Journal, julho de 1956).