===== EMPÉDOCLES ===== EMPÉDOCLES, [[lexico:f:filosofo|filósofo]] [[lexico:g:grego|grego]] (Agrigento, Sicília, c. 490 a.C. — no Peloponeso c. 430). [[lexico:e:esse|esse]] filósofo, que diz-se obteve uma vitória nos jogos Olímpicos e que foi um [[lexico:p:politico|político]] em [[lexico:e:evidencia|evidência]], foi também o criador da [[lexico:t:teoria|teoria]] dos [[lexico:q:quatro-elementos|quatro elementos]] (água, [[lexico:a:ar|ar]], [[lexico:f:fogo|fogo]] e [[lexico:t:terra|Terra]]), adotada até a [[lexico:e:epoca|época]] da química [[lexico:m:moderna|moderna]]. Denominara "[[lexico:a:amor|amor]]" o [[lexico:p:principio|princípio]] de toda [[lexico:u:uniao|união]] e [[lexico:s:sintese|síntese]], e "Ódio", o de toda [[lexico:d:divisao|divisão]] nos fenômenos da [[lexico:n:natureza|natureza]]. Viu-se nele um longínquo precursor do [[lexico:e:evolucionismo|evolucionismo]] e do [[lexico:m:mutacionismo|mutacionismo]], isto é, da teoria segundo a qual surgem bruscamente novas espécies na natureza (como aconteceu às dálias, em 1894). O primeiro pensador que procurou resolver a [[lexico:a:aporia|aporia]] eleática foi Empédocles, nascido em Agrigento em torno de 484/481 a.C. e falecido por volta de 424/421 a.C. De [[lexico:p:personalidade|personalidade]] fortíssima, [[lexico:a:alem|além]] de filósofo, foi também [[lexico:m:mistico|místico]], taumaturgo e médico, além de [[lexico:t:ter|ter]] sido ativo na [[lexico:v:vida|vida]] pública. Compôs um poema Sobre a natureza e um Carme Lustral, dos quais nos chegaram só fragmentos. As narrações sobre o seu [[lexico:f:fim|fim]] pertencem à [[lexico:l:lenda|lenda]]: segundo alguns, teria desaparecido durante um [[lexico:s:sacrificio|sacrifício]]; segundo outros, ao contrário, ter-se-ia jogado no Etna. Segundo Empédocles, da mesma [[lexico:f:forma|forma]] que para [[lexico:p:parmenides|Parmênides]], o "nascer" e o "perecer", entendidos como um vir do [[lexico:n:nada|nada]] e um ir ao nada, são impossíveis porque o [[lexico:s:ser|ser]] é e o [[lexico:n:nao-ser|não-ser]] [[lexico:n:nao|não]] é. Assim, não existem "nascimento" e "[[lexico:m:morte|morte]]": aquilo que os homens chamaram com esses nomes, ao contrário, são o misturar-se e o dissolver-se de algumas [[lexico:s:substancias|substâncias]] que permanecem eternamente iguais e indestrutíveis. Tais substâncias são a água, o ar, a terra e o fogo, que Empédocles chamou "raízes de todas as [[lexico:c:coisas|coisas]]". Os jônios haviam escolhido ora uma ora outra dessas realidades como "princípio", fazendo as outras dela derivarem através de um [[lexico:p:processo|processo]] de [[lexico:t:transformacao|transformação]]. A novidade de Empédocles consiste no [[lexico:f:fato|fato]] de proclamar a inalterabilidade qualitativa e a intransformabilidade de cada uma. Nasce assim a [[lexico:n:nocao|noção]] de "[[lexico:e:elemento|elemento]]", precisamente como algo de originário e de "qualitativamente imutável", capaz apenas de unir-se e separar-se espacial e mecanicamente do [[lexico:o:outro|outro]]. Como é evidente, trata-se de uma noção que só poderia nascer depois da [[lexico:e:experiencia|experiência]] eleática, justamente como tentativa de [[lexico:s:superacao|superação]] das dificuldades por ela encontradas. E, assim, nasceu também a chamada concepção pluralista, que supera o [[lexico:m:monismo|monismo]] dos jônios e o monismo dos [[lexico:e:eleatas|eleatas]]. Com [[lexico:e:efeito|efeito]], também o "[[lexico:p:pluralismo|pluralismo]]" enquanto tal, ao nível de [[lexico:c:consciencia|consciência]] [[lexico:c:critica|crítica]] (assim como o [[lexico:c:conceito|conceito]] de "elemento"), só podia nascer como resposta às drásticas negações dos eleatas. Desse [[lexico:m:modo|modo]], há [[lexico:q:quatro|Quatro]] [[lexico:e:elementos|elementos]] que, unindo-se, dão [[lexico:o:origem|origem]] à [[lexico:g:geracao|geração]] das coisas e, separando-se, dão origem à sua [[lexico:c:corrupcao|corrupção]]. Mas quais são as forças que os unem e separam? Empédocles introduziu as forças cósmicas do Amor ou [[lexico:a:amizade|amizade]] ([[lexico:p:philia|philia]]) e do Ódio ou Discórdia (neikos), respectivamente, como [[lexico:c:causa|causa]] da união e da [[lexico:s:separacao|separação]] dos elementos. Tais forças, segundo uma alternância, predominam uma sobre a outra e vice-versa por períodos de [[lexico:t:tempo|tempo]] constantes, fixados pelo [[lexico:d:destino|destino]]. Quando predomina o amor ou amizade, os elementos se reúnem em [[lexico:u:unidade|unidade]]; quando predomina o ódio ou discórdia, ao contrário, se separam. Contrariamente ao que se poderia [[lexico:p:pensar|pensar]] à primeira vista, o cosmos não nasce quando prevalece o Amor ou Amizade, porque a predominância total dessa [[lexico:f:forca|força]] faz com que os elementos se reúnam, formando uma unidade compacta, que Empédocles chama de Um ou Esfero (que lembra de perto a [[lexico:e:esfera|esfera]] de Parmênides): Mas era igual por toda [[lexico:p:parte|parte]] e por tudo [[lexico:i:infinito|infinito]], Esfero redondo, que goza de sua envolvente [[lexico:s:solidao|solidão]]. Já quando o Ódio ou Discórdia prevalece totalmente, os elementos ficam completamente separados—e também neste caso as coisas e o [[lexico:m:mundo|mundo]] não existem. O cosmos e as coisas do cosmos nascem então nos dois períodos de transição, que vão do predomínio da Amizade ao da Discórdia e, depois, do predomínio da Discórdia ao da Amizade. E em cada um desses períodos tem-se um progressivo nascer e um progressivo destruir-se de um cosmos, o que necessariamente, pressupõe a [[lexico:a:acao|ação]] conjunta de ambas as forças. Não se tem o [[lexico:m:momento|momento]] da [[lexico:p:perfeicao|perfeição]] na [[lexico:c:constituicao|constituição]] do cosmos, mas sim na constituição do Esfero. São muito interessantes as reflexões de Empédocles sobre a constituição dos organismos e seus processos vitais, mas, sobretudo, suas tentativas para [[lexico:e:explicar|explicar]] os processos cognoscitivos. Das coisas e seus poros saem [[lexico:e:efluvios|eflúvios]] que atingem os órgãos dos sentidos, de modo que as partes semelhantes dos nossos órgãos reconhecem as partes semelhantes dos eflúvios provenientes das coisas: o fogo conhece o fogo, a água conhece a água e assim por diante (na [[lexico:p:percepcao|percepção]] visual, porém, o processo é inverso, pois os eflúvios partem dos olhos; entretanto, permanece o princípio de que o [[lexico:s:semelhante|semelhante]] conhece o semelhante): Com a terra percebemos a terra; com a água, a água; com o [[lexico:e:eter|éter]], o éter [[lexico:d:divino|divino]]; com o fogo, o fogo destruidor; com o Amor, o Amor; com a Contenda, a Contenda dolorosa. Nessa [[lexico:v:visao|visão]] arcaica do [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]], o [[lexico:p:pensamento|pensamento]] tem o [[lexico:s:sangue|sangue]] por veículo e o [[lexico:c:coracao|coração]] por sede. Consequentemente, o pensar não é uma prerrogativa exclusiva do [[lexico:h:homem|homem]]. No Carme Lustral, Empédocles fez suas e desenvolveu as concepções órficas, apresentando-se como seu profeta e mensageiro. Em sugestivos versos, expressou o conceito de que a [[lexico:a:alma|alma]] do homem é um [[lexico:d:demonio|demônio]] que foi banido do Olimpo por causa de sua [[lexico:c:culpa|culpa]] original, tendo sido jogado à mercê do ciclo dos nascimentos, sob todas as formas de vida, para expiar sua culpa. Entre outras coisas, escreveu: Também [[lexico:e:eu|eu]] sou um desses, errante e fugitivo dos [[lexico:d:deuses|deuses]], porque confiei na furiosa Contenda... Porque um dia fui menino e menina, arbusto e pássaro e mudo peixe do mar... No poema, dá as normas de vida capazes de purificar-se e libertar-se do ciclo das reincarnações, e de retornar entre os deuses, "das humanas dores libertados, indenes, inviolados". No pensamento de Empédocles, [[lexico:f:fisica|física]], [[lexico:m:mistica|mística]] e [[lexico:t:teologia|teologia]] formam uma unidade compacta. Para ele, são divinas as quatro "raízes", ou seja, a água, o ar, a terra e o fogo; divinas são as forças da Amizade e da Discórdia; [[lexico:d:deus|Deus]] é o Esfero; as almas são demônios, almas que, como [[lexico:t:todo|todo]] o resto, são constituídas pelos elementos e forças cósmicas. Ao contrário do que muitos julgaram, há unidade de inspiração entre os dois poemas de Empédocles, não havendo de modo algum [[lexico:a:antitese|antítese]] entre [[lexico:d:dimensao|dimensão]] "física" e dimensão "mística". Quando muito, a dificuldade é a oposta: neste [[lexico:u:universo|universo]] em que tudo é "divino", inclusive a própria Discórdia, não se vê que [[lexico:c:coisa|coisa]] possa não sê-lo nem como a "alma" e o "[[lexico:c:corpo|corpo]]" podem [[lexico:e:estar|estar]] em contraste, já que derivam das mesmas "raízes". Só [[lexico:p:platao|Platão]] tentaria dar uma resposta a esse [[lexico:p:problema|problema]]. Empépocles de Agrigento, na Magna [[lexico:g:grecia|Grécia]], autor de dois poemas, Da natureza e As purificações, é uma [[lexico:f:figura|figura]] imensamente [[lexico:i:interessante|interessante]]. A personalidade de Empédocles foi filosófica, religiosa, biológica. O [[lexico:p:ponto|ponto]] central de seu pensamento é a teoria dos quatro elementos ou raízes de todas as coisas, terra, água, ar e fogo, movidos por dois [[lexico:p:principios|princípios]]; o amor e o ódio. Suas [[lexico:i:ideias|ideias]] acerca do homem como [[lexico:r:realidade|realidade]] biológica e sobre a vida a a [[lexico:t:transmigracao|transmigração]] das almas significam um ponto de vista mais maduro na [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] pré-socrática, embora se ligue às especulações religiosas e pitagóricas. "Um homem [[lexico:s:sabio|sábio]] não opinaria em seu coração que os [[lexico:m:mortais|mortais]] só existem e há para eles [[lexico:b:bens|bens]] e males enquanto vivem o que chamam a vida, e que antes de se formarem e depois de se dissolverem não são nada." (Fr. 15 de Diels.) "Fui em outro tempo um jovem e uma jovem, um arbusto e uma ave, e um peixe mudo no mar." (Fr. 117 de Diels.) "A terra que envolve o homem. . ." (Fr. 148 de Diels.) "(A natureza), que reveste as almas de uma estranha envoltura de [[lexico:c:carne|carne]]." (Fr. 126 de Diels.) Empédocles não reduz a [[lexico:e:existencia|existência]] do homem ao tempo de sua vida; supõe para ele uma preexistência e uma perduração após a morte; porém parece excessivo interpretar estas [[lexico:p:palavras|palavras]], pelo menos em [[lexico:s:sentido|sentido]] rigoroso, como uma doutrina próxima àquela que Platão expõe no [[lexico:f:fedro|Fedro]], ou à de uma vida perdurável, [[lexico:t:transcendente|transcendente]]. O segundo dos fragmentos citados assinala o alcance do primeiro, reduzido ao de uma [[lexico:s:sobrevivencia|sobrevivência]] da alma em distintos estados, em diversas "vidas"; trata-se, porém, de uma [[lexico:i:identidade|identidade]] da alma através de suas sucessivas encarnações, como o [[lexico:p:prova|prova]] a insistência de Empédocles ao usar o pronome [[lexico:p:pessoal|pessoal]] eu ([[lexico:e:ego|ego]]), e o [[lexico:d:dualismo|dualismo]] que indica energicamente entre as envolturas de terra ou carne e a alma humana que as recebe. Sobre Empédocles, entre outros estudos, pode-se [[lexico:v:ver|ver]] Ettore Bignone: Empedocle, Studio critico. Traduzione e commentario delle testemonianze e dei frammenti. (Turin, 1916) [Julián Marías]