===== EMANAÇÃO ===== (gr. proeinai, aporrein; lat. emanatio; in. Emanation; fr. Émanation; al. Emanation; it. Emanazione). Uma [[lexico:f:forma|forma]] de causação com as seguintes características: 1) [[lexico:n:necessidade|necessidade]] do [[lexico:e:efeito|efeito]] em [[lexico:r:relacao|relação]] à [[lexico:c:causa|causa]] ou [[lexico:f:forca|força]] que o produz; 2) continuidade entre [[lexico:c:causa-e-efeito|causa e efeito]], pela qual o efeito continua a [[lexico:s:ser|ser]] [[lexico:p:parte|parte]] de sua causa; 3) inferioridade de [[lexico:v:valor|valor]] do efeito em relação à causa; 4) [[lexico:e:eternidade|Eternidade]] da relação entre causa emanente e efeito emanado. As características 1), 2) e 4) diferenciam a emanação da [[lexico:c:criacao|criação]], ao passo que a [[lexico:c:caracteristica|característica]] 3) é comum à emanação e à criação. As características 2), 3) e 4) diferenciam a emanação das formas comuns da causação. O [[lexico:c:conceito|conceito]] de emanação foi elaborado pela primeira vez por [[lexico:p:plotino|Plotino]]: "Todos os seres, enquanto permanecem, produzem necessariamente em torno de si e de sua [[lexico:s:substancia|substância]] uma [[lexico:r:realidade|realidade]] que tende para o [[lexico:e:exterior|exterior]] e provém de sua [[lexico:a:atualidade|atualidade]] presente. Essa realidade é como uma [[lexico:i:imagem|imagem]] dos arquétipos dos quais nasceu: é assim que do [[lexico:f:fogo|fogo]] nasce o calor e que a neve [[lexico:n:nao|não]] retêm em si o frio. Mas são principalmente os objetos perfumados que provam isso, pois, enquanto existem, algo emana deles e em torno deles, uma realidade de que usufruem todos os que estão próximos. [[lexico:a:alem|Além]] disso, todos os seres que chegaram à [[lexico:p:perfeicao|perfeição]] geram; por isso, o ser que é sempre [[lexico:p:perfeito|perfeito]] gera sempre: gera um ser [[lexico:e:eterno|eterno]], mas inferior a ele" (Enn., V, 1, 6). [[lexico:e:esse|esse]] trecho de Plotino contém a [[lexico:n:nocao|noção]] clássica de emanação, que permaneceu inalterada na [[lexico:h:historia-da-filosofia|história da filosofia]]. De [[lexico:f:fato|fato]], apresenta-se com as mesmas características em [[lexico:p:proclo|Proclo]] (Instituições teol, pp. 27 ss.), em [[lexico:s:scotus-erigena|Scotus Erigena]] (De divis. nat. III, 17) e em todos os que utilizam essa noção. Em [[lexico:g:geral|geral]], caracteriza a relação que o [[lexico:p:panteismo|panteísmo]] antigo (antes de [[lexico:s:spinoza|Spinoza]]) estabelece entre [[lexico:d:deus|Deus]] como força ou [[lexico:p:principio|princípio]] animador do [[lexico:m:mundo|mundo]] e as [[lexico:c:coisas|coisas]] ou os seres do mundo. Emanatista é, p. ex., a relação entre o [[lexico:a:artifice-interno|artífice interno]], de que [[lexico:f:fala|fala]] G. [[lexico:b:bruno|Bruno]], e as coisas naturais, que são manifestações suas, necessárias e eternas (Dela causa, I). Mas não é emanatista, embora conserve algumas características da emanação (a 1, a 2 e a 4), a relação que Spinoza estabelece entre Deus ou a [[lexico:n:natureza|natureza]] e as coisas do mundo: [[lexico:r:relacoes|relações]] por ele identificadas como aquelas graças às quais "da natureza do [[lexico:t:triangulo|triângulo]] resulta que a [[lexico:s:soma|soma]] dos ângulos de um triângulo é igual a dois retos", ou seja, com necessidade geométrica (Et., I, 17. scol.); que é, de resto, uma forma de causação ordinária (v. [[lexico:c:causalidade|causalidade]]). Em diversas doutrinas e especialmente no [[lexico:n:neoplatonismo|neoplatonismo]], a emanação é um [[lexico:p:processo|processo]] no qual o [[lexico:s:superior|superior]] produz o inferior pela sua própria superabundância sem que o primeiro perca [[lexico:n:nada|nada]] nesse processo, como acontece - metaforicamente - no [[lexico:a:ato|ato]] da difusão da [[lexico:l:luz|luz]]; mas, ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]], há no processo de emanação um processo de degradação, pois do superior para o inferior existe a relação do perfeito para o imperfeito, do existente para o menos existente. A emanação é pois distinta da criação, que produz algo do nada; na emanação do princípio supremo não há, em contrapartida, criação do nada, mas auto-desenvolvimento sem [[lexico:p:perda|perda]] do ser, que se manifesta. O emanado tende, como diz Plotino, a identificar-se com o ser do qual emana, mais com o seu [[lexico:m:modelo|modelo]] que com o seu criador. Daí certos limites intransponíveis entre o neoplatonismo e o cristianismo, que sublinhava a criação do mundo a partir do nada e, portanto, tinha de negar o processo de emanação unido à [[lexico:i:ideia|ideia]] de uma eternidade do mundo. Essa [[lexico:c:contraposicao|contraposição]] deve entender-se sobretudo em [[lexico:f:funcao|função]] ou não introdução do tempo: se no neoplatonismo o tempo não é, longe disso, negado, acaba por reduzir-se e concentrar-se na [[lexico:u:unidade|unidade]] originária do modelo; no cristianismo, em contrapartida, o tempo é [[lexico:e:essencial|essencial]], porque o processo do mundo não é [[lexico:s:simples|simples]] [[lexico:d:desenvolvimento|desenvolvimento]], mas [[lexico:d:drama|drama]] essencial. A emanação suprime qualquer [[lexico:p:peripecia|peripécia]] - entendida como aquilo que não está forçosamente determinado e pode decidir no [[lexico:m:momento|momento]] a [[lexico:s:salvacao|salvação]] ou condenação da [[lexico:a:alma|alma]]. O processo dramático, em contrapartida, compõe-se precisamente de peripécias e de situações nas quais pode intervir não só a alma, mas [[lexico:t:todo|todo]] o [[lexico:u:universo|universo]]. Por isso, no processo dramático, o tempo atua verdadeiramente e torna-se decisivo.