===== EIDOS ===== εἶδος: [[lexico:a:aparencia:start|aparência]], [[lexico:n:natureza:start|natureza]] constitutiva, [[lexico:f:forma:start|forma]], [[lexico:t:tipo:start|tipo]], [[lexico:e:especie:start|espécie]], [[lexico:i:ideia:start|ideia]], [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]], aspecto [[lexico:e:essencial:start|essencial]] 1. Eidos era um [[lexico:t:termo:start|termo]] já [[lexico:b:bem:start|Bem]] enraizado e mesmo bastante sofisticado muito antes de [[lexico:s:ser:start|ser]] consagrado por [[lexico:p:platao:start|Platão]]. O seu primeiro [[lexico:s:significado:start|significado]], e o [[lexico:u:uso:start|uso]] é corrente em Homero, é «aquilo que se vê», «aparência», «forma», normalmente do [[lexico:c:corpo:start|corpo]], e a [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] pré-socrática continuou a usá-lo neste [[lexico:s:sentido:start|sentido]] ([[lexico:v:ver:start|ver]] [[lexico:e:empedocles:start|Empédocles]], frgs. 98, 115 e [[lexico:d:democrito:start|Demócrito]], citado em Plutarco, Adv. Col. 1110). Na [[lexico:e:epoca:start|época]] de Heródoto o eidos, e o seu cognato a [[lexico:i:idea:start|idea]] que entrara em uso, fora alargado e abstraído no sentido de «[[lexico:p:propriedade:start|propriedade]] [[lexico:c:caracteristica:start|característica]]» (I, 203) ou «tipo» (I, 94). O uso que Tucídides faz é [[lexico:s:semelhante:start|semelhante]] (ver III, 81), e num caso (II, 50) ele [[lexico:f:fala:start|fala]] do «eidos da [[lexico:d:doenca:start|doença]]», [[lexico:e:expressao:start|expressão]] que conduz à expansão do termo em círculos médicos contemporâneos. Aqui eidos/idea tinha aparentemente sido isolado como termo técnico, frequentemente ligado à [[lexico:n:nocao:start|noção]] de poder ([[lexico:d:dynamis:start|dynamis]]), e significando algo mais ou menos como «natureza constitutiva» (ver [[lexico:h:hipocrates:start|Hipócrates]], V. M. 15, 19; Nat. hom. 2, 5; De [[lexico:a:arte:start|arte]] 2). 2. Seja qual for a [[lexico:i:interpretacao:start|interpretação]] exata dos últimos textos, parece evidente que houve um relacionamento com a forma das [[lexico:c:coisas:start|coisas]] que [[lexico:n:nao:start|não]] estava necessariamente ligada à sua aparência [[lexico:e:exterior:start|exterior]] (embora a sua conexão com a dynamis sugira que a sua identificação repousava numa [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] dos seus efeitos visíveis), mas antes a alguma espécie de [[lexico:i:inteligibilidade:start|inteligibilidade]] interior (De arte 2 liga de [[lexico:m:modo:start|modo]] significativo o eidos com a [[lexico:i:imposicao:start|imposição]] de nomes; ver [[lexico:o:onoma:start|onoma]]). 3. Terá havido um [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]] paralelo entre os filósofos? Tanto Platão como [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]] parecem sugerir que houve, Platão num raro relance pela [[lexico:h:historia-da-filosofia:start|história da filosofia]] (ver [[lexico:e:endoxon:start|endoxon]]), diz que as exposições sobre a natureza da [[lexico:r:realidade:start|realidade]] se polarizaram em facções, as quais ele designa como Gigantes e [[lexico:d:deuses:start|deuses]]. Os primeiros são materialistas (Soph. 246a-248a; confrontar as atitudes algo diferentes mas paralelas no [[lexico:f:fedon:start|Fédon]] 96a-d e Leis X, 889a-890a) e Platão refere-se provavelmente à [[lexico:t:tradicao:start|tradição]] atomista. Os Deuses, por [[lexico:o:outro:start|outro]] lado, são descritos como «amigos dos eide» (ibid. 248a-249d) e sustentam uma [[lexico:t:teoria:start|teoria]] da realidade [[lexico:s:supra-sensivel:start|supra-sensível]] que não é distinta da de Platão. Não são os [[lexico:e:eleatas:start|eleatas]] visto que acreditam numa [[lexico:p:pluralidade:start|pluralidade]] de tais entidades (ver on). 4. A sua [[lexico:i:identidade:start|identidade]] foi procurada num passo de Aristóteles onde nos informam ([[lexico:m:metafisica:start|Metafísica]] 987a-b) que Platão seguiu os pitagóricos em muitos aspectos, atribuindo a Platão apenas diferenças verbais dos pitagóricos e alguns aperfeiçoamentos introduzidos sob a [[lexico:i:influencia:start|influência]] de [[lexico:c:cratilo:start|Crátilo]] heraclitico e do [[lexico:p:proprio:start|próprio]] [[lexico:s:socrates:start|Sócrates]]. 5. Teriam sido os pitagóricos os pais da teoria dos eide? Houve [[lexico:q:quem:start|quem]] assim pensasse, argumentando, inter alia, com o [[lexico:a:ambiente:start|ambiente]] fortemente pitagórico do Fédon onde a teoria é proposta por Platão pela primeira vez. Mas, pouco há que fundamente isto com base estritamente pitagórica e a [[lexico:a:afirmacao:start|afirmação]] é isolada em Aristóteles, acrescentada talvez quando ele chegou à conclusão que Platão identificara os eide com o [[lexico:n:numero:start|número]] ([[lexico:a:arithmos:start|arithmos]]). 6. A [[lexico:o:origem:start|origem]] da teoria deve ser procurada mais na [[lexico:f:fonte:start|fonte]]. Sócrates estivera interessado em definir qualidades éticas (ver Metafísica 987b), provavelmente como [[lexico:r:reacao:start|reação]] contra o [[lexico:r:relativismo:start|relativismo]] sofistico (ver [[lexico:n:nomos:start|nomos]]), e há [[lexico:r:razao:start|razão]] para acreditar que os eide platônicos eram versões hipostasiadas precisamente dessas definições (logoi; ver Fédon 99e, Metafísica 987b, e [[lexico:c:comparar:start|comparar]] a conexão com a predicação, infra). De [[lexico:f:fato:start|fato]], nos «[[lexico:d:dialogos:start|Diálogos]] Socráticos» pode ver-se o próprio Sócrates movendo-se em tal direção (ver Lísias 219d, Êutifron 5d, 6d; passos do Êutifron usam realmente eidos, mas o significado ainda está [[lexico:p:proximo:start|próximo]] de «aparência»; no [[lexico:m:menon:start|Ménon]] 72c-e o uso tomou-se já mais [[lexico:a:abstrato:start|abstrato]]). Mas, conforme o [[lexico:t:testemunho:start|testemunho]] de Aristóteles, Sócrates «não separou a [[lexico:d:definicao:start|definição]] [[lexico:u:universal:start|universal]]» (Metafísica 1078b), i. é, esta não possuía ainda [[lexico:e:existencia:start|existência]] [[lexico:t:transcendente:start|transcendente]], subsistente ([[lexico:c:choriston:start|choriston]]). 7. Para Platão os eide existiam separadamente (ver [[lexico:t:timeu:start|Timeu]] 52a-c) e as razões disto podem ser procuradas em considerações epistemológicas bem como nas éticas que preocuparam Sócrates e que também, quase de [[lexico:c:certeza:start|certeza]], exerceram influência em Platão. Já assinalamos a sugerida influência de [[lexico:h:heraclito:start|Heráclito]] em Platão (ver Metafísica 987a-1078b) para concluir que, dada a natureza flutuante e mutável dos fenômenos sensíveis (ver [[lexico:r:rhoe:start|rhoe]]), o [[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]] [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] ([[lexico:e:episteme:start|episteme]]) é [[lexico:i:impossivel:start|impossível]], impossível, isto é, a não ser que haja uma realidade estável e eterna para [[lexico:a:alem:start|além]] do meramente [[lexico:s:sensivel:start|sensível]]. Os eide são essa realidade supra-sensível e assim a [[lexico:c:causa:start|causa]] da episteme e a [[lexico:c:condicao:start|condição]] de [[lexico:t:todo:start|todo]] o [[lexico:d:discurso:start|discurso]] filosófico (Fédon 65d-e, Parm. 135b-c, Republica 508c ss.). Para os ulteriores corolários epistemológicos. ver [[lexico:d:doxa:start|doxa]], episteme, [[lexico:n:noesis:start|noesis]]. 8. Embora os eide sejam o fulcro da [[lexico:m:metafisica-platonica:start|metafísica platônica]], Platão em [[lexico:p:parte:start|parte]] alguma apresenta [[lexico:p:prova:start|prova]] da sua existência, aparecem primeiro como uma [[lexico:h:hipotese:start|hipótese]] (ver Fédon 100b-101d) e assim permanecem, se bem que sujeitos a uma [[lexico:c:critica:start|crítica]] severa (Parm. 130a-134e). São conhecidos, numa pluralidade de métodos, pela [[lexico:f:faculdade:start|faculdade]] da razão ([[lexico:n:nous:start|noûs]]; Republica 532a-b, Timeu 51d). Um desses primeiros métodos é o da recordação ([[lexico:a:anamnesis:start|anamnesis]]), onde a [[lexico:a:alma:start|alma]] individual relembra os eide com que esteve em contato antes do nascimento (Ménon 80d-85b, Fédon 72c-77d; ver [[lexico:p:palingenesia:start|palingenesia]]). Sem as conotações religiosas concomitantes é o [[lexico:m:metodo:start|método]] puramente filosófico da [[lexico:d:dialektike:start|dialektike]] (ver Republica 531d-535a; para a [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] que faz do [[lexico:r:raciocinio:start|raciocínio]] matemático, ibid. 510b-511a; e da [[lexico:e:eristica:start|erística]], Phil. 15d-16a). Tal como foi primeiramente descrito, o método visa o [[lexico:p:progresso:start|progresso]] de uma hipótese até a uma [[lexico:a:arche:start|arche]] não-hipotetizada (Fédon 100a, 101d; Republica 511b), mas nos diálogos posteriores a dialektike aparece como uma [[lexico:m:metodologia:start|metodologia]] plenamente articulada, compreendendo a «reunião» ([[lexico:s:synagoge:start|synagoge]]) seguida por uma «[[lexico:d:divisao:start|divisão]]» ([[lexico:d:diairesis:start|diairesis]]) que desce através das diaphorai, de uma Forma mais compreensiva até ao [[lexico:a:atomon:start|atomon]] eidos. Finalmente podem abordar-se os eide através do [[lexico:e:eros:start|Eros]], paralelo desiderativo da primitiva forma da [[lexico:d:dialetica:start|dialética]] (ver [[lexico:e:epistrophe:start|epistrophe]]). 9. A [[lexico:r:relacao:start|relação]] entre os eide indivisíveis e eternos e os fenômenos sensíveis (aistheta) e transitórios é descrita numa [[lexico:s:serie:start|série]] de maneiras diferentes. Os eide são a causa ([[lexico:a:aitia:start|aitia]]) dos aistheta (Fédon 100b-101c), e diz-se que estes últimos participam ([[lexico:m:methexis:start|methexis]]) dos eide. Numa elaborada [[lexico:m:metafora:start|metáfora]], constante em Platão, o [[lexico:a:aistheton:start|aistheton]] é explicado como uma cópia ([[lexico:e:eikon:start|eikon]]) do seu [[lexico:m:modelo:start|modelo]] [[lexico:e:eterno:start|eterno]] ([[lexico:p:paradeigma:start|paradeigma]]), o eidos. Este [[lexico:a:ato:start|ato]] de [[lexico:c:criacao-artistica:start|criação artística]] ([[lexico:m:mimesis:start|mimesis]]) é [[lexico:o:obra:start|obra]] de um artífice supremo ([[lexico:d:demiourgos:start|demiourgos]]). 10. Poucos problemas se têm levantado acerca da [[lexico:t:transcendencia:start|transcendência]] dos eide (cf. Timeu 51b-52d), mas o uso que Platão faz de methexis sugere também um [[lexico:g:grau:start|grau]] de [[lexico:i:imanencia:start|imanência]] (Fédon 103b-104a, Timeu 50c; e ver gênesis), e isto constitui o centro de muita da crítica no [[lexico:p:parmenides:start|Parmênides]] (ver 130a-132b) e em extensos passos da Metafísica. Onde colocar, então, os eide? Aqui surge a [[lexico:a:analogia:start|analogia]]. Tal como os aistheta estão contidos numa certa espécie de [[lexico:u:unidade:start|unidade]] orgânica que é o [[lexico:k:kosmos:start|kosmos]], assim também os eide existem em algum «[[lexico:l:lugar:start|lugar]] [[lexico:i:inteligivel:start|inteligível]]» ([[lexico:t:topos:start|topos]] noetos, Republica 508c, 517b; a expressão [[lexico:k:kosmos-noetos:start|kosmos noetos]], não aparece antes do [[lexico:p:platonismo:start|platonismo]] tardio) localizado «para além dos céus» ([[lexico:f:fedro:start|Fedro]] 247c). A [[lexico:i:imagem:start|imagem]] torna-se mais penetrante no Timeu 30c-d onde os eide estão organizados dentro do «ser vivo inteligível» (zoõn [[lexico:n:noeton:start|noeton]]). Ver também [[lexico:e:ekei:start|ekei]]. 11. À primeira vista parece haver um eidos platônico para cada [[lexico:c:classe:start|classe]] de coisas. Assim há eide éticos (Farm. 130b, Fedro 250d), eide matemáticos (Fédon 101b-c; ver [[lexico:a:arithmos-eidetikos:start|arithmos eidetikos]]), eide de objetos naturais (Timeu 51b, Soph. 266b; confrontar Metafísica 1070a) e até mesmo de objetos triviais (Parm. 130c). [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] talvez mais surpreendente é encontrar eide para objetos artificiais (Republica 596a-597d, Soph. 256b. Ep. VII, 343d; comparar Metafísica 991b), [[lexico:r:relacoes:start|relações]] (Fédon 74a-77a, Republica 479b, Parm. 133c), e negativos (Republica 476a, [[lexico:t:teeteto:start|Teeteto]] 186a, Soph. 257c). Por trás de tudo isto pressupõe-se a methexis: uma vez que os sensíveis participam dos eide devem ser nomeados univocamente (homonymos) com eles (Parm. 133d, Soph. 234b; ver D. L. III, 13), e assim os modos de predicação podem ser tomados como critérios para a existência dos vários eide (Republica 596a). São, então, os eide apenas [[lexico:i:ideias:start|ideias]] ou [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]]? O [[lexico:p:problema:start|problema]] é efetivamente levantado nos diálogos, apenas para ser negado (ver Parm. 132b-c, 134b). 12. Em vários pontos dos diálogos Platão parece conceder preeminência a um ou outro dos eide. Por isso tanto o Bem (Republica 504c-509c) como o [[lexico:b:belo:start|belo]] (Symp. 210a-212b) são postos em relevo, para não [[lexico:f:falar:start|falar]] da hipótese evidente do [[lexico:u:uno:start|uno]] no Parmênides (137c-142; ver [[lexico:h:hen:start|hen]], [[lexico:h:hyperousia:start|hyperousia]]). Mas o problema da inter-relação ou, como Platão lhe chama, «combinação» ou «comunhão» ([[lexico:k:koinonia:start|koinonia]]), e, implicitamente, da [[lexico:s:subordinacao:start|subordinação]] dos eide não é levantado formalmente antes do [[lexico:s:sofista:start|sofista]]. Concorda-se, de novo na base da predicação, que alguns eide se misturarão com outros e outros não, e que a [[lexico:t:tarefa:start|tarefa]] da dialética é discernir os vários grupos, particularmente através do método diacrítico conhecido por diairesis (Soph. 253b-e). 13. Platão escolhe, para ilustrar o [[lexico:p:processo:start|processo]], (ibid. 254b-255e) cinco eide — Existência (on), o Mesmo, o Diferente ([[lexico:h:heteron:start|heteron]]), [[lexico:m:movimento:start|movimento]] ([[lexico:k:kinesis:start|kinesis]]) e Repouso, os quais designa por (254d) «os gêneros maiores» (megista gene). Ambas as [[lexico:p:palavras:start|palavras]] nesta expressão estão abertas a diferentes interpretações. Uma [[lexico:l:leitura:start|leitura]] de megista como um verdadeiro superlativo, «o maior» e de gene. como «gêneros» ou «classes» leva à [[lexico:d:descoberta:start|descoberta]] dos summa genera platônicos, o equivalente das [[lexico:k:kategoriai:start|kategoriai]] aristotélicas. A passagem foi assim lida por [[lexico:p:plotino:start|Plotino]] (ver [[lexico:e:eneadas:start|Eneadas]] VI, 1-3) que fala dos gene do ser. Mas há uma grande [[lexico:d:duvida:start|dúvida]] quanto aos gene deverem ser lidos como genera no sentido aristotélico; é [[lexico:c:caracteristico:start|característico]] em Platão o uso frequentemente de [[lexico:g:genos:start|genos]] como sinônimo de eidos e assim a expressão em causa pode não significar mais do que «alguns eide muito importantes». Para outros aspectos do eidos platônico, ver arithmos, [[lexico:m:mathematika:start|mathematika]], [[lexico:m:metaxu:start|metaxu]], [[lexico:m:monas:start|monas]], [[lexico:d:dyas:start|dyas]]. 14. Na sua Metafísica Aristóteles sujeita a teoria do eidos a uma extensa [[lexico:a:analise:start|análise]] crítica (ver 987a-988a, 990a-993a, 1078b-1080a; confrontar o [[lexico:d:dialogo:start|diálogo]] aristotélico coevo, De phil. frgs. 8,9). As determinações do [[lexico:v:valor:start|valor]] desta crítica articulam-se em dois pontos essenciais e obscuros: a [[lexico:d:distincao:start|distinção]] entre Platão e os seus sucessores sobre o assunto da mathematika, e a existência e uso aristotélico de fontes que não nos são acessíveis (ver [[lexico:a:agrapha-dogmata:start|agrapha dogmata]]). 15. A principal diferença entre a concepção platônica e a aristotélica dos eide é que para a última o eidos não é (excepto nos casos do [[lexico:p:primeiro-motor:start|primeiro motor]] e/ou motores, e o do noûs «que vem de fora»; ver [[lexico:k:kinoun:start|kinoun]], noûs) um subsistente separado (choriston), mas um [[lexico:p:principio:start|princípio]] de [[lexico:s:substancias:start|substâncias]] completas. É a causa [[lexico:f:formal:start|formal]] das coisas ([[lexico:p:physica:start|Physica]] II, 194b), um correlato da [[lexico:m:materia:start|matéria]] nos seres compósitos (ibid. I, 190b), e a [[lexico:e:essencia:start|essência]] inteligível ([[lexico:o:ousia:start|ousia]]) de um existente (Metafísica 1013a, De gen. et corr. II, 335b; ver ousia). Ao conhecermos as coisas conhecemos o seu eidos (Metafísica 1010a), i. é, a faculdade apropriada (noûs ou [[lexico:a:aisthesis:start|aisthesis]]) torna-se a [[lexico:c:coisa:start|coisa]] que ela conhece em [[lexico:v:virtude:start|virtude]] do eidos do [[lexico:o:objeto:start|objeto]] conhecido penetrar na alma ([[lexico:d:de-anima:start|De anima]] III. 431b-432a). O eidos é, em resumo, uma atualização ([[lexico:e:energeia:start|energeia]], [[lexico:e:entelecheia:start|entelecheia]]; Metafísica 1050b, De [[lexico:a:anima:start|anima]] II, 412a). 16. Tal como em Platão, o eidos aristotélico, considerado de um [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista [[lexico:l:logico:start|lógico]], tem íntima conexão com a predicação. O eidos conceptual é o universal da predicação e o [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] da definição (Metafísica 1036a, 1084b). Mas diferem da versão platônica dos eide não só em virtude do fato de não serem hipostasiados em substâncias, mas também por serem «classificados», i. é, eles ordenam-se a partir do atomon eidos, que não pode ser dividido em espécies mais limitadas mas apenas em indivíduos (e esta «divisão» da infima [[lexico:s:species:start|species]] é [[lexico:f:funcao:start|função]] da sua conexão com a matéria não em virtude da [[lexico:p:presenca:start|presença]] de uma [[lexico:d:diaphora:start|diaphora]]; ver [[lexico:h:hyle:start|hyle]]), através de eide cada vez mais latos, chamados gene, até aos summa genera, as kategoriai; sobre o eidos como universal, ver [[lexico:k:katholou:start|katholou]]. 17. Os eide continuaram a ser importantes na filosofia posterior. Os eide aristotélicos que são imanentes à matéria e dirigem toda a [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] teleológica dos existentes individuais foram incorporados no [[lexico:e:estoicismo:start|estoicismo]] como os [[lexico:l:logoi-spermatikoi:start|logoi spermatikoi]]. A versão [[lexico:t:transcendental:start|transcendental]] platônica dos eide parece [[lexico:t:ter:start|ter]] cedido perante a crítica aristotélica, mas eles reaparecem na tradição platônica com Antíoco de Ascalão (Cícero, Acad. post. 8, 30-33). Mas sendo este um [[lexico:t:tempo:start|tempo]] perigoso para a ortodoxia, bem depressa os eide estão a ser interpretados como os [[lexico:p:pensamentos:start|Pensamentos]] de [[lexico:d:deus:start|Deus]] (Fílon, De Opif. 4, 17-20; Albino, Epit. 9, 1-2). Embora Platão tivesse negado um [[lexico:e:estatuto:start|estatuto]] puramente noético aos seus eide (ver acima 11), a noção deve ter encontrado algum apoio na [[lexico:a:academia:start|Academia]] (ver Aristóteles, De anima III, 429a). Mas foi sem dúvida a [[lexico:d:designacao:start|designação]] aristotélica de Deus como noûs que foi aqui o fator [[lexico:m:mediador:start|mediador]], encorajado seguramente por toda a metáfora platônica de mimesis com a sua forte [[lexico:s:sugestao:start|sugestão]] de que aquilo que Aristóteles chamou causa formal existe primeiro como um paradeigma no [[lexico:e:espirito:start|espírito]] do artífice antes de se tornar [[lexico:i:imanente:start|imanente]] às coisas. Assim, ao postular os eide como os pensamentos de Deus, [[lexico:p:postulado:start|postulado]] que continua através de Plotino (ver Eneadas V, 1,4) até à Cristandade, e ao mesmo tempo mantendo os eide aristotélicos como [[lexico:c:causas:start|causas]] formais imanentes com uma [[lexico:o:orientacao:start|orientação]] no sentido da matéria (ver Fílon, De opif. 44, 129-130), chegou-se a uma solução, pelo menos parcial, para o [[lexico:d:dilema:start|dilema]] da imanência vs. transcendência. Mas o problema continuou importante no platonismo, discutido com profundidade por Plotino (Eneadas IV, 4) e [[lexico:p:proclo:start|Proclo]] (Elem. theol., prop. 23); ver noeton. Para as dificuldades epistemológicas decorrentes da transcendência, ver [[lexico:a:agnostos:start|agnostos]]; para a hierarquização dos eide no platonismo tardio, [[lexico:h:hypostasis:start|hypostasis]]; para os eide dos indivíduos, hyle; para a [[lexico:l:localizacao:start|localização]] dos eide tanto nas suas manifestações transcendentes como nas imanentes, noûs; noeton. Quando olhamos para qualquer coisa, estamos, de fato, confrontados com algo que surge, mas não com o que lá está, na [[lexico:v:verdade:start|verdade]], na base de cada [[lexico:a:apresentacao:start|apresentação]]. De cada vez que se olha, é-se confrontado apenas com um delineamento esboçado e inacabado do que cada coisa é. O fazedor de camas não faz a sua essência [República, 597a1]. Ο εἶδος é a forma de [[lexico:m:manifestacao:start|manifestação]] sem a qual o que nós veríamos seria apenas uma forma retangular assente sobre [[lexico:q:quatro:start|Quatro]] paus de madeira. Nunca, porém, uma cama. É sobre esta [[lexico:e:evidencia:start|evidência]] que a [[lexico:f:fenomenologia:start|fenomenologia]] de [[lexico:h:husserl:start|Husserl]] trabalha, procurando levá-la sistematicamente até às últimas consequências nas operações Abschattung/Abgeschattete.]. Ele faz só uma certa cama [Rep., 597a2], qualquer coisa como o ser, que, todavia, não o é [Rep., 597e4]. Há uma diferença radical entre uma κλίνη τις e o seu εἶδος , ὅ ἐστι .]. A cama onde dormimos é só qualquer coisa que imita, apresenta e reproduz o verdadeiro ser da cama, mas enquanto [[lexico:i:imitacao:start|imitação]] não é o genuíno ser, o aspecto essencial (εἶδος) «cama». O [[lexico:t:trabalho:start|trabalho]] (ἔργον ) do fazedor de camas ou de um outro qualquer [[lexico:a:artesao:start|artesão]] não é, por isso, o de uma forma acabada [Rep., 597e5]. [CaeiroArete:60] {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}