===== DOUTRINA DA CIÊNCIA ===== Para [[lexico:w:weber|Weber]], o [[lexico:o:objetivo|objetivo]] da [[lexico:c:ciencia|ciência]] é o de dizer a [[lexico:v:verdade|verdade]], descrever e [[lexico:e:explicar|explicar]]. E [[lexico:e:esse|esse]] também é o objetivo da [[lexico:h:historiografia|historiografia]], cujo [[lexico:i:interesse|interesse]] está voltado para a "configuração [[lexico:r:real|real]] e, por conseguinte, individual, da [[lexico:v:vida|vida]] [[lexico:s:social|social]] que nos circunda". E é o objetivo das [[lexico:c:ciencias-sociais|ciências sociais]], cujo interesse está voltado para as uniformidades que podem [[lexico:s:ser|ser]] encontradas na [[lexico:a:acao|ação]] enquanto agir social, que é uma ação determinada pela constante [[lexico:r:referencia|referência]] ao [[lexico:c:comportamento|comportamento]] dos outros. Em [[lexico:e:economia|economia]] e [[lexico:s:sociedade|sociedade]], Weber distingue [[lexico:q:quatro|Quatro]] tipos de agir social: 1) comportamento [[lexico:r:racional|racional]] em [[lexico:r:relacao|relação]] a um [[lexico:f:fim|fim]] (como, por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], o do engenheiro que constrói uma ponte ou do general que pretende conquistar a vitória); 2) ação racional em relação a um [[lexico:v:valor|valor]] (quando o [[lexico:s:sujeito|sujeito]] age racionalmente [[lexico:n:nao|não]] para alcançar um resultado [[lexico:e:extrinseco|extrínseco]], mas para permanecer fiel a um valor, como no caso do capitão que vai a pique com o navio que afunda ao invés de abandoná-lo); 3) ação afetiva (aquela ditada imediatamente pelo [[lexico:e:estado|Estado]] de [[lexico:e:espirito|espírito]] ou pelo [[lexico:h:humor|humor]] do sujeito); 4) ação tradicional (aquela que é ditada por hábitos, [[lexico:c:costumes|costumes]] e crenças, tornados como que segunda [[lexico:n:natureza|natureza]]). Esses tipos de ação encontram-se mais ou menos misturados na vida social, mas sua [[lexico:c:classificacao|classificação]] é necessária para se poder interpretar a vida social. Assim, as ciências histórico-sociais têm o objetivo de descrever e explicar conformações históricas individuais e regularidades do agir social. Por isso, a [[lexico:q:quantificacao|quantificação]] e a [[lexico:m:medida|medida]] não são objetivos da ciência, e sim procedimentos metodológicos oportunos, não, porém, constitutivos do [[lexico:s:saber-cientifico|saber científico]], cujo objetivo é e continua sendo a verdade "para todos os que querem a verdade". E acrescenta Weber: também não podemos estabelecer como [[lexico:f:fundamento|fundamento]] das ciências histórico-sociais, como geralmente fizeram os historicistas, a [[lexico:i:intuicao|intuição]], ou seja, a penetração simpatética ([[lexico:e:einfuhlung|Einfühlung]]) e a [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] de reviver (Nacherleben) as experiências (Erlebnisse) dos outros. Contra essa concepção, em grande voga na sua [[lexico:e:epoca|época]], Weber observa: 1) que a intuição pertence ao âmbito do [[lexico:s:sentimento|sentimento]] e não ao [[lexico:c:campo|campo]] da ciência controlada; 2) que a [[lexico:e:experiencia|experiência]] vivida não pode substituir os [[lexico:c:conceitos|conceitos]], mas é [[lexico:p:pessoal|pessoal]] e refratária às provas; 3) que, através da experiência vivida, não apenas não podemos reproduzir um [[lexico:a:acontecimento|acontecimento]] completamente—visto que o [[lexico:e:erlebnis|Erlebnis]] sempre realiza uma [[lexico:s:selecao|seleção]] —, mas, na [[lexico:r:realidade|realidade]], [[lexico:n:nada|nada]] mais fazemos do que realizar nova experiência; 4) que a experiência vivida, embora qua talis não seja um [[lexico:c:conhecimento-cientifico|conhecimento científico]], entretanto pode tornar-se ciência, com a [[lexico:c:condicao|condição]] de que seus produtos (afirmações ou [[lexico:h:hipoteses|hipóteses]]) sejam submetidos às normas comuns do [[lexico:m:metodo|método]] científico e superem as devidas provas.