===== DIVISÃO DO TRABALHO ===== organização [[lexico:s:social|social]] caracterizada pela repartição de tarefas entre os especialistas, e da qual o economista escocês A. Smith (1723-1796) foi o primeiro [[lexico:t:teorico|teórico]]. — A [[lexico:d:divisao-do-trabalho|divisão do trabalho]], necessária em toda a [[lexico:s:sociedade|sociedade]] industrializada que emprega técnicos, apresenta: 1.° problemas sociológicos e psicológicos: o operário que se especializou numa manipulação [[lexico:p:particular|particular]], adaptada a determinada [[lexico:m:maquina|máquina]], torna-se ele [[lexico:p:proprio|próprio]] uma máquina ([[lexico:e:exemplo|exemplo]]: o [[lexico:t:trabalho|trabalho]] em cadeia); tem, pois, [[lexico:n:necessidade|necessidade]] de "[[lexico:l:lazer|lazer]]" muito mais premente do que qualquer [[lexico:o:outro|outro]] trabalhador; 2.° problemas pedagógicos: em que idade a [[lexico:f:formacao|formação]] [[lexico:g:geral|geral]] deve terminar e começar a especialização? O mais [[lexico:t:tarde|Tarde]] [[lexico:p:possivel|possível]], tal é a resposta ([[lexico:b:bem|Bem]] paradoxal), dos pedagogos, e isto, a [[lexico:f:fim|fim]] de que o trabalhador tenha a [[lexico:c:capacidade|capacidade]] de se "reajustar" mais rapidamente aos novos processos com o [[lexico:p:progresso|progresso]] da indústria, cujas técnicas estão, efetivamente, em perpétua [[lexico:m:metamorfose|metamorfose]]. (V. [[lexico:a:automacao|automação]], taylorismo; Friedmann; lazer.) Aqui e no resto deste livro, aplico a [[lexico:e:expressao|expressão]] “[[lexico:d:divisao|divisão]] do trabalho” somente às modernas condições de trabalho, nas quais uma [[lexico:a:atividade|atividade]] é dividida e atomizada em um sem-número de pequenas manipulações, e [[lexico:n:nao|não]] à “divisão do trabalho” propiciada pela especialização profissional. Esta última só pode [[lexico:s:ser|ser]] assim classificada sob a [[lexico:p:premissa|premissa]] de que a sociedade deve ser concebida como um [[lexico:s:sujeito|sujeito]] [[lexico:u:unico|único]]; a satisfação das necessidades desse sujeito único é então subdividida entre os seus membros por “uma mão invisível”. O mesmo se aplica, mutatis mutandis, à [[lexico:n:nocao|noção]] estranha de uma divisão de trabalho entre os sexos, que chega a ser considerada por alguns autores como a mais original de todas. Essa divisão presume como seu único sujeito o [[lexico:g:genero|gênero]] [[lexico:h:humano|humano]], a [[lexico:e:especie|espécie]] humana, que dividiu seus trabalhos entre homens e [[lexico:m:mulheres|mulheres]]. Quando o mesmo [[lexico:a:argumento|argumento]] era usado entre os antigos (conferir, por exemplo, [[lexico:x:xenofonte|Xenofonte]], Oeconomicus, vii. 22), a ênfase e o [[lexico:s:significado|significado]] eram bastante diferentes. A principal divisão era entre a [[lexico:v:vida|vida]] vivida dentro de casa, no [[lexico:l:lar|lar]], e a vida vivida fora, no [[lexico:m:mundo|mundo]]. Somente esta última era plenamente digna do [[lexico:h:homem|homem]] e, naturalmente, a noção de [[lexico:i:igualdade|igualdade]] entre o homem e a mulher, que é um [[lexico:p:pressuposto|pressuposto]] [[lexico:n:necessario|necessário]] para a [[lexico:i:ideia|ideia]] da divisão do trabalho, estava inteiramente ausente (cf. n. 81). A [[lexico:a:antiguidade|antiguidade]] parece [[lexico:t:ter|ter]] conhecido apenas a especialização profissional, que era supostamente predeterminada por dons e qualidades naturais. Assim, o serviço nas minas de ouro, que ocupava vários milhares de operários, era distribuído segundo a [[lexico:f:forca|força]] e a habilidade de cada um. Cf. J.-P. Vernant, “Travail et nature dans la Grèce ancienne”, Journal de psichologie normale et pathologique, v. LII, n. 1 (jan./mar. 1955). [ArendtCH, 6, Nota]