===== DISTELEOLOGIA ===== Disteleologia é o oposto a [[lexico:t:teleologia|teleologia]] ([[lexico:f:fim|fim]]). O [[lexico:u:uso|uso]] do vocábulo varia, consoante a [[lexico:i:ideia|ideia]] que se tenha do [[lexico:t:teleologico|teleológico]]. Vulgarmente, é disteleológico [[lexico:o:o-que-e|o que é]] adverso ao [[lexico:b:bem-estar|bem-estar]] [[lexico:s:subjetivo|subjetivo]]. Filosoficamente, disteleologia é uma [[lexico:f:falta|falta]] de [[lexico:f:finalidade|finalidade]], devido à qual o fim ou [[lexico:n:nao|não]] se alcança ou se alcança defeituosamente. Esta falta revela-se no uso de meios insuficientes (p. ex., nos monstros, nas enfermidades mentais) ou na aplicação do [[lexico:a:apetite|apetite]] teleológico a objetos inadequados (como, p. ex., quando bactérias atacam animais e homens). Não raro se considera também disteleológica a [[lexico:o:oposicao|oposição]] entre a teleologia ao serviço do [[lexico:p:proprio|próprio]] [[lexico:s:sujeito|sujeito]] ou de seres estranhos e determinados fenômenos concomitantes que convertem em tormento a consecução do fim (p. ex., as dores, a "crueldade" das feras). As disteleologias só podem apreciar-se devidamente, tomando em conta a [[lexico:c:contingencia|contingência]] do [[lexico:s:ser|ser]] e o [[lexico:c:carater|caráter]] peculiar da finalidade. A contingência implica a mutabilidade ([[lexico:d:decadencia|decadência]] e [[lexico:m:morte|morte]] nos seres vivos), [[lexico:b:bem|Bem]] como a índole limitada, das [[lexico:c:coisas|coisas]] naturais e de sua finalidade. O caráter peculiar da finalidade reside na inserção dos seres e de seus fins numa [[lexico:o:ordem|ordem]] global, integrada por ordens parciais entre si hierarquizadas, onde os graus inferiores se subordinam aos superiores, todas porém subordinadas à estruturação da [[lexico:t:totalidade|totalidade]] cósmica. As coisas da [[lexico:n:natureza|natureza]] devem, outrossim, servir aos desígnios superiores de [[lexico:d:deus|Deus]], ordenador supremo da mesma natureza. O fim [[lexico:u:ultimo|último]] [[lexico:i:imanente|imanente]] ao [[lexico:u:universo|universo]] è a plena [[lexico:p:perfeicao|perfeição]] intelectual, [[lexico:m:moral|moral]] e religiosa do [[lexico:h:homem|homem]], o qual, ascendendo ao [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] do Criador pela auto-revelação de Deus na natureza, deve conduzir o [[lexico:m:mundo|mundo]] a seu último fim [[lexico:t:transcendente|transcendente]], que é a [[lexico:g:glorificacao|glorificação]] de Deus. Só é realmente disteleológico o que não possui [[lexico:s:sentido|sentido]] sob nenhum destes aspectos. Assim consideradas, as deficiências e desarmonias deixam de ser disteleológicas. Por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], as dores e epidemias dão a conhecer ao homem a contingência de seu ser e, [[lexico:a:alem|além]] disso, converteram-se também em potente alavanca do [[lexico:p:progresso|progresso]] cultural. A circunstância de muitas coisas se tornarem absurdas, pela exclusão dos fins que ultrapassam a natureza, [[lexico:p:prova|prova]] precisamente a [[lexico:n:necessidade|necessidade]] de tais fins. [[lexico:q:quem|quem]] se detém na fase anterior ao fim não pode [[lexico:c:compreender|compreender]] o sentido do universo ([[lexico:t:teodiceia|Teodiceia]]). — Frank. (in. Dysteleology; fr. Dystéléologie; al. Dysteleologie; it. Disteleologia). [[lexico:t:termo|termo]] criado pelo biólogo materialista Ernesto Haeckel para indicar a [[lexico:p:parte|parte]] da [[lexico:b:biologia|biologia]] que estuda os fatos biológicos (monstruosidade, abortos, atrofias, etc.) que contradizem a [[lexico:e:existencia|existência]] de uma finalidade na [[lexico:f:formacao|formação]] dos organismos vivos (Weltrütsel, 1899, cap. 14).