===== DILEMA ===== O [[lexico:r:raciocinio|raciocínio]] que consiste em apresentar duas proposições de tal maneira que, se uma delas é falsa, a outra é necessariamente verdadeira. — Por [[lexico:e:extensao|extensão]], [[lexico:o:obrigacao|obrigação]] de escolher entre duas situações possíveis: [[lexico:e:estar|estar]] ante um dilema. Dá-se este [[lexico:n:nome|nome]] a um antigo [[lexico:a:argumento|argumento]] apresentado sob [[lexico:f:forma|forma]] de [[lexico:s:silogismo|silogismo]] com “dois fios” ou “dois cornos”. Costuma chamar-se a [[lexico:a:atencao|atenção]] para a [[lexico:d:diferenca|diferença]] entre dilema e o silogismo [[lexico:d:disjuntivo|disjuntivo]], no qual se afirma só um dos membros da [[lexico:d:disjuncao|disjunção]], enquanto a conclusão do dilema é uma [[lexico:p:proposicao|proposição]] disjuntiva, na qual se afirmam igualmente os seus dois membros. Um dos exemplos tradicionais do dilema é: Os homens levam a cabo os assassínios que projectam ou [[lexico:n:nao|não]] os levam a cabo. Se os levarem a cabo, pecam contra a [[lexico:l:lei|lei]] de [[lexico:d:deus|Deus]] e são culpados. Se os não levarem a cabo, pecam contra a sua [[lexico:c:consciencia-moral|consciência moral]], e são culpados. Por conseguinte, quer levem a cabo quer não levem a cabo os assassínios que projectam, são culpados (se projectarem um assassínio). Quando os membros da proposição disjuntiva são três, fala-se de [[lexico:t:trilema|trilema]]; quando são [[lexico:q:quatro|Quatro]], de quadrilema; quando são um [[lexico:n:numero|número]] [[lexico:i:indeterminado|indeterminado]] de membros, de [[lexico:p:polilema|polilema]]. (gr. dilema; lat. dilemmas; in. Dilemma; fr. Dilemme; al. Dilemma; it. Dilemmá). [[lexico:e:esse|esse]] [[lexico:t:termo|termo]] (que significa "[[lexico:p:premissa|premissa]] dupla") começa a [[lexico:s:ser|ser]] empregado por gramáticos e lógicos do séc. II (cf. Hermógenes, De inv., IV, 6; Galeno, Inst. log., VI, 5) para indicar os raciocínios insolúveis ou conversíveis (aporoi, antistrephonta) que, segundo Diógenes Laércio (VII, 82-83), apareciam com frequência nos livros dos estoicos. Um desses dilema se chamava "do crocodilo": um crocodilo que rapta um menino e promete ao pai que vai restituí-lo se adivinhar o que o crocodilo vai fazer, ou seja, se vai restituir o menino ou não. Se o pai responder que o crocodilo não vai restituir, o crocodilo estará diante de um dilema: se não restituir, a resposta do pai será verdadeira e, de [[lexico:a:acordo|acordo]] com o pacto, ele deverá devolver o menino; mas se o devolver, a resposta do pai estará errada e este perderá o [[lexico:d:direito|direito]] à restituição (Schol. ad Hermog., ed. Walz, IV, p. 170). dilema [[lexico:s:semelhante|semelhante]] contava-se a [[lexico:r:respeito|respeito]] de [[lexico:p:protagoras|Protágoras]], que levou a [[lexico:j:juizo|juízo]] seu discípulo Evatlos, de [[lexico:q:quem|quem]] deveria receber honorários quando vencesse a primeira [[lexico:c:causa|causa]]. Protágoras achava que Evatlos deveria pagar-lhe em qualquer caso: se vencesse, por causa do pacto, e se perdesse por causa da [[lexico:s:sentenca|sentença]], que o obrigaria a pagar. Mas Evatlos pôde responder-lhe: "Não te pagarei em caso algum: se perder, por causa do pacto; se vencer, por causa da sentença". O dilema, nesse caso, era do juiz (Aulo Gélio, Atoei. Att., V, 10). Na [[lexico:l:logica|lógica]] medieval, preferia-se dar a argumentos desse [[lexico:g:genero|gênero]] as denominações Insolubilia ou Obligationes (v. [[lexico:a:antinomia|antinomia]]). Esse termo reaparece na lógica renascentista (cf., p. ex., L. Valla, Dialect. Disput, III, 13) e desta passa à lógica de Jungius (Logica Humburgensis, 1638, III, 29, 1) e à Lógica de Arnauld (III, 16). Nesse [[lexico:s:sentido|sentido]], o dilema foi [[lexico:c:chamado|chamado]] por Hamilton de sophisma heterozeteseos ou [[lexico:s:sofisma|sofisma]] de contra-interrogação (Lectures on Logic, I, p. 466). 2) Mais [[lexico:t:tarde|Tarde]], deu-se o nome de dilema a certa forma de interferência do seguinte [[lexico:t:tipo|tipo]].- "Toda [[lexico:c:coisa|coisa]] é P ou M; S não é M; logo S é P" (cf. [[lexico:p:peirce|Peirce]], Coll. Pap., 3-404). Esse segundo [[lexico:s:significado|significado]] de dilema já é distinguido do precedente por Jungius (Log. hamburg., III, 29, 10) e é descrito como "silogismo hipotético-disjuntivo" por [[lexico:k:kant|Kant]] (Logik, § 79), por Hamiltom (Lectures on Logic, I, pp. 350 ss.) e por outros escritores posteriores.