===== DIGNIDADE ===== (in. Dignity; fr. Dignité; al. Würde; it. Dignita). Como "[[lexico:p:principio|princípio]] da dignidade humana" entende-se a exigência enunciada por [[lexico:k:kant|Kant]] como segunda [[lexico:f:formula|fórmula]] do [[lexico:i:imperativo-categorico|imperativo categórico]]: "Age de tal [[lexico:f:forma|forma]] que trates a [[lexico:h:humanidade|humanidade]], tanto na tua [[lexico:p:pessoa|pessoa]] como na pessoa de qualquer [[lexico:o:outro|outro]], sempre também como um [[lexico:f:fim|fim]] e nunca unicamente com um [[lexico:m:meio|meio]]" (Grundlegung zur Met. der Sitten, II). [[lexico:e:esse|esse]] [[lexico:i:imperativo|imperativo]] estabelece que [[lexico:t:todo|todo]] [[lexico:h:homem|homem]], aliás, todo [[lexico:s:ser|ser]] [[lexico:r:racional|racional]], como fim em [[lexico:s:si-mesmo|si mesmo]], possui um [[lexico:v:valor|valor]] [[lexico:n:nao|não]] [[lexico:r:relativo|relativo]] (como é, p. ex., um preço), mas [[lexico:i:intrinseco|intrínseco]], ou seja, a dignidade. "O que tem preço pode ser substituído por alguma outra [[lexico:c:coisa|coisa]] equivalente, [[lexico:o:o-que-e|o que é]] [[lexico:s:superior|superior]] a qualquer preço, e por isso não permite nenhuma [[lexico:e:equivalencia|equivalência]], tem dignidade" Substancialmente, a dignidade de um ser racional consiste no [[lexico:f:fato|fato]] de ele "não obedecer a nenhuma [[lexico:l:lei|lei]] que não seja também instituída por ele mesmo". A mortalidade, como [[lexico:c:condicao|condição]] dessa [[lexico:a:autonomia|autonomia]] legislativa é, portanto, a condição da dignidade do homem, e [[lexico:m:moralidade|moralidade]] e humanidade são as únicas [[lexico:c:coisas|coisas]] que não têm preço. Esses [[lexico:c:conceitos|conceitos]] kantianos voltam em F.Schiller, [[lexico:g:graca|Graça]] e dignidade (1793): "Adominação dos instintos pela [[lexico:f:forca|força]] [[lexico:m:moral|moral]] é a [[lexico:l:liberdade|liberdade]] do [[lexico:e:espirito|espírito]] e a [[lexico:e:expressao|expressão]] da liberdade do espírito no [[lexico:f:fenomeno|fenômeno]] chama-se dignidade". (Werke, ed. Karpeles, XI, p. 207). Na incerteza das valorações morais do [[lexico:m:mundo|mundo]] contemporâneo, que aumentou com as duas guerras mundiais, pode-se dizer que a exigência da dignidade do ser [[lexico:h:humano|humano]] venceu uma [[lexico:p:prova|prova]], revelando-se como pedra de toque para a aceitação dos ideais ou das formas de [[lexico:v:vida|vida]] instauradas ou propostas; isso porque as [[lexico:i:ideologias|ideologias]], os partidos e os regimes que, implícita ou explicitamente, se opuseram a essa [[lexico:t:tese|tese]] mostraram-se desastrosos para si e para os outros. (lat. Dignitas; it. Degnita). Foi assim que os escolásticos, na esteira de [[lexico:b:boecio|Boécio]], traduziram a [[lexico:p:palavra|palavra]] [[lexico:a:axioma|axioma]] (cf., p. ex., [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]], In Met., III, 5, 390). [[lexico:v:vico|Vico]] conservou essa palavra em italiano e suas "dignidades", expostas na [[lexico:p:parte|parte]] da Scienza Nuova intitulada "Dos [[lexico:e:elementos|elementos]]", constituem os fundamentos de sua [[lexico:o:obra|obra]]. "Propomos [[lexico:a:agora|agora]] aqui os seguintes axiomas ou dignidades filosóficas e filológicas, algumas poucas perguntas racionais e discretas, com outras tantas definições esclarecidas; estas, assim como o [[lexico:s:sangue|sangue]] pelo [[lexico:c:corpo|corpo]] animado, devem fluir por dentro desta [[lexico:c:ciencia|ciência]] e animá-la em tudo o que ela razoa sobre a [[lexico:n:natureza|natureza]] comum das nações".