===== DIÁLOGO ===== (gr. dialogos; lat. dialogus; in. Dialogue; fr. Dialogue; al. Dialog; it. Dialogo). Para grande [[lexico:p:parte|parte]] do [[lexico:p:pensamento|pensamento]] antigo até [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]], o diálogo [[lexico:n:nao|não]] é somente uma das formas pelas quais se pode exprimir o [[lexico:d:discurso|discurso]] filosófico, mas a sua [[lexico:f:forma|forma]] [[lexico:t:tipica|típica]] e privilegiada, isso porque não se trata de discurso feito pelo [[lexico:f:filosofo|filósofo]] para [[lexico:s:si-mesmo|si mesmo]], que o isole em si mesmo, mas de uma conversa, uma [[lexico:d:discussao|discussão]], um perguntar e responder entre pessoas unidas pelo [[lexico:i:interesse|interesse]] comum da busca. O [[lexico:c:carater|caráter]] conjunto dessa busca da forma como os gregos a conceberam no período [[lexico:c:classico|clássico]] tem [[lexico:e:expressao|expressão]] [[lexico:n:natural|natural]] no diálogo. A [[lexico:f:falta|falta]] de confiança de [[lexico:p:platao|Platão]] nos discursos escritos, porquanto não respondem a [[lexico:q:quem|quem]] interroga e não escolhem seus interlocutores ([[lexico:f:fedro|Fedro]], 275 c) (o que talvez tenha levado [[lexico:s:socrates|Sócrates]] a não escrever [[lexico:n:nada|nada]] e a concentrar toda a sua [[lexico:a:atividade|atividade]] na conversação com amigos e discípulos), também consolida a superioridade do diálogo como forma literária, que procura reproduzir o [[lexico:r:ritmo|ritmo]] da conversação e, em [[lexico:g:geral|geral]], da [[lexico:i:investigacao|investigação]] conjunta. Foi por certo [[lexico:e:esse|esse]] o [[lexico:m:motivo|motivo]] que induziu Platão a manter-se fiel à forma dialógica em seus escritos e a esquivar-se à pretensão do tirano Dionísio de reduzir sua [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] à forma de sumário (Carta VII, 341 b). A exigência do diálogo está presente, de [[lexico:m:modo|modo]] mais ou menos claro, em todas as formas da [[lexico:d:dialetica|dialética]], e não se pode dizer que esteja totalmente ausente da [[lexico:i:indagacao|indagação]] filosófica, que, mais do que qualquer outra, procede através da discussão das teses alheias e da polêmica incessante entre as várias diretrizes de [[lexico:p:pesquisa|pesquisa]]. [[lexico:a:alem|Além]] disso, o [[lexico:p:principio|princípio]] do diálogo implica a [[lexico:t:tolerancia|tolerância]] filosófica e religiosa (v. tolerância), em [[lexico:s:sentido|sentido]] [[lexico:p:positivo|positivo]] e ativo, ou seja, não como resignação pela [[lexico:e:existencia|existência]] de outros pontos de vista, mas como [[lexico:r:reconhecimento|reconhecimento]] de sua legitimidade e com [[lexico:b:boa-vontade|boa vontade]] de entendê-los em suas razões. Nesse sentido, o princípio do diálogo permaneceu como aquisição fundamental transmitida do pensamento [[lexico:g:grego|grego]] ao [[lexico:m:moderno|moderno]] e que, na [[lexico:a:atualidade|atualidade]], conserva [[lexico:v:valor|valor]] eminentemente [[lexico:n:normativo|normativo]] (cf. G. Calogero, Logo e dialogo, 1950). É nos [[lexico:d:dialogos|diálogos]] que aquilo que é falado possui o seu valor conjuntural. Em [[lexico:v:verdade|verdade]], não haveria nenhum diálogo sem aquilo que é [[lexico:d:dito|dito]]. No entanto, o diálogo é sempre mais do que aquilo que é dito. A [[lexico:i:intencao|intenção]] também entra em [[lexico:j:jogo|jogo]] e sempre como aquilo que se lança para além das intenções dos parceiros de diálogo, um diálogo não é nenhuma troca de [[lexico:p:palavras|palavras]], ele não pode [[lexico:s:ser|ser]] reduzido às declarações daqueles que tomam parte nele. Foi nesse sentido que Gadamer acentuou o [[lexico:f:fato|fato]] de um diálogo não ser “conduzido” em sintonia com o modo de [[lexico:f:falar|falar]] corrente. Com maior [[lexico:r:razao|razão]], o diálogo que tem [[lexico:s:sucesso|sucesso]] e que se mostra, por isso, como um “diálogo propriamente dito” não seria “nunca aquilo que gostaríamos de levar a [[lexico:t:termo|termo]]”; quanto mais “[[lexico:p:proprio|próprio]]” é um diálogo, tanto menos a “sua condução” reside “na [[lexico:v:vontade|vontade]] de um ou de [[lexico:o:outro|outro]] dos parceiros de diálogo” [Gadamer, Verdade e método, GW 1, p. 387]. [[lexico:t:todo|todo]] diálogo é um solo comum que não pode ser estabelecido por [[lexico:m:meio|meio]] dos parceiros de diálogo. Este solo comum já precisa [[lexico:e:existir|existir]], para que [[lexico:e:elementos|elementos]] comuns possam ser descobertos. No contexto do diálogo “propriamente dito” em que Gadamer pensa, é a [[lexico:c:coisa|coisa]] comum que “já sempre” ligou os parceiros de diálogo como “um [[lexico:p:perfeito|perfeito]] [[lexico:a:a-priori|a priori]]” [Heidegger, Ser e tempo, [[ga>GA2]], p. 114]. O [[lexico:e:elemento|elemento]] atmosférico não poderia desempenhar um papel menor - a tonalidade afetiva, o ensejo e o [[lexico:p:ponto|ponto]] de partida esperado, o caráter favorável ou desfavorável de [[lexico:l:lugar|lugar]] e [[lexico:t:tempo|tempo]]. Decisiva, porém, é a familiaridade ou a estranheza em [[lexico:r:relacao|relação]] ao parceiro do diálogo. Delas depende o quão aberta e desprendidamente nos expomos. Por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], o quão aberta e desprendidamente admitimos que não sabemos como prosseguir e indagamos de maneira correspondente. Em que [[lexico:m:medida|medida]] isto é [[lexico:p:possivel|possível]] também tem certamente algo em comum com a [[lexico:e:experiencia|experiência]] do parceiro de diálogo, com a sua [[lexico:f:formacao|formação]] e os seus hábitos; além disso, essa [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] depende daquilo que é e daquilo que não é usual em uma forma de [[lexico:v:vida|vida]]. Todavia, as [[lexico:c:coisas|coisas]] podem ser por princípio questionadas no diálogo. Enquanto podemos perguntar, não precisamos interpretar. [FigalO:79-80]