===== DESFAZIMENTO ===== Como os remédios contra o enorme vigor e resiliência dos processos da [[lexico:a:acao|ação]] só são eficazes na [[lexico:c:condicao|condição]] de [[lexico:p:pluralidade|pluralidade]], é muito perigoso usar essa [[lexico:f:faculdade|faculdade]] em qualquer [[lexico:o:outro|outro]] domínio que [[lexico:n:nao|não]] o dos assuntos humanos. A [[lexico:t:tecnologia|tecnologia]] e a [[lexico:c:ciencia-natural|ciência natural]] [[lexico:m:moderna|moderna]], que já não colhem materiais da [[lexico:n:natureza|natureza]], nem a observam ou imitam seus processos, mas parecem realmente agir nela, aparentemente introduziram, por isso mesmo, a irreversibilidade e a imprevisibilidade humanas no domínio da natureza, onde não há remédio para desfazer o que foi feito. Analogamente, parece que um dos grandes perigos de agir nos moldes da [[lexico:f:fabricacao|fabricação]] e dentro da [[lexico:e:estrutura|estrutura]] de sua [[lexico:c:categoria|categoria]] de meios e fins reside na concomitante autoprivação dos remédios inerentes apenas à ação, de [[lexico:m:modo|modo]] que se é obrigado não só a fazer recorrendo aos meios da [[lexico:v:violencia|violência]] necessários a toda fabricação, mas também a desfazer o que foi feito por [[lexico:m:meio|meio]] da [[lexico:d:destruicao|destruição]], [[lexico:c:como-se|como se]] destrói um [[lexico:o:objeto|objeto]] que não deu certo. [[lexico:n:nada|nada]] aparece de modo tão evidente nessas tentativas quanto a [[lexico:g:grandeza|grandeza]] do poder [[lexico:h:humano|humano]] cuja [[lexico:f:fonte|fonte]] reside na [[lexico:c:capacidade|capacidade]] de agir e que, sem os remédios inerentes à ação, começa inevitavelmente a subjugar e a destruir, não o [[lexico:p:proprio|próprio]] [[lexico:h:homem|homem]], mas as condições nas quais a [[lexico:v:vida|vida]] lhe foi dada. [ArendtCH:C33]