===== DEMONSTRAÇÃO DE DEUS ===== O [[lexico:o:objetivo|objetivo]] desta [[lexico:d:demonstracao|demonstração]] é provar cientificamente a [[lexico:e:existencia-de-deus|existência de Deus]], demonstrar portanto que [[lexico:d:deus|Deus]] [[lexico:n:nao|não]] é mera [[lexico:i:ideia|ideia]] ([[lexico:k:kant|Kant]]), nem [[lexico:c:criacao|criação]] do [[lexico:d:desejo|desejo]] ([[lexico:f:feuerbach|Feuerbach]]) ou até "[[lexico:f:ficcao|ficção]] [[lexico:u:util|útil]]" (Vaihinger), à qual na [[lexico:r:realidade|realidade]] não corresponde nenhum [[lexico:o:objeto|objeto]]. Ao contrário da [[lexico:e:experiencia|experiência]] ou [[lexico:v:vivencia|vivência]] do [[lexico:d:divino|divino]] que, mediante uma [[lexico:i:intuicao|intuição]] de cunho [[lexico:p:pessoal|pessoal]], nos convence, de maneira psicologicamente imediata, da [[lexico:e:existencia|existência]] de Deus, a demonstração articula sua [[lexico:e:estrutura|estrutura]] [[lexico:l:logica|lógica]], a partir daquela experiência. Mercê deste seu cônscio afastamento de todos os fatores puramente subjetivos, a [[lexico:p:prova|prova]] conserva sua [[lexico:n:necessidade|necessidade]] lógica e seu [[lexico:v:valor|valor]] [[lexico:u:universal|universal]], embora, as mais das vezes perca, com isso, [[lexico:f:forca|força]] de [[lexico:c:conviccao|convicção]] pessoal. As pressuposições da demonstração da existência de Deus são, em [[lexico:p:parte|parte]] filosóficas e, em parte, morais. Pressupõem-se, à base de um [[lexico:r:realismo|realismo]] sadio, a existência do [[lexico:m:mundo|mundo]] [[lexico:e:exterior|exterior]] e da experiência interna, [[lexico:b:bem|Bem]] como a [[lexico:v:validade|validade]] objetiva dos [[lexico:c:conceitos|conceitos]] [[lexico:u:universais|universais]] e o [[lexico:c:carater|caráter]] [[lexico:t:transcendente|transcendente]] do [[lexico:p:principio-de-causalidade|princípio de causalidade]], ou seja, as teses basilares da "[[lexico:p:philosophia|philosophia]] perennis". Devido a estas pressuposições, cada um dos quais deve [[lexico:s:ser|ser]] explicitamente assegurada, em separado, ao [[lexico:p:processo|processo]] frequentemente complicado do [[lexico:p:pensamento|pensamento]] e às consequências práticas, a [[lexico:e:evidencia|evidência]] das provas pode ser perturbada. Em [[lexico:t:todo|todo]] caso, elas não necessitam o [[lexico:e:entendimento|entendimento]] a assentir; a convicção da existência de Deus a ninguém pode ser "demonstrada" de maneira irresistível, mas continua sempre dependente de uma livre [[lexico:d:decisao|decisão]] do [[lexico:h:homem|homem]] todo ([[lexico:c:certeza|certeza]] livre). Donde, a aceitação de toda prova da existência de Deus, sem prejuízo de sua validade lógica, pressupõe uma determinada [[lexico:a:atitude|atitude]] [[lexico:m:moral|moral]] da [[lexico:a:alma|alma]]: anelar sinceramente a [[lexico:v:verdade|verdade]] e [[lexico:e:estar|estar]] disposto a não consentir que preconceitos e paixões, sejam de que [[lexico:e:especie|espécie]] forem, impeçam de seguir a verdade conhecida ([[lexico:a:ateismo|ateísmo]]). A estrutura lógica da [[lexico:d:demonstracao-de-deus|demonstração de Deus]] é a mesma em todos os casos. Seu [[lexico:p:ponto|ponto]] de partida nunca é uma pura ideia, mas sempre um [[lexico:f:fato|fato]] [[lexico:e:experiencial|experiencial]], cujo caráter [[lexico:c:contingente|contingente]] ou limitado deve ser fixado. O [[lexico:p:principio|princípio]] condutor, que nos permite a conclusão sobre Deus é invariavelmente o de [[lexico:c:causalidade|causalidade]] (eficiente, final ou [[lexico:e:exemplar|exemplar]]). Pelo que, do ponto de vista de sua estrutura fundamental, só há uma prova da existência de Deus, a [[lexico:s:saber|saber]]: o [[lexico:r:raciocinio|raciocínio]] que parte do [[lexico:r:relativo|relativo]] para o [[lexico:a:absoluto|absoluto]], no qual uns consideram como [[lexico:e:expressao|expressão]] da [[lexico:r:relatividade|relatividade]] predominantemente a [[lexico:c:contingencia|contingência]] e outros, de preferência, a [[lexico:l:limitacao|limitação]], ou seja, a composição de [[lexico:a:ato|ato]] e de [[lexico:p:potencia|potência]]. Cumpre todavia [[lexico:f:falar|falar]] de várias demonstrações, tendo em conta os diversos pontos de partida, que permitem também situar em primeiro [[lexico:p:plano|plano]] diversos atributos divinos. A [[lexico:c:critica|crítica]] da demonstração da existência de Deus dirige-se principalmente aos fundamentos da mesma. Assim, o [[lexico:a:agnosticismo|agnosticismo]] de Kant, que até nossos dias continua exercendo profunda [[lexico:i:influencia|influência]], nega a validade dos conceitos universais e do princípio de causalidade para [[lexico:a:alem|além]] da experiência [[lexico:s:sensivel|sensível]], com o que se mina a base de toda e qualquer demonstração da existência de Deus ([[lexico:t:transcendencia|transcendência]]). Para a [[lexico:t:teologia|teologia]] protestante, de [[lexico:m:modo|modo]] peculiar para a [[lexico:t:teologia-dialetica|teologia dialética]] com sua [[lexico:n:negacao|negação]] da [[lexico:a:analogia|analogia]] entre Deus e a criatura, toda demonstração da existência de Deus é uma arrogância, porque torna Deus dependente de nosso pensamento. A [[lexico:e:escola|escola]] de [[lexico:b:bergson|Bergson]] vê na demonstração [[lexico:e:escolastica|escolástica]] de Deus uma "fragmentação", uma distorção do ser fluente ([[lexico:f:filosofia-da-vida|filosofia da vida]]). Alguns, movidos por um certo [[lexico:a:anti-intelectualismo|anti-intelectualismo]], põem em [[lexico:d:duvida|dúvida]] o valor [[lexico:p:pratico|prático]] desta demonstração e pretendem substituí-la por outras mais intuitivas ([[lexico:s:scheler|Scheler]], Hessen, Laros). — Rast.