===== DEFINIÇÃO ===== De um [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista [[lexico:g:geral:start|geral]], a definição equivale à delimitação, isto é à indicação dos fins ou limites conceptuais de um [[lexico:e:ente:start|ente]] relativamente aos demais. Por isso se concebeu muitas vezes a definição como uma [[lexico:n:negacao:start|negação]]; delimitamos um ente relativamente aos outros, porque negamos os outros até ficarmos mentalmente com o ente definido. Supõe-se que ao levar a cabo, de um [[lexico:m:modo:start|modo]] [[lexico:c:consequente:start|consequente]], esta delimitação alcançamos a [[lexico:n:natureza:start|natureza]] [[lexico:e:essencial:start|essencial]] da [[lexico:c:coisa:start|coisa]] definida. Por isso, definir [[lexico:n:nao:start|não]] é o mesmo que discernir. A [[lexico:a:acao:start|ação]] de discernir a aprovação empírica da [[lexico:v:verdade:start|verdade]] ou [[lexico:f:falsidade:start|falsidade]] do [[lexico:o:objeto:start|objeto]] considerado, e a de definir supõe delimitação intelectual da sua [[lexico:e:essencia:start|essência]]. Isto não significa, naturalmente, que a definição seja sempre uma [[lexico:o:operacao:start|operação]] mental [[lexico:i:independente:start|independente]] da comprovação empírica. Acontece muitas vezes que só depois de muitas comprovações empíricas acerca de um objeto [[lexico:d:dado:start|dado]] possamos passar a defini-lo. [[lexico:s:socrates:start|Sócrates]] e [[lexico:p:platao:start|Platão]] proporcionaram uma das interpretações mais influentes: aquela segundo a qual a definição [[lexico:u:universal:start|universal]] de qualquer ente é [[lexico:p:possivel:start|possível]] por [[lexico:m:meio:start|meio]] da [[lexico:d:divisao:start|divisão]] de todos os entes do [[lexico:u:universo:start|universo]] de [[lexico:a:acordo:start|acordo]] com certas articulações simultaneamente lógicas e [[lexico:o:ontologica:start|ontológica]]. Definir um ente consiste, fundamentalmente, em tomar a [[lexico:c:classe:start|classe]] da qual é membro e em [[lexico:p:por:start|pôr]] essa classe no “[[lexico:l:lugar:start|lugar]] [[lexico:o:ontologico:start|ontológico]]” correspondente. [[lexico:e:esse:start|esse]] “lugar ontológico” foi determinado por dois [[lexico:e:elementos:start|elementos]] de [[lexico:c:carater:start|caráter]] [[lexico:l:logico:start|lógico]]: o [[lexico:g:genero:start|gênero]] [[lexico:p:proximo:start|próximo]] e a [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] específica. Daí a [[lexico:f:formula:start|fórmula]] tradicional: “a definição realiza-se por gênero próximo e diferença específica”. Deste modo se formula a célebre definição: [[lexico:a:animal:start|animal]] [[lexico:r:racional:start|racional]], que define o [[lexico:h:homem:start|homem]]. Com [[lexico:e:efeito:start|efeito]], Animal é o gênero próximo , a classe mais próxima na qual está incluída a classe homem. E racional é a diferença específica por meio da qual separamos conceptualmente a classe dos homens da classe de todos os outros animais. Por [[lexico:o:outro:start|outro]] lado, é [[lexico:n:necessario:start|necessário]] que em qualquer definição se esgotem as caraterísticas do ente definido que se consideram essenciais. Da mencionada [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]] surgiram as regras que se aplicaram com frequência (sobretudo a partir dos escolásticos) com vistas à definição .Eis algumas delas: a definição deve [[lexico:s:ser:start|ser]] mais clara que a coisa definida; o definido tem que ficar excluído da definição; a definição não deve conter nem mais nem menos que aquilo que é susceptível de ser definido. [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]] examinou a definição como uma das [[lexico:q:quatro:start|Quatro]] classes de [[lexico:p:predicaveis:start|predicáveis]], o [[lexico:p:predicavel:start|predicável]] que tem a caraterística de ser essencial e convertível. E, [[lexico:a:alem:start|além]] disso, como um [[lexico:p:processo:start|processo]] mental por meio do qual se encontra um [[lexico:t:termo:start|termo]] médio que permite [[lexico:s:saber:start|saber]] [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] o ente dado. Ao contrário da [[lexico:e:existencia:start|existência]] do ente e da [[lexico:c:causa:start|causa]] pela qual o ente é, a definição tem como missão averiguar a essência, isto é, aquilo que faz que o ente seja aquilo que é. Os escolásticos aproveitaram algumas das designações anteriores. Além disso, puseram a claro que, quando se [[lexico:f:fala:start|fala]] de definição, esta pode ser definição de uma coisa ou definição de um [[lexico:n:nome:start|nome]]. (gr. horos; lat. definitio; in. Definition; fr. Definition; al. Definition; it. Definizione). Declaração da essência. Distinguem-se diversos [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] de definição, que correspondem aos diversos conceitos de essência, mais precisamente: 1) [[lexico:c:conceito:start|conceito]] de definição como declaração da essência [[lexico:s:substancial:start|substancial]]; 2) conceito de definição como declaração da essência nominal; 3) conceito de definição como declaração da essência-significado. 1) A doutrina aristotélica da definição diz [[lexico:r:respeito:start|respeito]] à essência substancial. Aristóteles afirma explicitamente que a definição concerne à essência e à [[lexico:s:substancia:start|substância]] (An.post, II, 3, 90 b 30). E os vários significados de definição que ele enumera referem-se todos à essência substancial. "A definição pode ser, em um primeiro [[lexico:s:sentido:start|sentido]], a declaração não demonstrável da essência; num segundo sentido, pode ser a [[lexico:d:deducao:start|dedução]] da essência e diferir da [[lexico:d:demonstracao:start|demonstração]] só pela [[lexico:d:disposicao:start|disposição]] das [[lexico:p:palavras:start|palavras]]: num [[lexico:t:terceiro:start|terceiro]] sentido, pode ser a conclusão da demonstração da essência" (Ibid., II, 10, 94 a 11). No primeiro [[lexico:s:significado:start|significado]], a definição refere-se a objetos que são [[lexico:s:substancias:start|substâncias]], como por ex. ao homem; no segundo e no terceiro caso, refere-se a objetos que não são substâncias, mas fatos. como p. ex. o trovão, dos quais dizer essência significa dizer causa (Ibid., 94 a 1 ss.). Em todos os casos, a definição declara a essência substancial de seu objeto. Diz Aristóteles: "A essência substancial pertence às [[lexico:c:coisas:start|coisas]] das quais há definição. E não há definição quando há um termo que se refere a [[lexico:a:alguma-coisa:start|alguma coisa]]: nesse caso todas as palavras seriam definições porque as palavras indicam sempre alguma coisa e até mesmo ‘Ilíada’ seria uma definição. Mas só há definição quando o termo significa algo de [[lexico:p:primario:start|primário]], o que ocorre quando se fala de coisas que não podem ser [[lexico:p:predicados:start|predicados]] de outras coisas" (Met., VII, 4, 1030 a 6). É essa a definição constituída pelo gênero próximo e pela diferença específica: entendendo-se por gênero próximo o [[lexico:p:predicado:start|predicado]] essencial comum a coisas que diferem em [[lexico:e:especie:start|espécie]] (p. ex., o predicado animal comum a todas as espécies animais) e por diferença o que distingue uma espécie da outra (Top., I, 8, 103 b 15). Esse conceito aristotélico de definição tornou-se [[lexico:c:classico:start|clássico]], ficando sistematicamente ligado ao conceito de essência substancial e de ser como necessidade. [[lexico:s:spinoza:start|Spinoza]] só fazia expressar isso com outras palavras quando dizia: "A verdadeira definição de uma coisa qualquer não implica nem exprime [[lexico:n:nada:start|nada]] além da natureza da coisa definida" (Et., I, 8, schol. II). Depois de Aristóteles e por [[lexico:i:influencia:start|influência]] da [[lexico:l:logica:start|Lógica]] estoica, o conceito de definição tornou-se muito mais extenso e flexível; [[lexico:b:boecio:start|Boécio]] podia enumerar 15 [[lexico:e:especies-de-definicao:start|espécies de definição]] (v. adiante). A definição substancial, todavia, continuou sendo vista como a única verdadeira e autêntica, [[lexico:c:como-se:start|como se]] afigurou ao [[lexico:p:proprio:start|próprio]] Boécio (De diffinitione, em P. L., 64e, col. 898). Esse foi o ponto de vista compartilhado por todos os escolásticos e até pelos nominalistas ou terministas que, porém, insistiram na importância da definição nominal. Ockham dizia: "A definição tem dois significados, já que uma é a definição que exprime o que é o objeto ([[lexico:q:quid:start|quid]] rei) e a outra é a definição que exprime o que é o nome (quid nominis). A definição que exprime o que é o objeto pode ser assumida em dois sentidos: num sentido lato, caso em que compreende a definição propriamente dita, e a definição descritiva, e em sentido [[lexico:e:estrito:start|estrito]], caso em que é um [[lexico:d:discurso:start|discurso]] breve que exprime a natureza toda da coisa e nada contém que seja [[lexico:e:extrinseco:start|extrínseco]] a essa coisa" (Summa log., I, 26). Por outro lado, a definição que exprime o que é o nome é "um discurso que declara explicitamente a que se refere implicitamente com um [[lexico:e:enunciado:start|enunciado]]" (Ibid., I, 26). Ockham exclui da lógica as definição reais porque "o lógico não trata de coisas que não sejam signos" (Ibid., I, 26), mas não nega a legitimidade dessas definição fora da lógica. Por outro lado, parece-lhe um embuste (trufaticum) admitir que de um mesmo objeto (p. ex., do homem) haja uma definição lógica, uma definição [[lexico:n:natural:start|natural]], uma definição [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]]. "O lógico, que não trata do homem porque não trata das coisas que não são signos, não tem de definir o homem, mas só ensinar de que modo as outras ciências, que tratam do homem, devem defini-lo. Por isso, o lógico não deve consignar nenhuma definição do homem, a não ser para exemplificar; nesse caso a definição dada como [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]] deve ser natural ou metafísica" (Ibid., I, 26). Esse ponto de vista foi adotado pela lógica posterior. Jungius distinguia três espécies de definição: nominal, essencial e científica, que correspondem aos três significados do termo estabelecidos por Aristóteles (Lógica, 1638, IV, II, 6-8; II, 15). [[lexico:l:leibniz:start|Leibniz]] reivindicava, contra [[lexico:l:locke:start|Locke]], a [[lexico:d:distincao:start|distinção]] entre definição nominal e definição [[lexico:r:real:start|real]], dizendo que "a essência do ouro é aquilo que o constitui e lhe confere as [[lexico:q:qualidades-sensiveis:start|qualidades sensíveis]] que lhe permitem ser reconhecido como tal e tornam nominal a sua definição, ao passo que teríamos a definição real e causal se pudéssemos [[lexico:e:explicar:start|explicar]] sua [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] ou [[lexico:c:constituicao:start|constituição]] interior" (Nouv. ess., III, 3, 19). Mas anteriormente (num ensaio de 1684), distinguira entre "definição nominais, que contêm apenas as notas para discernir uma coisa das outras, e definição reais, das quais consta que a coisa é possível" (Op., ed. Erdmann, p. 80). [[lexico:w:wolff:start|Wolff]] valeu-se dessas observações para dizer que "a definição da qual não resulta que a coisa definida é possível se diz nominal; e aquela de que resulta ser possível a coisa definida, se diz real" (Log., § 191); e, para dividir as definição nominais em essenciais e acidentais, acomodava a seu modo — como dizia explicitamente — as noções escolásticas (Ibid., § 192). [[lexico:k:kant:start|Kant]], por sua vez, entendia que definir era "expor originariamente o conceito [[lexico:e:explicito:start|explícito]] de uma coisa dentro de seus limites", entendendo por explícito a. clareza e a suficiência das notas, por limites a [[lexico:p:precisao:start|precisão]] e por originariamente o caráter [[lexico:p:primitivo:start|primitivo]] da [[lexico:d:determinacao:start|determinação]], que não deve precisar de demonstração (Crít. R. Pura, Doutrina do [[lexico:m:metodo:start|método]], I, seç. I, § 1). 2) A [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] da definição nominal foi admitida por Aristóteles como via subordinada e preparatória à definição real: "E como a definição é a declaração da essência haverá também a declaração daquilo que o nome significa ou outra declaração nominal: p. ex., o que significa o nome [[lexico:t:triangulo:start|triângulo]]" (An.post., II, 10, 93 b 28). A distinção entre definição real e definição nominal não despertava o [[lexico:i:interesse:start|interesse]] da lógica estoica, que não atribuía à definição a [[lexico:t:tarefa:start|tarefa]] de declarar a essência substancial, portanto não se encontra nos escritores de inspiração predominantemente estoica, como Cícero (Top., 5, 26 ss.) e Boécio (De diffinitione, P. L., 64Q col. 901-02). [[lexico:p:pedro-hispano:start|Pedro Hispano]] também a ignora. É utilizada pelos lógicos terministas medievais porque lhes fornece o modo de definir o objeto específico da lógica, como [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] dos signos (v. os trechos de Ockham acima citados). Mas só se tem uma [[lexico:t:teoria:start|teoria]] da definição propriamente dita, como declaração da essência nominal, quando a essência nominal é considerada a única possível, podendo-se, portanto, dizer o mesmo de sua definição Nesse sentido [[lexico:h:hobbes:start|Hobbes]] dizia: "A definição não pode ser outra coisa senão a [[lexico:e:explicacao:start|explicação]] de um nome mediante um discurso". Quando o nome se refere a um conceito [[lexico:c:composto:start|composto]], a definição é a resolução do nome em suas partes mais gerais, de [[lexico:s:sorte:start|sorte]] que se pode dizer que a definição é "a [[lexico:p:proposicao:start|proposição]] cujo predicado é resolutivo do [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] onde isso é possível; e onde não é possível, exemplificativo deste" (De corp., 6, § 14). Do mesmo modo, Locke diz que "definição outra coisa não é senão dar a conhecer o significado de uma [[lexico:p:palavra:start|palavra]] mediante vários outros termos não [[lexico:s:sinonimos:start|sinônimos]]" (Ensaio, III, 4, 6); e julga que "o melhor modo de dar uma definição é enumerar as [[lexico:i:ideias:start|ideias]] [[lexico:s:simples:start|simples]] que se combinam no significado do termo definido" (Ibid., III, 3, 10). Nessa [[lexico:t:tradicao:start|tradição]], [[lexico:s:stuart-mill:start|Stuart Mill]] afirmava que definição "é uma proposição declaratória do significado de uma palavra" (Logic, I, 8, 1). Expressões semelhantes recorrem em filósofos e lógicos mesmo recentes, que não admitem a doutrina da substância e se inclinam para um ponto de vista nominalista. O mais das vezes, todavia, a teoria da definição nominal apoia-se no [[lexico:p:pressuposto:start|pressuposto]] de que um nome não tem nem pode [[lexico:t:ter:start|ter]] mais de uma definição; esse pressuposto distingue a teoria da definição daquela que chamamos teoria da es-sência-significado. 3) Pode-se dizer que esta última teoria foi proposta pelos estoicos. Crisipo afirmava que a definição é uma resposta (apodosis, Dióg. L., VII, 1, 60), entendendo com isso que qualquer resposta dada à [[lexico:p:pergunta:start|pergunta]] "o quê?" pode ser considerada uma definição da coisa. Foi provavelmente com base nessa [[lexico:n:nocao:start|noção]] extremamente generalizada da definição que começaram a surgir numerosas espécies de definição, como em Cícero (Top., 5. 26 ss.) e, na sua esteira, em Boécio. Este enumerou 15 espécies de definição, privilegiando, como se disse, a primeira, que é a definição substancial. As outras 14 espécies são as seguintes: 1) definição nocional, que dá certa concepção do objeto, dizendo mais o que o objeto faz do que o que é; 2) definição qualitativa, que se vale de uma [[lexico:q:qualidade:start|qualidade]] do objeto; 3) a definição descritiva, feita com [[lexico:c:caracteres:start|caracteres]] que ilustram a natureza de uma coisa; é peculiar ao orador; 4) definição verbal, que consiste em esclarecer uma palavra com outra palavra; 5) definição por diferença, que consiste em esclarecer a diferença entre dois objetos, p. ex., entre o rei e o tirano; 6) definição por [[lexico:m:metafora:start|metáfora]], como p. ex. quando se diz que a juventude é a flor da idade; 7) a definição por [[lexico:p:privacao:start|privação]] do contrário, como p. ex. quando se diz que o [[lexico:b:bem:start|Bem]] é o que não é [[lexico:m:mal:start|mal]]; 8) definição por [[lexico:h:hipotipose:start|hipotipose]], que é a elaborada pela [[lexico:f:fantasia:start|fantasia]]; 9) definição por comparação com um [[lexico:t:tipo:start|tipo]], como quando se diz que o animal é como o homem; 10) definição por [[lexico:f:falta:start|falta]] de plenitude no mesmo gênero, como quando se diz que o [[lexico:p:plano:start|plano]] é aquilo a que falta a profundidade; 11) definição laudativa; 12) definição por [[lexico:a:analogia:start|analogia]]; p. ex.: "o homem é um [[lexico:m:microcosmo:start|microcosmo]]"; 13) definição relativa; p. ex.: "pai é [[lexico:q:quem:start|quem]] tem [[lexico:f:filho:start|filho]]"; 14) definição causal, p. ex.: "dia é o [[lexico:s:sol:start|sol]] sobre a [[lexico:t:terra:start|Terra]]" (De diffinitione, P. L, 54s, col. 901-07). A disparidade dessa [[lexico:r:relacao:start|relação]] de Boécio é tal que qualquer resposta à pergunta "o quê?" pode ser considerada definição. Desse ponto de vista, a herança da teoria estoica da definição é o conceito [[lexico:m:moderno:start|moderno]] de que definição é a declaração do significado de um termo, ou seja, do [[lexico:u:uso:start|uso]] que o termo pode terem dado [[lexico:c:campo:start|campo]] de [[lexico:i:investigacao:start|investigação]]. Desse ponto de vista, nào existe uma essência privilegiada do termo (nem nominal nem real), mas existem possibilidades diferentes de defini-lo para fins diferentes; todas as possibilidades podem, embora em graus diferentes, ser declaradas essenciais aos seus fins. Assim, pode-se considerar definição qualquer [[lexico:r:restricao:start|restrição]] ou [[lexico:l:limitacao:start|limitação]] do uso de um termo em determinado contexto. E em todos os casos a definição supõe o contexto, ou, como disse M. Black, um conjunto de pressuposições que constituem um preâmbulo à definição, de sorte que sua [[lexico:f:forma:start|forma]] é "Toda vez que as condições forem assim e assim, o termo será usado assim e assim" (cf. M. Black, Problems of Analysis, 1954, p. 34). Segundo a natureza do preâmbulo, a definição poderá ter caráter diferente. Se o preâmbulo faz [[lexico:r:referencia:start|referência]] a linguagens artificiais (como a lógica e a [[lexico:m:matematica:start|matemática]]), a definição será simplesmente uma convenção (proposta ou aceita) sobre o uso da palavra em tal [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]] (definição estipulativa). Se o preâmbulo fizer referência a linguagens não artificiais ou só em [[lexico:p:parte:start|parte]] artificiais (como a linguagem comum e as das ciências empíricas), a definição será a declaração do uso corrente do termo em [[lexico:q:questao:start|questão]] (definição lexical) ou a proposta ou aceitação de uma modificação oportuna desse uso (redefinição) (cf. R. Robinson, Definition, 1954). A essa terceira espécie pertencem as definição dos termos contidos neste dicionário, que utilizam, simplificam ou retificam os usos de um termo em linguagem filosófica, científica ou corrente. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}