===== DECISÃO ELETIVA ===== Wahlentscheidung A [[lexico:i:influencia|influência]] que o [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]], enquanto médium dos [[lexico:m:motivos|motivos]], tem [[lexico:n:nao|não]] só sobre a [[lexico:v:vontade|vontade]] mas também sobre o seu aparecimento em [[lexico:a:acoes|ações]] fundamenta também a [[lexico:d:diferenca|diferença]] [[lexico:c:capital|capital]] entre o agir do [[lexico:h:homem|homem]] e o do [[lexico:a:animal|animal]], na [[lexico:m:medida|medida]] em que o [[lexico:m:modo|modo]] de conhecimentp de ambos é diverso. De [[lexico:f:fato|fato]], o animal possui apenas [[lexico:r:representacoes-intuitivas|representações intuitivas]], o homem, devido à [[lexico:r:razao|razão]], ainda possui [[lexico:r:representacoes-abstratas|representações abstratas]], [[lexico:c:conceitos|conceitos]]. Embora animal e homem sejam determinados por motivos com igual [[lexico:n:necessidade|necessidade]], o homem, entretanto, tem a [[lexico:v:vantagem|vantagem]] de uma [[lexico:d:decisao-eletiva|DECISÃO ELETIVA]]. Esta amiúde foi vista como uma [[lexico:l:liberdade-da-vontade|liberdade da vontade]] em atos individuais; contudo, é apenas a [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] de um conflito duradouro entre vários motivos, até que o mais forte determine com necessidade a vontade. Para isso os motivos têm de [[lexico:t:ter|ter]] assumido a [[lexico:f:forma|forma]] de [[lexico:p:pensamentos|Pensamentos]] abstratos, pois só por estes é [[lexico:p:possivel|possível]] uma [[lexico:d:deliberacao|deliberação]] propriamente dita, isto é, uma avaliação de fundamentos opostos para o agir. No caso do animal, a [[lexico:e:escolha|escolha]] só pode se dar entre motivos presentes intuitivamente; por conta disso, está limitada à [[lexico:e:esfera|esfera]] estreita de sua [[lexico:a:apreensao|apreensão]] [[lexico:a:atual|atual]] e [[lexico:i:intuitiva|intuitiva]]. Por conseguinte, a necessidade na [[lexico:d:determinacao|determinação]] da vontade pelo [[lexico:m:motivo|motivo]], igual àquela no [[lexico:e:efeito|efeito]] pela [[lexico:c:causa|causa]], só pode [[lexico:s:ser|ser]] exibida intuitiva e imediatamente nos animais, porque aqui o espectador tem os motivos tão imediatamente diante dos olhos quanto o seu efeito, enquanto nos homens os motivos quase sempre são representações abstratas, inacessíveis ao espectador, sendo que até mesmo ao [[lexico:a:agente|agente]] é ocultada a necessidade do seu efeito por detrás do conflito delas. Apenas in abstracto podem várias representações se encontrar na [[lexico:c:consciencia|consciência]] uma ao lado da outra, como juízos e séries de conclusão, e, então, fazer efeito reciprocamente, livres de qualquer determinação [[lexico:t:temporal|temporal]], até que a mais forte domine as restantes e determine a vontade. Eis aí a perfeita [[lexico:d:decisao|DECISÃO]] ELETIVA, ou [[lexico:c:capacidade|capacidade]] de deliberação, uma vantagem do homem em face dos animais, devido à qual se lhe atribuiu a [[lexico:l:liberdade|liberdade]] da vontade, na [[lexico:s:suposicao|suposição]] de que seu querer era um mero resultado das operações do [[lexico:i:intelecto|intelecto]], isento de um [[lexico:i:impulso|impulso]] determinado a lhe servir de base; quando, em [[lexico:v:verdade|verdade]], a [[lexico:m:motivacao|motivação]] só faz efeito se fundamentada, e sob a [[lexico:p:pressuposicao|pressuposição]] de um impulso determinado, que no seu caso é individual, ou seja, um [[lexico:c:carater|caráter]]. Uma [[lexico:e:exposicao|exposição]] detalhada dessa capacidade de deliberação e da diferença entre o arbítrio animal e [[lexico:h:humano|humano]] por ela produzidos se encontra no meu Os dois problemas fundamentais da [[lexico:e:etica|ética]] (I.ed., p.3 5 e ss.), ao qual portanto remeto aqui o leitor. Ademais, [[lexico:s:semelhante|semelhante]] capacidade de deliberação no homem também pertence às [[lexico:c:coisas|coisas]] que tornam a sua [[lexico:e:existencia|existência]] tão mais atormentada que a do animal; pois em [[lexico:g:geral|geral]] nossas grandes dores não se situam no presente, como representações intuitivas ou [[lexico:s:sentimento|sentimento]] [[lexico:i:imediato|imediato]], mas na razão, como conceitos abstratos, pensamentos atormentadores, dos quais os animais estão completamente livres, pois vivem apenas no presente, portanto num [[lexico:e:estado|Estado]] destituído de [[lexico:p:preocupacao|preocupação]] e digno de inveja. [Schopenhauer, MVR1:384-386]