===== CRÍTICA DA CAUSALIDADE ===== Começada pelos nominalistas, a [[lexico:c:critica-da-causalidade|crítica da causalidade]] prosseguiu no [[lexico:c:cartesianismo|cartesianismo]] para terminar, com o [[lexico:e:empirismo-ingles|empirismo inglês]] do século XVIII, em uma [[lexico:n:negacao|negação]] radical. Daí por diante na [[lexico:f:filosofia-moderna|filosofia moderna]] tornar-se-á corrente [[lexico:n:nao|não]] considerar a [[lexico:c:causalidade|causalidade]] senão como uma [[lexico:c:categoria|categoria]] ilusória ou subjetiva. Dentre as razões que conduziram a essa negação encontra-se, nos cartesianos, uma concepção demasiado absoluta da [[lexico:a:autonomia|autonomia]] da [[lexico:s:substancia|substância]] ou da exclusividade da eficácia da [[lexico:a:acao|ação]] divina; a causalidade segunda ou aquela que os seres criados podem exercer uns sobre os outros encontra-se, pois, mais ou menos comprometida. Mas a [[lexico:c:critica|crítica]] mais radical resulta de uma [[lexico:i:interpretacao|interpretação]] fenomenista da [[lexico:e:experiencia|experiência]], como a que se pode encontrar em [[lexico:h:hume|Hume]], na qual, reduz-se a causalidade a uma pura [[lexico:r:relacao|relação]] de [[lexico:s:sucessao|sucessão]]. Lanço uma bola que vem bater em outra e a põe em [[lexico:m:movimento|movimento]], digo então que o movimento da primeira bola causou o da segunda. Na [[lexico:r:realidade|realidade]], não observei senão a sucessão dos dois movimentos. É [[lexico:v:verdade|verdade]] que em circunstâncias análogas pude constatar que os mesmos fatos se reproduziram; e é por isso que terminei por considerar a relação entre os dois movimentos como uma relação de dependência e que finalmente erigi esta dependência em [[lexico:p:principio|princípio]] [[lexico:a:absoluto|absoluto]], "tudo [[lexico:o:o-que-e|o que é]] movido é movido por um [[lexico:o:outro|outro]]". Mas fazendo isso ultrapassei o que me era [[lexico:d:dado|dado]]. [[lexico:k:kant|Kant]] pretendeu salvaguardar o [[lexico:c:carater|caráter]] [[lexico:g:geral|geral]] e [[lexico:n:necessario|necessário]] da relação causal, mas, como não fez dela senão uma categoria [[lexico:a:a-priori|a priori]] da experiência, foi conduzido a recusar-lhe toda aplicação [[lexico:t:transcendente|transcendente]]. Na realidade, como seus predecessores, é vítima de uma concepção fenomenista do [[lexico:c:conhecimento-sensivel|conhecimento sensível]], isto é, nega em princípio à [[lexico:i:inteligencia|inteligência]] o poder de [[lexico:a:apreender|apreender]] o [[lexico:i:inteligivel|inteligível]] no [[lexico:s:sensivel|sensível]]. Contra estas concepções críticas que apenas evocamos é preciso manter a realidade da causalidade tanto no [[lexico:p:plano|plano]] da experiência, no [[lexico:s:sentido|sentido]] [[lexico:e:estrito|estrito]], como no da [[lexico:a:afirmacao|afirmação]] dos [[lexico:p:principios|princípios]] metafísicos primeiros.