===== CRÍTICA AO MECANICISMO ===== As concepções materialistas ou mecanicistas da [[lexico:a:alma|alma]] [[lexico:n:nao|não]] são o apanágio do [[lexico:p:pensamento|pensamento]] contemporâneo. [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]] e sua [[lexico:e:escola|escola]] já se tinham ocupado com tais doutrinas. Qual a sua [[lexico:a:atitude|atitude]] a [[lexico:r:respeito|respeito]] delas? Sigamos a [[lexico:e:exposicao|exposição]] da Summa Theologica que é particularmente lúcida (Ia Pa, q. 75). Pode-se dizer de início que a alma é um [[lexico:c:corpo|corpo]] (a. 1)? Não, pois o que distingue o corpo vivo, como tal, do corpo não vivo não pode [[lexico:s:ser|ser]] um corpo, pois do contrário todos os corpos deveriam ser reconhecidos como vivos. Se considerarmos especialmente o caso da alma humana, (a. 2), convém acrescentar que sua [[lexico:o:operacao|operação]] [[lexico:s:superior|superior]], o [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] intelectual, não pode [[lexico:t:ter|ter]] um corpo como [[lexico:p:principio|princípio]]. Possuir uma [[lexico:n:natureza|natureza]] corporal determinada seria para a [[lexico:i:inteligencia|inteligência]] um [[lexico:o:obstaculo|obstáculo]] ao conhecimento [[lexico:e:exterior|exterior]] de naturezas semelhantes, e assim não se poderia mais dizer que uma tal [[lexico:f:faculdade|faculdade]] de conhecer está em [[lexico:p:potencia|potência]] para todos os inteligíveis. Se a alma não é um corpo considerado em sua materialidade bruta, não se poderia admitir que seja algo resultante da combinação dos [[lexico:e:elementos|elementos]]? [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]] encontrava esta [[lexico:t:teoria|teoria]] sob duas formas bastante parecidas: a da "alma complexão", atribuída ao médico Galeno, e a da "alma [[lexico:h:harmonia|harmonia]]", que remontava a [[lexico:e:empedocles|Empédocles]] (cf. Cont. Gent. II, c. 63-64) . O [[lexico:v:vivente|vivente]], como os outros corpos, seria efetivamente [[lexico:c:composto|composto]] só de elementos materiais, mas entre estes haveria uma certa proporção que, sem constituir um [[lexico:v:verdadeiro|verdadeiro]] princípio [[lexico:f:formal|formal]], pois é antes uma resultante que um princípio, explicaria a organização e a [[lexico:a:atividade|atividade]] do conjunto. Não pode ser assim. Uma [[lexico:s:simples|simples]] complexão corporal, ou uma harmonia, não pode desempenhar o papel de princípio motor, nem dirigir o corpo contrariando suas tendências próprias, como acontece às vezes; nem tampouco explica as operações que, como o conhecimento, ultrapassam manifestamente as qualidades da atividade e da passividade dos elementos materiais. Impõe-se, portanto, no princípio da [[lexico:v:vida|vida]], que haja uma [[lexico:r:realidade|realidade]] de [[lexico:c:consistencia|consistência]] completamente outra. Para não ficar em argumentos gerais, relatemos a [[lexico:d:discussao|discussão]] da teoria de Empédocles feita por Tomás de Aquino sobre um [[lexico:p:ponto|ponto]] preciso. Trata-se do [[lexico:f:fenomeno|fenômeno]] do [[lexico:a:aumento|aumento]] ou crescimento dos viventes. Para explicá-lo, não haveria nenhuma [[lexico:n:necessidade|necessidade]] de recorrer a uma alma; bastaria o deslocamento [[lexico:n:natural|natural]] dos elementos graves e leves. É assim que para as plantas o aprofundar-se das raízes proviria do [[lexico:m:movimento|movimento]] [[lexico:p:proprio|próprio]] para baixo do [[lexico:e:elemento|elemento]] [[lexico:t:terra|Terra]] que elas comportam, enquanto que o movimento do [[lexico:v:vegetal|vegetal]] para cima viria da ascensão natural do elemento [[lexico:f:fogo|fogo]]. Ora, [[lexico:n:nota|nota]] Tomás de Aquino, é [[lexico:i:impossivel|impossível]] que seja assim, por diversas razões. Pois, de uma [[lexico:p:parte|parte]], pensa ele, o alto e o baixo não devem ser compreendidos da mesma maneira no [[lexico:u:universo|universo]] e nos seres vivos (pois as raízes são o alto e a fronde o baixo da planta). Por [[lexico:o:outro|outro]] lado, tais fôrças opostas deveriam, pela sua [[lexico:i:interacao|interação]], terminar pela dissociação do vivente que só é efetivamente impedida pela fôrça unitiva superior da alma. Para outros, só o fogo seria [[lexico:c:causa|causa]] ativa do crescimento, como ele o é da nutrição. Sim, responde Tomás de Aquino, o fogo é aqui uma causa, mas a título de [[lexico:i:instrumento|instrumento]] de uma causa principal que só pode ser a alma. Energias puramente físicas tenderiam, com [[lexico:e:efeito|efeito]], a causar um crescimento [[lexico:i:indefinido|indefinido]]; um crescimento limitado supõe um princípio de regulação, ou uma [[lexico:m:medida|medida]], que seja de uma outra [[lexico:o:ordem|ordem]]. É claro que tais explicações põem em [[lexico:j:jogo|jogo]] teorias físicas ultrapassadas. Mas, não é menos certo que a [[lexico:d:disposicao|disposição]] da [[lexico:p:prova|prova]] guarda [[lexico:r:real|real]] [[lexico:i:interesse|interesse]]. Eis [[lexico:c:como-se|como se]] processa: primeiro, constata-se um [[lexico:p:processo|processo]] vital original, no caso, o crescimento; passa-se, em seguida, à [[lexico:r:refutacao|refutação]] da teoria proposta, fazendo-se uma confrontação precisa dos respectivos comportamentos das transformações vitais e dos movimentos físicos; e, em um [[lexico:t:terceiro|terceiro]] [[lexico:t:tempo|tempo]], postula-se, para [[lexico:e:explicar|explicar]] verdadeiramente as [[lexico:a:atividades|atividades]] vitais, um princípio [[lexico:r:regulador|regulador]] que não seja de ordem material. Aplicada a fatos melhor controlados, uma [[lexico:d:demonstracao|demonstração]] deste [[lexico:t:tipo|tipo]] poderia ainda hoje ter [[lexico:v:valor|valor]]. Não deixa de ser [[lexico:i:interessante|interessante]] notar que, em nossos dias, a [[lexico:c:critica|crítica]] do [[lexico:m:mecanicismo|mecanicismo]] biológico foi retomada por autênticos sábios, reunidos ordinariamente sob a etiqueta do "[[lexico:v:vitalismo|vitalismo]]". Esta [[lexico:d:denominacao|denominação]], é preciso que se diga, recobre um conjunto de concepções um pouco disparatadas. Permanece, contudo, a [[lexico:t:tendencia|tendência]] comum de explicar os fenômenos vitais por uma fôrça que transcende as simples modificações da [[lexico:m:materia|matéria]], não podendo estas últimas explicar, de [[lexico:m:modo|modo]] suficiente, a especificidade dos fenômenos em causa. Nesta escola, [[lexico:t:todo|todo]] um [[lexico:g:grupo|grupo]], o [[lexico:c:chamado|chamado]] dos neo-vitalistas, Driesch, Rémy Collin, Cuénot, orienta-se de modo claro para o [[lexico:r:reconhecimento|reconhecimento]] de um [[lexico:p:principio-vital|princípio vital]] [[lexico:b:bem|Bem]] [[lexico:p:proximo|próximo]] da [[lexico:e:entelequia|enteléquia]] aristotélica.