===== CONTRADIÇÃO ===== Esta [[lexico:n:nocao:start|noção]] é estudada tradicionalmente sob a [[lexico:f:forma:start|forma]] de um [[lexico:p:principio:start|princípio]]: o [[lexico:c:chamado:start|chamado]] [[lexico:p:principio-de-contradicao:start|princípio de contradição]] (e que, mais propriamente, deveria qualificar-se de princípio de [[lexico:n:nao:start|não]] contradição). Muitas vezes [[lexico:e:esse:start|esse]] princípio é considerado como um princípio [[lexico:o:ontologico:start|ontológico]], e enuncia-se então do seguinte [[lexico:m:modo:start|modo]]: “é [[lexico:i:impossivel:start|impossível]] que uma [[lexico:c:coisa:start|coisa]] seja e não seja ao mesmo [[lexico:t:tempo:start|tempo]] e sob o mesmo [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]]? outras vezes, é considerado como um princípio [[lexico:l:logico:start|lógico]] (num [[lexico:s:sentido:start|sentido]] amplo deste [[lexico:t:termo:start|termo]]), e enuncia-se então do seguinte modo:”não ao mesmo tempo p e não p”, donde p é [[lexico:s:simbolo:start|símbolo]] de um [[lexico:e:enunciado:start|enunciado]] declarativo. Alguns autores sugeriram que há também um sentido [[lexico:p:psicologico:start|psicológico]] do princípio, o qual se enunciaria assim: “não é [[lexico:p:possivel:start|possível]] [[lexico:p:pensar:start|pensar]] ao mesmo tempo p e não p” (se o conteúdo do pensar for lógico). ou assim: “não é possível pensar que uma coisa seja e não seja ao mesmo tempo e sob o mesmo aspecto”(se o conteúdo do pensar for ontológico). Nós consideramos que deve eliminar-se o sentido psicológico; a [[lexico:i:impossibilidade:start|impossibilidade]] de pensar algo é um [[lexico:f:fato:start|fato]] e não um princípio. Teria mais [[lexico:j:justificacao:start|justificação]] considerar o princípio do [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista epistemológico, enquanto [[lexico:l:lei:start|lei]] mental, subjectiva ou [[lexico:t:transcendental:start|transcendental]] que confirmasse todos os nossos juízos sobre a [[lexico:e:experiencia:start|experiência]], mas pensamos que isso equivaleria a introduzir supostos que não são necessários numa [[lexico:a:analise:start|análise]] primária no [[lexico:s:significado:start|significado]] e no sentido fundamental do princípio. Notamos que a [[lexico:e:expressao:start|expressão]] “ao mesmo tempo e sob o mesmo aspecto”, mencionada quando nos referimos ao sentido ontológico do termo, é absolutamente necessária para que o princípio seja válido; se [[lexico:a:ausencia:start|ausência]] de [[lexico:s:semelhante:start|semelhante]] [[lexico:r:restricao:start|restrição]] abre o flanco a objecções fáceis contra o mesmo. As discussões em torno do princípio de contradição diferiram consoante se tenha acentuado o aspecto ontológico (e principalmente metafísico) e o aspecto lógico e [[lexico:m:metalogico:start|metalógico]]. Quando predominou o lado ontológico, procurou-se sobretudo afirmar o princípio como expressão de uma [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] constitutiva do [[lexico:r:real:start|real]], ou então negá-lo por se supor que a própria [[lexico:r:realidade:start|realidade]] e é contraditória ou que, no [[lexico:p:processo:start|processo]] dialéctico da sua [[lexico:e:evolucao:start|evolução]], a realidade supera, transcende ou “vai mais [[lexico:a:alem:start|além]]” do princípio de contradição. [[lexico:t:tipica:start|Típica]] a este [[lexico:r:respeito:start|respeito]] é a [[lexico:p:posicao:start|posição]] de [[lexico:h:hegel:start|Hegel]] ao fazer da contradição uma das bases do [[lexico:m:movimento:start|movimento]] interno da realidade, mesmo quando deve ter-se em conta que, na maior [[lexico:p:parte:start|parte]] dos casos, os exemplos dados pelo [[lexico:f:filosofo:start|filósofo]] não se referem a realidades contraditórias, mas contrárias. Quando predominou o lado lógico e metalógico, em contrapartida, procurou-se sobretudo [[lexico:s:saber:start|saber]] se o princípio deve [[lexico:s:ser:start|ser]] considerado como um [[lexico:a:axioma:start|axioma]] evidente por [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]] ou então como uma convenção da nossa [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]] que nos permite [[lexico:f:falar:start|falar]] acerca da realidade. Apoiando-se, por um lado, em Hegel e, por [[lexico:o:outro:start|outro]], no exame da [[lexico:r:realidade-social:start|realidade social]] e histórica, (e na [[lexico:a:acao:start|ação]] a desenvolver nessa realidade), [[lexico:m:marx:start|Marx]] propôs uma dialéctica na qual o princípio ou lei de contradição ficava desbancado. Mais sistematicamente, [[lexico:e:engels:start|Engels]] formulou duas das três “grandes leis dialécticas”. “a lei da [[lexico:n:negacao:start|negação]] da negação” e a “lei da coincidência dos opostos”. O princípio de contradição, ou, mais exatamente, o [[lexico:p:principio-de-nao-contradicao:start|princípio de não-contradição]], é considerado com [[lexico:r:razao:start|razão]] pela [[lexico:e:escolastica:start|escolástica]] clássica como o princípio primeiro ([[lexico:p:principios-do-conhecimento:start|princípios do conhecimento]]), ou seja, como o princípio [[lexico:u:universal:start|universal]], cuja inteleção se reveste de importância básica em todas as operações mentais. Menos afortunadamente, pretenderam alguns filósofos modernos colocar em primeiro [[lexico:l:lugar:start|lugar]], em vez do princípio de contradição, o chamado [[lexico:p:principio-de-identidade:start|princípio de identidade]] Se este princípio não é mera [[lexico:t:tautologia:start|tautologia]] ("[[lexico:o:o-que-e:start|o que é]], é"; A = A) ou uma outra forma do princípio de contradição, seu sentido fica [[lexico:i:indeterminado:start|indeterminado]] e nem todos o explicam da mesma maneira. [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]] assim formulou o princípio de contradição: "E impossível que o mesmo (o mesmo determinante) convenha e não convenha ao mesmo [[lexico:e:ente:start|ente]] ao mesmo tempo e sob o mesmo aspecto" ([[lexico:m:metafisica:start|Metafísica]], 4, 3; 1005 b 19 s.). Este princípio baseia-se no [[lexico:c:conceito:start|conceito]] do ser e na [[lexico:i:incompatibilidade:start|incompatibilidade]] do ser com o não ser; do ente (isto é, de [[lexico:a:alguma-coisa:start|alguma coisa]] que possui o ser), diz ele que enquanto (= no tempo em que e sob o aspecto em que) é, não pode deixar de ser. — Do exposto se infere que o princípio de contradição enuncia, antes de mais [[lexico:n:nada:start|nada]], alguma coisa acerca do ente; pertence, pois, em primeiro lugar, à [[lexico:o:ontologia:start|ontologia]], e não à [[lexico:l:logica:start|lógica]]. O princípio lógico de contradição fundamenta-se no ontológico. Exprime que duas proposições mutuamente contraditórias não podem ser verdadeiras; que, por conseguinte, nunca se pode afirmar e negar simultaneamente a mesma coisa. A manutenção deste princípio é a [[lexico:c:condicao:start|condição]] primeira de [[lexico:t:todo:start|todo]] [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] ordenado. VIDE [[lexico:o:oposicao:start|oposição]]. — De Vries. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}