===== CONTINGÊNCIA ===== Na [[lexico:l:logica:start|lógica]], o [[lexico:t:termo:start|termo]] "contingência" designa uma das modalidades do [[lexico:j:juizo:start|juízo]] (contingência lógica). Em [[lexico:s:sentido:start|sentido]] amplo, contingência significa, [[lexico:a:alem:start|além]] disso, a [[lexico:m:modalidade:start|modalidade]] oposta contraditoriamente à [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]], isto é, a [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] de [[lexico:n:nao:start|não]] [[lexico:s:ser:start|ser]], de não [[lexico:e:existir:start|existir]], de um [[lexico:o:objeto:start|objeto]]; nesta acepção, o [[lexico:c:contingente:start|contingente]] abarca também o [[lexico:i:impossivel:start|impossível]]: o que não pode ser de maneira nenhuma, com maior [[lexico:r:razao:start|razão]] é [[lexico:p:possivel:start|possível]] que não seja. Habitualmente porém o termo "contingência" é empregado em sentido mais restrito: em tal caso, o contingente exclui não só o [[lexico:n:necessario:start|necessário]] mas também o impossível, designando, portanto, uma [[lexico:e:esfera:start|esfera]] intermédia, ou seja, tudo aquilo que tanto pode ser como não ser; assim p. ex., é contingente o [[lexico:f:fato:start|fato]] de a porta [[lexico:e:estar:start|estar]] fechada. Segundo o exposto, a contingência lógica dos juízos é [[lexico:e:expressao:start|expressão]] da contingência ôntica dos próprios objetos; esta, por seu turno, estriba, em última [[lexico:i:instancia:start|instância]], na contingência [[lexico:m:metafisica-do-ser:start|metafísica do ser]] de tudo [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] intra-mundano. Neste sentido é contingente [[lexico:t:todo:start|todo]] [[lexico:e:ente:start|ente]], ao qual o ser (a [[lexico:e:existencia:start|existência]]) não é essencialmente necessário. Também os processos fisicamente necessários (em [[lexico:v:virtude:start|virtude]] das leis naturais) não são por isso ainda essencialmente necessários, mas permanecem sendo metafisicamente contingentes. Decerto, esta contingência não é um fato imediatamente perceptível, mas precisa de [[lexico:d:demonstracao:start|demonstração]]. Como, segundo o [[lexico:p:principio:start|princípio]] metafísico de [[lexico:c:causalidade:start|causalidade]] ([[lexico:p:principio-de-causalidade:start|princípio de causalidade]]), todo ente contingente é causado, a [[lexico:p:prova:start|prova]] da contingência do [[lexico:u:universo:start|universo]] é a fase decisiva em toda demonstração "causal" da [[lexico:e:existencia-de-deus:start|existência de Deus]] ([[lexico:d:demonstracao-de-deus:start|demonstração de Deus]]), quer dizer, em toda demonstração onde se conclua a existência de [[lexico:d:deus:start|Deus]] como autor ou Criador do ente empiricamente [[lexico:d:dado:start|dado]]. Não obstante, a contingência de todo ente intra-mundano não significa apenas mera dependência, relativamente a Deus, no primeiro início do ser, mas, desde que se profunde até ao âmago a [[lexico:n:nocao:start|noção]] de contingência, claramente aparece que todo ente contingente só pode existir enquanto e na [[lexico:m:medida:start|medida]] em que for continuamente mantido pela [[lexico:a:acao:start|ação]] conservadora de Deus. — De Vries. Na [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]] de [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]], o contingente opõe- se ao necessário. A expressão “é contingente que p” (onde p representa uma [[lexico:p:proposicao:start|proposição]]) é considerada em lógica como uma das expressões [[lexico:m:modais:start|modais]] a que nos referimos com mais pormenor no artigo modalidade. É discutível o sentido de “é contingente”. Uns consideram que “é contingente que p” é o mesmo que “é possível que p”; outros pensam que “é contingente que p” equivale à conjunção: “é possível que p” e “é possível que não p”. Na [[lexico:l:literatura:start|literatura]] lógica clássica, define-se frequentemente a contingência como a possibilidade de que algo seja e a possibilidade que algo não seja. Se o termo algo se refere a uma proposição, a [[lexico:d:definicao:start|definição]] corresponde efetivamente à lógica. Se algo designa um objeto, corresponde à [[lexico:o:ontologia:start|ontologia]]. As definições medievais de contingência podem resumir-se na [[lexico:t:tese:start|tese]] de S. Tomás, segundo o qual o contingente é aquilo que pode ser e não ser. Nesse sentido, o ser contingente opõe-se ao ser necessário. Metafisicamente, o ser contingente foi considerado como aquele que não é em si, mas por [[lexico:o:outro:start|outro]]. estas definições levantaram outra [[lexico:e:especie:start|espécie]] de problemas, especialmente [[lexico:r:relativos:start|relativos]] à [[lexico:r:relacao:start|relação]] entre o Criador e o criado. Os exemplos citados não foram totalmente abandonados na [[lexico:f:filosofia-moderna:start|filosofia moderna]], e alguns filósofos, como [[lexico:l:leibniz:start|Leibniz]], prestaram-lhe considerável [[lexico:a:atencao:start|atenção]]. Assim, a conhecida [[lexico:d:distincao:start|distinção]] entre [[lexico:v:verdades-de-razao:start|verdades de razão]] e [[lexico:v:verdades-de-fato:start|verdades de fato]] pode equiparar-se a uma distinção entre o necessário e o contingente. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}