===== CONSTRUÍDO ===== Por [[lexico:o:oposicao:start|oposição]] à [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]] do [[lexico:v:vivido:start|vivido]], há a linguagem do construído, a linguagem da [[lexico:t:teoria:start|teoria]], que é a do [[lexico:d:discurso:start|discurso]] da [[lexico:r:representacao:start|representação]] (v. [[lexico:m:metafisica-heideggeriana:start|metafísica heideggeriana]]). Assim como há uma construção do [[lexico:o:objeto:start|objeto]] matemático, há também uma construção do objeto [[lexico:f:fisico:start|físico]] e do objeto científico em [[lexico:g:geral:start|geral]]. Enquanto tal, o objeto científico só existe em [[lexico:v:virtude:start|virtude]] das operações pelas quais lhe damos [[lexico:c:consistencia:start|consistência]]: só se encontra presente como objeto numa representação por [[lexico:m:modelo:start|modelo]]. Sem [[lexico:d:duvida:start|dúvida]], os mais representativos "artefatos" desse [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] de construtividade são as máquinas e, sobretudo, as máquinas sofisticadas que, por uma [[lexico:m:metafora:start|metáfora]] que é muito significativa, chamamos de as "máquinas pensantes". Tais máquinas imitam efetivamente, numa certa [[lexico:m:medida:start|medida]], alguns aspectos do [[lexico:c:comportamento:start|comportamento]] [[lexico:h:humano:start|humano]] e, notadamente, os aspectos lógicos desse comportamento. Trata-se de máquinas pensantes, mas [[lexico:n:nao:start|não]] de máquinas celebrantes. Portanto, em nossa [[lexico:e:existencia:start|existência]] concreta e, a partir do funcionamento mesmo dos objetos técnicos, há [[lexico:i:inducao:start|indução]] de uma [[lexico:d:dualidade:start|dualidade]] do vivido e do construído; existe mesmo ([[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] pior) [[lexico:s:substituicao:start|substituição]] do vivido pelo construído. Quer dizer: há uma [[lexico:e:extensao:start|extensão]] crescente do [[lexico:c:campo:start|campo]] da [[lexico:o:objetividade:start|objetividade]]. Ora, o [[lexico:e:espirito:start|espírito]] da construção é o domínio, um saber-fazer fundado num [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] preciso das estruturas e dos funcionamentos. No caso da [[lexico:m:maquina:start|máquina]] o domínio se mostra particularmente evidente. Sabemos exatamente [[lexico:c:como-se:start|como se]] constitui sua [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]], pois conhecemos os [[lexico:p:principios:start|princípios]] da sua construção. E sabemos como ela funciona, pois conhecemos em [[lexico:f:funcao:start|função]] de que performances a serem realizadas ela foi construída. Todavia, o conhecimento das estruturas e dos funcionamentos permite-nos formular previsões eficazes e agir sobre as condições iniciais; permite-nos, assim, introduzir, no [[lexico:s:sistema:start|sistema]] considerado, todas as variações compatíveis com sua estrutura e com suas leis de funcionamento. Em outras [[lexico:p:palavras:start|palavras]], este conhecimento abre um campo de [[lexico:a:acao:start|ação]] totalmente controlável. Em geral, essa [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] de domínio induz, de [[lexico:m:modo:start|modo]] [[lexico:i:implicito:start|implícito]], um [[lexico:p:projeto:start|projeto]] que se apresenta sob a [[lexico:f:forma:start|forma]] de um [[lexico:i:imperativo:start|imperativo]]: em toda [[lexico:p:parte:start|parte]] onde for [[lexico:p:possivel:start|possível]], devemos substituir o [[lexico:d:dado:start|dado]] pelo construído. Ou então: em toda parte onde for possível devemos substituir os mecanismos naturais, que são opacos e relativamente imprevisíveis, por mecanismos "artificiais", perfeitamente controláveis. [[lexico:e:esse:start|esse]] [[lexico:t:tipo:start|tipo]] de projeto corresponde exatamente a [[lexico:t:todo:start|todo]] o programa de [[lexico:p:pesquisa:start|pesquisa]] e de realizações tecnológicas descrito pelo [[lexico:t:termo:start|termo]] "bioengineeríng". Assistimos ao surgimento de uma [[lexico:e:especie:start|espécie]] de desconfiança, [[lexico:a:a-priori:start|a priori]], relativamente a tudo o que depende dos mecanismos naturais. Correlativamente, vemos cada vez mais afirmar-se o [[lexico:d:desejo:start|desejo]] de uma extensão [[lexico:c:consequente:start|consequente]] do domínio. Este desejo de domínio se opõe, de modo quase antiético, à [[lexico:a:atitude:start|atitude]] que dominou até recentemente, na [[lexico:h:historia:start|história]] da [[lexico:h:humanidade:start|humanidade]], e que consistiu principalmente em aceitar passivamente o curso da [[lexico:n:natureza:start|natureza]] tal como ele se apresentava. [Ladrière] {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}