===== CONSIDERAÇÕES INATUAIS ===== Entre 1873 e 1876, contra a exaltação da [[lexico:c:ciencia|ciência]] e da [[lexico:h:historia|história]], [[lexico:n:nietzsche|Nietzsche]] escreve as [[lexico:c:consideracoes-inatuais|Considerações Inatuais]], onde o velho hegeliano D. F. [[lexico:s:strauss|Strauss]], juntamente com [[lexico:f:feuerbach|Feuerbach]] e [[lexico:c:comte|Comte]], passa por [[lexico:e:encarnacao|encarnação]] do filisteísmo e da [[lexico:m:mediocridade|mediocridade]]: "autor de um evangelho de cervejaria", ele é o [[lexico:h:homem|homem]] desejado e inventado por [[lexico:s:socrates|Sócrates]]. Ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]], [[lexico:s:schopenhauer|Schopenhauer]] é exaltado como precursor da nova [[lexico:c:cultura|cultura]] "dionisíaca". Mas no livro Nietzsche também combate o que ele chama de saturação de história. [[lexico:n:nao|Não]] que ele negue a importância da história: ele combate muito mais a idolatria do [[lexico:f:fato|fato]], por um lado, e as ilusões historicistas, por [[lexico:o:outro|outro]], com as implicações políticas que elas comportam. Antes de mais [[lexico:n:nada|nada]], na [[lexico:o:opiniao|opinião]] de Nietzsche, os fatos são sempre estúpidos: eles necessitam de [[lexico:i:interprete|intérprete]]. Por isso, só as teorias é que são inteligentes. Em segundo [[lexico:l:lugar|lugar]], [[lexico:q:quem|quem]] crê "no poder da história" torna-se "hesitante e inseguro, não podendo crer em [[lexico:s:si-mesmo|si mesmo]]". E, em [[lexico:t:terceiro|terceiro]] lugar, não crendo em si mesmo, ele será dominado pelo existente, "seja ele um [[lexico:g:governo|governo]], seja uma opinião pública, seja ainda uma maioria numérica". Na [[lexico:r:realidade|realidade]], "se [[lexico:t:todo|todo]] [[lexico:s:sucesso|sucesso]] contém em si uma [[lexico:n:necessidade|necessidade]] [[lexico:r:racional|racional]], se todo [[lexico:a:acontecimento|acontecimento]] é a vitória do ‘[[lexico:l:logico|lógico]]’ ou da ‘[[lexico:i:ideia|ideia]]’, então que nos ajoelhemos logo e percorramos ajoelhados a escada dos ‘sucessos’". São três as atitudes que Nietzsche distingue diante da história. Existe a história monumental, que é a história de quem procura no passado modelos e mestres em condições de satisfazer as suas aspirações. Existe a história antiquária, que é a história de quem compreende o passado de sua própria [[lexico:c:cidade|cidade]] (as muralhas, as festas, os decretos municipais etc.) como [[lexico:f:fundamento|fundamento]] da [[lexico:v:vida|vida]] presente: a história antiquária procura e conserva os valores constitutivos estáveis nos quais se radica a vida presente. E, por [[lexico:f:fim|fim]], existe a história [[lexico:c:critica|crítica]], que é a história de quem olha para o passado com as intenções do juiz que condena e abate todos os [[lexico:e:elementos|elementos]] que constituem obstáculos para a realização de seus próprios valores. Esta última foi a [[lexico:a:atitude|atitude]] de Nietzsche diante da história. E essa é a [[lexico:r:razao|razão]] pela qual ele combate o excesso ou "saturação de história": "Os instintos do [[lexico:p:povo|povo]] são perturbados por [[lexico:e:esse|esse]] excesso e o [[lexico:i:individuo|indivíduo]], não menos que a [[lexico:t:totalidade|totalidade]], é impedido de amadurecer; esse excesso destila a [[lexico:c:crenca|crença]] sempre danosa na [[lexico:v:velhice|velhice]] da [[lexico:h:humanidade|humanidade]], a crença de que somos frutos tardios e epígonos; por [[lexico:c:causa|causa]] desse excesso, uma [[lexico:e:epoca|época]] cai no perigoso [[lexico:e:estado|Estado]] de [[lexico:e:espirito|espírito]] da [[lexico:i:ironia|ironia]] sobre si mesma e daí no estado mais perigoso ainda do [[lexico:c:cinismo|cinismo]]".