===== CONSENSO UNIVERSAL ===== (lat. Consensus gentium). Na [[lexico:o:obra:start|obra]] de [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]] é comum a [[lexico:r:referencia:start|referência]] à "[[lexico:o:opiniao:start|opinião]] de todos" como [[lexico:p:prova:start|prova]] ou contraprova da [[lexico:v:verdade:start|verdade]]; em [[lexico:e:etica-a-nicomaco:start|Ética a Nicômaco]], (X, 2, 1.172 b 36) diz explicitamente: "Aquilo em que todos consentem, dizemos que assim é, já que rejeitar [[lexico:s:semelhante:start|semelhante]] [[lexico:c:crenca:start|crença]] significa renunciar ao que é mais digno de [[lexico:f:fe:start|fé]]". Os estoicos, por sua vez, insistiram no [[lexico:v:valor:start|valor]] do [[lexico:c:consenso-universal:start|consenso universal]], donde a importância que tiveram para eles as "[[lexico:n:nocoes-comuns:start|noções comuns]]", pelo [[lexico:f:fato:start|fato]] de se formarem igualmente em todos os homens, ou naturalmente ou por [[lexico:e:efeito:start|efeito]] da [[lexico:e:educacao:start|educação]] (D. L., VII, 51). Todavia, só os Ecléticos fizeram do consenso comum o [[lexico:c:criterio:start|critério]] da verdade; Cícero exprimia o [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de, vista deles quando dizia: "Em todos os assuntos, o consenso de todas as gentes deve [[lexico:s:ser:start|ser]] considerado [[lexico:l:lei-natural:start|lei natural]]" (Tusc, I, 13, 30). A [[lexico:f:filosofia-moderna:start|filosofia moderna]], que tem [[lexico:d:descartes:start|Descartes]] como ponto de partida, pretendeu instaurar uma [[lexico:c:critica:start|crítica]] radical do [[lexico:s:saber:start|saber]] comum e, por isso, [[lexico:n:nao:start|não]] viu mais no consenso comum, que sustenta [[lexico:e:esse:start|esse]] saber, [[lexico:g:garantia:start|garantia]] ou valor de verdade. Portanto, só raramente recorre ao consensus gentium. Isso se observa na [[lexico:e:escola-escocesa:start|escola escocesa]] do [[lexico:s:senso-comum:start|senso comum]], encabeçada por Tomás Reid (1710-96). Opõe-se sobretudo ao cetismo de [[lexico:h:hume:start|Hume]], e para superá-lo recorre ao consenso [[lexico:u:universal:start|universal]], que apoiaria as [[lexico:i:ideias:start|ideias]], criticadas por Hume, de [[lexico:s:substancia:start|substância]], [[lexico:c:causa:start|causa]], etc. ([[lexico:i:indagacao:start|Indagação]] sobre o [[lexico:e:espirito:start|espírito]] [[lexico:h:humano:start|humano]] segundo os [[lexico:p:principios:start|princípios]] do [[lexico:s:senso:start|senso]] comum, 1764) (v. senso comum). O recurso ao consenso comum muitas vezes constitui uma prova da [[lexico:e:existencia-de-deus:start|existência de Deus]] (v. [[lexico:p:provas-de-deus:start|provas de Deus]]). Por [[lexico:o:outro:start|outro]] lado também serviu de [[lexico:f:fundamento:start|fundamento]] à [[lexico:n:nocao:start|noção]] de [[lexico:d:direito-natural:start|direito natural]]. Mas estes e outros usos eventuais não modificam a substância da noção, que é a tentativa de colocar ao abrigo da crítica conhecimentos ou preconceitos julgados absolutamente válidos, mas cuja efetiva universalidade seria muito difícil provar. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}