===== CONOTAÇÃO ===== Termos como "conotação" e "[[lexico:d:denotacao|denotação]]" são dificilmente definíveis. Dados no interior de uma [[lexico:t:teoria|teoria]], só ali se explicitam. Haveria, portanto, que elaborar também a teoria. Dá-se o [[lexico:f:fato|fato]] que, conforme se insistiu na [[lexico:d:definicao|definição]] de todos os verbetes deste Dicionário, [[lexico:n:nao|não]] há uma teoria da [[lexico:c:comunicacao|Comunicação]] unificada, ou uma [[lexico:o:obra|obra]] base que pudesse servir de [[lexico:r:referencia|referência]] à [[lexico:p:problematica|problemática]] da Comunicação (como, por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], a obra de [[lexico:f:freud|Freud]] na [[lexico:p:psicanalise|psicanálise]]). Por isto devem-se situar estes dois termos dentro de teorizações maiores onde nem sempre eles aparecem em primeiro [[lexico:p:plano|plano]]. Segundo um dicionário de [[lexico:l:linguistica|linguística]] americano, pode-se definir conotação como "as [[lexico:i:ideias|ideias]] e associações vinculadas a uma [[lexico:p:palavra|palavra]]; as [[lexico:s:significacoes|significações]] ou ideias que uma palavra sugere ou implica (também chamada [[lexico:s:significado|significado]] [[lexico:i:intensional|intensional]]) e denotação como "os significados extensionais ou expressos de uma palavra ou [[lexico:t:termo|termo]]". Esta [[lexico:t:tese|tese]] está amplamente explicitada na obra de Hayakawa. O significado [[lexico:e:extensional|extensional]] (ou denotação) remete a um [[lexico:o:objeto|objeto]] que pode [[lexico:s:ser|ser]] indicado, referenciado. Enquanto "o significado intensional de uma palavra ou [[lexico:e:expressao|expressão]] é aquilo que nos é sugerido (conotado) pela nossa própria cabeça. Ora, uma tal definição leva Hayakawa — e qualquer [[lexico:p:pessoa|pessoa]] que a aceite — a algumas conclusões: 1) — toda [[lexico:f:frase|frase]] denotativa deve ser conotativa; 2) — nem toda frase conotativa é denotativa; 3) — uma frase como "[[lexico:a:anjos|anjos]] velam meu sono à noite" é conotativa, sem ser denotativa, isto é, "ao dizermos que a frase não possui significado extensional (denotação), queremos simplesmente dizer que não podemos [[lexico:v:ver|ver]], tocar, fotografar ou mediante qualquer dispositivo científico, captar a [[lexico:p:presenca|presença]] dos anjos". Conclui então que "argumentos da [[lexico:e:especie|espécie]] intensional (conotação) [[lexico:b:bem|Bem]] se podem denominar ‘argumentos sem-sentido’, uma vez que eles se baseiam em enunciados para os quais não se podem reunir dados que façam sentidos". 4) — ora, considerando denotação (ou [[lexico:a:argumentacao|argumentação]] extensional) como voltada para um objeto, o [[lexico:r:referente|referente]], e a conotação (ou argumentação intensional) como existente, apenas no [[lexico:s:sujeito|sujeito]], Hayakawa se contradirá, mostrando como só os significados intensionais (conotação) poderão dizer do que são os significados extensionais (denotação). Exatamente porque toma os dois termos dentro de uma [[lexico:d:dicotomia|dicotomia]] [[lexico:s:sujeito-objeto|sujeito-objeto]] já superada na [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] definitivamente, desde a obra de [[lexico:k:kant|Kant]] (ver, por exemplo, [[lexico:h:husserl|Husserl]]). Ele não quer discutir [[lexico:c:como-se|como se]] diz simbolicamente o [[lexico:m:mundo|mundo]], mas qual a [[lexico:v:verdade|verdade]] deste mundo. Todas as posições similares são ideológicas pois confundem numa mesma teoria sua [[lexico:e:estrutura|estrutura]] (pretensa) e as observações empíricas dos fatos. Para Martinet, conotações (no plural) são "tudo o que no emprego de uma palavra não pertence à [[lexico:e:experiencia|experiência]] de todos os utilizadores desta palavra na [[lexico:l:lingua|língua]]". Cada pessoa aprende [[lexico:p:palavras|palavras]] com frases que não coincidem em todos. "E esta particularidade de [[lexico:a:aprendizagem|aprendizagem]] das situações é seguramente uma das razões que explicam todas as referências que os poetas fizeram à infância, nas suas definições da [[lexico:p:poesia|poesia]]: levamos nossa pátria linguística e poética na sola de nossos sapatos infantis". Daí a definição de que "a [[lexico:c:cultura|cultura]] de uma [[lexico:e:epoca|época]] são as conotações partilhadas". Também esta [[lexico:e:explicacao|explicação]] está fora de seu [[lexico:c:campo|campo]] [[lexico:t:teorico|teórico]], não é pertinente. (E isto [[lexico:i:independente|independente]] da critica imediata que se poderia fazer a ela, que situa a [[lexico:f:fala|fala]] no plano individual mas dependente de sua formatividade na cultura [[lexico:g:geral|geral]].) Umberto [[lexico:e:eco|Eco]] diz que "numa [[lexico:p:perspectiva|perspectiva]] semiológica, o [[lexico:p:problema|problema]] do referente não tem nenhuma pertinência." Aquilo que se definiu acima como [[lexico:p:problema-filosofico|problema filosófico]] da verdade, ele explicitará mostrando como podem [[lexico:e:existir|existir]] [[lexico:s:simbolos|símbolos]] que tenham referência (e não tenham referente) e um mesmo referente que seja simbolizado polissemicamente. "A presença do referente, sua [[lexico:a:ausencia|ausência]] ou inexistência não incidem no [[lexico:e:estudo|estudo]] de um [[lexico:s:simbolo|símbolo]] enquanto usado numa certa [[lexico:s:sociedade|sociedade]] em [[lexico:r:relacao|relação]] a determinados códigos". Porque já ensinava [[lexico:s:saussure|Saussure]]: "O [[lexico:s:signo|signo]] linguístico não une uma [[lexico:c:coisa|coisa]] a um [[lexico:n:nome|nome]] mas um [[lexico:c:conceito|conceito]] a uma [[lexico:i:imagem|imagem]] acústica. Esta última não é o som material, coisa puramente [[lexico:f:fisica|física]], mas a marca psíquica deste som, a [[lexico:r:representacao|representação]] que dele nos dá o [[lexico:t:testemunho|testemunho]] de nossos sentidos; ela é [[lexico:s:sensorial|sensorial]] e se nos acontece denominá-la "material" é somente neste [[lexico:s:sentido|sentido]] e por [[lexico:o:oposicao|oposição]] ao [[lexico:o:outro|outro]] termo da [[lexico:a:associacao|associação]], o conceito geralmente mais [[lexico:a:abstrato|abstrato]]". Se esta definição não é levada em conta, volta-se ao "[[lexico:o:objetivismo|objetivismo]]" que implica sempre na dicotomia sujeito objeto, inadequada em qualquer de seus dois pólos. Como a falsa [[lexico:o:objetividade|objetividade]] de Réznikov: "Se se isola a [[lexico:f:funcao|função]] do signo de qualquer [[lexico:m:manifestacao|manifestação]] externa do objeto e se se a transfere para outros objetos (fenômenos) ela conecta apenas convencionalmente com os objetos designados". Então esta [[lexico:q:questao|questão]] só pode ser resolvida — bem ou [[lexico:m:mal|mal]] — no seu campo pertinente que é a Semiologia.