===== CONHECIMENTO SENSORIAL ===== O [[lexico:c:conhecimento-sensorial|conhecimento sensorial]] é, do [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista [[lexico:o:ontico|ôntico]], [[lexico:t:todo|todo]] [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]], em cuja elaboração intervém imediatamente órgãos corporais {órgãos dos [[lexico:s:sentidos-externos|sentidos externos]], cérebro); definido, do ponto de vista do [[lexico:o:objeto|objeto]], é a [[lexico:a:apreensao|apreensão]] de meros fenômenos, em [[lexico:o:oposicao|oposição]] ao [[lexico:s:ser|ser]] e [[lexico:e:essencia|essência]] das [[lexico:c:coisas|coisas]]. Na [[lexico:r:realidade|realidade]], ambas as definições coincidem, porque o conhecimento vinculado ao [[lexico:o:organico|orgânico]] permanece sempre [[lexico:r:relativo|relativo]] e, inversamente, o conhecimento liberto do orgânico, intelectual, refere-se necessariamente ao [[lexico:e:ente|ente]] enquanto tal. São objeto do conhecimento [[lexico:s:sensorial|sensorial]], antes de mais [[lexico:n:nada|nada]], as [[lexico:q:qualidades-sensoriais|qualidades sensoriais]] (cores, sons, etc.) próprias de cada [[lexico:s:sentido|sentido]] (denominadas secundárias), mas estas em sua ordenação espácio-temporal (as "[[lexico:q:qualidades-sensiveis|qualidades sensíveis]] primárias": tamanho, [[lexico:f:forma|forma]], [[lexico:m:movimento|movimento]], etc). Há um conhecimento sensorial [[lexico:e:externo|externo]] e [[lexico:o:outro|outro]] interno, consoante é produzido por um excitante ou estimulante [[lexico:s:sensivel|sensível]] que afeta os órgãos externos (olhos, ouvidos, etc), ou suscitado por [[lexico:c:causas|causas]] psíquicas ou por excitações do [[lexico:o:orgao|órgão]] central (cérebro) sem [[lexico:i:influxo|influxo]] [[lexico:a:atual|atual]] sobre aqueles. No conhecimento sensorial externo, os órgãos dos sentidos recolhem só um [[lexico:n:numero|número]] muito reduzido de influências, dentre as muitas que continuamente afluem em tropel, vindas do [[lexico:m:mundo|mundo]] corpóreo; de [[lexico:s:sorte|sorte]] que a excitação, conduzida aos centros cerebrais pelos nervos sensitivos, leva à [[lexico:d:determinacao|determinação]] da [[lexico:p:potencia|potência]] sensitiva e, mediante a produção de uma [[lexico:i:imagem|imagem]] sensorial, à consumação do [[lexico:p:proprio|próprio]] conhecimento sensorial (as sensações de [[lexico:l:luz|luz]], som, pressão, temperatura, [[lexico:g:gosto|gosto]], olfato, [[lexico:d:dor|dor]], à [[lexico:p:percepcao|percepção]] da [[lexico:p:posicao|posição]] espacial e do movimento do próprio [[lexico:c:corpo|corpo]] pelo sentido [[lexico:e:estatico|estático]] e [[lexico:c:cinestesico|cinestésico]], às sensações orgânicas difusas, tais como fome, sede, fadiga). Cada aparato sensorial está de tal maneira sintonizado com os excitantes a ele especialmente ordenados (adequados), que quando também excitantes inadequados (p. ex., pressão sobre o globo ocular) provocam uma [[lexico:s:sensacao|sensação]] em [[lexico:g:geral|geral]], só pode responder com imagens sensitivas de sua própria [[lexico:c:classe|classe]] (p. ex., sensação de luz) (qualidades sensoriais específicas). A própria imagem sensitiva [[lexico:n:nao|não]] pode ser concebida como [[lexico:r:representacao|representação]] [[lexico:i:inconsciente|Inconsciente]] das propriedades das coisas que se mostram imediatamente em seu ser-em-si, mas como imagem que se torna [[lexico:c:consciente|consciente]], na qual se refletem circunstâncias do mundo [[lexico:e:exterior|exterior]] correspondentes à peculiaridade dos sentidos. Quanto à [[lexico:q:questao|questão]] epistemológica de [[lexico:s:saber|saber]] até que ponto aqui se verifica uma representação fiel à realidade, [[lexico:r:realismo|realismo]]. Os [[lexico:s:sentidos-internos|sentidos internos]] não produzem somente meras representações (em oposição às sensações causadas por estímulos externos e às percepções), sejam elas imagens da [[lexico:m:memoria|memória]] ou representações da [[lexico:f:fantasia|fantasia]] livremente formadas, mas têm também sua importância insubstituível para a [[lexico:f:formacao|formação]] da imagem perceptiva. A [[lexico:e:escolastica|escolástica]] clássica, seguindo o trilho de [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]], distingue [[lexico:q:quatro|Quatro]] ou cinco sentidos internos: o sentido comum ([[lexico:s:sensus-communis|sensus communis]]), a fantasia, a memória, a "estimativa" (vis aestimativa) e, [[lexico:a:alem|além]] disso, no [[lexico:h:homem|homem]], a "vis cogitativa" ([[lexico:a:acaso|acaso]] traduzível por [[lexico:f:forca|força]] configuradora). O sentido comum, [[lexico:r:raiz|raiz]] comum dos sentidos externos, reúne os dados destes no [[lexico:e:espaco|espaço]] intuitivo [[lexico:u:unico|único]], localizando, p. ex., o som ouvido em determinado [[lexico:l:lugar|lugar]] do espaço visual. A fantasia e a memória, em [[lexico:v:virtude|virtude]] de impressões anteriormente recebidas, completam a [[lexico:v:visao|visão]] fragmentária das coisas dada no [[lexico:m:momento|momento]] (acrescentam, p. ex., em certo [[lexico:m:modo|modo]] a representação do reverso ainda invisível de um objeto) e estruturam, dentro do que é [[lexico:d:dado|dado]] sensorialmente, a [[lexico:o:ordem|ordem]] do [[lexico:t:tempo|tempo]]. A estimativa relaciona o dado como [[lexico:u:util|útil]] ou nocivo com a [[lexico:v:vida|vida]] global do ser sensitivo; ordenação esta que se verifica principalmente pelos sentimentos de [[lexico:p:prazer|prazer]] e de desprazer ([[lexico:i:instinto|instinto]]). No homem, a estimativa é elevada a "cogitativa" ou "força configuradora" por uma [[lexico:i:influencia|influência]] oculta do [[lexico:e:entendimento|entendimento]], força que reúne (coagitat; donde o [[lexico:n:nome|nome]] de cogitativa) as impressões em formas concretas que se destacam do mundo circundante, as quais, como imagem sensível correspondente ao [[lexico:c:conceito|conceito]] de uma [[lexico:c:coisa|coisa]] corpórea (p. ex., da mesa), são ponto de arranque [[lexico:i:imediato|imediato]] para a [[lexico:a:atividade|atividade]] do entendimento. — O "[[lexico:s:sensus|sensus]] intimus", admitido pelos escolásticos recentes, mediante o qual devem ser percebidos os atos sensitivos de conhecimento e de [[lexico:t:tendencia|tendência]], e neles o próprio [[lexico:s:sujeito|sujeito]] de maneira concreta, melhor se poderia conceber como sendo a [[lexico:n:nota|nota]] [[lexico:c:caracteristica|característica]] da consciencialidade, que convém igualmente a todos os atos sensitivos ([[lexico:c:consciencia|consciência]]). — Se além do conhecimento sensorial obtido pelos sentidos conhecidos existe uma chamada "percepção extra-sensorial", é questão a ser discutida noutro lugar ([[lexico:o:ocultismo|ocultismo]]). A importância do conhecimento sensorial no âmbito da vida [[lexico:a:animal|animal]] esgota-se, pelo [[lexico:f:fato|fato]] de incitar a modos de operar essenciais para a vida. Pelo contrário, no homem, o conhecimento sensorial, como [[lexico:i:instrumento|instrumento]] da [[lexico:i:inteligencia|inteligência]], alcança seu máximo [[lexico:s:significado|significado]], primeiro porque subministra a maior [[lexico:p:parte|parte]] do material para a formação dos [[lexico:c:conceitos|conceitos]] intelectuais, e, em segundo lugar, porque o [[lexico:p:pensamento|pensamento]] por [[lexico:a:abstrato|abstrato]] que seja, deve conservar, sempre, por [[lexico:n:natureza|natureza]], a [[lexico:r:relacao|relação]] com imagens sensíveis. Pelo que é de [[lexico:s:suma|suma]] importância para a formação da inteligência o prestar [[lexico:a:atencao|atenção]] ao conhecimento sensorial e o cultivo [[lexico:r:razoavel|razoável]] do mesmo. — De Vries.