===== CONCURSO DE DEUS ===== Por [[lexico:c:concurso-de-deus|concurso de Deus]] (concursus divinus) entende-se o [[lexico:i:influxo|influxo]] [[lexico:i:imediato|imediato]] de [[lexico:d:deus|Deus]] na [[lexico:o:operacao|operação]] do [[lexico:e:ente|ente]] criado e no [[lexico:e:efeito|efeito]] da mesma, [[lexico:n:nao|não]] um influxo puramente [[lexico:m:mediato|mediato]], como opinava Durando, consistindo apenas em manter no [[lexico:s:ser|ser]] a criatura e suas [[lexico:v:virtudes|virtudes]] operativas. O concurso [[lexico:d:divino|divino]] imediato a tudo quanto é criado resulta da íntima dependência deste relativamente ao [[lexico:u:unico|único]] Ser [[lexico:i:independente|independente]]: Deus. Tal cooperação não exclui a [[lexico:a:acao|ação]] [[lexico:m:moral|moral]] de Deus sobre a criatura livre, por [[lexico:m:meio|meio]] de promessas, preceitos e exortações. Acerca da [[lexico:n:natureza|natureza]] do concurso divino, particularmente de sua [[lexico:c:compatibilidade|compatibilidade]] com a [[lexico:l:liberdade|liberdade]] humana, diversas concepções imperam na [[lexico:e:escolastica|escolástica]]. Bañez, a [[lexico:e:escola|escola]] dominicana [[lexico:m:moderna|moderna]] e o [[lexico:t:tomismo|tomismo]] rígido não se limitam a ensinar um [[lexico:i:impulso|impulso]] imediato ou imediata [[lexico:m:mocao|moção]] de Deus (praemotio [[lexico:p:physica|Physica]]) para conduzir a criatura desde a [[lexico:d:disposicao|disposição]] operativa próxima até à própria operação, mas defendem, [[lexico:a:alem|além]] disso, a [[lexico:e:existencia|existência]] de uma predeterminação da [[lexico:o:orientacao|orientação]] de sua [[lexico:v:vontade|vontade]] (praedeterminatio physica). O [[lexico:h:homem|homem]] não pode operar sem a moção de Deus, nem, recebida esta, pode deixar de operar. A indefectível vinculação de impulso divino e de ação humana garante, assim, a execução da [[lexico:v:vontade-de-deus|vontade de Deus]] e a [[lexico:p:presciencia-divina|presciência divina]]. No entanto, segundo Bañez, nem a moção nem a a predeterminação divinas atentam contra a [[lexico:l:liberdade-da-vontade|liberdade da vontade]] criatural, porque Deus move cada criatura de [[lexico:a:acordo|acordo]] com a natureza dela; move portanto uma criatura livre, de [[lexico:s:sorte|sorte]] que a liberdade desta permaneça intacta sob o impulso divino. — Outros escolásticos propugnam só uma moção indiferente por [[lexico:p:parte|parte]] de Deus, que não predetermina a direção da vontade. O molinismo, defendido principalmente pelos grandes teólogos jesuítas do século XVI, vê na doutrina "tomista" um sério [[lexico:r:risco|risco]] para a liberdade humana e também para a [[lexico:s:santidade|santidade]] de Deus, o qual logicamente parece arcar com a [[lexico:r:responsabilidade|responsabilidade]] dos [[lexico:p:pecados|pecados]] dos homens. A criatura livre não necessita de nenhuma moção, menos ainda de uma predeterminação, para operar; pelo contrário, como natureza ativa, produz seu [[lexico:a:ato|ato]] em [[lexico:v:virtude|virtude]] de sua própria [[lexico:a:atividade|atividade]] e dirige-o também na [[lexico:d:decisao|decisão]] livre. A dependência, relativamente a Deus, Ser primeiro, [[lexico:e:essencial|essencial]] a [[lexico:t:todo|todo]] ente criado, permanece intacta, pelo [[lexico:f:fato|fato]] de o mesmo ato ser produzido simultaneamente por Deus e pela criatura (concursus simultaneas): por Deus, no [[lexico:a:aspecto|aspecto]] do ser; pela criatura, no aspecto do ser-assim ([[lexico:e:essencia|essência]]) (ou seja, no aspecto da orientação da vontade). Sendo assim, a liberdade humana permanece intacta. — Segundo os "tomistas", o [[lexico:p:ponto|ponto]] fraco desta [[lexico:t:teoria|teoria]] reside na transgressão do [[lexico:p:principio-de-causalidade|princípio de causalidade]], e, além disso, na "dependência" de Deus relativamente ao homem, que a [[lexico:s:si-mesmo|si mesmo]] traça o [[lexico:c:caminho|caminho]], determinando com Isso também o concurso por parte de Deus, e principalmente na dificuldade de [[lexico:e:explicar|explicar]], de [[lexico:m:modo|modo]] satisfatório, a [[lexico:p:presciencia|presciência]] divina. — A insuficiência de ambas as tentativas de solução conduziu a articular outras propostas; todas porém desembocam numa ou noutra das duas apontadas. Embora o fato do concurso divino subsista firme, parece que o modo de sua realização se subtrai a uma [[lexico:c:compreensao|compreensão]] definitiva por parte do homem. — Rast.