===== CONCEITO TEÓRICO ===== De [[lexico:m:modo|modo]] muito [[lexico:p:particular|particular]], será preciso interrogar sobre o papel dos [[lexico:c:conceitos|conceitos]] teóricos nas ciências. Têm uma [[lexico:f:funcao|função]] [[lexico:r:real|real]]? São verdadeiramente necessários? E se são, como operam? Para [[lexico:a:alem|além]] destas questões, deveremos nos esforçar, mais profundamente, por colocar em [[lexico:p:perspectiva|perspectiva]] a própria [[lexico:l:linguagem|linguagem]] científica na sua íntegra, ao menos relativamente a um certo [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista, aquele de uma [[lexico:i:interrogacao|interrogação]] sobre os signos. Mas, [[lexico:n:nao|não]] é [[lexico:p:possivel|possível]] propor-se, de pronto, a elaboração de uma [[lexico:t:teoria|teoria]] [[lexico:g:geral|geral]] da linguagem científica. Talvez este [[lexico:p:projeto|projeto]] seja mesmo absolutamente ilusório. Com [[lexico:e:efeito|efeito]], no interior do que chamamos [[lexico:c:ciencia|ciência]], é preciso distinguir vários grupos bastante diversos de disciplinas. Aliás, para [[lexico:s:ser|ser]] totalmente preciso, dever-se-ía distinguir subgrupos no interior destes grupos. Contudo, poderemos aqui nos contentar com uma [[lexico:d:divisao|divisão]] extremamente geral e bastante esquemática; para o [[lexico:f:fim|fim]] que intentamos, eia será suficiente. Distinguiremos três grupos de ciências: as [[lexico:c:ciencias-formais|ciências formais]], as empírico-formais e as hermenêuticas. As ciências formais são as matemáticas e a [[lexico:l:logica|lógica]]. É possível designá-las no [[lexico:s:singular|singular]], referindo-se simplesmente à ciência dos sistemas formais, sob a [[lexico:c:condicao|condição]], porém, que se inclua, na [[lexico:n:nocao|noção]] de "[[lexico:s:sistema-formal|sistema formal]]", tanto as teorias matemáticas no [[lexico:s:sentido|sentido]] tradicional, quanto as teorias lógicas, assim como todas as considerações meta-teóricas que se reportem a estas disciplinas. As [[lexico:c:ciencias-empirico-formais|ciências empírico-formais]] são aquelas construídas segundo o [[lexico:m:modelo|modelo]] da [[lexico:f:fisica|física]]. Visam uma [[lexico:r:realidade|realidade]] empiricamente apreensível, utilizando, porém, na [[lexico:a:analise|análise]] desta realidade, recursos fornecidos pelas ciências do primeiro [[lexico:t:tipo|tipo]]. Por fim, as [[lexico:c:ciencias-hermeneuticas|ciências hermenêuticas]] são as ciências da [[lexico:i:interpretacao|interpretação]]. Com efeito, podemos definir a [[lexico:h:hermeneutica|hermenêutica]] como a [[lexico:d:disciplina|disciplina]] que se ocupa da interpretação dos signos em geral e dos [[lexico:s:simbolos|símbolos]] em particular. [[lexico:t:todo|todo]] [[lexico:p:processo|processo]] interpretativo busca [[lexico:p:por|pôr]] em [[lexico:e:evidencia|evidência]] uma [[lexico:s:significacao|significação]] não imediatamente [[lexico:a:aparente|aparente]]. A significação é uma [[lexico:r:relacao|relação]] entre um [[lexico:s:signo|signo]] e uma [[lexico:e:entidade|entidade]] pertencente ao [[lexico:m:mundo|mundo]] real ou ao mundo [[lexico:i:ideal|ideal]] ([[lexico:i:individuo|indivíduo]], [[lexico:c:classe|classe]], [[lexico:p:propriedade|propriedade]] ou relação). (O mundo ideal é aquele das entidades não empiricamente captáveis, tais como os objetos matemáticos ou as realidades puramente lógicas.) De [[lexico:f:fato|fato]], as ciências hermenêuticas visam a realidade humana, enquanto apreensível nos traços por ela deixados na [[lexico:n:natureza|natureza]], isto é, nas [[lexico:a:acoes|ações]], registráveis e efetivamente registradas, e nas obras. Tanto nas ações do [[lexico:h:homem|homem]] quanto em suas obras, atesta-se a [[lexico:p:presenca|presença]] de [[lexico:s:significacoes|significações]]. Ora, desde que se trata de significações, o [[lexico:m:metodo|método]] hermenêutico deve intervir. (...) No domínio das matemáticas, não faltam exemplos que mostram o papel [[lexico:e:explicativo|explicativo]] dos conceitos. Deste modo, a noção topológica de [[lexico:d:dimensao|dimensão]] permite [[lexico:e:explicar|explicar]] porque não há mais pontos em um quadrado do que em um de seus lados, ou em um cubo mais que em um quadrado. Trata-se aí de uma [[lexico:s:situacao|situação]] que aparece na teoria cardinal dos conjuntos. Esta situação é explicada, sendo eliminado o aparente [[lexico:p:paradoxo|paradoxo]], graças ao [[lexico:c:conceito|conceito]] de dimensão e à teoria correspondente. [[lexico:o:outro|outro]] [[lexico:e:exemplo|exemplo]] é fornecido pela noção de [[lexico:g:grupo|grupo]]. Esta noção permitiu explicar porque a [[lexico:e:equacao|equação]] geral do quinto [[lexico:g:grau|grau]] não é solucionável por radicais. Estávamos, então, em presença de uma situação algébrica de um determinado nível; ela foi elucidada graças a conceitos algébricos mais potentes. A teoria dos grupos fornece a chave de uma [[lexico:e:estrutura|estrutura]], da qual o [[lexico:f:fenomeno|fenômeno]] a ser explicado constituía uma [[lexico:e:exemplificacao|exemplificação]]. Portanto, os conceitos das ciências formais podem desempenhar um papel explicativo. Todavia, examinando-se mais atentamente, percebe-se que é descrevendo que eles explicam. Com efeito, a [[lexico:e:explicacao|explicação]] é feita pela [[lexico:a:apreensao|apreensão]] de uma estrutura mais geral. O conceito é o [[lexico:m:meio|meio]] graças ao qual o [[lexico:e:espirito|espírito]] capta e caracteriza esta estrutura. Em [[lexico:s:suma|suma]], apenas descreve a estrutura que apresenta a chave da situação a ser explicada. Vale dizer, portanto, que o conceito nas ciências formais é, ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]], [[lexico:d:descritivo|descritivo]] e explicativo. [Ladrière]