===== CONCEITO ===== [[lexico:e:ennoia:start|ennoia]] VIDE [[lexico:e:eidos:start|eidos]], [[lexico:n:noeton:start|noeton]], [[lexico:n:noesis:start|noesis]], [[lexico:o:onoma:start|onoma]] O conceito é a [[lexico:f:forma:start|forma]] mais [[lexico:s:simples:start|simples]] do [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]], em [[lexico:o:oposicao:start|oposição]] ao [[lexico:j:juizo:start|juízo]] e ao [[lexico:r:raciocinio:start|raciocínio]], que são criações mentais compostas de [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]]. Ao passo que o juízo exprime um [[lexico:o:objeto:start|objeto]] como existente, o conceito é uma [[lexico:e:expressao:start|expressão]] mental, isto é, abstrativo-intelectual, de uma "[[lexico:q:quididade:start|quididade]]"; ele apreende um objeto, representa "o que" [[lexico:e:esse:start|esse]] objeto é, sem se pronunciar sobre ele. Expressão oral do conceito é uma [[lexico:p:palavra:start|palavra]] ou [[lexico:t:termo:start|termo]] (p. ex., [[lexico:n:numero:start|número]]), ou uma expressão vocabular composta, uma [[lexico:f:frase:start|frase]], que todavia [[lexico:n:nao:start|não]] constitui um [[lexico:e:enunciado:start|enunciado]] (p. ex., número par). Contra o [[lexico:n:nominalismo:start|nominalismo]] ([[lexico:s:sensismo:start|sensismo]]) importa afirmar que o conceito, enquanto [[lexico:r:representacao:start|representação]] mental (intelectual), é essencialmente [[lexico:s:superior:start|superior]] à representação em [[lexico:s:sentido:start|sentido]] [[lexico:e:estrito:start|estrito]], ou seja à representação [[lexico:s:sensivel:start|sensível]]. Por sua [[lexico:n:natureza:start|natureza]] abstrativa, o conceito distingue-se também essencialmente da [[lexico:i:intuicao-intelectual:start|intuição intelectual]] dos puros [[lexico:e:espiritos:start|espíritos]]. — O [[lexico:r:racionalismo:start|racionalismo]] nem sempre teve em suficiente conta esta [[lexico:d:distincao:start|distinção]] (equiparação de conceito e [[lexico:i:ideia:start|ideia]] e doutrina das — [[lexico:i:ideias-inatas:start|ideias inatas]]). Em [[lexico:t:todo:start|todo]] conceito, importa distinguir o conceito como "[[lexico:a:ato:start|ato]] de [[lexico:p:pensar:start|pensar]]", o conceito como "conteúdo de pensamento" e o "objeto" do conceito. O conceito como ato de pensar é um ato espiritual (imaterial), embora em sua produção (VIDE [[lexico:f:formacao-do-conceito:start|formação do conceito]], [[lexico:a:abstracao:start|abstração]]) dependa de representações sensoriais ligadas ao [[lexico:c:corpo:start|corpo]], e geralmente de muito curta [[lexico:d:duracao:start|duração]] [[lexico:t:temporal:start|temporal]]. O conceito manifesta ou representa o objeto, não por estas suas propriedades ontológicas, mas enquanto o ato de pensar implica em si, num [[lexico:m:modo:start|modo]] [[lexico:i:ideal:start|ideal]] (só representado) de [[lexico:s:ser:start|ser]], um determinado conteúdo (enquanto, p. ex., é conceito de número e não de [[lexico:e:espaco:start|espaço]]); o conceito "significa" o objeto, é intencionalmente ([[lexico:i:intencional:start|intencional]]) dirigido para este. Mas o objeto do conceito não é o "conteúdo" implicado neste; é, sim, o objeto [[lexico:i:independente:start|independente]] da [[lexico:m:mente:start|mente]], o qual não é precisamente conhecido como existente no conceito, mas sim [[lexico:s:significado:start|significado]] neste. Assim, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], o conceito "[[lexico:h:homem:start|homem]]" significa a quididade do homem [[lexico:r:real:start|real]], não se significa a si [[lexico:p:proprio:start|próprio]] (o homem enquanto conceptualmente representado). No objeto, distinguimos o objeto material, isto é, o ser existente em sua concreta [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]], ao qual o conceito se pode atribuir, e o objeto [[lexico:f:formal:start|formal]], ou seja, o conteúdo parcial, o "[[lexico:a:aspecto:start|aspecto]]", a [[lexico:n:nota:start|nota]] ou notas características do objeto, que se apreendem no conceito. O conceito, como representação abstrata, apresenta não as [[lexico:c:coisas:start|coisas]] em sua plenitude [[lexico:i:intuitiva:start|intuitiva]] concreta, mas apenas características singulares das mesmas coisas. A palavra "[[lexico:c:caracteristica:start|característica]]" ou "nota" designa primariamente os conteúdos parciais distinguíveis no próprio objeto, [[lexico:b:bem:start|Bem]] como os conteúdos parciais do mesmo conceito, ao passo que a palavra [[lexico:d:determinacao:start|determinação]] significa que a nota assim designada sobrevém a um [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] conceptualmente [[lexico:i:indistinto:start|indistinto]] ou é extraída dele ( [[lexico:c:concreto:start|concreto]], [[lexico:a:abstrato:start|abstrato]]). Distingue-se, [[lexico:a:alem:start|além]] disso, em todo conceito a [[lexico:c:compreensao:start|compreensão]] e a [[lexico:e:extensao:start|extensão]]. A compreensão do conceito é a totalidade das notas nele expressas; a. extensão é a totalidade das coisas, às quais o conceito se pode atribuir. Em [[lexico:g:geral:start|geral]], quanto maior for a compreensão do conceito, tanto menor é sua extensão, e vice-versa. Só no caso de a compreensão do conceito se enriquecer com propriedades essenciais do objeto ( [[lexico:p:predicaveis:start|Predicáveis]]) é que a extensão não diminui. — Distinguimos entre conceito simples e conceito [[lexico:c:complexo:start|complexo]], consoante o conceito contém uma ou mais notas. O conceito é [[lexico:c:chamado:start|chamado]] claro, quando basta para distinguir de qualquer [[lexico:o:outro:start|outro]] o objeto significado. O conceito complexo denomina-se distinto, quando distingue entre si as diversas notas; a [[lexico:d:definicao:start|definição]] procura formular um conceito perfeitamente distinto. Do [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista da extensão distinguimos os conceitos particulares ( [[lexico:i:individuo:start|Indivíduo]]) e os [[lexico:u:universais:start|universais]] ( [[lexico:c:conceito-universal:start|conceito universal]]). — Consoante a maneira de se conformarem com o objeto, há uma [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] [[lexico:e:essencial:start|essencial]] entre conceito próprio e conceito [[lexico:a:analogo:start|análogo]]. O conceito próprio é extraído da [[lexico:i:intuicao:start|intuição]] de seu objeto e apresenta, por isso, notas positivas do mesmo em conteúdos mentais de [[lexico:c:carater:start|caráter]] também inteiramente [[lexico:p:positivo:start|positivo]]. Ao invés, o conceito análogo determina um objeto [[lexico:s:supra-sensivel:start|supra-sensível]] à base da [[lexico:s:semelhanca:start|semelhança]] imperfeita que tem com outro objeto [[lexico:d:dado:start|dado]] intuitivamente;; conserva como conteúdo positivo a [[lexico:p:perfeicao:start|perfeição]] [[lexico:o:ontologica:start|ontológica]] comum a ambos; mas só mediante a [[lexico:n:negacao:start|negação]] do modo de [[lexico:e:existencia:start|existência]] correspondente ao intuitivo pode pensar o modo de existência, em si absolutamente positivo, próprio do supra-sensível; nisso não há [[lexico:f:falsidade:start|falsidade]] alguma, mas tão-somente uma [[lexico:a:adequacao:start|adequação]] ou conformidade essencialmente menor com o objeto. Com a [[lexico:d:divisao:start|divisão]] dos conceitos em próprios e análogos não coincide a divisão dos mesmos em unívocos e análogos. A primeira diz [[lexico:r:respeito:start|respeito]] à [[lexico:r:relacao:start|relação]] entre o conceito e seu objeto próprio, com o qual o conceito é mais ou menos conforme (assim, p. ex., nosso conceito de [[lexico:d:deus:start|Deus]] é análogo); a segunda diz respeito à relação de um conceito com vários objetos, logicamente a ele subordinados, e nos quais ele se realiza de modo perfeitamente igual ou parcialmente desigual (assim, p. ex., o conceito de [[lexico:e:ente:start|ente]] é análogo, relativamente a Deus e às criaturas). ([[lexico:a:analogia:start|analogia]]). O pensamento conceitual — mesmo no caso do conceito [[lexico:p:particular:start|particular]] — em [[lexico:r:razao:start|razão]] de sua abstratividade fica muito aquém da intuição em [[lexico:r:riqueza:start|riqueza]] de conteúdo; contudo, mercê de sua [[lexico:i:imaterialidade:start|imaterialidade]], supera em profundeza de compreensão ([[lexico:e:essencia:start|essência]] ) a [[lexico:i:intuicao-sensivel:start|intuição sensível]]. E, embora o conceito não consiga exaurir a plenitude da [[lexico:r:realidade:start|realidade]], todavia seu conteúdo realiza-se normalmente no ente, como o [[lexico:r:realismo:start|realismo]] com [[lexico:d:direito:start|direito]] propugna contra o [[lexico:c:conceptualismo:start|conceptualismo]] e o [[lexico:c:criticismo:start|criticismo]] de [[lexico:k:kant:start|Kant]]. Pelo que, não se justifica o desdém pelo pensamento conceptual, manifestado pelo — [[lexico:i:intuicionismo:start|intuicionismo]], pela [[lexico:f:filosofia-da-vida:start|filosofia da vida]] (VIDE [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] da [[lexico:v:vida:start|vida]]) e, em [[lexico:p:parte:start|parte]], também pela filosofia [[lexico:e:existencial:start|existencial]] ([[lexico:f:filosofia-da-existencia:start|filosofia da existência]]). Sem o pensamento conceptual, nosso [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] [[lexico:h:humano:start|humano]] nunca chega a ser completo, nunca logra ultrapassar o âmbito da [[lexico:e:experiencia:start|experiência]], nem penetrar no domínio da [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]]. Por outro lado, há uma sobrevalorização do conceito, quando Heget o converte em realidade total e em [[lexico:f:forca:start|força]] impulsiva de sua [[lexico:e:evolucao:start|evolução]]. — De Vries. [[lexico:u:unidade:start|unidade]] mínima da representação intelectual (diz-se também, na [[lexico:l:lingua:start|língua]] clássica, "ideia"), sobre a qual se dá a [[lexico:o:operacao:start|operação]] de juízo. No início, a [[lexico:n:nocao:start|noção]] de conceito supõe: 1) que a representação seja aquela de um sujeito ativo; 2) que o ser da representação exista em sua [[lexico:o:ordem:start|ordem]] própria. A noção de conceito é portanto originariamente ligada à aparição cartesiana da [[lexico:s:subjetividade:start|subjetividade]]. Ontologicamente, o [[lexico:d:dualismo:start|dualismo]] [[lexico:a:alma:start|alma]]/corpo é uma maneira de garantir a segunda [[lexico:c:condicao:start|condição]]. Mais especificamente, todavia, a natureza do conceito corresponde ao [[lexico:f:fato:start|fato]] que possui uma compreensão e uma extensão. No [[lexico:u:uso:start|uso]] da noção, pode-se, por conseguinte, distinguir duas grandes possibilidades. Seja a insistência sobre a [[lexico:f:funcao:start|função]] representativa e se tem então a [[lexico:t:tendencia:start|tendência]] a determinar o conceito pela relação àquilo que representa, seu objeto; seja a insistência sobre a relação ao sujeito e o conceito se identifica, como em [[lexico:d:descartes:start|Descartes]], à forma do [[lexico:e:espirito:start|espírito]] que apreende objetos. No primeiro caso, se terá numerosas opções possíveis para [[lexico:c:compreender:start|compreender]] a [[lexico:c:constituicao:start|constituição]] dos conceitos, se poderá mesmo opor as filosofias do conceito, que se interessam antes de tudo às [[lexico:r:relacoes:start|relações]] entre os [[lexico:e:elementos:start|elementos]] e os conteúdos da representação (por exemplo, [[lexico:h:hegel:start|Hegel]]), às filosofias da [[lexico:c:consciencia:start|consciência]], para as quais [[lexico:n:nada:start|nada]] é [[lexico:p:possivel:start|possível]] fora da jusrisdição de um sujeito constituinte. No [[lexico:l:limite:start|limite]], o conceito se torna uma unidade cultural (por exemplo, o conceito de força viva), independente do pensamento de um sujeito qualquer ("Não é uma filosofia da consciência mas uma filosofia do conceito que pode dar uma [[lexico:d:doutrina-da-ciencia:start|doutrina da ciência]]", Cavaillès). Sobre o sentido particular do termo em Hegel deve-se examinar a noção de [[lexico:m:movimento:start|movimento]] do conceito. ([[lexico:l:les-notions-philosophiques:start|Les Notions Philosophiques]]) A unificação, a estabilização e a distinção são operações mentais, que usamos para conhecer o [[lexico:m:mundo:start|mundo]] real. Por que procede deste modo a razão humana? A razão, desta forma, procura dar ordem ao que intuímos, por isso é que enumeramos, separamos e denominamos, damos nomes aos fatos particulares. [[lexico:a:agora:start|agora]] perguntamos: como procede a razão para dominar esse [[lexico:c:caos:start|caos]] de acontecimentos? Como atua para ordenar esse caudal de fatos? Qual o [[lexico:i:instrumento:start|instrumento]] que usa para alcançar esse domínio? O CONCEITO, eis o instrumento. Uma [[lexico:s:serie:start|série]] indefinida de fatos semelhantes, que nos parecem idênticos - embora na realidade não existam fatos idênticos - e que são coexistentes, damos-lhe uma [[lexico:d:denominacao:start|denominação]] comum: É O CONCEITO. Se observarmos bem as [[lexico:p:palavras:start|palavras]], vemos que elas expressam conceitos: casa, cadeira, livro, estante, etc. Para distinguir os conceitos são necessárias notas que os individualize. Não devemos confundir o conceito com a palavra que o expressa. O conceito é uma operação mental; a palavra apenas o seu enunciado. Por isso, devemos evitar cair no [[lexico:v:verbalismo:start|verbalismo]], que consiste no emprego exagerado de palavras sem conteúdo preciso. Assim como não devemos confundir o conceito com o seu enunciado verbal, não se deve também confundi-lo com o fato. Não há [[lexico:d:duvida:start|dúvida]] de que os conceitos decorrem dos fatos, mas, no conceito, há uma abstração do fato. No conceito, já despojamos alguns elementos do fato, fazemos uma abstração mental. O fato tem existência no [[lexico:t:tempo:start|tempo]] e no espaço; o conceito só existe quando pensamos. Intuímos o fato; pensamos o conceito. Na prática, poucos percebem isso. Não notam que, quando pronunciam a palavra arvore, por exemplo, tal objeto não existe aqui e agora. É uma abstração. É o [[lexico:h:habito:start|hábito]] que nos faz tomar os conceitos por fatos. O [[lexico:p:processo:start|processo]] de abstração do conceito consiste em retirarmos atributos reais, até ficar um só, o mais amplo, ou os mais amplos. Dissemos que o homem, para dominar o caos dos acontecimentos, necessitava dar-lhe uma ordem, uma ordem que permitisse [[lexico:v:ver:start|ver]] claro nesse caudal de fatos. E o instrumento de que usou para alcançar essa ordenação foi precisamente o conceito. Analisemos a sua [[lexico:g:genese:start|gênese]]: Se a realidade do mundo que nos cerca fosse [[lexico:u:uniforme:start|uniforme]] e homogênea, se tudo nos parecesse igual, sem qualquer nota de distinção, de [[lexico:d:diferenciacao:start|diferenciação]], não poderíamos nunca chegar a conhecer os fatos, porque o acontecer seria apenas um grande fato. Mas sucede que a realidade aparece-nos heterogeneamente, diversa, diferente e diversificada. Se a cor dos fatos (corpóreos) fosse a mesma, [[lexico:i:impossivel:start|impossível]] seria chegar a compreender que há cores, de dar um [[lexico:n:nome:start|nome]] a uma cor que percebemos, que é distinta de outra cor. Certas partes da realidade visível dão aos olhos uma [[lexico:i:impressao:start|impressão]] de outro [[lexico:g:genero:start|gênero]] de outras partes da realidade. Por isso, percebem-se as cores diferentes. [[lexico:m:mfsdic:start|MFSDIC]] {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}