===== CLITOFON ===== Entre os [[lexico:d:dialogos|diálogos]] de [[lexico:p:platao|Platão]], este ocupa uma [[lexico:p:posicao|posição]] [[lexico:p:particular|particular]]: [[lexico:s:socrates|Sócrates]] [[lexico:n:nao|não]] é o [[lexico:i:interlocutor|interlocutor]] principal, pois apenas entra na [[lexico:d:discussao|discussão]]. [[lexico:a:alem|Além]] do mais, enquanto em outros diálogos onde intervém, Sócrates é tratado positivamente e com [[lexico:r:respeito|respeito]], seu ensinamento se encontra aqui fortemente criticado. Em uma conversa co teve com o orador Lísias, Clitofon, um [[lexico:h:homem|homem]] [[lexico:p:politico|político]] conhecido em Atenas, estabeleceu, um paralelo entre o [[lexico:c:comportamento|comportamento]] de Sócrates e aquele do [[lexico:s:sofistas|sofistas]] Trasímaco notando sua preferência por este [[lexico:u:ultimo|último]]. Sócrates, informado de tal, demanda a Clitofon as razões de um tal [[lexico:j:julgamento|julgamento]], e Clitofon lhe reporta sua conversa com Lísias. Clitofon não condena globalmente o comportamento de Sócrates. Louva suas exortações: Sócrates tem [[lexico:r:razao|razão]] de criticar aos homens de não buscarem a [[lexico:v:virtude|virtude]] que só beneficia sua [[lexico:a:alma|alma]], e de confiar a direção de sua [[lexico:v:vida|vida]] a pessoas que não sabem onde se fundamentar. Mas é suficiente exortar? A que se deve referir para cultivar a virtude? À [[lexico:j:justica|justiça]], a resposta é unânime. Mas se se [[lexico:p:pergunta|pergunta]] em que consiste a justiça, as respostas divergem. Nenhuma delas é aceitável. E mesmo se, de maneira mais sutil, define-se a justiça como o que permite estabelecer a [[lexico:a:amizade|amizade]] na [[lexico:c:cidade|cidade]] em vistas de produzir um [[lexico:a:acordo|acordo]] entre cidadãos, encontramo-nos remetidos a outra [[lexico:q:questao|questão]]: um tal acordo faz intervir a [[lexico:c:ciencia|ciência]] ou a [[lexico:o:opiniao|opinião]]? É então que Sócrates dá sua posição: a justiça consiste em fazer [[lexico:m:mal|mal]] a seus inimigos e [[lexico:b:bem|Bem]] a seus amigos ([[lexico:d:definicao|definição]] dada por Céfalo, depois defendida por seu [[lexico:f:filho|filho]] Polemarco no primeiro livro da [[lexico:r:republica|República]]). A discussão termina abruptamente: Clitofon demanda a Sócrates de lhe comunicar o [[lexico:s:saber|saber]] que possui; se Sócrates não faz porque não quer comunicar seu saber ou simplesmente porque não possui tal saber, Clitofon se verá obrigado de ir [[lexico:t:ter|ter]] com Trasímaco. Desde [[lexico:s:schleiermacher|Schleiermacher]], a maioria dos comentadores consideram o Clitofon inautêntico. Mas uma minoria se opõe a este [[lexico:j:juizo|juízo]], especialmente Simon Slings, que estabeleceu a nova edição da República publicada na coleção "Oxford Classical Texts". Contra os argumentos em defesa da autenticidade, que considera o [[lexico:d:dialogo|diálogo]] como uma autocrítica, além de incongruidades de [[lexico:f:forma|forma]] e de fundo, nota-se que as críticas dirigidas a Sócrates já se encontram no primeiro livro da República. (Brisson, PLATON, OEUVRES COMPLÈTES) [[lexico:e:estrutura|estrutura]] dada por Léon Robin à versão francesa da [[lexico:o:obra|obra]] completa de Platão: PLATON : OEUVRES COMPLÈTES, TOME 2 - Prólogo - Clitofon louva a [[lexico:b:beleza|beleza]] dos discursos de Sócrates - O que [[lexico:f:falta|falta]] nos discursos de Sócrates - Epílogo