===== CIVILIZAÇÃO ===== O conjunto dos [[lexico:c:caracteres:start|caracteres]] próprios às sociedades evoluídas. — A [[lexico:n:nocao:start|noção]] de civilização evoca, de saída, certo [[lexico:e:estado:start|Estado]] de [[lexico:t:tecnica:start|técnica]] (distinguem-se as civilizações da idade da pedra, as da idade do ferro e, hoje, as civilizações do carvão, do petróleo, por [[lexico:f:fim:start|fim]] a da idade atômica), em seguida uma certa [[lexico:f:forma:start|forma]] de [[lexico:c:cultura:start|cultura]] (por ex. a civilização grega). À [[lexico:i:imagem:start|imagem]] da [[lexico:p:pessoa:start|pessoa]] humana, a técnica constitui o [[lexico:c:corpo:start|corpo]] de uma civilização, enquanto a cultura representa sua [[lexico:a:alma:start|alma]]. A noção de civilização conserva sempre um [[lexico:s:sentido:start|sentido]] [[lexico:n:normativo:start|normativo]] e [[lexico:u:universal:start|universal]]: o [[lexico:p:progresso:start|progresso]] da civilização implica simultaneamente um progresso da técnica, através do qual o [[lexico:h:homem:start|homem]] se torna senhor da [[lexico:n:natureza:start|natureza]], e um progresso [[lexico:s:social:start|social]] e [[lexico:m:moral:start|moral]] no sentido da emancipação dos povos escravizados, de uma [[lexico:s:sociedade:start|sociedade]] sem guerras e sem classes, e sobretudo no sentido do desaparecimento de países subdesenvolvidos, porque o homem deve primeiro se alimentar antes de consagrar seu [[lexico:t:tempo:start|tempo]] [[lexico:a:a-se:start|a se]] aprimorar. O progresso da civilização [[lexico:n:nao:start|não]] deve [[lexico:s:ser:start|ser]] concebido, no domínio cultural, sob a forma de dominação da cultura europeia sobre as demais culturas (africanas, asiáticas ou americanas), antes sob a forma de "intercâmbios" graças aos quais as individualidades culturais compreendem-se e enriquecem-se mutuamente. (V. cultura.) (in. Civilization; fr. Civilisation; al. Zivilisation; it. Civilta). No [[lexico:u:uso:start|uso]] comum, [[lexico:e:esse:start|esse]] [[lexico:t:termo:start|termo]] designa as formas mais elevadas da [[lexico:v:vida:start|vida]] de um [[lexico:p:povo:start|povo]], isto é, a [[lexico:r:religiao:start|religião]], a [[lexico:a:arte:start|arte]], a [[lexico:c:ciencia:start|ciência]], etc, consideradas como indicadores do [[lexico:g:grau:start|grau]] de [[lexico:f:formacao:start|formação]] humana ou espiritual alcançada pelo povo. Como subordem, fala-se de "civilização da técnica", em cuja [[lexico:e:expressao:start|expressão]] a [[lexico:e:especificacao:start|especificação]] implica que não se trata da "civilização" sem adjetivos. Está claro que essa noção baseia-se na preferência atribuída a certos valores. Em primeiro [[lexico:l:lugar:start|lugar]], privilegiam-se certas formas de [[lexico:a:atividade:start|atividade]] ou de [[lexico:e:experiencia:start|experiência]] humana; em segundo lugar, privilegiam-se os grupos humanos nos quais tais formas de experiência e de atividade são mais favorecidas. Assim, não há [[lexico:d:duvida:start|dúvida]] de que, do [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista da noção acima exposta, a única e verdadeira forma de civilização é a do ocidente cristão, pois foi só entre os povos do ocidente cristão que a religião, a arte e o "[[lexico:s:saber:start|saber]] desinteressado" da ciência gozaram de maior favorecimento, com [[lexico:e:excecao:start|exceção]] de períodos relativamente breves. O [[lexico:h:historicismo:start|historicismo]] relativista e, em [[lexico:p:particular:start|particular]], a [[lexico:o:obra:start|obra]] de [[lexico:s:spengler:start|Spengler]] abalaram o [[lexico:c:complexo:start|complexo]] de certezas em que essa noção se apoiava. Spengler, embora tenha visto na civilização a forma mais elevada e madura de determinada cultura, viu também nela o [[lexico:p:principio:start|princípio]] do seu fim, e mostrou que não há uma cultura só, e que todas nascem, crescem e morrem como organismos vivos. A sua obra deve-se a [[lexico:g:generalizacao:start|generalização]] do [[lexico:c:conceito:start|conceito]] de cultura e, portanto, também de civilização, que seria determinada fase da própria cultura. Com isso, a noção de civilização baseada em determinada [[lexico:h:hierarquia:start|hierarquia]] de valores entrou em crise. Começou-se a usar a [[lexico:p:palavra:start|palavra]] civilização no plural. É o que faz, p. ex., Toynbee, que a contrapôs a "sociedade primitiva", para indicar as sociedades que constituíram ou constituem [[lexico:m:mundos:start|mundos]] culturais relativamente autônomos. Toynbee enumera diferenças puramente extrínsecas entre civilizações e sociedade primitivas. O [[lexico:n:numero:start|número]] das civilizações conhecidas é pequeno; Toynbee enumera 21. O número de sociedades primitivas conhecidas é grande; em 1915 L. T. Hobhouse e outros enumeraram 650. As sociedades primitivas são restritas quanto ao número dos seus membros e à [[lexico:e:extensao:start|extensão]] geográfica e têm vida breve, muitas vezes violentamente truncada. As civilizações, ao contrário, são grandes e duradouras; para resumir, as duas espécies estão entre si como os elefantes estão para os coelhos (Toynbee, Study of History, I, C, III, a). Na [[lexico:r:realidade:start|realidade]], a palavra civilização, assim como a palavra cultura, deve ser ainda mais generalizada em seu [[lexico:s:significado:start|significado]]; e, assim como a cultura foi definida como um "[[lexico:s:sistema:start|sistema]] historicamente derivado de projetos de vida explícitos e implícitos, que tendem a ser partilhados por todos os membros de um [[lexico:g:grupo:start|grupo]] ou por aqueles especialmente qualificados" (R. Linton, The Science of [[lexico:m:man:start|Man]], Nova York, 1952,1. ed., p. 98), também a civilização deve ser definida como o [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] tecnológico-simbólico de determinada cultura. Nesse sentido genérico, os dois termos, civilização e cultura, podem ser aplicados aos povos e aos grupos humanos mais díspares. A civilização constitui, [[lexico:c:como-se:start|como se]] pode dizer, o arsenal, isto é, o conjunto dos instrumentos de que uma cultura dispõe para conservar-se, enfrentar os imprevistos de situações novas e perigosas, [[lexico:s:superar:start|superar]] a crise, renovar-se e progredir. Se uma cultura pode ser entendida (segundo o [[lexico:e:esquema:start|esquema]] de Toynbee) como a "resposta" dada por um grupo de homens ao "desafio" representado pelas condições da realidade biológica [[lexico:f:fisica:start|física]] e social em que se encontram, pode-se dizer que uma "civilização" é o conjunto de armas que uma cultura forja para enfrentar o "desafio". Essas armas são constituídas, em primeiro lugar, pelas técnicas, desde o mais [[lexico:s:simples:start|simples]] e elementar [[lexico:t:trabalho:start|trabalho]] manual até as formas mais complexas das ciências e das artes; e, em segundo lugar, pelas formas simbólicas, isto é, pelo [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]], pela arte, pela [[lexico:m:moralidade:start|moralidade]], pela religião, pela [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]], etc, que condicionam e ao mesmo tempo são condicionadas por essas técnicas. O entrelaçamento e a combinação das técnicas e formas simbólicas (ou espirituais) que, por sua vez, podem ser consideradas outras técnicas, constitui a base das instituições econômicas, jurídicas, políticas, religiosas, educacionais etc, nas quais comumente se pensa quando se [[lexico:f:fala:start|fala]] de civilização Na realidade, o uso científico (isto é, [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]] e neutro) dessa palavra (uso indispensável para o [[lexico:e:estudo:start|estudo]] e a [[lexico:c:compreensao:start|compreensão]] de tantas civilização díspares de que temos [[lexico:m:memoria:start|memória]] histórica e das tantas e diferentes fases que cada uma delas atravessou e atravessa) exige que estejam incluídas no conceito de civilização só as características gerais e formais dos instrumentos que ele designa, prescindindo de qualquer [[lexico:r:referencia:start|referência]] a um sistema de valores (como poderiam ser os da civilização cristã ou ocidental e da civilização islâmica, etc). É preciso, então, em primeiro lugar, não perder de vista a [[lexico:e:eficiencia:start|eficiência]] das armas que uma civilização põe à [[lexico:d:disposicao:start|disposição]] da cultura a que pertence, em vista da sua conservação e do seu progresso. E é claro que, em face das mudanças incessantes nas condições que uma cultura deve enfrentar e em face da imprevisibilidade dessas mudanças, as possibilidades de [[lexico:s:sucesso:start|sucesso]] dos instrumentos técnico-simbólicos, que constituem determinada civilização ou uma de suas fases, não dependem da configuração particular que assumiram nessa fase (ainda que essa configuração tenha permitido grande êxito), mas sim de sua [[lexico:c:capacidade:start|capacidade]] de autocorreção, isto é, da sua capacidade de [[lexico:a:adaptacao:start|adaptação]] a circunstâncias sempre novas e variáveis. Isso significa que as possibilidades de sucesso de tais instrumentos dependem essencialmente das regras metodológicas que prescrevem e dirigem sua adaptação a circunstâncias ou a fatos diversos e díspares, permitindo, cada vez, estruturá-los de [[lexico:m:modo:start|modo]] oportuno em vista de tais circunstâncias ou fatos, de tal forma que sua eficácia permaneça e aumente. Desse ponto de vista, a [[lexico:p:presenca:start|presença]] ativa e [[lexico:a:atuante:start|atuante]], em todos os campos, da [[lexico:m:metodologia:start|metodologia]] da [[lexico:p:pesquisa:start|pesquisa]] científica — no sentido mais lato, que inclui a [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] das limitações ou das insuficiências dessa metodologia em cada fase histórica — é o [[lexico:i:indice:start|índice]] objetivo que mede o grau de civilização, isto é, o poder do arsenal de que uma cultura dispõe para a sua própria conservação e o seu progresso (v. cultura). Noção ambígua (toda noção é ambígua), seu [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]] [[lexico:t:teorico:start|teórico]] parece começar com o [[lexico:i:iluminismo:start|Iluminismo]]. Desde o século XVI aparece na [[lexico:l:lingua:start|língua]] francesa a palavra "civilizado" no sentido de "polido". "Polido" liga-se ao étimo "[[lexico:p:polis:start|polis]]", a [[lexico:c:cidade:start|cidade]]. "O [[lexico:a:adjetivo:start|adjetivo]] ‘civilizado’ e o [[lexico:v:verbo:start|verbo]] ‘civilizar’ evocavam realidades antigas, medievais a rigor, mas fundadas em ambos os casos num [[lexico:m:mundo:start|mundo]] geograficamente limitado, cujo centro era a cidade". Exatamente no mesmo sentido com que [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]] empregava a expressão "o homem é um [[lexico:a:animal:start|animal]] [[lexico:p:politico:start|político]]". Pertencer à cidade implica em aderir à cultura material do grupo social que recorta valorativamente os produtos ideológicos que o homem cria para se [[lexico:e:explicar:start|explicar]] diante do mundo. Desde seu nascimento "civilização" pertence ao [[lexico:p:plano:start|plano]] ideológico. Para o Iluminismo a civilização se tornará em Civilização: [[lexico:u:unico:start|único]] [[lexico:m:modelo:start|modelo]] [[lexico:a:adequado:start|adequado]] de [[lexico:e:existencia:start|existência]] para os povos e [[lexico:r:racionalidade:start|racionalidade]] na fundação da adequacionalidade [[lexico:e:existencial:start|existencial]]. Desde as grandes viagens e conquistas dos séculos XV e XVI o homem ocidental toma consciência da [[lexico:f:forca:start|força]] de sua [[lexico:r:razao:start|razão]]: os selvagens (cujo étimo vem de silva, selva) serão retirados do estado lamentável em que se encontram pela força das armas. Formas de existência distinta, seu [[lexico:c:comportamento:start|comportamento]] será medido numa escala em cujo cume se encontram os [[lexico:c:costumes:start|costumes]], leis e valores da civilização ocidental cristã. Ou seja, Civilização é uma meta e um [[lexico:i:ideal:start|ideal]] a alcançar pelos diversos povos da [[lexico:h:humanidade:start|humanidade]]. Sob a [[lexico:i:influencia:start|influência]] do [[lexico:d:darwinismo:start|darwinismo]], para [[lexico:q:quem:start|quem]] o progresso cultural corresponde à [[lexico:e:evolucao:start|evolução]] orgânica, a [[lexico:a:antropologia:start|antropologia]] se iniciará, pelas teses de seus dois grandes prógonos, na [[lexico:a:afirmacao:start|afirmação]] da supremacia da civilização. Dirá Morgan: "Como é incontestável que partes da [[lexico:f:familia:start|família]] humana viveram num estado de selvajaria, outras num estado de [[lexico:b:barbarie:start|barbárie]] e outras partes ainda num estado de civilização, é igualmente incontestável que estas três condições distintas sejam ligadas uma à outra numa [[lexico:s:sequencia:start|sequência]] de progresso [[lexico:n:natural:start|natural]] tanto como [[lexico:n:necessario:start|necessário]]" (in Ancient Society). E Tylor definirá a [[lexico:t:tarefa:start|tarefa]] dos antropólogos dizendo que eles "são capazes de estabelecer ao menos uma escala grosseira de civilização colocando simplesmente as nações europeias numa extremidade das séries sociais e as tribos selvagens na outra, dispondo o resto da humanidade entre estes dois limites" (in Primitive Culture). Sob a influência do [[lexico:e:evolucionismo:start|evolucionismo]] estabelecia-se uma linha que ia dos primitivos macacos à Civilização. Como dirá ainda hoje Gordon Childe: "Sugerimos que a pré-história é uma continuação da [[lexico:h:historia:start|história]] natural e que existe uma [[lexico:a:analogia:start|analogia]] entre a evolução orgânica e o progresso da cultura". Ele [[lexico:p:proprio:start|próprio]] estabelecerá uma linha ascencional — selvajaria paleolítica, barbárie neolítica, barbárie [[lexico:s:superior:start|superior]], primitiva civilização do bronze, idade primitiva do ferro — onde, pelo próprio [[lexico:m:metodo:start|método]] empregado, a Civilização será o cume e a referência absolutos. Este mesmo modo de [[lexico:p:pensar:start|pensar]] vai levar à confusão de história e civilização ou de civilização e [[lexico:l:logica:start|lógica]] : o [[lexico:i:individuo:start|indivíduo]] só é um ser [[lexico:h:historico:start|histórico]] e [[lexico:l:logico:start|lógico]] de modo pleno quando pertence à nossa Civilização. Quando se leva este escalonamento ideológico às suas últimas consequências, vê-se que ele vai dos primatas ao [[lexico:s:super-homem:start|super-homem]] ariano. Raymond [[lexico:a:aron:start|Aron]] mostra que se pode [[lexico:f:falar:start|falar]] a [[lexico:r:respeito:start|respeito]] de Civilização no exame de três perspectivas fundamentais: de sua [[lexico:o:originalidade:start|originalidade]], de sua [[lexico:c:coerencia:start|coerência]] e do esquema do [[lexico:d:devir:start|devir]]. Ora, este esquema do devir é hoje vetorizado pela articulação das [[lexico:r:relacoes:start|relações]] de produção no plano internacional, o que inclui — ou tende a incluir — todos os grupos sociais existentes no mercado econômico mundial. No plano ideológico existe atualmente uma referência para o [[lexico:j:julgamento:start|julgamento]] do que é mais e menos civilizado: o "progresso" técnico. Ser civilizado, pertencer à polis é pertencer ao mundo tecnológico. E isto marca ao mesmo tempo a originalidade e a coerência da chamada civilização ocidental cristã. Os valores se articulam em tônio da produção social desta civilização tomada como um [[lexico:t:todo:start|todo]] e tendo como eixo a produção no seu nível tecnológico. Os fatos se concretara em torno da importância (para a noção de "importância", que esta tem. O [[lexico:f:fato:start|fato]] só adquire importância em [[lexico:r:relacao:start|relação]] ao recorte cultural realizado pelas forças produtivas. Ambos os níveis, o social o e cultural, colocados no plano do [[lexico:v:vivido:start|vivido]] é que permitirão articular a Civilização. Ou seja, a Civilização é uma noção empírica, ideológica e que não possui nenhum [[lexico:f:fundamento:start|fundamento]] científico. Mas seus valores condicionam o civilizado a pensar de um modo determinado. A noção de progresso é que articula a noção de civilização. [[lexico:l:levi-strauss:start|Lévi-Strauss]] analisa este [[lexico:p:problema:start|problema]] pensando a [[lexico:d:diversidade:start|diversidade]] cultural. Êle diz que as diferenças culturais se danam por afastamento geográfico, propriedades particulares do [[lexico:a:ambiente:start|ambiente]] natural, [[lexico:i:ignorancia:start|ignorância]] das outras culturas e, noutro nível, pelo [[lexico:d:desejo:start|desejo]] de se opor, de se distinguir do [[lexico:o:outro:start|outro]], "d’etre soi". A diversidade das culturas depende menos do isolamento dos grupos que das relações que os unem. Lévi-Strauss se [[lexico:r:recusa:start|recusa]] a [[lexico:v:ver:start|ver]] as culturas dentro de um escalonamento onde uma forma cultural sucedesse à outra. Diz que se podem pensar dois tipos de sociedades: as ‘quentes’ e as ‘frias’. A sociedade que tem uma história estacionária, circular, êle denomina ‘fria’; ela combina poucos [[lexico:e:elementos:start|elementos]] da grande variedade [[lexico:p:possivel:start|possível]] do homem e realiza certos ciclos para voltar ao seu percurso inicial. É vista como mantenedora da [[lexico:o:ordem:start|ordem]], produzindo pouca [[lexico:e:entropia:start|entropia]] e quase nenhum afastamento diferencial. A sociedade ‘quente’ acumula suas conquistas em forma linear, o que dá [[lexico:o:origem:start|origem]] a um desdobramento de formas. Desde que uma sociedade começa a se elaborar numa certa direção, ela produz seus objetos de modo cada vez mais complexo. Esta [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]] de [[lexico:d:diferenciacao:start|diferenciação]] incide inclusive na sociedade e as sociedades quentes são fabricantes de entropia: têm que haver grandes diferenças para que a entropia possa ser canalizada. Na história estacionária das sociedades frias estas teriam pouco contato com as outras sociedades, enquanto as sociedades quentes acumulam suas experiências mutuamente. Lévi-Strauss diz que não há sociedades absolutamente estacionárias: todas acumulam, mas em graus distintos. Pois toda cultura contém em si duas forças contraditórias, uma que tende à unificação e outra que tende à diversificação. Assim, a chamada Civilização não seria um caso único na História, se [[lexico:b:bem:start|Bem]] que a contemporaneidade a viva como tal. O modo de realizar da Civilização é apenas distinto de outras culturas, mas de modo algum "superior". Por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], a arte civilizada não comunica na sociedade — com Picasso ou Stravinsky, por exemplo — enquanto a [[lexico:f:funcao:start|função]] primordial da arte nas chamadas sociedades primitivas seria [[lexico:s:semantica:start|semântica]]. O que seria progresso aqui, se não se tem nenhuma referência para julgá-lo? Como dizer que há progresso no desenvolvimento tecnológico quando este é acompanhado da intensificação da exploração do homem pelo homem? Onde se poderia aplicar então a noção de progresso? "Nem em Race et Histoire, nem em Tristes Tropiques, procurei destruir a [[lexico:i:ideia:start|ideia]] de progresso, mas antes procurei fazê-la passar do grau de [[lexico:c:categoria:start|categoria]] universal do desenvolvimento [[lexico:h:humano:start|humano]] ao do modo particular de existência próprio à nossa sociedade (e talvez a algumas outras) quando ela experimenta se auto-pensar". O conceito de Civilização só poderia, segundo Lévi-Strauss, ser pensado internamente à própria cultura que o elabora, ou seja, acompanhando a evolução dos diversos traços culturais. Mas a [[lexico:c:critica:start|crítica]] de Lévi-Strauss é ainda insuficiente. Pois aborda o conceito de cultura já realizada e tenta pensar a cultura em sua [[lexico:d:dicotomia:start|dicotomia]] com a sociedade. No plano do [[lexico:s:simbolico:start|simbólico]] pode-se mostrar que há uma [[lexico:a:autonomia:start|autonomia]] relativa dos sistemas chamados "culturais" mas no plano social, isto é, onde a cultura se manifesta a articulação é dada pela [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] das relações de produção. Aqui, cultura e sociedade são inseparáveis. E a chamada Civilização não existe unicamente no plano cultural (para [[lexico:a:analise:start|análise]] mais [[lexico:s:sistematica:start|sistemática]]. (Chaim Katz - [[lexico:d:dcc:start|DCC]]). {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}