===== CIÊNCIAS E FILOSOFIA ===== E se nos perguntarmos por que as diferentes ciências se desprenderam da [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]], encontramos o seguinte: que uma [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] se desprendeu do velho tronco da filosofia quando conseguiu circunscrever um pedaço no imenso âmbito da [[lexico:r:realidade:start|realidade]], defini-lo perfeitamente e dedicar exclusivamente sua [[lexico:a:atencao:start|atenção]] a essa [[lexico:p:parte:start|parte]], a [[lexico:e:esse:start|esse]] [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] da realidade. Assim, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], pertencem à realidade o [[lexico:n:numero:start|número]] e a [[lexico:f:figura:start|figura]]. As [[lexico:c:coisas:start|coisas]] são duas, três, [[lexico:q:quatro:start|Quatro]], cinco, seis, mil ou duas mil; coisas são triângulos, quadrados, esferas. Mas desde o [[lexico:m:momento:start|momento]] em que se separa o "[[lexico:s:ser:start|ser]] número", ou o "ser figura", dos objetos que o são, e se convertem a numerosidade e a figura (independentemente do [[lexico:o:objeto:start|objeto]] em [[lexico:q:questao:start|questão]]) em termos do [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]]; quando se circunscreve este pedaço de realidade e se consagra atenção especial a ela, ficam constituídas as matemáticas como uma ciência [[lexico:i:independente:start|independente]] e se separam da filosofia. Se depois [[lexico:o:outro:start|outro]] pedaço da realidade, como são, por exemplo, todos os corpos materiais em suas [[lexico:r:relacoes:start|relações]] recíprocas, se destacam como um objeto preciso de [[lexico:p:pesquisa:start|pesquisa]], então se constitui a ciência [[lexico:f:fisica:start|física]]. Quando os corpos, em sua [[lexico:c:constituicao:start|constituição]] íntima, em sua [[lexico:s:sintese:start|síntese]] de [[lexico:e:elementos:start|elementos]], se destacam também como objetos de pesquisa, constitui-se a química. Quando a [[lexico:v:vida:start|vida]] dos seres viventes, animais e plantas, se circunscreve e se separa do resto das coisas que são, e sobre ela se lança o [[lexico:e:estudo:start|estudo]] e o olhar, então se constitui a [[lexico:b:biologia:start|biologia]]. O que aconteceu? Pois aconteceu que grandes setores do ser em [[lexico:g:geral:start|geral]], grandes setores da realidade, constituíram-se em províncias. E por que se constituíram em províncias? Pois precisamente porque prescindiram do resto; porque deliberadamente se especializaram; porque deliberadamente renunciaram a [[lexico:t:ter:start|ter]] o [[lexico:c:carater:start|caráter]] de objetos totais, isto é, que uma ciência deixa a filosofia quando renuncia a considerar seu objeto de um [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista [[lexico:u:universal:start|universal]] e totalitário. A [[lexico:o:ontologia:start|ontologia]] [[lexico:n:nao:start|não]] recorta na realidade um pedaço para estudá-lo, ela sozinha, esquecendo o demais, mas antes tem por objeto a [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]] do ser. A [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]] [[lexico:f:forma:start|forma]] também parte da ontologia. A [[lexico:t:teoria-do-conhecimento:start|teoria do conhecimento]] refere-se a [[lexico:t:todo:start|todo]] [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] de todo ser. Assim, pois se [[lexico:a:agora:start|agora]] fazemos uma pequena pausa, nos detemos em nosso [[lexico:c:caminho:start|caminho]] e realizamos o que dizia no [[lexico:c:comeco:start|começo]], ou seja uma tentativa de [[lexico:d:definicao:start|definição]], embora rápida, da filosofia, poderíamos dizer o seguinte, (e agora o diremos com plena [[lexico:v:vivencia:start|vivência]]): a filosofia é a ciência dos objetos do ponto de vista da totalidade, enquanto que as ciências particulares são os setores parciais do ser, províncias recortadas dentro do continente total do ser. A filosofia será, pois, nesse primeiro esboço de definição — seguramente [[lexico:f:falso:start|falso]], seguramente esquemático, mas que para nós agora tem [[lexico:s:sentido:start|sentido]] — a [[lexico:d:disciplina:start|disciplina]] que considera o seu objeto sempre do ponto de vista universal e totalitário. Enquanto que qualquer outra disciplina, que não seja a filosofia, o considera de um ponto de vista parcial e derivado. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}