===== CIÊNCIAS DO ESPÍRITO ===== As [[lexico:c:ciencias-do-espirito|ciências do espírito]] contrapõem-se, principalmente desde [[lexico:d:dilthey|Dilthey]], às ciências da [[lexico:n:natureza|natureza]] ([[lexico:c:ciencia-natural|ciência natural]]); ambas em conjunto formam o domínio total das ciências da [[lexico:e:experiencia|experiência]], Como o seu [[lexico:n:nome|nome]] indica, diferenciam-se consoante os domínios de [[lexico:r:realidade|realidade]] pesquisados, [[lexico:b:bem|Bem]] como segundo os modos de os considerar ou métodos nelas implicados. A [[lexico:c:ciencia|ciência]] [[lexico:n:natural|natural]] prescinde da peculiaridade individual e ocupa-se com o [[lexico:u:universal|universal]], isto é, com as enunciações e leis aplicáveis de [[lexico:m:modo|modo]] igualmente válido a muitos indivíduos e processos particulares. Seu modo de proceder baseia-se em que a [[lexico:c:coisa|coisa]] natural [[lexico:s:singular|singular]] [[lexico:n:nao|não]] possui qualquer marca peculiar individual, mas representa unicamente sua [[lexico:e:especie|espécie]] em constante [[lexico:r:repeticao|repetição]] do mesmo. Sendo reiterável e substituível à discrição, é [[lexico:o:objeto|objeto]] de [[lexico:i:investigacao|investigação]] só enquanto [[lexico:s:sujeito|sujeito]] de sua espécie (não enquanto este [[lexico:i:individuo|indivíduo]]). Como os indivíduos se parecem exatamente, a [[lexico:s:serie|série]] deles não constitui propriamente um [[lexico:d:devir|devir]] [[lexico:h:historico|histórico]], mas apenas uma [[lexico:s:simples|simples]] reiteração indiferenciada e a-histórica na [[lexico:c:coexistencia|coexistência]] e [[lexico:s:sucessao|sucessão]] espacial e [[lexico:t:temporal|temporal]]. Por detrás encontra-se a [[lexico:n:necessidade|necessidade]] natural que tudo fixa, de modo [[lexico:u:univoco|unívoco]] e invariável, segundo a [[lexico:l:lei|lei]] que diz: [[lexico:c:causas|causas]] iguais produzem sempre efeitos iguais; por isso a ciência natural tem em mira a [[lexico:e:explicacao|explicação]] causal ([[lexico:e:explicar|explicar]]). No pólo oposto, delineia-se a ciência do [[lexico:e:espirito|espírito]] em sua [[lexico:e:essencia|essência]]. Ocupa-se dos vários aspectos da [[lexico:v:vida|vida]] espiritual e de suas objetivações; pelo que, apresenta-se, p. ex., como ciência da [[lexico:l:linguagem|linguagem]], da [[lexico:a:arte|arte]] ou da [[lexico:r:religiao|religião]]. Fala-se também de ciências da [[lexico:c:cultura|cultura]] ou ciências culturais, porque o [[lexico:h:homem|homem]] com sua [[lexico:a:atividade|atividade]] criadora espiritual vai necessariamente aperfeiçoando [[lexico:o:o-que-e|o que é]] [[lexico:d:dado|dado]] na natureza; seu [[lexico:a:ato|ato]] criativo é já em si cultura e produz [[lexico:b:bens|bens]] objetivos culturais. Por tal [[lexico:f:forma|forma]] se rompe o quadro do naturalmente [[lexico:n:necessario|necessário]], obtendo-se um [[lexico:v:verdadeiro|verdadeiro]] devir histórico; a vida do espírito, a atividade espiritual criadora da cultura desenvolve-se numa forma essencialmente histórica. Assim as ciências do espírito movem-se no âmbito da [[lexico:h:historia|história]], podendo afirmar-se que se empenham na [[lexico:t:tarefa|tarefa]] de [[lexico:c:compreender|compreender]] a história bem como o que nesta se tem realizado. A história não trata da [[lexico:g:guerra|guerra]] ou do general em [[lexico:g:geral|geral]], mas, p. ex., da guerra gaulesa e do general César. A [[lexico:r:reflexao|reflexão]] aplica-se, portanto, imediatamente ao [[lexico:c:concreto|concreto]], ao singular, considerando-o justamente em sua peculiaridade única, irrepetível. Encontra-se já aqui o [[lexico:p:principio|princípio]] seletivo, segundo o qual a [[lexico:a:atencao|atenção]] fixa-se naqueles homens, grupos, acontecimentos e feituras, que realmente representam algo de novo, de irrepetível, que contribuem de maneira [[lexico:e:essencial|essencial]] para o [[lexico:d:desenvolvimento|desenvolvimento]] da [[lexico:h:humanidade|humanidade]] global e que, desse modo, exercem profunda [[lexico:i:influencia|influência]] sobre os contemporâneos e a posteridade. Tal [[lexico:s:selecao|seleção]] é [[lexico:p:possivel|possível]], porque neste caso os indivíduos, a despeito de sua [[lexico:n:natureza-humana|natureza humana]] comum, não são inteiramente iguais uns aos outros, senão que, mercê da [[lexico:f:forca-criadora|força criadora]] e da [[lexico:l:liberdade|liberdade]] do espírito, são capazes de elaborar e de imprimir um cunho [[lexico:p:proprio|próprio]]. Como este não se fixa de modo unívoco e causal, não basta, neste domínio, a explicação pelas causas, mas surge como [[lexico:u:unico|único]] [[lexico:m:metodo|método]] [[lexico:a:adequado|adequado]] a [[lexico:c:compreensao|compreensão]] (compreender). A [[lexico:d:diferenca|diferença]] entre ciências do espírito e ciências da natureza é poderoso [[lexico:t:testemunho|testemunho]] em abono da peculiaridade do espírito em frente de tudo o que pertence à [[lexico:o:ordem|ordem]] natural. Todavia a [[lexico:o:orientacao|orientação]] para o individual e concreto conduzia já em Dilthey, e também noutros autores posteriores, a um certo [[lexico:r:relativismo|relativismo]]. — Lotz.