===== CIÊNCIA DAS RELIGIÕES ===== A [[lexico:c:ciencia-das-religioes|ciência das religiões]], como [[lexico:d:disciplina|disciplina]] autônoma, tendo por [[lexico:o:objeto|objeto]] a [[lexico:a:analise|análise]] dos [[lexico:e:elementos|elementos]] comuns das diversas religiões afim de decifrar-lhes as leis de [[lexico:e:evolucao|evolução]] e, sobretudo, precisar a [[lexico:o:origem|origem]] e a [[lexico:f:forma|forma]] primeira da [[lexico:r:religiao|religião]], é uma [[lexico:c:ciencia|ciência]] muito recente (data do século XIX), e sua fundação quase coincidiu com a da ciência da [[lexico:l:linguagem|linguagem]]. Max Müller impôs a [[lexico:e:expressao|expressão]] “ciência das religiões” ou “ciência comparada das religiões” ao utilizá-la no prefácio do primeiro volume de sua [[lexico:o:obra|obra]] Chips from a German Worshop (Londres, 1867). É certo que o [[lexico:t:termo|termo]] fora empregado esporadicamente antes (em 1852, pelo padre Prosper Leblanc; em 1858 por F. Stiefelhagen etc.), mas [[lexico:n:nao|não]] no [[lexico:s:sentido|sentido]] rigoroso que Max Müller lhe deu e que, desde então, passou a [[lexico:s:ser|ser]] amplamente adotado. A primeira cátedra universitária de [[lexico:h:historia|história]] das religiões foi criada em Genebra no ano de 1873; em 1876, fundaram-se [[lexico:q:quatro|Quatro]] na Holanda. Em 1879, o Collége de France, em Paris, criou também uma cátedra para a disciplina, seguido em 1885 pela École des Hautes Études da [[lexico:s:sorbonne|Sorbonne]], que organizou uma seção especial destinada às ciências religiosas. Na Universidade Livre de Bruxelas, a cadeira,foi instituída em 1884. Em 1910, seguiu se a Alemanha, com a primeira cátedra em Berlim, depois em Leipzig e em Bonn. Os outros países europeus acompanharam o [[lexico:m:movimento|movimento]]. Em 1880, Vernes fundava em Paris a Révue de l’Histoire des Religions; em 1898, o dr. Achelis publicava o Archiv für Religionswissenschaft, em Friburg Brisgau; em 1905, Wilhelm Schmidt iniciava em St. Gabriel Módling, perto de Viena, a revista [[lexico:a:anthropos|anthropos]], consagrada sobretudo às religiões primitivas; em 1925 surge Studi e Materiali di Storia delle Religioni, de R. Pettazzoni. O primeiro Congresso Internacional de Ciência das Religiões aconteceu em Estocolmo, em 1897. Em 1900 teve [[lexico:l:lugar|lugar]], em Paris, o Congresso de História das Religiões, assim denominado por excluir dos seus trabalhos a [[lexico:f:filosofia-da-religiao|filosofia da religião]] e a [[lexico:t:teologia|teologia]]. O oitavo congresso internacional foi realizado em Roma, em 1955. Pouco a pouco multiplicaram-se as bibliografias, os dicionários, as enciclopédias, as publicações das fontes. Assinalemos sobretudo a Encyclopaedia of Religion and Ethics (13 volumes, Edimburgo. 1908-1923), publicada sob a direção de J. Hastings; Die Religion in [[lexico:g:geschichte|Geschichte]] und Gegenwart. Handwörterbuch für Theologie und Religionswissenschaft (5 volumes, Tübingen, 1909-1913); Religionsgeschichtliche Lesebuch, organizado por A. Bertholet (Tübingen, 1908 e seg.; 2ª ed., 1926 e seg.): Textbuch zur Religionsgeschichte, organizado por Ed. Lehmann (Leipzig, 1912) e, depois, por Ed. Lehmann e H. Haas; Fontes Historiae Religionun ex auctoribus graecis et latinis, organizadas por C. Clemen (Bonn, 1920 e seg.); Bilderatlas zur Religionsgeschichte, por H. Haas e colaboradores (Leipzig, 1924). Mas se a ciência das religiões, como disciplina autônoma, só teve início no século XIX, o [[lexico:i:interesse|interesse]] pela história das religiões remonta a um passado muito mais distante. Podemos localizar sua primeira [[lexico:m:manifestacao|manifestação]] na [[lexico:g:grecia|Grécia]] clássica, sobretudo a partir do século V. [[lexico:e:esse|esse]] interesse manifesta se. por um lado, nas descrições dos cultos estrangeiros e nas comparações com os fatos religiosos nacionais – intercaladas nos relatos de viagens – e, por [[lexico:o:outro|outro]] lado, na [[lexico:c:critica|crítica]] filosófica da religião tradicional. Heródoto (c. 484 c. 425 a.C.), já apresentava descrições admiravelmente exatas de algumas religiões exóticas e bárbaras (Egito, Pérsia. Trácia, Cítia etc.), e chegou até mesmo a propor [[lexico:h:hipoteses|hipóteses]] acerca de suas [[lexico:o:origens|origens]] e [[lexico:r:relacoes|relações]] com os cultos e as mitologias da Grécia. Os pensadores [[lexico:p:pre-socraticos|pré-socráticos]], interrogando se sobre a [[lexico:n:natureza|natureza]] dos [[lexico:d:deuses|deuses]] e o [[lexico:v:valor|valor]] dos mitos, fundaram a crítica racionalista da religião. Assim, por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], para [[lexico:p:parmenides|Parmênides]] (nascido por volta de 520) e [[lexico:e:empedocles|Empédocles]] (c. 495-435). os deuses eram a personificação das forças da Natureza. [[lexico:d:democrito|Demócrito]] (c. 460-70), por sua vez, parece [[lexico:t:ter|ter]] se interessado singularmente pelas religiões estrangeiras, que, aliás, conhecia de [[lexico:f:fonte|fonte]] direta em [[lexico:v:virtude|virtude]] de suas numerosas viagens: atribui se a ele, também, um livro Sobre as inscrições sagradas da Babilônia, as Narrativas caldeias e Narrativas frigias. [[lexico:p:platao|Platão]] (429-347) utilizava frequentemente comparações com as religiões dos bárbaros. Quanto a [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]] (384 322), foi o primeiro a formular, de maneira [[lexico:s:sistematica|sistemática]], a [[lexico:t:teoria|teoria]] da degenerescência religiosa da [[lexico:h:humanidade|humanidade]] (Metafisica, XIL, capítulo 7), [[lexico:i:ideia|ideia]] que,foi retomada várias vezes posteriormente. [[lexico:t:teofrasto|Teofrasto]] (372 287). que sucedeu a Aristóteles na direção do [[lexico:l:liceu|Liceu]], pode ser considerado o primeiro historiador [[lexico:g:grego|grego]] das religiões: segundo Diógenes Laércio (V. 48), Teofrasto compôs uma história das religiões em seis livros.