===== CIBERNÉTICA ===== Literalmente "[[lexico:a:arte:start|arte]] de governar" (do gr. kubernêtês, piloto). — Esta [[lexico:p:palavra:start|palavra]] teve [[lexico:s:sorte:start|sorte]] muito variável. Inaugurada por [[lexico:p:platao:start|Platão]] em seus [[lexico:d:dialogos:start|Diálogos]], proposta sem êxito por Ampère, em 1834, em sua [[lexico:c:classificacao-das-ciencias:start|Classificação das ciências]], foi reencontrada nos últimos anos e tomou [[lexico:i:impulso:start|impulso]] quando foi associada às pesquisas sobre as máquinas de auto-regulação, dotadas de "pseudocérebros", capazes de governar de algum [[lexico:m:modo:start|modo]] seus trabalhos (pilotagem automática de aviões, sistemas de detecção que permitem aos foguetes se orientarem eles mesmos em direção a seus objetivos etc). A expansão rápida desta [[lexico:c:ciencia:start|ciência]], verdadeira "encruzilhada das ciências", conseguiu inquietar certos [[lexico:e:espiritos:start|espíritos]], por razões teológicas e morais, como também inspiradas pelo [[lexico:m:mito:start|mito]] do "aprendiz de feiticeiro": o [[lexico:p:problema:start|problema]] [[lexico:g:geral:start|geral]] colocado pela cibernética é o se [[lexico:s:saber:start|saber]] se é [[lexico:p:possivel:start|possível]] "[[lexico:c:criar:start|criar]] [[lexico:i:inteligencia:start|inteligência]]" com máquinas, se as máquinas [[lexico:n:nao:start|não]] podem [[lexico:s:ser:start|ser]] dotadas de [[lexico:e:espirito:start|espírito]] inventivo que lhes conferiria uma certa [[lexico:a:autonomia:start|autonomia]] em [[lexico:r:relacao:start|relação]] ao [[lexico:h:homem:start|homem]] e o poder de escapar ao seu controle. Na [[lexico:v:verdade:start|verdade]], é uma [[lexico:e:evidencia:start|evidência]] que jamais se encontrará "mais" inteligência numa [[lexico:m:maquina:start|máquina]] do que no cérebro que foi o autor da máquina, e que a inteligência de uma máquina é apenas o [[lexico:p:produto:start|produto]] da inteligência humana. Deve-se ler o livro de Ruyer sobre a cibernética. Desenvolvida a partir da década de quarenta, por uma equipe de pesquisadores especializados em diversas áreas não-intercomunicáveis (como a matemática, a medicina, a física, a neurologia e a economia), mas tendo como [[lexico:f:figura:start|figura]] central o matemático Norbert Wiener, a [[lexico:h:historia:start|história]] da cibernética se confunde à história da [[lexico:t:teoria-da-informacao:start|teoria da informação]], da [[lexico:p:pesquisa:start|pesquisa]] operacional e da [[lexico:t:teoria-dos-jogos:start|teoria dos jogos]]. "Cibernética" vem do [[lexico:g:grego:start|grego]] ho kubernétes, "o timoneiro". O timoneiro é aquele que controla e guia o navio. A cibernética se propõe a ser o [[lexico:e:estudo:start|estudo]] do controle e da [[lexico:c:comunicacao:start|comunicação]] no [[lexico:a:animal:start|animal]] e na máquina. A cibernética resultou (como a pesquisa operacional) de um [[lexico:e:esforco:start|esforço]] de [[lexico:s:sintese:start|síntese]] em áreas ainda não mapeadas pelas diversas disciplinas científicas. Seu [[lexico:m:metodo:start|método]] de ataque do problema (ainda em [[lexico:a:analogia:start|analogia]] à pesquisa operacional) é o da "[[lexico:u:uniao:start|união]] pela equipe", antes de ser o da união de áreas, aparentemente afastadas, através de uma [[lexico:v:visao:start|visão]] básica unificadora. A [[lexico:n:nocao:start|noção]] central à cibernética será a noção de [[lexico:m:modelo:start|modelo]] cibernético; o modelo cibernético é uma construção [[lexico:f:formal:start|formal]] que reconhecidamente simplifica certos aspectos evidentes da "[[lexico:r:realidade:start|realidade]]" que pretende descrever, mas cujo [[lexico:f:formalismo:start|formalismo]] é suficientemente rico para mostrar analogias com as outras áreas sendo pesquisadas. O modelo cibernético não pretende "esgotar a realidade", como todos os modelos científicos até então apresentados (a [[lexico:t:teoria-da-relatividade:start|teoria da relatividade]], por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], pretende muito explicita’ [[lexico:m:mente:start|mente]] revelar a "[[lexico:e:essencia:start|essência]] íntima" do [[lexico:m:mundo:start|mundo]] [[lexico:f:fisico:start|físico]]; a mesma [[lexico:s:situacao:start|situação]] e pretensão "ocorre com todas as outras teorias da [[lexico:f:fisica:start|física]] antes e depois da [[lexico:r:relatividade:start|relatividade]]). O modelo cibernético conscientemente se diz como não estando referido a uma "essência" do [[lexico:f:fenomeno:start|fenômeno]]; seu [[lexico:i:interesse:start|interesse]] se limita aos "traços marcantes" que o fenômeno apresenta. Como é feita a [[lexico:d:determinacao:start|determinação]] destes "traços marcantes"? Situação análoga à que ocorre com a cibernética existe na pesquisa operacional. O método do pesquisador operacional consiste em "intujr" uma [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] formal numa realidade confusa (poder encaixar na [[lexico:t:teoria:start|teoria]] dos jogos o programa de vendas de uma grande loja, por exemplo). Na cibernética, esta [[lexico:i:intuicao:start|intuição]] [[lexico:p:pessoal:start|pessoal]] é substituída por uma [[lexico:t:tecnica:start|técnica]] [[lexico:m:matematica:start|matemática]], a teoria das séries temporais. Uma [[lexico:s:serie:start|série]] [[lexico:t:temporal:start|temporal]] é, por exemplo, a [[lexico:s:sucessao:start|sucessão]] dos preços das [[lexico:a:acoes:start|ações]] durante dez anos, ou as transformações pelas quais passaram os fonemas de uma [[lexico:l:lingua:start|língua]] em dez séculos, ou dados sobre a [[lexico:e:evolucao:start|evolução]] de uma [[lexico:c:cultura:start|cultura]] de bactérias durante uma semana. Uma série temporal é uma sucessão de números ao longo do [[lexico:t:tempo:start|tempo]]; a teoria das séries temporais pretende determinar certas estruturas matemáticas de um fenômeno através do estudo das séries temporais a êle associadas. Estas estruturas nos servirão para "prever" o [[lexico:c:comportamento:start|comportamento]] [[lexico:f:futuro:start|futuro]] do fenômeno, dentro de certas limitações estatísticas. O tratamento estatístico básico à cibernética tem grandes vantagens. Na pesquisa operacional, se o fenômeno deixa de se comportar segundo o modelo que para êle construímos, o [[lexico:p:processo:start|processo]] correspondente se torna incontrolável. Na cibernética, o controle é possível através da noção de [[lexico:f:feedback:start|feedback]] O dispositivo de feedback não trabalha com o fenômeno em si; o feedback trabalha com o [[lexico:e:erro:start|erro]] que esteja revelando, no [[lexico:m:momento:start|momento]], o [[lexico:d:desvio:start|desvio]]. O dispositivo de feedback, controlando o processo, faz com que este se reajuste e se reenquadre no modelo desejado. Este método é (em [[lexico:t:tese:start|tese]]) aplicável tanto ao controle da temperatura num forno (onde variações’ de [[lexico:q:qualidade:start|qualidade]] no combustível provocam varaições na temperatura) quanto ao controle de mudanças em certas variáveis macroeconômicas num país. Utilizando esta [[lexico:m:metodologia:start|metodologia]] básica, a cibernética se apresenta como sendo a primeira tentativa de analisar o problema do comportamento do ser vivo com a [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]] das ciências exatas. Para Wiener, o animal é um sêr que pode ser "modelado" pela noção de "[[lexico:d:demonio:start|demônio]] de Maxwell". O demônio de Maxwell é um ser estatístico; é uma construção (imaginária) que age sempre no [[lexico:s:sentido:start|sentido]] de anular o [[lexico:a:aumento:start|aumento]] da [[lexico:e:entropia:start|entropia]] do [[lexico:u:universo:start|universo]], ou seja, que age sempre no sentido de anular o aumento da "[[lexico:d:desordem:start|desordem]]" [[lexico:u:universal:start|universal]]. O animal, o ser vivo, é um ser informativo, um ser organizador; mas para Wiener, sua [[lexico:a:atividade:start|atividade]] enquanto "[[lexico:o:organismo:start|organismo]]" está irremediavelmente condenada — a [[lexico:v:vida:start|vida]] é um [[lexico:s:simples:start|simples]] [[lexico:e:estado:start|Estado]] metaestável da [[lexico:m:materia:start|matéria]], que o avanço da entropia eventualmente destruirá. A melhor introdução à cibernética ainda é o [[lexico:p:proprio:start|próprio]] livro de Wiener, Cybernetics for Control and Communication in the Animal and the Machine. (Francisco Doria - [[lexico:d:dcc:start|DCC]]) (in. Cybernetics). Essa palavra significa propriamente arte do piloto, mas foi usada pelo americano Wiener para designar "o estudo das comunicações e, em [[lexico:p:particular:start|particular]], das comunicações que exercem controle [[lexico:e:efetivo:start|efetivo]], com vistas à construção das máquinas calculadoras" (cibernética, or Control and Communication in the Animal and the Machine, 1947). Em sentido mais geral, a cibernética é entendida hoje como o estudo de "todas as máquinas possíveis", independentemente do [[lexico:f:fato:start|fato]] de que algumas delas tenham ou não sido produzidas pelo homem ou pela [[lexico:n:natureza:start|natureza]]. E, nesse sentido, oferece o [[lexico:e:esquema:start|esquema]] no qual todas as máquinas podem ser ordenadas, relacionadas e compreendidas (cf., p. ex., W. Ross Ashby, An Introduction to cibernética, 1957). No entanto, as máquinas de que a cibernética cuida são os autômatos, ou seja, as que são capazes de realizar operações que, durante a execução, podem ser corrigidas, de tal modo que cumpram melhor seu [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]]. Essa correção chama-se retroalimentação (feedback). Como essa é a [[lexico:c:caracteristica:start|característica]] fundamental das operações realizadas pelo homem ou por qualquer ser inteligente, essas máquinas também são chamadas de inteligentes ou de cérebros eletrônicos, já que seu funcionamento se deve às propriedades físicas do elétron. O esquema desse funcionamento pode ser percebido nas operações mais simples feita por um ser [[lexico:h:humano:start|humano]]. Se, ao [[lexico:v:ver:start|ver]] um [[lexico:o:objeto:start|objeto]] em certa direção (ou seja, ao receber dele uma [[lexico:m:mensagem:start|mensagem]] visual), [[lexico:e:eu:start|eu]] estendo o braço para pegá-lo e erro a direção ou a distância, logo a informação desse erro retifica o [[lexico:m:movimento:start|movimento]] de meu braço e permite que eu o dirija exatamente para o objeto: tanto a [[lexico:o:operacao:start|operação]] quanto a correção da operação, neste caso, são guiadas por mensagens, ou seja, por informações recebidas ou transmitidas pelo [[lexico:s:sistema:start|sistema]] nervoso que dirige o movimento do braço. Por isso, a teoria da informação é [[lexico:p:parte:start|parte]] integrante da cibernética ou, de qualquer modo, está estreitamente ligada a ela. Na cibernética também podem ser distinguidos os seguintes aspectos: 1) esquema geral da informação; 2) [[lexico:m:medida:start|medida]] da [[lexico:q:quantidade:start|quantidade]] de informações; 3) condições que possibilitam a informação; 4) objetivos da informação. 1) O esquema de qualquer informação parece ser constituído, essencialmente, por três [[lexico:e:elementos:start|elementos]]: a mensagem emitida, a transmissão e a mensagem recebida. Mas, na realidade, as [[lexico:c:coisas:start|coisas]] são [[lexico:b:bem:start|Bem]] mais complicadas, porque a mensagem emitida (p. ex., uma [[lexico:f:frase:start|frase]] pronunciada em italiano ou o conjunto de pontos e linhas que constituem uma mensagem telegráfica) já é a [[lexico:e:expressao:start|expressão]], a [[lexico:t:traducao:start|tradução]] ou, como também se diz, a [[lexico:c:codificacao:start|codificação]] daquilo que [[lexico:q:quem:start|quem]] emite (emissor) pretende transmitir. Por [[lexico:o:outro:start|outro]] lado, a mensagem recebida deve ser entendida, ou seja, retraduzida ou descodificada, para ser registrada pelo [[lexico:r:receptor:start|receptor]] e guiar sua [[lexico:c:conduta:start|conduta]]. Assim, a mensagem telegráfica transmitida por [[lexico:m:meio:start|meio]] da comunicação de pontos e linhas deve ser descoficada ou retraduzida em [[lexico:p:palavras:start|palavras]], a frase em italiano deve ser entendida segundo as regras e o vocabulário da língua italiana, ou a mensagem não dará nenhuma informação a quem não sabe italiano. Em todas essas passagens, são possíveis equívocos, erros de emissão, de transmissão, de codificação e de descodificação, bem como perturbações várias, devidas à interferência de ruídos ou de outros fatores mecânicos. 2) Foi esta última [[lexico:o:observacao:start|observação]] que deu ensejo à teoria matemática da informação com um [[lexico:t:teorema:start|teorema]] proposto por C. E. Shannon, em 1948 (cf. Shannon e Weaver, The Mathematical Theory of Communications, 1949). Shannon observou que uma mensagem enviada através de um [[lexico:c:canal:start|canal]] qualquer sofre deformações diversas durante a transmissão, [[lexico:r:razao:start|razão]] pela qual, ao chegar, uma parte das informações que continha já está perdida. Estabeleceu, assim, a analogia entre essa [[lexico:p:perda:start|perda]] e a entropia, [[lexico:f:funcao:start|função]] matemática que, com base no segundo [[lexico:p:principio:start|princípio]] da termodinâmica, exprime a degradação de [[lexico:e:energia:start|energia]] que se verifica em qualquer [[lexico:t:transformacao:start|transformação]] do [[lexico:t:trabalho:start|trabalho]] [[lexico:m:mecanico:start|mecânico]] em calor, ao passo que a transformação inversa (do calor em trabalho mecânico) nunca é completa. Com base nessa analogia, a quantidade de informações transmitida pode ser calculada como entropia negativa, já que, na transmissão das mensagens, assim como na transformação da energia, a entropia negativa decresce continuamente porque a positiva (perda de informações ou degradação de energia) cresce continuamente. Com base nessa analogia, o [[lexico:c:calculo:start|cálculo]] das probabilidades utilizado pela termodinâmica pode ser empregado como [[lexico:i:instrumento:start|instrumento]] muito oportuno para determinar as fórmulas com que a medida da quantidade de informações pode ser expressa em cada caso, cujas variações dependem do [[lexico:n:numero:start|número]] e da frequência dos [[lexico:s:simbolos:start|símbolos]] utilizados, de sua [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] de combinação, da interferência dos fatores de perturbação na transmissão dos símbolos e assim por diante. Neste [[lexico:u:ultimo:start|último]] caso, tomam-se em consideração os símbolos chamados redundantes, cuja [[lexico:f:finalidade:start|finalidade]] é prever e corrigir os erros da transmissão antes que ocorram, de tal modo que o funcionamento da transmissão seja corrigido antecipadamente pela [[lexico:p:previsao:start|previsão]] das perturbações, com o processo da retroalimentação. De modo geral, pode-se dizer que, quanto mais improvável é a mensagem, maior é a informação que ela transmite. Por isso, tem-se a quantidade mínima de informação quando esta permite apenas uma [[lexico:e:escolha:start|escolha]] entre duas possibilidades igualmente prováveis. Essa quantidade mínima foi assumida como [[lexico:u:unidade:start|unidade]] de medida da informação e chamada de [[lexico:b:bit:start|bit]] (abreviação da expressão inglesa binary digit = [[lexico:c:cifra:start|cifra]] binaria). 3) O [[lexico:c:conceito:start|conceito]] e o cálculo da informação situam-se no domínio da [[lexico:p:probabilidade:start|probabilidade]]. Isso quer dizer que a informação só é possível num mundo que não é necessariamente ordenado nem necessariamente desordenado. Num mundo necessariamente ordenado, tudo seria infalivelmente previsível e a informação seria inútil. Num mundo necessariamente desordenado, ou seja, [[lexico:p:puro:start|puro]] fruto do [[lexico:a:acaso:start|acaso]], nenhuma [[lexico:o:ordem:start|ordem]] seria possível e, portanto, nenhuma informação seria transmissível. A informação transmite determinada ordem de símbolos e a medida da informação é a medida de uma ordem. Por exemplo, uma mensagem telegráfica consiste em certa combinação de pontos e linhas que, para comunicar uma informação, tem uma ordem determinada, escolhida entre as inúmeras ordens possibilitadas pelo [[lexico:a:alfabeto:start|alfabeto]] Morse. A medida de informação é dada, [[lexico:c:como-se:start|como se]] viu, pela entropia negativa, ou seja, por uma função que exprime a [[lexico:d:diminuicao:start|diminuição]] da entropia, que é a desordem (ou seja, a [[lexico:d:distribuicao:start|distribuição]] casual) dos elementos de um sistema qualquer. Portanto, as condições da cibernética, ou seja, do [[lexico:u:uso:start|uso]] [[lexico:t:teorico:start|teórico]] e [[lexico:p:pratico:start|prático]] da teoria da informação, podem ser recapituladas do seguinte modo: a) A [[lexico:n:negacao:start|negação]] de qualquer [[lexico:t:tipo:start|tipo]] ou [[lexico:f:forma:start|forma]] de [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]] em todas as situações em que a informação tem [[lexico:l:lugar:start|lugar]]. b) A negação de qualquer [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]], ou seja, total, definitivo e exaustivo; o [[lexico:r:reconhecimento:start|reconhecimento]] de que o conhecimento é um fato excepcional e improvável. c) O reconhecimento do acaso, ou seja, da distribuição desordenada (equiprovável) dos elementos (entropia) em todas as circunstâncias ou situações em que o homem ou qualquer organismo vivo ou máquina possa encontrar-se. d) A [[lexico:p:presenca:start|presença]], em qualquer situação, de possibilidades diversas entre as quais é possível a escolha. e) A possibilidade da escolha de construir modelos que selecionem as possibilidades alternativas, segundo a ordem de sua frequência [[lexico:e:estatistica:start|estatística]], e, por isso, orientar as escolhas seguintes. f) A possibilidade de corrigir, modificar, [[lexico:g:generalizar:start|generalizar]] ou particularizar tais modelos e criar outros novos, de [[lexico:a:acordo:start|acordo]] com as mais diferentes exigências teóricas e práticas. Essas condições da informação (e portanto da cibernética, que a utiliza para os mais diversos objetivos) são, implícitas ou explicitamente, admitidas por todos os [[lexico:c:cientistas:start|cientistas]] que, em qualquer [[lexico:c:campo:start|campo]], se valem dessa [[lexico:d:disciplina:start|disciplina]]: constituem seu [[lexico:f:fundamento:start|fundamento]] filosófico. São resumidas no seguinte trecho de F. C. Frick: "Informação e [[lexico:i:ignorancia:start|ignorância]], escolha, previsão e incerteza, tudo isso está intimamente correlacionado... Na fronteira entre o conhecimento total e a ignorância completa, parece intuitivamente [[lexico:r:razoavel:start|razoável]] [[lexico:f:falar:start|falar]] de graus de incerteza. Quanto mais ampla for a escolha, maior será o conjunto de alternativas que se abrem diante de nós, mais incertos estaremos a [[lexico:r:respeito:start|respeito]] de como proceder e maior será a necessidade que teremos de informações para; tomarmos uma [[lexico:d:decisao:start|decisão]]" (Information Theory, em Psychology. A Study of a Science, 2a ed., Sigmund Koch, 1959, pp. 614-15). 4) O quarto [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] da cibernética é constituído pelos usos e objetivos que ela pode [[lexico:t:ter:start|ter]] nos mais diversos campos da atividade humana: d) Em primeiro lugar, a cibernética é um poderoso instrumento para [[lexico:e:explicar:start|explicar]] e prever fenômenos. Um de seus sucessos mais clamorosos foi visto no campo da [[lexico:g:genetica:start|genética]], em que possibilitou explicar a transmissão dos [[lexico:c:caracteres:start|caracteres]] hereditários por meio das várias combinações dos elementos de um alfabeto [[lexico:g:genetico:start|genético]] constituído pelos ácidos desoxirribonucleicos, que compõem a hélice dupla do DNA (Watson e Crick, 1953). A teoria da evolução, com bases darwinianas, considera que a própria evolução é um processo de variações aleatórias e de [[lexico:s:sobrevivencia:start|sobrevivência]] seletiva: dois [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] que, como se viu, são fundamentais na teoria da informação. Em [[lexico:p:psicologia:start|psicologia]], [[lexico:a:antropologia:start|antropologia]] e [[lexico:s:sociologia:start|sociologia]], esses conceitos são [[lexico:e:empregados:start|empregados]] para explicar qualquer forma de organização e atualmente são generalizados numa teoria dos sistemas, aplicável a todos esses campos (cf., p. ex., W. Buckley, Sociology and Modem Systems Theory, 1967, e relativa bibl.). b) Em segundo lugar, a cibernética é utilizada para a construção de máquinas cada vez mais complexas, às quais são confiadas operações e tarefas que, até pouco tempo, eram consideradas próprias do homem. Sobre os limites e as possibilidades dessas máquinas, as opiniões de cientistas e filósofos são díspares. Há quem considere que, em futuro mais ou menos [[lexico:p:proximo:start|próximo]], elas poderão substituir o homem na solução de todos os seus problemas, inclusive nas escolhas decisivas que dizem respeito ao futuro ou à sobrevivência do [[lexico:g:genero:start|gênero]] humano. Outros expressam dúvidas sobre essa possibilidade ilimitada, que entre outras coisas parece ser desmentida pelo [[lexico:t:teorema-de-godel:start|teorema de Gödel]] (v. matemática), entre cujas implicações está a de que não é possível construir uma máquina que resolva todos os problemas. [[lexico:a:alem:start|Além]] disso, insiste-se na [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] entre o homem e a máquina, em vista da presença, no homem, do fator [[lexico:c:consciencia:start|consciência]]. Raymond Ruyer, por ex., afirmou que "sem consciência não há informação" e que, por isso, se o mundo físico e o mundo das máquinas ficassem entregues a si mesmos, "espontaneamente tudo se tornaria desordem e essa seria a [[lexico:p:prova:start|prova]] de que nunca houve ordem verdadeira, ordem consistente, ou em outros termos, que nunca houve informação" (La cybernétique et l’origine de l’information, 1954). Também são muitos os que insistem, com fundamentos vários (muitas vezes de natureza [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]] ou [[lexico:m:moral:start|moral]]) na diferença entre o homem e a máquina, mas, em geral, reconhece-se que as máquinas têm as mesmas limitações do homem, ainda que em [[lexico:g:grau:start|grau]] inferior, e que se distinguem do homem pela enorme "complexidade" do cérebro humano e pela [[lexico:c:capacidade:start|capacidade]] que tem este último de prever, em proporção correspondentemente maior, os acontecimentos futuros. Wiener insistiu na exigência de uma simbiose entre o homem e a máquina, para a qual é [[lexico:n:necessario:start|necessário]] que o homem tenha uma clara [[lexico:i:ideia:start|ideia]] dos objetivos que devem ser preestabelecidos na programação e no uso das máquinas. De fato, obedecendo a um programa, uma máquina pode [[lexico:p:por:start|pôr]] em atividade certas operações que, diante de circunstâncias imprevistas, podem voltar-se contra os interesses e a própria vida do homem. Wiener observou que mesmo uma máquina que possa aprender e tomar decisões com base em conhecimentos adquiridos não será obrigada a decidir no mesmo sentido que nós, nem a tomar decisões que nos sejam aceitáveis: "Para quem não tem consciência disso, deixar suas responsabilidades a cargo da máquina (que possa ou não aprender) significará confiar suas próprias responsabilidades ao vento e vê-las de volta entre os turbilhões da tempestade" (The Human Use of Human Beings, 1950, cap. XI; cf. também God & Golem, Inc., 1964). Os problemas da cibernética estão intimamente ligados aos problemas da [[lexico:o:ontologia:start|ontologia]], da [[lexico:g:gnosiologia:start|gnosiologia]] e da [[lexico:e:etica:start|ética]]. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}