===== CHAMADO ===== A terceira estrofe recolhe o chamado das [[lexico:c:coisas|coisas]] e o chamado do [[lexico:m:mundo|mundo]]. É que a terceira estrofe evoca originariamente a partir da simplicidade de um chamado íntimo, [[lexico:e:esse|esse]] que evoca a di-ferença sem dizê-la. Evocar no [[lexico:s:sentido|sentido]] originário de deixar vir a intimidade de [[lexico:m:mundo-e-coisa|mundo e coisa]] é propriamente chamar. Esse chamado é a [[lexico:e:essencia|essência]] do [[lexico:f:falar|falar]]. No [[lexico:d:dito|dito]] do poema, vigora o falar. É o falar da [[lexico:l:linguagem|linguagem]]. A linguagem [[lexico:f:fala|fala]]. A linguagem fala deixando vir o chamado, coisa-mundo e mundo-coisa, no entre da di-ferença. [[lexico:o:o-que-e|o que é]] assim chamado chega sob a recomendação da di-ferença. Usamos o [[lexico:v:verbo|verbo]] befehlen, comumente entendido na acepção de comando, no sentido antigo de recomendar e entregar, ainda presente na [[lexico:e:expressao|expressão]] "Befiehl dem Herm deine Wege" . O chamado da linguagem recomenda e entrega o que nela é chamado para o chamado da di-ferença. A di-ferença deixa o fazer-se [[lexico:c:coisa|coisa]] das coisas repousar no fazer-se mundo do mundo. A di-ferença des-apropria a coisa para entregá-la ao repouso da quadratura. Essa desapropriação [[lexico:n:nao|não]] retira [[lexico:n:nada|nada]] das coisas. E ela que libera as coisas para o seu [[lexico:p:proprio|próprio]]: resguardar o mundo. Guardar no repouso é [[lexico:a:aquietar|aquietar]]. A di-ferença aquieta no mundo a coisa como coisa.