===== CETICISMO METAFÍSICO ===== [[lexico:h:hume|Hume]] é um [[lexico:h:homem|homem]] de absoluta [[lexico:c:coerencia|coerência]] no seu [[lexico:p:pensamento|pensamento]]. Primeira conclusão que tiramos: a [[lexico:m:metafisica|metafísica]] é [[lexico:i:impossivel|impossível]]. A tal conclusão nos conduz esta prévia [[lexico:t:teoria-do-conhecimento|teoria do conhecimento]]; porque justamente pela [[lexico:t:teoria|teoria]] do [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] chegamos a [[lexico:v:ver|ver]] que a [[lexico:n:nocao|noção]] de [[lexico:s:substancia|substância]] externa, que a noção de substancia interna, são duas noções às quais [[lexico:n:nao|não]] corresponde [[lexico:i:impressao|impressão]] alguma, ou seja, que são fictícias. Por conseguinte, é um [[lexico:p:problema|problema]] que não tem [[lexico:s:sentido|sentido]], perguntar se existem ou não existem [[lexico:s:substancias|substâncias]]. Não tem sentido levantar o problema, e menos ainda há [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] de resolvê-lo. À [[lexico:p:pergunta|pergunta]] metafísica: [[lexico:q:quem|quem]] existe? respondia [[lexico:d:descartes|Descartes]]: existo [[lexico:e:eu|eu]], a [[lexico:e:extensao|extensão]] e [[lexico:d:deus|Deus]]; [[lexico:l:locke|Locke]] respondia o mesmo que Descartes; [[lexico:b:berkeley|Berkeley]] respondia: existo eu, e Deus, mas não a extensão; e Hume responde muito simplesmente: não vejo que exista eu, nem a extensão, nem Deus. Existem unicamente vivências. Minhas vivências, caprichosamente unidas, sintetizadas por mim, chamo-as "eu"; porém que a essa [[lexico:p:palavra|palavra]] "eu", a essa [[lexico:i:ideia|ideia]] "eu", corresponda uma [[lexico:r:realidade|realidade]] [[lexico:s:substancial|substancial]] em si e [[lexico:p:por-si|por si]] que seja o eu, a [[lexico:a:alma|alma]], isso não se pode verificar nem tem sentido perguntá-lo. Do mesmo [[lexico:m:modo|modo]], minhas vivências aludem a realidades fora de mim. Porém eu não encontro em nenhuma [[lexico:p:parte|parte]] substâncias nem corpos, mas somente vivências. Por conseguinte, a única [[lexico:c:coisa|coisa]] que posso [[lexico:t:ter|ter]] é [[lexico:c:crenca|crença]], belief, no [[lexico:m:mundo|mundo]] [[lexico:e:exterior|exterior]]. Eu creio que o mundo exterior existe; creio que este copo existe; que se bebo a água que contém vou refrescar a boca; creio que esta lâmpada existe, porém creio porque estou acostumado a crer assim pelo [[lexico:h:habito|hábito]], pela [[lexico:a:associacao-de-ideias|associação de ideias]]. Todavia a [[lexico:e:existencia|existência]] metafísica em si e por si do mundo exterior [[lexico:a:alem|além]] de minhas vivências, isso não está [[lexico:d:dado|dado]] naquilo que posso manejar, naquilo que me é dado: as impressões. Acaba, pois, o [[lexico:e:empirismo-ingles|empirismo inglês]] de Hume num [[lexico:p:positivismo|positivismo]], numa [[lexico:n:negacao|negação]] dos problemas metafísicos ou num [[lexico:c:ceticismo-metafisico|ceticismo metafísico]] [[lexico:c:como-se|como se]] queira chamar. Hume, é claro, não chega a [[lexico:p:por|pôr]] em interdição a [[lexico:c:ciencia|ciência]]; porém põe-lhe uma base, um [[lexico:f:fundamento|fundamento]] caprichoso; o fundamento da ciência é o [[lexico:c:costume|costume]], o hábito, a [[lexico:a:associacao|associação]] de [[lexico:i:ideias|ideias]]; fenômenos naturais, psicológicos que provocam em mim a crença na realidade do mundo exterior. Eu estou convencido de que amanhã sairá o [[lexico:s:sol|sol]]; mas é somente porque estou habituado a vê-lo sair todos os dias. Uma [[lexico:r:razao|razão]] não há. Que à [[lexico:c:causa|causa]] siga o [[lexico:e:efeito|efeito]] está [[lexico:b:bem|Bem]], porque eu estou habituado constantemente a ver que o efeito B sobrevém sempre que se produz a causa A; todavia não existe uma razão que faça da [[lexico:r:relacao|relação]] causai uma relação apodíctica.