===== CAUSA PRIMEIRA ===== VIDE [[lexico:p:prima-causa:start|prima causa]] O [[lexico:s:ser:start|ser]] nos apareceu de início como o [[lexico:d:dado:start|dado]] primeiro da [[lexico:i:inteligencia:start|inteligência]]. Considerando-o formalmente como ser, precisamos a sua [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] e determinamos suas propriedades, os [[lexico:t:transcendentais:start|transcendentais]]. Ressaltamos em seguida a lista das suas modalidades particulares mais notáveis, as [[lexico:c:categorias:start|categorias]], as quais se organizaram em torno do [[lexico:m:modo:start|modo]] de ser fundamental que é a [[lexico:s:substancia:start|substância]]. Tomando na [[lexico:a:analise:start|análise]] da [[lexico:m:mudanca:start|mudança]] um novo [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de partida, fomos levados a distinguir no ser o [[lexico:a:ato:start|ato]] e a [[lexico:p:potencia:start|potência]]; depois, em face do [[lexico:f:fato:start|fato]] da sua [[lexico:l:limitacao:start|limitação]] e da sua [[lexico:m:multiplicidade:start|multiplicidade]], afirmamos sua composição [[lexico:r:real:start|real]] de [[lexico:e:essencia-e-existencia:start|essência e existência]]. Se retornamos à consideração da multiplicidade dos seres que nos são dados na [[lexico:e:experiencia:start|experiência]], somos alertados por sua imperfeição e sua insuficiência essenciais: mudam e são limitados; o ser [[lexico:n:nao:start|não]] lhes pertence de fato, são essencialmente dependentes. Desta indigência mesma nos elevamos até a reconhecer a [[lexico:e:existencia:start|existência]] de um ser primeiro, [[lexico:c:causa:start|causa]] de todos os outros: o ser que se move, o ser que depende da [[lexico:e:eficiencia:start|eficiência]] de um [[lexico:o:outro:start|outro]], o ser [[lexico:c:contingente:start|contingente]], o ser imperfeito, o ser que tende para um [[lexico:f:fim:start|fim]], supõem um [[lexico:p:primeiro-motor:start|primeiro motor]] imóvel, uma primeira causa eficiente, um ser [[lexico:n:necessario:start|necessário]], um ser [[lexico:p:perfeito:start|perfeito]], uma inteligência ordenadora suprema, que supre todas estas deficiências e que todos chamamos [[lexico:d:deus:start|Deus]]. Para conduzir ao seu acabamento a [[lexico:m:metafisica-do-ser:start|metafísica do ser]], é necessário ainda precisar com [[lexico:t:tomas-de-aquino:start|Tomás de Aquino]] que a [[lexico:e:essencia:start|essência]] mesma de Deus é seu ser, que ele é o ser [[lexico:p:por-si:start|por si]] (Cf. Ia Pa, q. 3, a. 4), e que [[lexico:t:todo:start|todo]] outro ser necessariamente é criado por Deus ou que é ser por [[lexico:p:participacao:start|participação]] (Ia Pa; q. 44, a. 1). O circuito da [[lexico:o:ontologia:start|ontologia]] se encontra então acabado tanto em seu ramo descendente como no seu ramo ascendente. Esquematicamente, essa dupla [[lexico:d:demonstracao:start|demonstração]] se conduziria assim. Nas criaturas, há necessariamente [[lexico:d:distincao:start|distinção]] entre essência e existência. Acontecerá o mesmo com Deus? Não, pois sendo a primeira causa eficiente, não pode receber sua existência de um outro, nem mesmo de si [[lexico:p:proprio:start|próprio]], não pode portanto possuí-Ia senão por sua [[lexico:n:natureza:start|natureza]]. Não tendo, por outro lado, nenhuma potencialidade, não pode ser, em sua essência, senão o [[lexico:p:puro:start|puro]] de sua existência. Sendo o primeiro existente, não pode ser, em [[lexico:v:virtude:start|virtude]] das próprias leis da participação, senão por sua essência. É portanto [[lexico:i:impossivel:start|impossível]] que em Deus a essência seja diferente da existência: Impossibile est ergo, [[lexico:q:quod:start|quod]] in Deo sit aliud [[lexico:e:esse:start|esse]], et aliud ejus essentia. Voltando-nos [[lexico:a:agora:start|agora]] para as criaturas, deveremos dizer que é necessário que todo ser seja criado por Deus. Se, com [[lexico:e:efeito:start|efeito]], uma [[lexico:c:coisa:start|coisa]] existe em um [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] por participação, é necessário que seja causada por aquele onde esta coisa existe por si. Ora, Deus é o ser que existe por si e não pode haver senão um ser que exista por si. Segue-se que todas as outras [[lexico:c:coisas:start|coisas]] diferentes de Deus não sejam o seu ser, mas participem do ser. E, finalmente, tudo o que se diversifica segundo diversas participações de ser é causado por um primeiro ser que é absolutamente perfeito: Necesse est igitur quod omnia quae diversificantur secundum diversam participationem essendi... causari ab [[lexico:u:uno:start|uno]] primo [[lexico:e:ente:start|ente]] quod perfectissime est. Vista dê-se ponto culminante, toda a [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]] do ser [[lexico:c:concreto:start|concreto]] nos parece então se exprimir com a mais absoluta simplicidade: no [[lexico:p:principio:start|princípio]], o ser que existe por [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]], aquele cuja essência é [[lexico:e:existir:start|existir]]; na sua dependência radical, os seres que não podem existir por si mesmos, que recebem dele a sua existência. É o que exprime a 3ª das 24 [[lexico:t:teses-tomistas:start|teses tomistas]]: "É porque na [[lexico:r:razao:start|razão]] absoluta de seu ser [[lexico:u:unico:start|único]] subsiste Deus, único na sua simplicidade absoluta; todas as outras coisas que participam de seu ser têm uma natureza que contrata seu ser, e são compostas, como de [[lexico:p:principios:start|princípios]] realmente distintos, de. essência e existência". Restaria precisar [[lexico:c:como-se:start|como se]] deve entender com Tomás de Aquino essa participação no ser de Deus que estabelece a criatura no seu [[lexico:e:estatuto:start|estatuto]] [[lexico:o:ontologico:start|ontológico]] próprio: mas isso pertence a esta metafísica sintética do tratado de Deus, nos limites da qual intentamos permanecer. É-nos suficiente remeter para esta [[lexico:q:questao:start|questão]] aos recentes trabalhos que revalorizaram este [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] do [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] do Doutor angélico: Fabro, La nozione metafisica di participazione secondo san Tomaso d’Aquino; Geiger, La participation dans la philosophie de saint Thomas d’Aquin. Em definitivo, toda a [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] do ser repousa sobre o [[lexico:r:reconhecimento:start|reconhecimento]] da [[lexico:i:identidade:start|identidade]] que existe em Deus entre a essência e a existência, identidade que faz dele o ser em plenitude no qual todos os outros seres participam. E Tomás de Aquino reaproxima, não sem um certo lirismo, esta [[lexico:v:verdade:start|verdade]] "[[lexico:s:sublime:start|sublime]]" da [[lexico:r:revelacao:start|revelação]] do [[lexico:n:nome:start|nome]] [[lexico:d:divino:start|divino]] no Êxodo "Sobre esta verdade sublime Moisés foi instruído por Deus, ele que fez ao Senhor esta [[lexico:p:pergunta:start|pergunta]]: Se os filhos de Israel vierem me perguntar: Qual é seu nome? O que lhes direi? E o Senhor respondeu: [[lexico:e:eu:start|eu]] sou aquele que sou. Assim falarás aos filhos de Israel: Aquele que é me enviou a vós; e com isto manifestava que seu nome próprio é [[lexico:q:quem:start|quem]] é. Ora, todo nome tem por fim significar a natureza ou essência de uma coisa. Resta pois que o ser divino é sua essência ou sua natureza”. Contra Gentiles, I, c. 52 {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}