===== BOM SENSO ===== (in. Good sense; fr. Bon sens; it. Buon [[lexico:s:senso|senso]]). Essa [[lexico:e:expressao|expressão]], que [[lexico:n:nao|não]] deve [[lexico:s:ser|ser]] confundida com [[lexico:s:senso-comum|senso comum]], foi usada por [[lexico:d:descartes|Descartes]] como sinônimo de [[lexico:r:razao|razão]], na [[lexico:f:frase|frase]] que abre o [[lexico:d:discurso|discurso]] do [[lexico:m:metodo|método]]. "A [[lexico:f:faculdade|faculdade]] de [[lexico:b:bem|Bem]] julgar e de distinguir o [[lexico:v:verdadeiro|verdadeiro]] do [[lexico:f:falso|falso]], propriamente chamada de [[lexico:b:bom-senso|bom senso]] ou razão, é, por [[lexico:n:natureza|natureza]], igual em todos os homens". Hoje, não se poderia mais admitir essa [[lexico:s:sinonimia|sinonímia]]. Por um lado, a razão passou cada vez mais a designar técnicas específicas (v. razão) e, por [[lexico:o:outro|outro]], o [[lexico:b:bom|Bom]] senso continuou designando certo desequilíbrio e certa moderação no [[lexico:j:juizo|juízo]] dos problemas comuns da [[lexico:v:vida|vida]] e no [[lexico:c:comportamento|comportamento]] cotidiano. Muitas vezes, porém, o que parece extravagante ou paradoxal para o bom senso tem mais [[lexico:v:valor|valor]] do que aquilo que se lhe conforma, porque o bom senso tem como [[lexico:r:referencia|referência]] apenas o [[lexico:s:sistema|sistema]] estabelecido de crenças e de opiniões, só podendo julgar a partir dos valores que [[lexico:e:esse|esse]] sistema inclui. É muito frequente que a [[lexico:c:ciencia|ciência]] e a [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] prescindam do bom senso, ainda que nunca ou quase nunca possam deixar de lado as pequenas [[lexico:a:acoes|ações]] cotidianas, entre as quais o bom senso estaria em seu [[lexico:e:elemento|elemento]]. a) É o senso comum em bem julgar nas questões concretas, que se atribuem a todos com maior ou menor [[lexico:i:intensidade|intensidade]]. b) Empregado, também, para designar as pessoas em seu [[lexico:e:estado|Estado]] [[lexico:n:normal|normal]]. Daí dizer-se, quando alguém é tomado pela [[lexico:p:paixao|paixão]] ou pela cólera, que perdeu o bom-senso. c) Também se emprega para aqueles que falham em seus julgamentos. Diz-se, então, que tem ou não tem bom-senso. d) Descartes chama, assim, a faculdade de [[lexico:s:saber|saber]] julgar bem e distinguir a [[lexico:v:verdade|verdade]] do [[lexico:e:erro|erro]] e cita, expressamente, como sinônimo, a «razão», dizendo que essa faculdade, naturalmente, é igual em todos os homens. Mas, essas duas [[lexico:p:palavras|palavras]] têm atualmente sentidos diferentes. «Bom senso; [[lexico:a:agora|agora]] não significa mais a faculdade [[lexico:n:natural|natural]], que é igual em todos, mas uma [[lexico:d:disposicao|disposição]] de ânimo especial que ajuda para julgar bem» (uma equanimidade, etc), de índole puramente subjetiva, ao passo que a «razão:», para nós, é a faculdade [[lexico:r:racional|racional]] do [[lexico:c:carater|caráter]] [[lexico:o:objetivo|objetivo]] e [[lexico:u:universal|universal]]. Em vista disso, «bom senso» se opõe: 1) à [[lexico:l:loucura|loucura]] ou estados análogos (cólera, [[lexico:e:ebriedade|ebriedade]], etc.) e 2) à [[lexico:f:falta|falta]] de [[lexico:c:criterio|critério]] como estado permanente, como em um [[lexico:e:espirito|espírito]] leviano ou pervertido.