===== BETTI ===== Observações de Gadamer Permaneceremos conscientes de que com isso se exige algo incomum à autocompreensão da [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] [[lexico:m:moderna:start|moderna]]. Procuramos, ao largo de nossas reflexões, tornar essa exigência mais plausível, ao ir mostrando-a como o resultado da convergência de toda uma [[lexico:s:serie:start|série]] de problemas. De [[lexico:f:fato:start|fato]], a [[lexico:t:teoria:start|teoria]] da [[lexico:h:hermeneutica:start|hermenêutica]] que chega até os nossos dias se desagregou em diferenciações que ela mesma [[lexico:n:nao:start|não]] é capaz de sustentar. Isso se torna tanto mais patente aí, onde se procura formular uma teoria [[lexico:g:geral:start|geral]] da [[lexico:i:interpretacao:start|interpretação]]. Se distinguirmos, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], entre interpretação cognitiva, normativa e re-produtiva, tal como o faz E. Betti em sua Allgemeine Theorie der Interpretation, montada sobre um admirável [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] e domínio do [[lexico:t:tema:start|tema]], as dificuldades aparecem no [[lexico:m:momento:start|momento]] de inscrever os fenômenos no momento dessa [[lexico:d:divisao:start|divisão]]. Isso vale imediatamente para a interpretação científica. Se juntarmos a interpretação teológica e a jurídica e se dermos a ambas a [[lexico:f:funcao:start|função]] normativa, então teremos de lembrar que [[lexico:s:schleiermacher:start|Schleiermacher]] relaciona inversamente, e de [[lexico:f:forma:start|forma]] mais estreita, a interpretação teológica com a interpretação geral, que para ele é a histórico-filológica. De fato, a cisão entre as funções cognitiva e normativa atravessa, por inteiro, a hermenêutica teológica, e não chega a [[lexico:s:ser:start|ser]] compensada distinguindo-se o [[lexico:c:conhecimento-cientifico:start|conhecimento científico]] de uma ulterior aplicação edificante. É a mesma cisão que atravessa a interpretação jurídica, na [[lexico:m:medida:start|medida]] em que o conhecimento do [[lexico:s:sentido:start|sentido]] de um [[lexico:t:texto:start|texto]] jurídico e sua aplicação a um caso jurídico [[lexico:c:concreto:start|concreto]] não são atos separados, mas um [[lexico:p:processo:start|processo]] unitário. [[lexico:v:verdade:start|verdade]] E [[lexico:m:metodo:start|MÉTODO]] SEGUNDA [[lexico:p:parte:start|parte]] 2. Sendo assim, é [[lexico:r:razoavel:start|razoável]] que nos interessemos [[lexico:a:agora:start|agora]] em [[lexico:p:particular:start|particular]] pela divergência entre hermenêutica jurídica e hermenêutica histórica, estudando os casos em que uma e outra se ocupam do mesmo [[lexico:o:objeto:start|objeto]], isto é, os casos em que textos jurídicos devem ser interpretados juridicamente e compreendidos historicamente. Trata-se de investigar o [[lexico:c:comportamento:start|comportamento]] do historiador jurídico e do jurista, comportamento que assumem com [[lexico:r:respeito:start|respeito]] a um mesmo texto jurídico, [[lexico:d:dado:start|dado]] e vigente. Para isso podemos tomar como base os excelentes trabalhos de E. Betti, acrescentando nossas considerações às suas. Nossa [[lexico:p:pergunta:start|pergunta]] vai no sentido de [[lexico:s:saber:start|saber]] se a [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] entre o [[lexico:i:interesse:start|interesse]] dogmático e o interesse [[lexico:h:historico:start|histórico]] é uma diferença unívoca. VERDADE E MÉTODO SEGUNDA PARTE 2. Não me pareceria suficiente limitar a [[lexico:t:tarefa:start|tarefa]] do historiador do [[lexico:d:direito:start|direito]] à "reconstrução do sentido original do conteúdo da [[lexico:f:formula:start|fórmula]] legal", e ao contrário, dizer do jurista, que "ele deve, [[lexico:a:alem:start|além]] disso, [[lexico:p:por:start|pôr]] em concordância aquele conteúdo, com a [[lexico:a:atualidade:start|atualidade]] presente da [[lexico:v:vida:start|vida]]". Uma delimitação desse [[lexico:t:tipo:start|tipo]] implicaria que o [[lexico:l:labor:start|labor]] do jurista é o mais amplo, e incluiria em si também o do historiador. [[lexico:q:quem:start|quem]] quiser adaptar adequadamente o sentido de uma [[lexico:l:lei:start|lei]] tem de conhecer também o seu conteúdo de sentido originário. Ele tem de [[lexico:p:pensar:start|pensar]] também em termos histórico-jurídicos. Só que a [[lexico:c:compreensao:start|compreensão]] histórica não seria, aqui, mais do que um [[lexico:m:meio:start|meio]] para um [[lexico:f:fim:start|fim]]. Na direção oposta, a tarefa jurídico-dogmática não interessa ao historiador como tal. Como historiador ele se movimenta numa contínua confrontação com a [[lexico:o:objetividade-historica:start|objetividade histórica]] para compreendê-la em seu [[lexico:v:valor:start|valor]] posicionai na [[lexico:h:historia:start|história]], enquanto que o jurista, além disso, procura reconduzir essa compreensão para a sua [[lexico:a:adaptacao:start|adaptação]] ao presente jurídico. A [[lexico:d:descricao:start|descrição]] de Betti trilha mais ou menos [[lexico:e:esse:start|esse]] [[lexico:c:caminho:start|caminho]]. VERDADE E MÉTODO SEGUNDA PARTE 2. Neste [[lexico:p:ponto:start|ponto]] parece [[lexico:n:necessario:start|necessário]] deter-nos um pouco na [[lexico:d:diferenciacao:start|diferenciação]] entre ler e reproduzir. Talvez não possa ir tão longe como Emilio Betti, que em sua teoria da interpretação separa completamente um do [[lexico:o:outro:start|outro]], o [[lexico:c:compreender:start|compreender]] e o reproduzir. Devo insistir que é a [[lexico:l:leitura:start|leitura]] e não a [[lexico:r:reproducao:start|reprodução]] que representa o [[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]] [[lexico:m:modo:start|modo]] de [[lexico:e:experiencia:start|experiência]] da própria [[lexico:o:obra:start|obra]] de [[lexico:a:arte:start|arte]], e que a define como tal. Ali, trata-se de uma "leitura" no sentido "eminente" da [[lexico:p:palavra:start|palavra]], assim como o texto de [[lexico:p:poesia:start|poesia]] é um texto em sentido "eminente" da palavra. Na verdade, a leitura é a forma efetiva de [[lexico:t:todo:start|todo]] encontro com a arte. Não está presente apenas nos textos, mas também nas artes plásticas e na [[lexico:a:arquitetura:start|arquitetura]]. VERDADE E MÉTODO II Introdução 1. A [[lexico:o:orientacao:start|orientação]] "epistemológica" já havia mudado, especialmente sob a [[lexico:i:influencia:start|influência]] da "[[lexico:l:logica:start|lógica]] indutiva" de J.St. [[lexico:m:mill:start|Mill]]. Quando [[lexico:d:dilthey:start|Dilthey]] defendeu a [[lexico:i:ideia:start|ideia]] de uma [[lexico:p:psicologia:start|psicologia]] "compreensiva", contra a psicologia [[lexico:e:experimental:start|experimental]] sustentada por [[lexico:h:herbart:start|Herbart]] e Fechner, já partilhava do ponto de partida geral da "experiência", sustentado pelo "[[lexico:p:principio:start|princípio]] da [[lexico:c:consciencia:start|consciência]]" e do [[lexico:c:conceito:start|conceito]] de [[lexico:v:vivencia:start|vivência]]. Também lhe serviram de constante advertência tanto o pano de fundo histórico-filosófico e histórico-teológico que alicerçava a lúcida [[lexico:h:historiografia:start|historiografia]] do historiador J.G. Droysen, como a [[lexico:c:critica:start|crítica]] acirrada que fazia seu amigo, o luterano especulativo Yorck von Wartenburg, ao [[lexico:h:historicismo:start|historicismo]] ingênuo de sua [[lexico:e:epoca:start|época]]. Ambos contribuíram para que a [[lexico:e:evolucao:start|evolução]] tardia de Dilthey tomasse um novo rumo. O conceito de vivência, que representou para ele a base psicológica para sua hermenêutica, foi complementado pela [[lexico:d:distincao:start|distinção]] entre a [[lexico:e:expressao:start|expressão]] e [[lexico:s:significado:start|significado]]. Essa complementação ocorreu em parte pela influência da crítica ao [[lexico:p:psicologismo:start|psicologismo]] desenvolvida por [[lexico:h:husserl:start|Husserl]] nos "prolegomena" às suas [[lexico:i:investigacoes-logicas:start|Investigações lógicas]] e de sua teoria platonizante do significado, e em parte pelo realinhamento com a teoria hegeliana do [[lexico:e:espirito:start|espírito]] [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]], que Dilthey procede, sobretudo em [[lexico:v:virtude:start|virtude]] de seus estudos sobre a época da juventude de [[lexico:h:hegel:start|Hegel]]. Tudo isso produziu frutos no século XX. Os trabalhos de Dilthey foram prosseguidos por G. Misch, B. Groethuysen, E. Spranger, Th. Litt, J. Wach, H. Freyer, E. Rothacker, O. Bollnow, entre outros. O historiador jurídico E. Betti fez uma [[lexico:s:sintese:start|síntese]] da [[lexico:t:tradicao:start|tradição]] idealista da hermenêutica desde Schleiermacher, chegando a Dilthey e seguindo mais adiante. VERDADE E MÉTODO II PRELIMINARES 8. Mesmo a brilhante [[lexico:d:dialetica:start|dialética]] com que E. Betti procurou justificar o [[lexico:l:legado:start|legado]] da hermenêutica romântica conjugando o [[lexico:s:subjetivo:start|subjetivo]] e o objetivo mostrou-se insuficiente depois que [[lexico:s:ser-e-tempo:start|Ser e Tempo]] demonstrou o [[lexico:c:carater:start|caráter]] [[lexico:o:ontologico:start|ontológico]] prévio do conceito de [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] e sobretudo quando o [[lexico:h:heidegger:start|Heidegger]] tardio fez ruir o âmbito da [[lexico:r:reflexao:start|reflexão]] filosófico-transcendental com a ideia da "virada" (Kehre). O "[[lexico:a:acontecimento:start|acontecimento]]" da verdade que forma o [[lexico:e:espaco:start|espaço]] de [[lexico:j:jogo:start|jogo]] do desocultar e ocultar conferiu um novo caráter ontológico a todo desocultar, mesmo àquele das ciências da compreensão. Isso possibilitou a formulação de uma série de novas perguntas à hermenêutica tradicional. VERDADE E MÉTODO II PRELIMINARES 8. E o que dizer do sentido querigmático da Sagrada Escritura? Aqui o conceito da congenialidade chega ao [[lexico:a:absurdo:start|absurdo]] completo, à medida que suscita a péssima [[lexico:i:imagem:start|imagem]] da teoria da inspiração. A [[lexico:e:exegese:start|exegese]] histórica da Bíblia também encontra aqui seus limites, sobretudo no que diz respeito ao conceito central de "autocompreen-são" do escritor da Sagrada Escritura. O significado salvífico da Escritura não será necessariamente diferente do que o resultado da mera [[lexico:s:soma:start|soma]] das intuições teológicas dos escritores do Novo Testamento? Dessa forma, a hermenêutica pietista (A. Francke, Rambach) foi se destacando pelo fato de, em sua teoria da interpretação, acrescentar a aplicação à compreensão e à [[lexico:e:explicacao:start|explicação]], destacando com isso a [[lexico:r:relacao:start|relação]] da "Escritura" com a atualidade. Nisso reside a [[lexico:r:razao:start|razão]] central de uma hermenêutica que leva realmente a sério a [[lexico:h:historicidade:start|historicidade]] do [[lexico:h:homem:start|homem]]. É claro que também a hermenêutica idealista leva isto em conta, especialmente a de E. Betti com seu "[[lexico:c:canon:start|cânon]] da [[lexico:c:correspondencia:start|correspondência]] do sentido". Parece, no entanto, que foi só com o [[lexico:r:reconhecimento:start|reconhecimento]] decisivo do conceito da compreensão prévia e do princípio da história dos efeitos ou o [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]] da consciência da mesma, que se conquistou uma base metodológica suficiente. O conceito de cânon da [[lexico:t:teologia:start|teologia]] neotestamentária encontra ali sua legitimação, como um caso especial. O grande e [[lexico:p:positivo:start|positivo]] [[lexico:t:trabalho:start|trabalho]] de G. von Rad demonstrou, ademais, que o significado teológico do Antigo Testamento torna-se difícil de justificar ao se adotar a [[lexico:m:mens:start|mens]] auctoris como cânon. Com esse trabalho pode-se [[lexico:s:superar:start|superar]] a estreiteza dessa [[lexico:p:perspectiva:start|perspectiva]]. Os debates mais recentes sobre a hermenêutica contagiaram também a teologia católica (Stachel, Biser, Corth). VERDADE E MÉTODO II PRELIMINARES 8. Precisamos nos perguntar, porém, se a teologia e a teoria do direito não contribuem essencialmente para uma hermenêutica geral. Para o desenvolvimento dessa [[lexico:q:questao:start|questão]] não é suficiente o [[lexico:i:imanente:start|imanente]] [[lexico:p:problema:start|problema]] metodológico da teologia, da ciência jurídica e das ciências histórico-filológicas. Importa demonstrar os limites da autoconcepção do conhecimento histórico e devolver uma legitimidade limitada à interpretação dogmática . A isso se opõe certamente o conceito de neutralidade da ciência. Por essas razões, a [[lexico:i:investigacao:start|investigação]] que realizei em Verdade e método I partia de um âmbito experimental que, em certo sentido, pode ser [[lexico:c:chamado:start|chamado]] de dogmático, à medida que seu [[lexico:p:postulado:start|postulado]] exige reconhecimento [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]] e não pode ficar em suspenso: esta é a experiência da arte. Via de [[lexico:r:regra:start|regra]], aqui, compreender é reconhecer e fazer valer: "Conceber aquilo que nos toca" (E. Staiger). A [[lexico:o:objetividade:start|objetividade]] de uma ciência da arte ou de uma ciência da [[lexico:l:literatura:start|literatura]], que resguarda sua [[lexico:s:seriedade:start|seriedade]] como [[lexico:e:esforco:start|esforço]] científico, permanece todavia sujeita à experiência da arte ou da poesia. Ora, na autêntica experiência da arte, a applicatio não pode vir separada da intellectio e da explicatio. Isso não deixa de [[lexico:t:ter:start|ter]] consequências para a ciência da arte. Esse problema foi discutido primeiramente por H. Sedlmayr quando distingue entre uma primeira e uma segunda ciência da arte. Os complexos métodos de investigação da ciência da arte e da ciência da literatura, que se têm desenvolvido, precisam confirmar sempre de novo sua fecundidade ajudando a intensificar a clareza e a [[lexico:a:adequacao:start|adequação]] da experiência da obra de arte. Nesse sentido, precisam intrinsecamente de [[lexico:i:integracao:start|integração]] hermenêutica. Assim, a [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] de aplicação, com seu direito de cidadania herdado da hermenêutica jurídica, precisa adquirir um valor paradigmático. É certo que quando a compreensão histórico-jurídica segue à [[lexico:i:imposicao:start|imposição]] de se reaproximar da compreensão dogmático-jurídica, suas diferenças não podem ser anuladas. Isso foi [[lexico:b:bem:start|Bem]] frisado por Betti e Wieacker. O sentido de applicatio, porém, que representa um [[lexico:e:elemento:start|elemento]] [[lexico:c:constitutivo:start|constitutivo]] de todo compreender, não é o de uma "aplicação" posterior e externa de algo que originalmente já seria para si. A aplicação de meios para objetivos predeterminados ou a aplicação de regras em nosso comportamento não significa, via de regra, a submissão de uma [[lexico:s:situacao:start|situação]] dada (Gegebenheit) autônoma, em si, como por exemplo uma [[lexico:c:coisa:start|coisa]] conhecida "de maneira puramente teórica", a um objetivo [[lexico:p:pratico:start|prático]]. VERDADE E MÉTODO II PRELIMINARES 8. K.O. [[lexico:a:apel:start|Apel]], em todo caso, faz essa crítica porque não compreendeu direito o que tem em [[lexico:m:mente:start|mente]] a hermenêutica filosófica quando [[lexico:f:fala:start|fala]] de aplicação. A [[lexico:a:analise:start|análise]] que faço da experiência hermenêutica tem como objeto a [[lexico:p:praxis:start|praxis]] exitosa das [[lexico:c:ciencias-hermeneuticas:start|ciências hermenêuticas]], na qual certamente não está atuando nenhuma "aplicação [[lexico:c:consciente:start|consciente]]" que pudesse favorecer uma [[lexico:c:corrupcao:start|corrupção]] ideológica do conhecimento. Essa análise deveria ser levada realmente a sério. Esse mal-entendido já fora objeto de [[lexico:p:preocupacao:start|preocupação]] de Betti. Aqui está em jogo sem [[lexico:d:duvida:start|dúvida]] uma obscuridade no conceito de consciência de aplicação. É absolutamente verdadeiro, como constata Apel, que frente à auto-evidência objetivista das ciências compreensivas e face à práxis vital da compreensão, a consciência de aplicação apresenta-se como uma exigência hermenêutica. Assim, uma hermenêutica filosófica, no [[lexico:e:estilo:start|estilo]] que procurei desenvolver, torna-se "normativa", no sentido de que busca substituir uma má [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] por outra melhor. Mas não propaga uma nova práxis e não há indícios que afirmem que a práxis hermenêutica se guie concretamente por uma consciência e [[lexico:t:tendencia:start|tendência]] de aplicação, e isso inclusive no sentido de uma legitimação consciente de uma tradição vigente. VERDADE E MÉTODO II OUTROS 19. Temos que reconhecer também que o que Jaeger chama de "hermenêutica recente" é muitas vezes um [[lexico:p:produto:start|produto]] muito ambíguo. Sua [[lexico:t:tese:start|tese]] e suas tendências são [[lexico:m:mal:start|mal]] compreendidas ao ponto de tornar-se caricaturas. Mas o que entende o [[lexico:p:proprio:start|próprio]] Jaeger por hermenêutica recente combatida por ele? Poderia se dizer que é para ele uma arma milagrosa do século irracionalista. O que significa para ele "interpretar"? Se se referisse à psicologização da interpretação de Schleiermacher e posteriormente de Dilthey, [[lexico:e:eu:start|eu]] poderia concordar com ele. Mas a partir da grande distância que ele observa como membro da Respublica litteraria universalis, como ele se considera, a síntese da tradição hermenêutico-idealista que fazem Dilthey e E. Betti coincide para ele com Heidegger e com minha própria contribuição (35). Uma [[lexico:m:metodologia:start|metodologia]] das [[lexico:c:ciencias-do-espirito:start|ciências do espírito]] e uma reflexão filosófica que descobre os limites de todo método são valem para ele a mesma coisa. Como compreender isso? Que todas são obras do [[lexico:d:diabo:start|diabo]]? VERDADE E MÉTODO II OUTROS 21. Isso não significa que se menospreze ou se [[lexico:l:limite:start|limite]] o rigor metodológico da ciência moderna. As denominadas "ciências hermenêuticas" ou "ciências do espírito" estão sujeitas aos mesmos critérios de [[lexico:r:racionalidade:start|racionalidade]] crítica que caracteriza o método de todas as ciências, embora seus interesses e procedimentos sejam substancialmente diversos dos que animam as ciências naturais. Mas podem apelar com razão sobretudo para o [[lexico:p:paradigma:start|paradigma]] da [[lexico:f:filosofia-pratica:start|filosofia prática]], que em [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]] poderia ser chamada também de "[[lexico:p:politica:start|política]]". Aristóteles classificou essa ciência como "a ciência mais [[lexico:a:arquitetonica:start|arquitetônica]]", uma vez que reunia em si todas as ciências e artes do saber antigo. A própria [[lexico:r:retorica:start|retórica]] pertencia a ela. A pretensão [[lexico:u:universal:start|universal]] da hermenêutica consiste assim em ordenar todas as ciências, em captar as chances de êxito cognitivo de todos os métodos científicos, sempre que possam ser aplicados a objetos, e em utilizá-los em todas as suas possibilidades. Mas se a "política", enquanto filosofia prática, é algo mais que uma [[lexico:t:tecnica:start|técnica]] suprema, o mesmo podemos dizer da hermenêutica. Tudo que as ciências podem conhecer, a hermenêutica deve levá-lo à relação de consenso, onde todos nós estamos. Uma vez que inclui a contribuição das ciências nessa relação de consenso que nos liga com a tradição legada a nós numa [[lexico:u:unidade:start|unidade]] vital, a própria a hermenêutica não é um [[lexico:s:simples:start|simples]] método nem uma série de métodos, como ocorreu no século XIX desde Schleiermacher e Boeckh até Dilthey e Emilio Betti. Nesse período, a hermenêutica se converteu em teoria metodológica das ciências filológicas. A hermenêutica é antes filosofia. Não se limita a prestar conta dos procedimentos que a ciência aplica. Trata igualmente das questões prévias à aplicação de qualquer ciência — como a retórica, tematizada por [[lexico:p:platao:start|Platão]]. Trata-se das questões que determinam todo o saber e o fazer humanos, essas questões "máximas" que são decisivas para o ser [[lexico:h:humano:start|humano]] enquanto tal e para sua [[lexico:e:escolha:start|escolha]] do "bem". VERDADE E MÉTODO II OUTROS 22. A ligação e o apoio que Dilthey encontra na hermenêutica romântica, que nesse século XX se apoia no [[lexico:r:renascimento:start|Renascimento]] da filosofia especulativa de Hegel, suscitou uma ampla crítica ao [[lexico:o:objetivismo:start|objetivismo]] histórico (Conde Yorck, Heidegger, Rothacker, Betti etc). VERDADE E MÉTODO II ANEXOS 27. Um ponto positivo dessa situação é o fato de o problema hermenêutico ter sido sistematicamente dimensionado e ordenado em toda sua amplitude pelo importante trabalho de um pesquisador italiano. O historiador de direito Emilio Betti, na sua grande obra Teoria genérale delia interpretazione — cujas [[lexico:i:ideias:start|ideias]] foram transpostas também para a [[lexico:l:lingua:start|língua]] alemã em um hermeneutisches Manifest (manifesto hermenêutico), sob o título Zur Grundlegung einer allgemeinen Auslegungslehre — , apresentou uma panorâmica do [[lexico:e:estado:start|Estado]] da questão, que seduz tanto pela amplitude de seu [[lexico:h:horizonte:start|horizonte]], pelo imponente conhecimento de detalhes, quanto por seu desenvolvimento [[lexico:s:sistematico:start|sistemático]]. Encontra-se muito bem suprido e invulnerável contra os perigos de um objetivismo histórico ingênuo, sendo ao mesmo [[lexico:t:tempo:start|tempo]] historiador de direito, professor de direito e concidadão de [[lexico:c:croce:start|Croce]] e Gentile e até muito familiarizado com a grande [[lexico:f:filosofia-alema:start|filosofia alemã]], de tal modo que fala e escreve um alemão [[lexico:p:perfeito:start|perfeito]]. Ele sabe colher e recolher os frutos da reflexão hermenêutica que vêm amadurecendo num esforço incessante desde Wilhelm von [[lexico:h:humboldt:start|Humboldt]] e Schleiermacher. VERDADE E MÉTODO II ANEXOS 27. Numa [[lexico:r:recusa:start|recusa]] expressa à [[lexico:p:posicao:start|posição]] extremista de Benedetto Croce, Betti procura o meio-termo entre o elemento objetivo e o subjetivo da compreensão. Formula um cânon completo dos [[lexico:p:principios:start|princípios]] hermenêuticos, e seu ponto culminante é a [[lexico:a:autonomia:start|autonomia]] de sentido do texto. Em conformidade com essa autonomia, há que se [[lexico:a:apreender:start|apreender]] o sentido, ou seja, a [[lexico:o:opiniao:start|opinião]] do autor, a partir do próprio texto. Mas com a mesma [[lexico:d:decisao:start|decisão]], ele acentua o princípio da atualidade da compreensão, da adequação do mesmo ao objeto, ou seja, percebe que a vinculação do [[lexico:i:interprete:start|intérprete]] com sua própria posição representa um momento integrante da verdade hermenêutica. VERDADE E MÉTODO II ANEXOS 27. Enquanto jurista, Betti está longe de supervalorizar a opinião subjetiva, por exemplo, as casualidades históricas que levaram à formulação de um conteúdo jurídico, equiparando assim a opinião subjetiva ao sentido jurídico. Mas, por outro lado, mantém-se tão fiel à "interpretação psicológica" formulada por Schleiermacher que sua própria posição hermenêutica está constantemente ameaçada de afundar e desaparecer. Por mais que se esforce para superar o [[lexico:r:reducionismo:start|reducionismo]] [[lexico:p:psicologico:start|psicológico]] e conceber sua tarefa como a reconstrução do [[lexico:n:nexo:start|nexo]] espiritual de valores e conteúdos de sentido, só consegue fundamentar a [[lexico:p:proposicao:start|proposição]] dessa autêntica tarefa hermenêutica através de uma [[lexico:e:especie:start|espécie]] de [[lexico:a:analogia:start|analogia]] com a interpretação psicológica. VERDADE E MÉTODO II ANEXOS 27. Com isso, Betti encontra-se na esteira de Schleiermacher, Boeckh, Croce entre outros. Estranhamente ele pensa poder garantir a "objetividade" da compreensão com esse [[lexico:e:estrito:start|estrito]] psicologismo de cunho romântico. Ele acredita que essa objetividade estaria ameaçada por todos aqueles que, apoiados em Heidegger, consideram errôneo esse [[lexico:r:retorno:start|retorno]] à [[lexico:s:subjetividade:start|subjetividade]] da [[lexico:i:intencao:start|intenção]]. VERDADE E MÉTODO II ANEXOS 27. Na [[lexico:d:discussao:start|discussão]] que travou comigo, reproduzida várias vezes na Alemanha, Betti não consegue [[lexico:v:ver:start|ver]] em mim outra coisa que equívocos e confusões. Algo assim comprova, via de regra, que o crítico julga o autor referindo-se a um [[lexico:q:questionamento:start|questionamento]] que este não tinha em mente. Parece-me que também aqui é esse o caso. Que a sua preocupação pela cientificidade da interpretação, gerada pelo meu livro, é desnecessária, já lhe garanti em uma carta [[lexico:p:pessoal:start|pessoal]]. Dessa carta, ele reproduziu com extrema [[lexico:f:fidelidade:start|fidelidade]], em seu tratado, o seguinte: VERDADE E MÉTODO II ANEXOS 27. Mas o que diz Betti a respeito disso? Afirma que estou restringindo o problema hermenêutico à [[lexico:q:quaestio:start|quaestio]] facti ("fenomenologicamente", "descritivamente"), e que não coloco a quaestio iuris. [[lexico:c:como-se:start|como se]] a tematização kantiana da quaestio iuris quisesse prescrever como deveria ser realmente a ciência pura da [[lexico:n:natureza:start|natureza]], e não procurasse, antes, justificar a [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] [[lexico:t:transcendental:start|transcendental]] da mesma, como ela era. No sentido dessa diferenciação kantiana, o [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] que ultrapassa o conceito de método das ciências do espírito, como procuro apresentar em meu livro, coloca a questão pela "possibilidade" das ciências do espírito (o que não significa dizer como elas propriamente deveriam ser!). Nesse caso, o que confunde o louvável investigador é um estranho [[lexico:r:ressentimento:start|ressentimento]] contra a [[lexico:f:fenomenologia:start|fenomenologia]]. Mostra-se no fato de ele só conseguir pensar o problema da hermenêutica como um problema de método, e isto profundamente emaranhado no [[lexico:s:subjetivismo:start|subjetivismo]] que se trata de superar. VERDADE E MÉTODO II ANEXOS 27. É evidente que não consegui convencer a Betti sobre o fato de que uma teoria filosófica da hermenêutica não é uma doutrina do método — correta ou falsa ("perigosa"). Quando Bollnow chama a compreensão de uma "produção essencialmente criadora", isso pode ser um [[lexico:e:equivoco:start|equívoco]]. Apesar de que o próprio Betti não vacila em qualificar dessa forma a [[lexico:a:atividade:start|atividade]] complementar ao direito na interpretação da lei. O certo, porém, é que não basta fundamentar-se na [[lexico:e:estetica:start|estética]] do [[lexico:g:genio:start|gênio]], como faz o próprio Betti. Uma teoria da inversão não permite superar a [[lexico:r:reducao:start|redução]] psicológica, que no mais ele mesmo reconhece como correta em si (na linha de Droysen). Desse modo, não supera de todo a [[lexico:a:ambiguidade:start|ambiguidade]] que manteve a Dilthey entre psicologia e hermenêutica. Quando para explicitar a possibilidade da compreensão das ciências do espírito se vê obrigado a pressupor que somente um espírito de mesmo nível é capaz de compreender um outro, fica claro que uma tal ambiguidade psicológico-hermenêutica é insatisfatória. VERDADE E MÉTODO II ANEXOS 27. A [[lexico:a:afirmacao:start|afirmação]] de que a hermenêutica jurídica pertence ao nexo de problemas de uma hermenêutica geral não é evidente [[lexico:p:por-si:start|por si]]. De fato, nela não está em questão uma reflexão de caráter metodológico, como é o caso da [[lexico:f:filologia:start|filologia]] e da hermenêutica bíblica. Ela trata propriamente de um princípio jurídico subsidiário. Sua tarefa não é compreender enunciados jurídicos vigentes, mas encontrar o direito, isto é, interpretar as leis de tal modo que a [[lexico:o:ordem:start|ordem]] do direito impregne toda a [[lexico:r:realidade:start|realidade]]. Visto que a interpretação tem aqui uma função normativa, um autor como Betti pode separá-la totalmente da interpretação filológica, e mesmo daquela compreensão histórica, cujo objeto é de natureza jurídica (constituições, leis etc). Não se pode discutir o fato de a interpretação da lei, no sentido jurídico, acabar sendo uma atividade criadora de direito. Os diversos princípios que devem ser aplicados no fazer — como, por exemplo, o princípio da analogia, o princípio da complementação de lacunas da lei ou finalmente o princípio produtivo, implicado ele próprio na [[lexico:s:sentenca:start|sentença]] jurídica, isto é, dependente do caso jurídico concreto — não representam apenas problemas metodológicos, mas penetram profundamente e atingem a própria [[lexico:m:materia:start|matéria]] do direito. VERDADE E MÉTODO II ANEXOS 27. Antes disso, na época do [[lexico:r:romantismo:start|Romantismo]] alemão, a hermenêutica se orientara pelas questões centrais da filosofia por obra de Schleiermacher. Seu pensamento, baseado na filosofia do [[lexico:d:dialogo:start|diálogo]], como a concebia sobretudo Friedrich Schlegel, parte do significado metafísico da [[lexico:i:individualidade:start|individualidade]] e de sua [[lexico:s:subordinacao:start|subordinação]] e tendência ao [[lexico:i:infinito:start|infinito]]. Em seguida, com Wilhelm Dilthey a hermenêutica adquiriu seu caráter propriamente filosófico. Em 1966, publicou-se pela primeira vez, entre os materiais diltheyanos sobre a vida de Schleiermacher reunidos em um segundo volume, o grande [[lexico:e:estudo:start|estudo]] do jovem Dilthey sobre hermenêutica. Desse estudo só conhecíamos alguns fragmentos, graças ao tratado acadêmico de 1900. Entre outras [[lexico:c:coisas:start|coisas]] ele mostra como as bases da [[lexico:p:problematica:start|problemática]] filosófica da hermenêutica radicam-se no [[lexico:i:idealismo-alemao:start|idealismo alemão]], mas não somente na descrição dialética de Schleiermacher sobre a compreensão como [[lexico:a:acao-reciproca:start|ação recíproca]] de subjetividade e objetividade, de individualidade e [[lexico:i:identidade:start|identidade]], mas sobretudo na crítica de [[lexico:f:fichte:start|Fichte]] ao conceito dogmático de [[lexico:s:substancia:start|substância]] e nas possibilidades que ele abriu para se pensar o conceito de [[lexico:f:forca:start|força]] histórica. Baseia-se também em Hegel, na medida em que eleva o espírito "subjetivo" ao caráter de espírito "objetivo". Dilthey soube ver justamente a relevância pioneira da Historik (Historiografia) de Droysen para a metodologia das ciências do espírito, na medida em que Droysen aproveitou o legado idealista para uma autocompreensão adequada do [[lexico:m:metodo-historico:start|método histórico]]. A herança dessa hermenêutica idealista continua viva até os nossos dias. Uma excelente [[lexico:a:apresentacao:start|apresentação]] [[lexico:s:sistematica:start|sistemática]] e um desenvolvimento [[lexico:a:atual:start|atual]] devemos ao historiador de direito Emilio Betti, cujo "manifesto" hermenêutico em língua alemã recolhe o resumo dessa tradição (cf. Betti). Ele fez sua [[lexico:e:exposicao:start|exposição]] sistemática em uma obra muito abrangente. VERDADE E MÉTODO II ANEXOS 28. Nesse sentido, a [[lexico:d:dimensao:start|dimensão]] da [[lexico:t:teoria-da-ciencia:start|Teoria da Ciência]] foi radicalmente ultrapassada. Nessa teoria, desde Dilthey até Betti o pensamento idealista foi utilizado em função da hermenêutica. Schleiermacher já havia destacado a conexão interna existente entre [[lexico:f:falar:start|falar]], compreender e interpretar, dissolvendo a vinculação tradicional do tema hermenêutico a "manifestações vitais fixadas por [[lexico:e:escrito:start|escrito]]" (Dilthey). Com isso, restituiu o caráter hermenêutico ao diálogo vivo. Mas também no estreitamento epistemológico que hermenêutica voltou a sofrer no século XIX não se puderam esconder as dificuldades que se opunham a uma teoria geral da interpretação inspirada no [[lexico:i:idealismo:start|Idealismo]]. O fato de a hermenêutica jurídica, que reivindica uma função legislativa, [[lexico:d:dever:start|dever]] conectar-se à [[lexico:a:area:start|área]] da metodologia hermenêutica das ciências do espírito tornava-se tão [[lexico:o:obscuro:start|obscuro]] como o sentido reprodutivo da interpretação que desempenha papel tão importante no teatro e na [[lexico:m:musica:start|música]]. Ambos indicam para além da problemática inerente à teoria da ciência. Isso vale também para a teologia. Pois, mesmo que a hermenêutica teológica não lance mão de nenhuma outra [[lexico:f:fonte:start|fonte]] de inspiração ou de [[lexico:r:revelacao:start|revelação]] para o [[lexico:a:ato:start|ato]] de compreensão da Sagrada Escritura, o acontecimento querigmático da interpretação da Bíblia, como se dá na pregação ou no cuidado pastoral individual, enquanto [[lexico:f:fenomeno:start|fenômeno]] hermenêutico, não pode ser simplesmente desqualificado nem reduzido à problemática científica da teologia. Desse modo, foi preciso interrogar qual a [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]] de se abordar a unidade do problema hermenêutico num âmbito que ultrapassa a teoria da ciência e apreender o fenômeno da compreensão e da interpretação em um sentido mais originário. Mas então deveríamos ultrapassar também a ampliação universal da hermenêutica feita por Schleiermacher e sua fundamentação na unidade do pensamento e da fala. Isso porque deveríamos englobar também a hermenêutica jurídica, que antes estava estreitamente ligada à hermenêutica teológica, porque ambas incluíam "interpretação" e aplicação, isto é, o emprego de algo [[lexico:n:normativo:start|normativo]] ao caso particular. VERDADE E MÉTODO II ANEXOS 28. O acirramento da [[lexico:t:tensao:start|tensão]] entre verdade e método guiava-se em meus trabalhos por um sentido [[lexico:p:polemico:start|polêmico]]. Como reconhece o próprio [[lexico:d:descartes:start|Descartes]], isso acaba fazendo parte de um processo especial de endireitar uma coisa que estava torta, a qual deve ser dobrada na direção contrária. E a coisa estava realmente torta, não tanto a metodologia das ciências, mas sua [[lexico:a:autoconsciencia:start|autoconsciência]] reflexiva. Parece-me que a historiografia e a hermenêutica pós-hegelianas que tematizei demonstram isso suficientemente. Quando, segundo as pressuposições de E. Betti, se teme que a minha reflexão hermenêutica pudesse [[lexico:r:representar:start|representar]] um [[lexico:d:desvio:start|desvio]] da objetividade científica, isso não passa de um mal-entendido ingênuo. Nessa questão tanto Apel, quanto Habermas e os representantes da "racionalidade crítica" parecem acometidos da mesma cegueira. Todos eles desconhecem a intenção reflexiva de minhas análises e consequentemente o sentido da aplicação, que tentei apresentar como um momento estrutural de todo compreender. Eles estão tão obcecados e presos pelo metodologismo da teoria da ciência que só conseguem ver regras e sua aplicação. Não percebem que a reflexão sobre a práxis não é técnica. VERDADE E MÉTODO II ANEXOS 29. Na teoria da literatura, no seguimento de Betti, há que se citar sobretudo o livro de Hirsch, Validity in Interpretation (1967), e uma série completa de outros [[lexico:e:ensaios:start|Ensaios]] que destacam de modo decisivo o [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] metodológico da teoria da interpretação. Cf., por exemplo, S.W. Schmied-Kowarzik "Geschichtswissenschaft und Geschichtlichkeit" ([[lexico:c:ciencia-da-historia:start|Ciência da história]] e cientificidade), in: Wiener Zeitschrift für Philosophie, Psychologie, Pädagogik, 8 (1966), p. 133s; D. Benner "Zur Fragestellung einer Wissenschaftstheorie der Historie" (Para a colocação da pergunta por uma teoria científica da história), in: Wiener Jahrbuch für Philosophie, 2 (1969), p. 52s. Acabo de encontrar uma excelente análise do que significa método no procedimento da interpretação em Thomas Seebohm, Zur Kritik der hermeneutischen Vernunft (Sobre a crítica da razão hermenêutica, 1962); mas esse escrito não tem a pretensão de ser uma hermenêutica filosófica, substituindo-a por um conceito especulativo de uma [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]] dada. VERDADE E MÉTODO II ANEXOS 29. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}