===== BELO ===== VIDE [[lexico:b:beleza:start|beleza]] (gr. to [[lexico:k:kalon:start|kalon]]; lat. pulchrum; in. Beautiful; fr. Beau; al. Schön; it. Bello). A [[lexico:n:nocao:start|noção]] de belo coincide com a noção de [[lexico:o:objeto:start|objeto]] estético só a partir do séc. XVIII (v. [[lexico:e:estetica:start|Estética]]); antes da [[lexico:d:descoberta:start|descoberta]] da noção de [[lexico:g:gosto:start|gosto]], o belo [[lexico:n:nao:start|não]] era mencionado entre os objetos produzíveis e, por isso, a noção correspondente não se incluía naquilo que os antigos chamavam de poética, isto é, [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] ou [[lexico:a:arte:start|arte]] da produção. Podem [[lexico:s:ser:start|ser]] distinguidos cinco [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] fundamentais de belo, defendidos e ilustrados tanto dentro quanto fora da estética: 1) o belo como [[lexico:m:manifestacao:start|manifestação]] do [[lexico:b:bem:start|Bem]]; 2) o belo como manifestação do [[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]]; 3) o belo como [[lexico:s:simetria:start|simetria]]; 4) o belo como [[lexico:p:perfeicao:start|perfeição]] [[lexico:s:sensivel:start|sensível]]; 5) o belo como perfeição expressiva. 1) O belo como manifestação do bem é a [[lexico:t:teoria:start|teoria]] platônica do belo. Segundo [[lexico:p:platao:start|Platão]], só à beleza, entre todas as [[lexico:s:substancias:start|substâncias]] perfeitas, "coube o privilégio de ser a mais evidente e a mais amável" (Fed., 250 e). Por isso, na beleza e no [[lexico:a:amor:start|amor]] que ela suscita, o [[lexico:h:homem:start|homem]] encontra o [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de partida para a recordação ou a [[lexico:c:contemplacao:start|contemplação]] das substâncias ideais (ibid., 251 a). A [[lexico:r:repeticao:start|repetição]] dessa doutrina do belo no [[lexico:n:neoplatonismo:start|neoplatonismo]] assume [[lexico:c:carater:start|caráter]] teológico ou [[lexico:m:mistico:start|místico]] porque o bem ou as [[lexico:e:essencias:start|essências]] ideais de que falava Platão são hipostasiadas e unificadas por [[lexico:p:plotino:start|Plotino]] no [[lexico:u:uno:start|uno]], isto é, em [[lexico:d:deus:start|Deus]]; o Uno e Deus são definidos como "o Bem". "É o Bem", diz Plotino, "que dá beleza a todas as [[lexico:c:coisas:start|coisas]]", de [[lexico:m:modo:start|modo]] que o belo, em sua pureza, é o [[lexico:p:proprio:start|próprio]] bem e todas as outras belezas são adquiridas, mescladas e não primitivas: porque vêm dele (Enn., 1, 6, 7). Essa [[lexico:f:forma:start|forma]] [[lexico:m:mistica:start|mística]] ou teológica nem sempre reveste a doutrina do belo como manifestação do bem, mas é óbvio que [[lexico:s:semelhante:start|semelhante]] doutrina é explícita ou implicitamente pressuposta cada vez que se propõe a [[lexico:f:funcao:start|função]] da arte no aperfeiçoamento [[lexico:m:moral:start|moral]]. 2) A doutrina do belo como manifestação da [[lexico:v:verdade:start|verdade]] é própria do [[lexico:r:romantismo:start|Romantismo]]. "O belo", dizia [[lexico:h:hegel:start|Hegel]], "define-se como a aparição sensível da [[lexico:i:ideia:start|ideia]]." Isso significa que beleza e verdade são a mesma [[lexico:c:coisa:start|coisa]] e que se distinguem só porque, enquanto na verdade a Ideia tem manifestação objetiva e [[lexico:u:universal:start|universal]], no belo ela tem manifestação sensível (Vorlesungen über die Ästhetik, ed. Glockner, I, p. 160). Raramente, fora de Hegel, [[lexico:e:esse:start|esse]] ponto de vista foi apresentado com tanta [[lexico:d:decisao:start|decisão]], mas reaparece em quase todas as formas da estética romântica, constituindo, indubitavelmente, uma [[lexico:d:definicao:start|definição]] [[lexico:t:tipica:start|típica]] do belo. 3) A doutrina do belo como simetria foi apresentada pela primeira vez por [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]]: o belo é constituído pela [[lexico:o:ordem:start|ordem]], pela simetria e por uma [[lexico:g:grandeza:start|grandeza]] capaz de ser abarcada, em seu conjunto, por um só olhar (Poet, 7, 1.450 b 35 ss.). Essa doutrina foi aceita pelos estoicos, citados por Cícero: "Assim como no [[lexico:c:corpo:start|corpo]] existe uma [[lexico:h:harmonia:start|harmonia]] de feições bem proporcionadas, unida a um belo colorido, que se chama beleza, também para a [[lexico:a:alma:start|alma]] a uniformidade e a [[lexico:c:coerencia:start|coerência]] das opiniões e dos juízos, unida a certa firmeza e [[lexico:i:imutabilidade:start|imutabilidade]], que é [[lexico:c:consequencia:start|consequência]] da [[lexico:v:virtude:start|virtude]] ou contém a própria [[lexico:e:essencia:start|essência]] da virtude, chama-se beleza" (Tusc., IV, 13, 31). Essa doutrina fixou-se por longo [[lexico:t:tempo:start|tempo]] na [[lexico:t:tradicao:start|tradição]]. Foi adotada pelos escolásticos (p. ex., [[lexico:t:tomas-de-aquino:start|Tomás de Aquino]], S. Th., I, q. 39, aa. 8) e por muitos escritores e artistas do [[lexico:r:renascimento:start|Renascimento]], quando quiseram ilustrar o que procuravam fazer com a sua arte: p. ex., Leonardo em Trattato della pittura. 4) É com a doutrina do belo como perfeição sensível que renasce a estética. "Perfeição sensível" significa, por um lado, "[[lexico:r:representacao:start|representação]] sensível perfeita" e, por [[lexico:o:outro:start|outro]], "[[lexico:p:prazer:start|prazer]] que acompanha a [[lexico:a:atividade:start|atividade]] sensível". No primeiro [[lexico:s:sentido:start|sentido]], é concebida principalmente pelos analistas alemães e, em [[lexico:p:particular:start|particular]], por Baumgarten (Aesthetica, 1750, §§ 14-18). No segundo sentido, foi utilizada sobretudo pelos analistas ingleses, em primeiro [[lexico:l:lugar:start|lugar]] por [[lexico:h:hume:start|Hume]] (Essay Moral and Political, 1741) e por [[lexico:b:burke:start|Burke]] (A Philosophical Inquiry into the Origin of Our Ideas of the [[lexico:s:sublime:start|sublime]] and Beautiful, 1756), preocupados ambos em determinar os [[lexico:c:caracteres:start|caracteres]] que fazem do prazer sensível aquilo que se costuma chamar de "beleza". [[lexico:k:kant:start|Kant]] unificou essas duas definições complementares de belo e insistiu naquilo que até hoje é considerado seu caráter fundamental, isto é, o desinteresse. Consequentemente, definia o belo como "o que agrada universalmente e sem conceitos" (Crít. do [[lexico:j:juizo:start|Juízo]], § 6) e insistia na independência entre prazer do belo e qualquer [[lexico:i:interesse:start|interesse]], tanto sensível quanto [[lexico:r:racional:start|racional]]. "Cada um chama de agradável o que o satisfaz; de Belo, o que lhe agrada; de [[lexico:b:bom:start|Bom]] o que aprecia ou aprova, aquilo a que confere um [[lexico:v:valor:start|valor]] [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]]. O prazer também vale para os animais , irracionais; a beleza, só para os homens, em sua [[lexico:q:qualidade:start|qualidade]] de seres animais mas racionais, e não só por serem racionais, mas por serem, ao mesmo tempo, animais. O bom tem valor para [[lexico:t:todo:start|todo]] ser racional em [[lexico:g:geral:start|geral]]" (Crít. do juizo, § 5). Kant distinguiu [[lexico:a:alem:start|além]] disso o belo livre ([[lexico:p:pulchritudo:start|pulchritudo]] vaga) e o belo aderente (pulchritudo adhaerens). O primeiro não pressupõe um [[lexico:c:conceito:start|conceito]] daquilo que o objeto deve ser; p. ex., as flores são belezas naturais livres. O segundo pressupõe esse conceito; p. ex., a beleza de um cavalo, de uma igreja, etc. pressupõe o conceito da [[lexico:f:finalidade:start|finalidade]] a que tais objetos são destinados (ibid., §16). Com a doutrina de Kant, o conceito de belo foi reconhecido numa [[lexico:e:esfera:start|esfera]] específica, tornou-se um valor, ou melhor, uma [[lexico:c:classe:start|classe]] de valores, fundamental. Juntamente com o Verdadeiro e com o Bem, entrou na [[lexico:c:constituicao:start|constituição]] de uma nova [[lexico:e:especie:start|espécie]] de [[lexico:t:trindade:start|trindade]] [[lexico:i:ideal:start|ideal]], correspondente às três formas de atividade reconhecidas como próprias do homem.- [[lexico:i:intelecto:start|intelecto]], [[lexico:s:sentimento:start|sentimento]] e [[lexico:v:vontade:start|vontade]]. Embora essa tripartição tenha sido considerada durante muito tempo como um [[lexico:d:dado:start|dado]] de [[lexico:f:fato:start|fato]] originário, testemunhado pela "[[lexico:c:consciencia:start|consciência]]" ou pela "[[lexico:e:experiencia:start|experiência]] interior", na [[lexico:r:realidade:start|realidade]] é uma noção historicamente derivada, que, na segunda metade do séc. XVIII, nasceu da inserção da "[[lexico:f:faculdade:start|faculdade]] do sentimento" entre as outras [[lexico:f:faculdades:start|faculdades]] (reconhecidas desde o tempo de Aristóteles): a [[lexico:t:teoretica:start|teorética]] e a prática (v. gosto; sentimento). 5) Como perfeição expressiva ou completude da [[lexico:e:expressao:start|expressão]], o belo é, implícita ou explicitamente, definido por todas as teorias que consideram a arte como expressão (v. estética, 3). [[lexico:c:croce:start|Croce]] disse: "Parece-nos lícito e oportuno definir a beleza como expressão bem-sucedida, ou melhor, como expressão pura e [[lexico:s:simples:start|simples]], pois a expressão, quando não é bem-sucedida, não è expressão" (Estética, 4a ed., 1912, p. 92). E, conquanto, na [[lexico:o:obra:start|obra]] de Croce, a teoria da arte como expressão se combine ou se confunda com a de arte como [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]], a definição de beleza dada por Croce pode ser adotada em qualquer teoria da arte como expressão. O que agrada universalmente. — O conceito do belo, como os do verdadeiro e bom são valores fundamentais, que não podem ser reduzidos um ao outro, nem a um [[lexico:t:terceiro:start|terceiro]]. O belo é concernente ao sentimento, da mesma maneira como o verdadeiro o é ao intelecto, e o bom à vontade. Não é [[lexico:p:possivel:start|possível]] dar uma definição material do belo. Quais são os objetos que chamamos belos e quais as qualidades que constituem a beleza como tal, são precisamente o objeto da Estética, e é respondida pelas diferentes teorias de maneira bem diversa. Todas essas teorias se movem entre dois aspectos extremos, em que um considera, em primeiro lugar, o [[lexico:e:elemento:start|elemento]] da forma e o caráter de universalidade do belo, e o outro toma o fator [[lexico:e:emocional:start|emocional]] e a [[lexico:s:subjetividade:start|subjetividade]] como distintivos essenciais daqueles. É preciso distinguir, também, entre a beleza livre, como a encontramos na [[lexico:n:natureza:start|natureza]], e a beleza artificial. A [[lexico:r:respeito:start|respeito]] desta última [[lexico:d:distincao:start|distinção]], que marca as posições do [[lexico:n:naturalismo:start|naturalismo]] e do [[lexico:i:idealismo:start|Idealismo]] estéticos, foi [[lexico:d:dito:start|dito]] em defesa da beleza livre que só [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] verdadeiro pode ser belo. A tal responderam os idealistas que tudo o que é belo também é verdadeiro (também não encontrado como existente na natureza). Essa [[lexico:o:objecao:start|objeção]] dos naturalistas toma aqui o conceito do verdadeiro no sentido superficial da [[lexico:e:existencia:start|existência]] [[lexico:r:real:start|real]], e tira proveito da [[lexico:a:ambiguidade:start|ambiguidade]] desse [[lexico:t:termo:start|termo]]. Mas o belo e o verdadeiro (em sentido metafísico), e ainda o bem foram considerados como intimamente ligados, e isto principalmente devido à simbiose prática daqueles valores na [[lexico:v:vida:start|vida]] dos gregos, resultando daí teorias, que formularam uma definição do belo como sendo o brilho da verdade. Aristóteles alega como característicos principais do belo: a ordem, a simetria e [[lexico:l:limitacao:start|limitação]] definida, e tenta colocá-lo perto da [[lexico:m:matematica:start|matemática]]. Mais feliz, comparativamente, parece a [[lexico:c:classificacao:start|classificação]] do belo dada por Platão, que distingue um [[lexico:t:tipo:start|tipo]] energético (osys), e um tipo calmo e bem organizado (khosmos), a expressão masculina e feminina respectivamente. Cícero distingue, no mesmo sentido, a «dignitas» e a «venustas», como as duas classes da «pulchritudo» (beleza). Um grande passo no sentido de estabelecer o belo como um valor próprio e [[lexico:i:independente:start|independente]] foi dado por Plotino, que marca a [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] entre o bem e o belo pela [[lexico:o:observacao:start|observação]] de que aquele provoca o [[lexico:d:desejo:start|desejo]] de possuí-lo, e de fazê-lo como realidade, ao passo que o belo não pertence, nem pode pertencer a ninguém, senão a [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]], o qual provoca a satisfação subjetiva pela sua mera [[lexico:a:aparencia:start|aparência]]. O belo também tem que ser distinguido do «agradável», que, por sua [[lexico:p:parte:start|parte]], também pode [[lexico:p:provocar:start|provocar]] uma satisfação subjetiva, mas por razões acidentais, e não é considerado como uma qualidade objetiva inerente a um objeto, como o belo. Se o belo é uma qualidade objetiva, também tem que ser universalmente reconhecida como tal, quer dizer: o que [[lexico:e:eu:start|eu]] chamo belo, é belo para todos. Kant define, portanto, o belo como o objeto de uma satisfação desinteressada e universalmente possível. Mas todas estas distinções ainda não dizem o que é o belo intrinsecamente. O que provoca, primitivamente, essa satisfação estética é «a finalidade sem [[lexico:f:fim:start|fim]]», que Kant dá como o [[lexico:u:ultimo:start|último]] caráter do belo: «a forma de finalidade de um objeto, enquanto Bem é ela percebida sem representação do fim». Enquanto Kant examinou o juízo estético em si, outros trataram de investigar a fundamentação psicológica ou fisiológica do sentimento estético em geral. Hutcheson (1725) faz da [[lexico:p:percepcao:start|percepção]] da [[lexico:u:unidade:start|unidade]] na variedade a [[lexico:r:raiz:start|raiz]] da [[lexico:e:emocao:start|emoção]] estética. Também o [[lexico:a:associacionismo:start|associacionismo]], no fundo, afirma uma conexão unificadora de uma variedade de experiências. (Vide associacionismo). [[lexico:s:schopenhauer:start|Schopenhauer]] define a beleza como uma «[[lexico:o:objetivacao:start|objetivação]] da vontade, considerada não como um elemento particular, mas como representando uma ideia»; Hegel diz ser «o ideal [[lexico:c:como-se:start|como se]] mostra à [[lexico:s:sensibilidade:start|sensibilidade]]:». Em [[lexico:o:oposicao:start|oposição]] ao idealismo (filosófico), [[lexico:h:herbart:start|Herbart]] salienta que não é o conteúdo, mas a maneira «como» é o objeto da estética. Santayana (1896) distingue a beleza do material, a beleza da forma e a beleza da expressão. Interpretações biológicas do belo encontramos em [[lexico:s:spencer:start|Spencer]] e Allen: o belo é o que proporciona um máximo de estimulação com um mínimo de cansaço e desgosto. A cor é bonita porque os nossos frugívoros ancestrais viveram de frutas brilhantes, e assim aprenderam a ser atraídos pelas cores. [[lexico:d:darwin:start|Darwin]] trata do sentimento do belo em conexão com a [[lexico:s:selecao:start|seleção]] sexual. Longe destas explicações naturalistas são outras, como a de E. von [[lexico:h:hartmann:start|Hartmann]], que [[lexico:p:pergunta:start|pergunta]] qual é, finalmente, o objeto ao qual atribuímos o belo. E responde que não é nem o objeto no sentido ordinário, nem o sentimento [[lexico:s:subjetivo:start|subjetivo]], mas algo que fica no [[lexico:m:meio:start|meio]], entre estes dois, o que ele chama a aparência estética (der ästhetische Schein). Konrad Lange desenvolve essa teoria e forma o conceito da «[[lexico:c:consciente:start|consciente]] auto-ilusão». A [[lexico:t:teoria-da-forma:start|teoria da forma]] significativa de Clive Bell vê, igualmente, o objeto da experiência estética em algo que difere das coisas naturais com as suas finalidades de vida em formas que têm os seus fins em si mesmos, longe de toda [[lexico:u:utilidade:start|utilidade]] prática. O [[lexico:c:culto:start|culto]] do belo, portanto, de um ponto de vista estritamente evolucionista, é um extravio. Falando biologicamente, disse Roger Fry, «a arte é blasfêmia. Deus nos deu os olhos para [[lexico:v:ver:start|ver]] as coisas, não para contemplá-las». No [[lexico:d:dialogo:start|diálogo]] [[lexico:h:hipias:start|HÍPIAS]] O MAIOR, Platão formulou muitas das questões que depois se levantaram, em estética e [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] geral, acerca da natureza do belo e da beleza. Ao contrário de Hípias, para o qual o belo é, em [[lexico:s:suma:start|suma]], o [[lexico:n:nome:start|nome]] comum dado a todas as coisas belas (o ouro, o [[lexico:u:util:start|útil]], o grato, etc), Platão defende que o belo é aquilo que faz que haja coisas belas. O belo é, pois, para Platão, independente, em [[lexico:p:principio:start|princípio]], da aparência do belo: é uma ideia análoga às [[lexico:i:ideias:start|ideias]] de ser, de verdade e de [[lexico:b:bondade:start|bondade]]. Ao dizer “análoga”, quer-se destacar que não pode simplesmente confundir-se a verdade com a beleza. Platão adverte que dizer de algo que existe e que é verdadeiro equivale a afirmar, no fundo, a mesma coisa. Em contrapartida, não é exatamente a mesma coisa dizer de algo que existe e que é belo. Por isso a ideia de beleza possui, a partir de Platão, certas propriedades que outros [[lexico:t:transcendentais:start|transcendentais]] não possuem; como indica Platão no [[lexico:f:fedro:start|Fedro]], enquanto na [[lexico:t:terra:start|Terra]] não há imagens visíveis da [[lexico:s:sabedoria:start|sabedoria]] há, em contrapartida, imagens visíveis da beleza. Quer dizer que a [[lexico:p:participacao:start|participação]] das coisas terrestres no ser verdadeiro está duplamente afastada deste, enquanto a participação das mesmas coisas no belo em si é direta. A verdade não reluz nas coisas terrestres, enquanto a beleza brilha nelas. Isto não significa que a contemplação da Beleza seja uma [[lexico:o:operacao:start|operação]] sensível. No [[lexico:f:filebo:start|Filebo]], Platão chega à conclusão de que aquilo que chamamos beleza sensível deve consistir em pura forma; linhas, pontos, [[lexico:m:medida:start|medida]], simetria e até “cores puras” são os [[lexico:e:elementos:start|elementos]] com que é feito o belo que contemplamos. Acrescenta-se a isso, conforme aponta nas LEIS, a harmonia e o [[lexico:r:ritmo:start|ritmo]] no que diz respeito à [[lexico:m:musica:start|música]], e às boas acções, no que diz respeito à vida [[lexico:s:social:start|social]]. Além disso, embora haja sempre a mencionada diferença entre o ser verdadeiro e o ser belo, não se pode negar que o segundo conduz ao primeiro: a célebre “escada da beleza” de que [[lexico:f:fala:start|fala]] Platão no [[lexico:b:banquete:start|Banquete]], é a expressão metafórica (ou mítica) desta concepção do belo que o converte “no [[lexico:a:acesso:start|acesso]] ao ser”. Depois de Platão foi tão considerável o [[lexico:n:numero:start|número]] de definições que se deram do belo que se torna [[lexico:n:necessario:start|necessário]] proceder a uma classificação das mesmas; escolheu-se, entre muitos outros, o [[lexico:m:metodo:start|método]] que classifica as opiniões sobre o belo segundo o predomínio de uma [[lexico:d:disciplina:start|disciplina]] filosófica ou, melhor dizendo, de uma determinada [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]]. Consideramos que há vários modos de [[lexico:f:falar:start|falar]] do belo, os quais não são independentes uns dos outros, pois costumam combinar-se, mas as definições mais habituais são determinadas em grande parte pelo predomínio de um deles: I. O PONTO DE VISTA SEMÂNTICO: consiste em averiguar quais as expressões sinónimas de “x é belo”. Das inúmeras sinonímias que se podem estabelecer (“x é desejável”, “x é desejado”, “x é [[lexico:p:perfeito:start|perfeito]]”, etc), cabe destacar “x é grato”, pois envolve a [[lexico:d:discussao:start|discussão]] entre as duas grandes posições: a que defende que os juízos de beleza são subjectivos e a que afirma que são objetivos. II. O PONTO DE VISTA [[lexico:p:psicologico:start|PSICOLÓGICO]]: consiste em examinar o [[lexico:p:problema:start|problema]] da natureza do belo de [[lexico:a:acordo:start|acordo]] com a [[lexico:a:analise:start|análise]] dos processos psicológicos por meio dos quais formulamos juízos estéticos. Quando se entende o psicológico em sentido colectivo, o modo de falar psicológico pode converter-se em modo de falar social: a natureza do belo depende então do que se entenda por essa [[lexico:s:sociedade:start|sociedade]]. III. O PONTO DE VISTA METAFÍSICO: ao expor a [[lexico:p:posicao:start|posição]] de Platão, apresentámos as teses centrais do principal representante deste “modo de falar”. O que lhe é peculiar é que tenta reduzir todas as questões relativas ao belo a questões acerca da natureza última da beleza em si. IV. O PONTO DE VISTA ÉTICO: este modo é pouco frequente nas teorias filosóficas, mas não é totalmente inexistente. Aparece a partir do [[lexico:m:momento:start|momento]] em que se supõe que algo se pode qualificar de belo só enquanto oferece analogias com uma acção moral. V. O PONTO DE VISTA AXIOLÓGICO: muito amiúde, o [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] contemporâneo apelou para o falar axiológico. Este funda-se nas teorias dos valores a que nos referimos no artigo valor. Segundo o mesmo, a beleza não é uma [[lexico:p:propriedade:start|propriedade]] das coisas ou uma realidade em si mesma, mas um valor. não é uma [[lexico:e:entidade:start|entidade]] real, ideal ou [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]], porque essas entidades são, enquanto o belo não é, mas vale. Ora, dentro do modo de falar axiológico, há diversas teorias possíveis; as mais conhecidas são as teorias subjectivistas e objetivistas. Quando se leva a primeira a um [[lexico:e:extremo:start|extremo]], desemboca-se num [[lexico:p:puro:start|puro]] [[lexico:r:relativismo:start|relativismo]], quando se faz o mesmo com a segunda, chega-se a um completo [[lexico:a:absolutismo:start|absolutismo]]. Por isso se viu a [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]] de procurar posições intermédias. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}