===== BELEZA ===== gr. [[lexico:k:kallos:start|kallos]] em [[lexico:p:platao:start|Platão]], [[lexico:e:eros:start|Eros]] 5-7; na [[lexico:s:stoa:start|stoa]] e em [[lexico:p:plotino:start|Plotino]], ibid. 10 O vocábulo alemão correspondente "Schönheit" está ligado etimologicamente a "schauen", contemplar. "Schön", [[lexico:b:belo:start|belo]], significa originariamente: contemplável, digno de ver-se; passou depois a significar: luminoso, brilhante, resplandecente; donde, pouco a pouco, surgiu o [[lexico:s:sentido:start|sentido]] [[lexico:a:atual:start|atual]]. Esta [[lexico:e:evolucao:start|evolução]] [[lexico:s:semantica:start|semântica]] do [[lexico:t:termo:start|termo]] conduz ao [[lexico:o:objeto:start|objeto]] correspondente, expresso em duas fórmulas medievais. Uma delas, da autoria de S. [[lexico:t:tomas-de-aquino:start|Tomás de Aquino]], descreve o belo como aquilo que agrada à vista (quae visa placent), por conseguinte tem como [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de partida a [[lexico:v:vivencia:start|vivência]] da beleza; a outra, procedente de S. [[lexico:a:alberto-magno:start|Alberto Magno]], assinala no [[lexico:p:proprio:start|próprio]] belo o [[lexico:f:fundamento:start|fundamento]] que produz tal vivência, a [[lexico:s:saber:start|saber]], o resplendor da [[lexico:f:forma:start|forma]] (splendor formae). Comecemos pela segunda [[lexico:f:formula:start|fórmula]]. A forma denota a [[lexico:e:essencia:start|essência]] e, por conseguinte, o âmago [[lexico:o:ontologico:start|ontológico]] das [[lexico:c:coisas:start|coisas]]. Mas o conteúdo do [[lexico:s:ser:start|ser]] é expresso pelos [[lexico:t:transcendentais:start|transcendentais]]: [[lexico:u:unidade:start|unidade]], [[lexico:v:verdade:start|verdade]], [[lexico:b:bondade:start|bondade]]. Sendo a beleza o resplendor da forma, estas propriedades devem irradiar no belo com luminoso fulgor. Quer dizer que devem ser perfeitas em si mesmas ([[lexico:n:nao:start|não]] perturbadas, nem fragmentadas), [[lexico:e:estar:start|estar]] em consoante [[lexico:h:harmonia:start|harmonia]] entre si (não estarem justapostas, nem se contradizerem) e, por [[lexico:f:fim:start|fim]], devem irradiar de [[lexico:m:modo:start|modo]] fulgurante sua [[lexico:p:perfeicao:start|perfeição]] (não permanecer ocultas, nem serem acessíveis só após afanoso [[lexico:t:trabalho:start|trabalho]]). Portanto, a beleza é a forma da perfeição, mediante a qual um [[lexico:e:ente:start|ente]] expressa, de maneira acabada, o ser na configuração que lhe ó peculiar ou em conformidade com a [[lexico:i:ideia:start|ideia]] nele entranhada, alcançando assim sua plasmação [[lexico:i:ideal:start|ideal]] (no que, naturalmente, se verificam muitos graus de aproximação). Ao belo responde, no [[lexico:h:homem:start|homem]], sua vivência, primariamente na [[lexico:c:contemplacao:start|contemplação]]. Como aqui o ente resplandece luminoso em seu ser perfeitamente expresso, ao [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] [[lexico:n:nada:start|nada]] mais resta que buscar, ficando-lhe afiançado, para [[lexico:a:alem:start|além]] da inquietação e da fadiga do [[lexico:d:discurso:start|discurso]], o sossego e a facilidade de seu [[lexico:a:ato:start|ato]] completo, ou seja, da contemplação. Da acabada perfeição do belo e de sua contemplação nasce o [[lexico:p:prazer:start|prazer]] como repouso extasiado na perfeição obtida. Superada por tal forma a ânsia do [[lexico:d:desejo:start|desejo]], o [[lexico:a:apetite:start|apetite]] experimenta, como seu ato mais elevado, a saciedade da [[lexico:p:posse:start|posse]] indizivelmente beatificante; o homem, arrebatado pelo belo, esquecendo-se de si, entrega-se ao [[lexico:p:perfeito:start|perfeito]]. À consumada [[lexico:m:manifestacao:start|manifestação]] do ser no ente corresponde o [[lexico:j:jogo:start|jogo]] perfeito e a vibração recíproca das [[lexico:f:faculdades:start|faculdades]] psíquicas, ou seja, um [[lexico:e:estado:start|Estado]] [[lexico:s:superior:start|superior]] do homem. Desde este ponto de vista, muitas coisas se tornam compreensíveis, e antes de mais nada o [[lexico:c:carater:start|caráter]] sugestivo da beleza. O [[lexico:e:entusiasmo:start|entusiasmo]], por ela suscitado, por tal forma enfeitiça o homem, que este lhe sacrifica tudo. Esquece que no belo contempla e vive certamente a perfeição como numa [[lexico:i:imagem:start|imagem]], mas que não possui todavia [[lexico:v:vida:start|vida]] [[lexico:p:pessoal:start|pessoal]] nem comove com sua [[lexico:p:presenca:start|presença]] efetiva. Também frequentemente passa por alto os graus em que a beleza se torna mais profunda e fulgurante. Na [[lexico:q:qualidade:start|qualidade]] de ser ligado aos sentidos, seduzido pelo fulgor do [[lexico:c:corpo:start|corpo]], a custo atenta no fulgor do [[lexico:e:espirito:start|espírito]], no qual todavia primariamente se perfaz também a beleza corporal. — Se o homem se não deixar seduzir por esta [[lexico:s:sugestao:start|sugestão]], como que demoníaca, sentirá ser a beleza como que um [[lexico:r:reflexo:start|reflexo]] do além, da perfeição absoluta de [[lexico:d:deus:start|Deus]] e de suas [[lexico:i:ideias:start|ideias]] criadoras. Por isso, o [[lexico:c:coracao:start|coração]], ébrio de beleza, ergue-se da beleza muitas vezes fragmentária deste [[lexico:m:mundo:start|mundo]] à Beleza pura originária. Aludimos aqui ao Eros de Platão, cuja ascensão ele descreve pateticamente no [[lexico:b:banquete:start|Banquete]] — Por [[lexico:u:ultimo:start|último]], é óbvio que a perfeita beleza corre sobre a [[lexico:t:terra:start|Terra]] riscos indizíveis e constitui sempre apenas um [[lexico:m:momento:start|momento]] fugidio. [[lexico:q:quem:start|quem]] adere a ela só, sentirá cada vez mais que não pode retê-la. Daí, a [[lexico:t:tristeza:start|tristeza]] abismal, p. ex., da escultura grega. Será a beleza um [[lexico:t:transcendental:start|transcendental]] ? Sua [[lexico:r:relacao:start|relação]] de proximidade com a unida de verdade-bondade [[lexico:f:fala:start|fala]] em abono disso. Mas, sendo assim, [[lexico:t:todo:start|todo]] ente deveria ser belo. De [[lexico:f:fato:start|fato]], todo ente o é, na [[lexico:m:medida:start|medida]] em que é perfeito em seu ser. Uma vez que, enquanto ele existe, nunca lhe faltam um certo início ou mesmo vestígios da perfeição propriamente dita, nem portanto um certo resplendor dos transcendentais, segue-se que possui sempre uma beleza ao menos inicial. — Se todo ente é belo no sentido apontado, segue-se que ao espírito convém a beleza no [[lexico:g:grau:start|grau]] mais elevado, porque ele é ontologicamente perfeito ao máximo. Não pertence [[lexico:a:acaso:start|acaso]] essencialmente à beleza a intuitividade [[lexico:s:sensorial:start|sensorial]]? O fulgor [[lexico:s:sensivel:start|sensível]] é exigido pela beleza da6 coisas corpóreas; também oferece a nós homens a vivência de beleza que primariamente empolga. Contudo há também um fulgor espiritual, que já nos beatifica, sempre que logramos abarcar intuitivamente conteúdos intelectuais, mas isso verifica-se em grau ainda mais intenso a quem dispõe da [[lexico:i:intuicao-intelectual:start|intuição intelectual]]. Importante peculiaridade do belo é o [[lexico:s:sublime:start|sublime]]. O objeto resplandecente possui [[lexico:g:grandeza:start|grandeza]], "eleva-se" essencialmente acima do ordinário, tem o cunho do [[lexico:e:extraordinario:start|extraordinário]], do sobre-excelente; relativamente a nós, aparece como sobre-humano, digno de [[lexico:a:admiracao:start|admiração]], muitas vezes como incomensurável, [[lexico:i:infinito:start|infinito]]. Tal objeto deve possuir, além disso, um resplendor digno de seu [[lexico:r:relevante:start|relevante]] conteúdo. Com o prazer mistura-se aqui a admiração, o [[lexico:r:respeito:start|respeito]] e, amiúde, também um certo estremecimento. O contrário do belo é o feio. Sem prejuízo da beleza inicial, inadmissivelmente entranhada em todo ente, pode uma [[lexico:c:coisa:start|coisa]] em sua realização concreta repugnar tanto aos atributos fundamentais do ser e, em [[lexico:p:particular:start|particular]], à sua ideia, que fique inteiramente desfigurada, assumindo esta desfiguração de sua forma uma [[lexico:e:expressao:start|expressão]] excessivamente clara, a ponto de se sobrepor a tudo o mais. A tal fealdade respondemos com um [[lexico:m:movimento:start|movimento]] de repulsa. Todavia, um rosto [[lexico:h:humano:start|humano]], p, ex., feio, do só ponto de vista fisiológico, pode ser tão profundamente iluminado pela beleza espiritual, que esta sobrepuje tudo o mais. — VIDE [[lexico:e:estetica:start|estética]]. — Lotz. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}