===== AZAR ===== Sinônimo de [[lexico:a:acaso|acaso]] (o casual, o de que [[lexico:n:nao|não]] se capta a [[lexico:c:causa|causa]]). Concepção mais precisa e restrita do azar é a de um [[lexico:a:acontecimento|acontecimento]] sem [[lexico:f:finalidade|finalidade]], mas com a [[lexico:a:aparencia|aparência]] de uma finalidade. Assim, uma telha, que cai, justamente na cabeça de [[lexico:q:quem|quem]] passa, ou o advogado que, ao dirigir-se para o tribunal, encontra um dos seus devedores ([[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]]). É o que chamamos também "acidental", mas com a [[lexico:r:restricao|restrição]] de que deve simular alguma finalidade, para [[lexico:s:ser|ser]] «azar». Azar, em um [[lexico:s:sentido|sentido]] mais largo, está ligado à [[lexico:r:representacao|representação]] da [[lexico:a:ausencia|ausência]] de cada [[lexico:r:razao|razão]] determinante. É [[lexico:o:o-que-e|o que é]] imprevisível e incalculável. É óbvio que cada acontecimento tem a sua [[lexico:r:razao-suficiente|razão suficiente]] e essa [[lexico:d:definicao|definição]], portanto, não dispensa a [[lexico:l:lei|lei]] da [[lexico:c:causalidade|causalidade]] e da [[lexico:n:necessidade|necessidade]] [[lexico:m:mecanica|mecânica]], mas se prende ao [[lexico:f:fato|fato]] de que há [[lexico:c:causas|causas]] tão diminutas ou tão complexas que, para nós, torna-se [[lexico:i:impossivel|impossível]] percebê-las ou calculá-las. Acontecimentos dessa [[lexico:e:especie|espécie]] tomam, para nós, o [[lexico:a:aspecto|aspecto]] de contingentes, p. ex., o aparecimento de um cometa, dentro do nosso [[lexico:s:sistema|sistema]] planetário, parece-nos um acontecimento submetido ao azar. Em [[lexico:r:realidade|realidade]], naturalmente, o cometa obedece às leis da gravitação e só a elas, tão perfeitamente como os planetas, cujas órbitas e movimentos conhecemos, e que, por isso, não nos parecem determinados pelo acaso. A [[lexico:d:diferenca|diferença]] consiste, no caso do cometa, em desconhecermos as massas cósmicas que agem sobre ele, e que, portanto, não percebemos as causas dos seus movimentos. Estas análises aplicam-se analogamente, também, aos jogos de azar. Em resumo, podemos dizer que falamos em azar ou acaso, quando não percebemos uma causalidade existente, e quando imaginamos uma [[lexico:t:teleologia|teleologia]] não existente, quando é para nós casual, sem causalidade expressa.