===== AUGUSTIANISMO ===== O augustinismo ou agostianismo é uma [[lexico:e:escola|escola]] filosófico-teológica, de [[lexico:t:tendencia|tendência]] conservadora, filiada em S. [[lexico:a:agostinho|Agostinho]] (354-430), preponderante principalmente no século XIII. Contou ilustres representantes, [[lexico:n:nao|não]] só entre os Franciscanos e o clero [[lexico:s:secular|secular]], como também entre os mais antigos Dominicanos. Ameaçada em sua supremacia por S. [[lexico:a:alberto-magno|Alberto Magno]] e S. [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]], após a condenação inicial de proposições tomistas em Paris e Oxford, foi relegada para segundo [[lexico:l:lugar|lugar]]. As doutrinas características de S. Agostinho e do agostinianismo são as seguintes: há Verdades certas que o [[lexico:h:homem|homem]] pode alcançar. A auto-certeza da [[lexico:c:consciencia|consciência]] humana é o [[lexico:f:fundamento|fundamento]] [[lexico:i:imediato|imediato]] e seguro do [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] [[lexico:h:humano|humano]], fundamento que S. Agostinho logrou conquistar na [[lexico:l:luta|luta]] travada com o [[lexico:c:ceticismo|ceticismo]] por ele anteriormente professado. Mas o fundamento [[lexico:u:ultimo|último]] da [[lexico:c:certeza|certeza]] é [[lexico:d:deus|Deus]]. Existe um certo contacto com as regras, verdades e normas eternas, pelas quais se afere o [[lexico:s:saber|saber]] do homem ([[lexico:i:iluminacao|iluminação]]). Uma [[lexico:m:moderna|moderna]] [[lexico:i:interpretacao|interpretação]] vê aqui não só a [[lexico:i:influencia|influência]] de [[lexico:p:platao|Platão]] e do [[lexico:n:neoplatonismo|neoplatonismo]], como também a [[lexico:p:posicao|posição]] do cristão crente, que filosofa tomando como [[lexico:p:ponto|ponto]] de partida a sua [[lexico:f:fe|fé]]. Deus é Criador e [[lexico:c:causa-primeira|causa primeira]] do [[lexico:m:mundo|mundo]]: de seu [[lexico:s:ser|ser]], de seus valores e graus ontológicos; é [[lexico:v:verdade|verdade]] primeira, [[lexico:b:beleza|beleza]] primeira, [[lexico:c:causa|causa]] única da humana [[lexico:b:bem-aventuranca|bem-aventurança]]. Deus, ao [[lexico:c:criar|criar]] o mundo material, depositou nele as formas seminais de todas as [[lexico:c:coisas|coisas]] (rationes seminales, [[lexico:l:logoi-spermatikoi|logoi spermatikoi]] dos Estóicos), como [[lexico:p:principios|princípios]] da [[lexico:e:evolucao|evolução]] específica de cada unia. S. Agostinho desconhece a evolução de uma [[lexico:e:especie|espécie]] para outra. O [[lexico:m:mal|mal]], tanto [[lexico:m:moral|moral]] quanto [[lexico:f:fisico|físico]], não é um [[lexico:p:principio|princípio]] originário, distinto de Deus, nem uma [[lexico:e:essencia|essência]] [[lexico:r:real|real]], como S. Agostinho anteriormente acreditara com o [[lexico:m:maniqueismo|maniqueísmo]], mas sim unicamente a [[lexico:c:carencia|carência]] da [[lexico:b:bondade|bondade]] ou [[lexico:p:perfeicao|perfeição]] por essência devidas. A causa única do [[lexico:p:pecado|pecado]] é a livre [[lexico:v:vontade|vontade]], a qual, em vez de se voltar para o [[lexico:b:bem|Bem]] imperecedouro, se volta para as coisas caducas. A [[lexico:a:alma|alma]] humana é uma [[lexico:s:substancia|substância]] imaterial, [[lexico:s:simples|simples]], [[lexico:r:racional|racional]], imortal e princípio [[lexico:e:essencial|essencial]] determinante do [[lexico:c:corpo|corpo]]. A [[lexico:p:parte|parte]] [[lexico:s:superior|superior]] da alma, com a [[lexico:m:memoria|memória]], o [[lexico:e:entendimento|entendimento]] e a vontade, é uma [[lexico:i:imagem-de-deus|imagem de Deus]] [[lexico:u:uno|uno]] e trino. Contudo a alma imortal não é a única [[lexico:f:forma|forma]] do corpo, no [[lexico:s:sentido|sentido]] defendido por S. Tomás. [[lexico:c:corpo-e-alma|corpo e alma]] encontram-se frente a frente, autônomos. O agostianismo, não ensina apenas que também a alma e o corpo se compõem de uma certa [[lexico:m:materia-e-forma|matéria e forma]], mas defende outrossim a [[lexico:p:pluralidade|pluralidade]] de formas, pelo menos no que diz [[lexico:r:respeito|respeito]] ao ser do corpo, que não deriva do [[lexico:p:principio-vital|princípio vital]] ou da alma informante. O princípio de [[lexico:i:individuacao|individuação]] da alma humana não é a [[lexico:m:materia|matéria]] (matéria signata de S. Tomás), mas é essencialmente constituído pelo ser [[lexico:p:proprio|próprio]] da [[lexico:p:pessoa|pessoa]] espiritual. O conhecimento intelectual provém da excitação doa sentidos, mas, em rigor de [[lexico:e:expressao|expressão]], não é extraído destes pela [[lexico:f:forca|força]] espontânea do [[lexico:i:intelecto-agente|intelecto agente]], como S. Tomás ensina. Tanto o conteúdo do conhecimento quanto o fundamento de sua certeza, principalmente tratando-se dos princípios, podem derivar apenas do próprio [[lexico:e:espirito|espírito]]. Pelo que, existe também o conhecimento direto e intuitivo das coisas singulares. O homem, servindo-se de seu [[lexico:l:livre-arbitrio|livre arbítrio]], deve conquistar o supremo Bem, isto é, a [[lexico:p:posse|posse]] da eterna verdade na bem-aventuram, a ultramundana, por [[lexico:m:meio|meio]] da [[lexico:c:contemplacao|contemplação]] e [[lexico:a:amor|amor]] de Deus trino e uno. A [[lexico:r:regra|regra]] e a [[lexico:n:norma|norma]] da humana [[lexico:l:liberdade|liberdade]] é a eterna [[lexico:l:lei|lei]] de Deus, súmula das normas morais, cuja verdade e inviolável [[lexico:v:validade|validade]] se revela evidente à [[lexico:r:razao|razão]] humana. — Schuster.