===== ATOMISMO ===== (in. Atomism; fr. Atomisme; al. Atomismus; it. Atomismo). Entendem-se por essa [[lexico:p:palavra|palavra]] três doutrinas diversas, que têm finalidades diferentes: 1) o atomismo filosófico ou naturalis mo atomista; 2) a [[lexico:t:teoria|teoria]] atômica; 3) a concepção atomística da [[lexico:r:realidade|realidade]] psíquica ou [[lexico:s:social|social]] ou da [[lexico:l:linguagem|linguagem]]. 1) O atomismo filosófico é o de [[lexico:d:democrito|Demócrito]] e Leucipo, dos epicuristas e de [[lexico:g:gassendi|Gassendi]]. É uma [[lexico:f:filosofia-da-natureza|filosofia da natureza]] que [[lexico:n:nao|não]] tem maiores bases experimentais do que a [[lexico:f:fisica-aristotelica|física aristotélica]] (v. [[lexico:a:atomo|átomo]]). 2) A teoria atômica (in. Atomic theory; fr. Théorie atomique; al. Atomtheorie; it. Teoria atomica) é a que foi formulada na [[lexico:c:ciencia|ciência]] [[lexico:m:moderna|moderna]] pela primeira vez por Dalton; exprime o [[lexico:m:modelo|modelo]] que a ciência foi pouco a pouco fazendo do átomo. 3) A concepção atomística (in. Atomistic [[lexico:i:idea|idea]]; fr. Idée atomistique; al. Atomistisches Denken; it. Concezione atomistica) consiste em propor, para [[lexico:e:explicar|explicar]] a [[lexico:v:vida|vida]] da [[lexico:c:consciencia|consciência]], da [[lexico:s:sociedade|sociedade]] ou da linguagem, uma [[lexico:h:hipotese|hipótese]] análoga à do atomismo filosófico ou da teoria atômica, afirmando que a consciência, a sociedade ou a linguagem são constituídas de [[lexico:e:elementos|elementos]] [[lexico:s:simples|simples]] irredutíveis, cujas diferentes combinações explicam todas as suas modalidades. Assim fazem o [[lexico:a:associacionismo|associacionismo]], para a vida da consciência, e o [[lexico:i:individualismo|individualismo]], para a vida da sociedade. Fala-se, portanto, de um atomismo associacionista (p. ex., dele falavam [[lexico:j:james|James]], Psychology, 1, 1890, p. 604, e Katz, Gestaltpsychologie, cap. I). A [[lexico:e:expressao|expressão]] "atomismo social" é usada frequentemente para designar as doutrinas individualistas que consideram a sociedade resolúvel inteiramente nos indivíduos que a compõem. Finalmente, a expressão "[[lexico:a:atomismo-logico|atomismo lógico]]" foi empregada por [[lexico:r:russell|Russell]] em 1918 para indicar a sua [[lexico:f:filosofia|Filosofia]]. "O [[lexico:m:motivo|motivo]] de dar à minha doutrina o [[lexico:n:nome|nome]] de atomismo [[lexico:l:logico|lógico]] é que os átomos aos quais [[lexico:d:desejo|desejo]] chegar como resíduos últimos da [[lexico:a:analise|análise]] são átomos lógicos, e não átomos físicos" ("The Phil. of Logical Atomism", in The Monist, 1918, [[lexico:a:agora|agora]] em Logic and Knowledge, Londres, 1956). Já no livro [[lexico:m:metodo|Método]] científico em filosofia (1914), falara em "[[lexico:p:proposicao|proposição]] atômica", entendendo a proposição que exprime um [[lexico:f:fato|fato]], isto é, que afirma que uma [[lexico:c:coisa|coisa]] tem certa [[lexico:q:qualidade|qualidade]] ou que certas [[lexico:c:coisas|coisas]] têm certas [[lexico:r:relacoes|relações]]; e chamara de "[[lexico:a:atomico|atômico]]" o fato expresso pela proposição atômica. Tais [[lexico:c:conceitos|conceitos]] também constituem os fundamentos do [[lexico:t:tractatus-logico-philosophicus|Tractatus Logico-Philosophicus]] (1922) de [[lexico:w:wittgenstein|Wittgenstein]]. É assim designada a doutrina filosófica que tenta explicar a [[lexico:e:essencia|essência]] do corpóreo mediante a conglomeração de átomos. O atomismo tem aparecido repetidamente em formas mais ou menos diversas, na [[lexico:h:historia-da-filosofia|história da filosofia]], desde os tempos de Leucipo e de Demócrito Os átomos são partículas infinitamente pequenas, separadas umas das outras pelo [[lexico:v:vacuo|vácuo]]. Geralmente é-lhes atribuída a [[lexico:e:extensao|extensão]] e [[lexico:c:constituicao|constituição]] idêntica, diversificando-se apenas pela [[lexico:f:forma|forma]], tamanho e [[lexico:d:disposicao|disposição]] no [[lexico:e:espaco|espaço]]. Segundo o atomismo, todos os corpos são constituídos de tais partículas fundamentais. O atomismo mecanicista atribui aos átomos somente uma [[lexico:f:forca|força]] de deslocação espacial; um atomismo mais [[lexico:d:dinamico|dinâmico]] admite ainda nos átomos outras várias forças. Em [[lexico:t:todo|todo]] caso, a [[lexico:m:mudanca|mudança]] consiste unicamente na [[lexico:u:uniao|união]] e [[lexico:s:separacao|separação]] de tais partículas muito diminutas, não havendo [[lexico:d:devir|devir]] ou perecer propriamente ditos. — No entanto, a [[lexico:e:explicacao|explicação]] da essência dos corpos apresentada pelo atomismo não satisfaz. A composição corpuscular é apenas uma [[lexico:p:propriedade|propriedade]] dos corpos macroscópicos; as numerosas qualidades e forças restantes não consentem em [[lexico:s:ser|ser]] reduzidas de [[lexico:m:modo|modo]] satisfatório a uma pura agregação de átomos: isso seria [[lexico:p:possivel|possível]], se a essência do corpóreo estribasse na [[lexico:e:estrutura|estrutura]] atômica. — Importa distinguir cuidadosamente o atomismo filosófico da teoria atômica científico-natural. Segundo esta, os corpos, sem prejuízo de sua essência específica, são divisíveis em elementos constitutivos últimos, átomos e moléculas, de que se compõem. Esta teoria não pretende dar qualquer explicação da essência da [[lexico:c:corporeidade|corporeidade]]. Os últimos elementos dos corpos são, por seu turno, corpos, e compete à [[lexico:f:filosofia-natural|filosofia natural]], que não às ciências naturais, explicar a essência deles. — Junk A doutrina filosófica, segundo a qual a [[lexico:m:materia|matéria]] é formada de átomos. — Atribui-se geralmente a paternidade do atomismo a Demócrito, para [[lexico:q:quem|quem]] o [[lexico:m:mundo|mundo]] era formado de átomos; a análise das coisas deveria conduzir, para [[lexico:a:alem|além]] das formas artificiais, à única realidade verdadeira, o átomo. Mais [[lexico:t:tarde|Tarde]], [[lexico:e:epicuro|Epicuro]] depois Lucrécio apresentaram uma [[lexico:i:imagem|imagem]] biológica do átomo como "germe das coisas" (semina re-rum). Essas duas concepções gerais do átomo (uma mecanicista, outra vitalista ou "[[lexico:d:dinamismo|dinamismo]]") reaparecem em todas as disputas do atomismo nos séculos XVII e XVIII: principalmente na que opôs a teoria mecanicista de [[lexico:d:descartes|Descartes]] à do átomo-fôrça de [[lexico:l:leibniz|Leibniz]]. Hoje, o [[lexico:p:problema|problema]] do atomismo não é mais do âmbito da filosofia, mas da ciência (da microfísica): o problema de [[lexico:s:saber|saber]] se a matéria é contínua ou descontínua foi ultrapassado pelo aparecimento da [[lexico:m:mecanica|mecânica]] ondulatória (Louis de Broglie), que considera os átomos como pontos de concentração de uma [[lexico:e:energia|energia]] difusa por toda [[lexico:p:parte|parte]].