===== ARTÍSTICO ===== De [[lexico:a:arte:start|arte]], maneira de fazer uma [[lexico:c:coisa:start|coisa]] segundo regras. Mais particularmente, desde o séc. XIX, [[lexico:e:expressao:start|expressão]] através da [[lexico:c:criacao:start|criação]] [[lexico:e:estetica:start|estética]]: [[lexico:b:belas-artes:start|belas-artes]]. — O [[lexico:p:problema-filosofico:start|problema filosófico]] mais [[lexico:g:geral:start|geral]] é o da [[lexico:f:funcao:start|função]] da arte: 1.° Inicialmente pensou-se que era a de exprimir a "[[lexico:b:beleza:start|beleza]]". Ora, [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] a beleza? Uma tal [[lexico:n:nocao:start|noção]] pode [[lexico:t:ter:start|ter]] [[lexico:v:valor:start|valor]] [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]] ou depende, ao contrário, do [[lexico:j:julgamento:start|julgamento]] [[lexico:p:pessoal:start|pessoal]] de cada um? Uma coisa é bela porque [[lexico:e:eu:start|eu]] a julgo bela, ou eu a julgo bela porque ela é realmente bela? De [[lexico:p:platao:start|Platão]] a [[lexico:k:kant:start|Kant]], os filósofos procuraram fundamentar a [[lexico:o:objetividade:start|objetividade]] da arte e da beleza. O [[lexico:b:belo:start|belo]], dizia Kant, é "o que agrada universalmente, ainda que [[lexico:n:nao:start|não]] se possa justificá-lo intelectualmente"; e correlativamente pensou-se que existia uma "beleza em si", um [[lexico:i:ideal:start|ideal]] [[lexico:u:universal:start|universal]], do qual as obras de arte devem se aproximar na [[lexico:m:medida:start|medida]] do [[lexico:p:possivel:start|possível]]. Essa concepção clássica da arte insistia sobre certas características [[lexico:d:dominantes:start|dominantes]], como a [[lexico:h:harmonia:start|harmonia]], a pureza, a nobreza, a serenidade, a elevação dos sentimentos. Uma ma-dona de Rafael, um sermão de [[lexico:b:bossuet:start|Bossuet]], um edifício de Mansart, uma sonata de igreja dão [[lexico:b:bem:start|Bem]] a [[lexico:i:ideia:start|ideia]] de uma tal concepção. A função da arte era de idealizar a [[lexico:r:realidade:start|realidade]]; 2.° A [[lexico:h:historia:start|história]] da arte nos conduz de [[lexico:f:fato:start|fato]] a dissociar a beleza de uma [[lexico:o:obra:start|obra]] de arte da [[lexico:r:representacao:start|representação]] de uma coisa bela. A arte pode [[lexico:s:ser:start|ser]] bela e evocar a carniça (Bau-delaire), o vil (la Goulue de Toulouse-Lautrec), o [[lexico:g:grotesco:start|grotesco]] (o Anão de Velasquez), o horrível (Bosch). Sua função é a de nos revelar o que [[lexico:m:malraux:start|Malraux]] denomina a "[[lexico:p:parte:start|parte]] noturna do [[lexico:m:mundo:start|mundo]]", aquela que escapa ao nosso olhar cotidiano e que as conveniências ou as tradições sociais nos impedem de [[lexico:v:ver:start|ver]]. Goya denunciava a representação do belo como uma "[[lexico:m:mentira:start|mentira]]" e uma "cegueira". De [[lexico:a:acordo:start|acordo]] com uma concepção mais [[lexico:m:moderna:start|moderna]], a arte é eminentemente realista: sua função não é a de exprimir a beleza, mas a de bem exprimir o [[lexico:r:real:start|real]]. Em conclusão, assinale-se que hoje substitui-se a noção de "beleza" pela de "autenticidade"; o que uma obra exprime de maneira autêntica possui realidade [[lexico:i:independente:start|independente]] de nós: as obras de Van Gogh exprimem uma certa [[lexico:v:visao:start|visão]] trágica do mundo; podemos não ter [[lexico:v:vontade:start|vontade]] de olhar um Van Gogh, mas não podemos pretender que o [[lexico:t:tragico:start|trágico]] não exista em suas obras. Nesse [[lexico:s:sentido:start|sentido]] é que a obra de arte possui uma realidade objetiva independente da [[lexico:s:sensibilidade:start|sensibilidade]] de cada um. (V. estética, [[lexico:a:abstrato:start|abstrato]], belas-artes.) {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}