===== APOCATÁSTASE ===== [[lexico:t:teologia|teologia]]. [[lexico:t:termo|termo]] que, em [[lexico:g:grego|grego]], significa completa restituição. Empregado em Teol. para referir-se à restituição final ([[lexico:s:salvacao|salvação]] [[lexico:u:universal|universal]]). (gr. apokatastasis; lat. Restitutio; in. Apocatastasis-; fr. Apocatastasis; al. Apokatastasis; it. Apocatastasi). É a [[lexico:t:teoria|teoria]] própria dos Padres orientais: prevê a restituição final do [[lexico:m:mundo|mundo]] e de todos os seres nele contidos à [[lexico:c:condicao|condição]] perfeita e feliz que tinham na [[lexico:o:origem|origem]]. Trata-se, portanto, de uma [[lexico:n:nocao|noção]] diferente da de [[lexico:m:movimento|movimento]] cíclico, própria dos antigos (pitagóricos, [[lexico:a:anaximandro|Anaximandro]], estoicos, etc), que interpreta a [[lexico:v:vida|vida]] do mundo como a [[lexico:r:recorrencia|recorrência]] de um ciclo sempre [[lexico:i:identico|idêntico]], que se repete infinitas vezes (v. [[lexico:c:ciclo-do-mundo|ciclo do mundo]]). Segundo Orígenes, o mundo [[lexico:s:sensivel|sensível]] formou-se com a [[lexico:q:queda|Queda]] das [[lexico:s:substancias|substâncias]] intelectuais que habitavam no mundo [[lexico:i:inteligivel|inteligível]], queda devida a um [[lexico:a:ato|ato]] livre de rebelião a [[lexico:d:deus|Deus]], do qual participaram todos os seres supra-sensíveis, com a única [[lexico:e:excecao|exceção]] do [[lexico:f:filho|filho]] de Deus. Dessa queda e da degeneração que se lhe seguiu, os seres se reerguerão expiando, com uma [[lexico:s:serie|série]] de vidas sucessivas, em vários [[lexico:m:mundos|mundos]], seu [[lexico:p:pecado|pecado]] inicial e serão, por [[lexico:f:fim|fim]], restituídos à sua condição primitiva (In Johann., I, 16, 20). Orígenes admite, assim, [[lexico:p:pluralidade|pluralidade]] sucessiva de mundos, mas corrige o [[lexico:e:estoicismo|estoicismo]] no [[lexico:s:sentido|sentido]] de que esses mundos [[lexico:n:nao|não]] são [[lexico:r:repeticao|repetição]] uns dos outros. A [[lexico:l:liberdade|liberdade]] de que os homens são dotados impede essa repetição (Contra Cels., IV, 67-68). [[lexico:c:conceito|conceito]] [[lexico:a:analogo|análogo]] é expresso por Gregório de Nissa, que interpreta a [[lexico:s:sucessao|sucessão]] dos mundos como o teatro da reeducação progresiva dos seres à condição de [[lexico:b:bem-aventuranca|bem-aventurança]] original. Gregório afirma decididamente o [[lexico:c:carater|caráter]] universal da apocatástase: "Até mesmo o inventor do [[lexico:m:mal|mal]] (isto é, o [[lexico:d:demonio|demônio]]) unirá sua [[lexico:v:voz|voz]] ao hino de gratidão ao Salvador" (De hom. opif., 26). Na Idade [[lexico:m:moderna|moderna]], doutrina análoga foi sustentada por [[lexico:r:renouvier|Renouvier]] em Nova [[lexico:m:monadologia|monadologia]] (1899): retoma-se aqui a [[lexico:t:tese|tese]] de Orígenes da pluralidade dos mundos sucessivos e da passagem de um mundo ao [[lexico:o:outro|outro]], determinada pelo [[lexico:u:uso|uso]] que o [[lexico:h:homem|homem]] faz da liberdade em cada um deles; é corrigida sò no sentido de que "o fim alcançado torna a reunir-se com o [[lexico:p:principio|princípio]], não na indistinção das almas, mas na [[lexico:h:humanidade|humanidade]] perfeita, que é a [[lexico:s:sociedade|sociedade]] humana perfeita". A doutrina da apocatástase distingue-se da concepção clássica dos ciclos do mundo em dois pontos principais: 1) os mundos que se sucedem não são a repetição idêntica um do outro, porque através deles se realiza progressivamente a recuperação do [[lexico:e:estado|Estado]] [[lexico:p:perfeito|perfeito]] original; 2) a sucessão dos mundos não é sem princípio nem fim, já que começa com a queda das inteligências celestes e termina com a apocatástase.