===== APARECER ===== Usualmente entendemos por [[lexico:f:fenomeno:start|fenômeno]] algo ou alguém, cujo [[lexico:s:ser:start|ser]] ou atuação aparece num [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] [[lexico:e:extraordinario:start|extraordinário]]. A [[lexico:e:esse:start|esse]] aspecto, gostamos de chamar de [[lexico:f:fantastico:start|fantástico]]. Nas [[lexico:p:palavras:start|palavras]] fenômeno e fantástico aparece o [[lexico:v:verbo:start|verbo]] [[lexico:g:grego:start|grego]] phainesthai que significa aparecer. Aparecer é mostrar-se, vir à [[lexico:l:luz:start|luz]]. É comum, [[lexico:r:representar:start|representar]] o aparecer como [[lexico:m:movimento:start|movimento]] de algo que estava escondido, atrás ou dentro de uma outra [[lexico:c:coisa:start|coisa]], dela sair e vir para frente ou para fora. O aparecer do fenômeno, no entanto, [[lexico:n:nao:start|não]] diz [[lexico:r:respeito:start|respeito]] ao relacionamento entre duas [[lexico:c:coisas:start|coisas]]: entre a fachada e o que se oculta atrás dela. Refere-se antes à auto-apresentação ou auto-presentação ou à intensificação de uma [[lexico:p:presenca:start|presença]]. Nesse [[lexico:s:sentido:start|sentido]], é algo como luzir, incandescer. E tomar [[lexico:c:corpo:start|corpo]], crescer no sentido da [[lexico:e:expressao:start|expressão]] cresça e apareça. E, pois surgir, crescer e se consumar, vindo a si, tomando-se presença. Para podermos [[lexico:v:ver:start|ver]] melhor, de que se trata quando falamos do fenômeno como auto-presença ou intensificação de uma presença, examinemos, brevemente, o que [[lexico:s:ser-e-tempo:start|Ser e Tempo]] nos diz da expressão grega [[lexico:p:phainomenon:start|phainomenon]]: "A expressão grega phainomenon, à qual remonta o [[lexico:t:termo:start|termo]] «fenômeno», vem do verbo phaínesthai, que significa: mostrar-se: assim phainomenon quer dizer: o que se mostra, o se mostrando, o [[lexico:a:aberto:start|aberto]]; o [[lexico:p:proprio:start|próprio]] phainesthai é uma [[lexico:f:forma:start|forma]] medial do phaíno, trazer ao dia, colocar às claras; phaíno pertence à [[lexico:r:raiz:start|raiz]] pha- como phos, a luz, a claridade, a [[lexico:s:saber:start|saber]], isto, no qual algo pode se abrir, tornar-se nele mesmo visível. Portanto, devemos constatar como a [[lexico:s:significacao:start|significação]] da expressão «fenômeno»: o em se mostrando a ele mesmo, o aberto. Os phainomena, «fenômenos» são, então, a [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]] do que jaz ao dia ou pode ser trazido à luz, o que os gregos, entrementes, identificavam simplesmente com ta [[lexico:o:onta:start|onta]] (o [[lexico:e:ente:start|ente]]). O verbo do qual deriva a expressão fenômeno é medial. Como em português não há a forma medial, phainómenon é traduzido ou no sentido [[lexico:p:passivo:start|passivo]] ou reflexivo: o mostrado, ou o que se mostra ou o em se mostrando. O [[lexico:m:modo:start|modo]] de ser da [[lexico:a:acao:start|ação]] do verbo medial não é nem ativo nem passivo. Não seria, porém, um [[lexico:m:meio:start|meio]] termo, uma [[lexico:m:mistura:start|mistura]] meio a meio, neutra. Seria, antes, uma [[lexico:d:dinamica:start|dinâmica]] toda própria, um medium [[lexico:a:atuante:start|atuante]], anterior à [[lexico:d:divisao:start|divisão]] em [[lexico:d:disjuncao:start|disjunção]] ativa e passiva. Usualmente, quando falamos de ação e atuação, representamos alguém ou algo causando uma [[lexico:f:forca:start|força]] sobre alguém ou algo. Assim [[lexico:q:quem:start|quem]] [[lexico:c:causa:start|causa]] uma ação e a própria força atuante são ativas; quem ou o que recebe, padece ou sofre a ação, é passivo. Quando quem age (o ativo) atua sobre [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]] (o passivo), se dá o reflexivo: o [[lexico:a:agente:start|agente]] é ao mesmo [[lexico:t:tempo:start|tempo]] o paciente, mas, aqui, o agente enquanto ativo e o paciente enquanto passivo não coincidem. Aqui o ser da iteração entre ativo e passivo e reflexivo é de tal feitio que é sempre unidirecional, uma linha reta a modo de [[lexico:f:flecha:start|flecha]]. O modo de ser da ação do verbo medial não pode ser captado, reduzindo-o à unidirecionalidade da flecha na iteração ativo-passivo-reflexivo, mas captando-o, vendo-o a ele mesmo, de [[lexico:i:imediato:start|imediato]]. O que ali aparece de imediato é o que está [[lexico:d:dito:start|dito]] na expressão: fenômeno, i. é, o em se mostrando a ele mesmo, o aberto. Outros modos de dizer esse imediato são: em vindo ao dia, à luz, em colocando-se às claras, em aparecendo ou [[lexico:a:aparente:start|aparente]], em se abrindo, mostrando-se. O abuso do gerúndio, na forma em ndo é de propósito. Tenta insistir na consideração de que é [[lexico:n:necessario:start|necessário]] captar esse modo de ser da ação medial [[lexico:s:sui-generis:start|sui generis]] nele mesmo. Esse captar imediato de ser da ação medial seria muito [[lexico:s:simples:start|simples]], por ser imediato e imediato, por ser simples. Só que o imediato e o simples não podem ser percebidos no seu ser, a não ser que a [[lexico:p:percepcao:start|percepção]] ou melhor a recepção seja imediata e simples, a saber, pele a pele, de [[lexico:t:todo:start|todo]] em todo, cada vez de uma vez. O modo medial de ser ação pede a captação imediata da [[lexico:r:realidade:start|realidade]], antes da sua divisão e [[lexico:c:classificacao:start|classificação]] em [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]], [[lexico:o:objeto:start|objeto]], [[lexico:a:ato:start|ato]], em ativo, passivo e reflexivo de tal [[lexico:s:sorte:start|sorte]] que a ação ou ato é ‘anterior’ ao [[lexico:s:sujeito-e-objeto:start|sujeito e objeto]], é a dinâmica do todo, em sendo. Ademais, aqui, o que nos pode dificultar a perceber de que se trata, é a [[lexico:c:conotacao:start|conotação]] que todas essas expressões trazem consigo de visualização. Aparecer, mostrar-se à luz, vir à claridade do dia, no entanto, não tem primariamente muito a ver com visualização. Aperceber o manifesto, o mostrado, a recepção do que é em se mostrando a ele mesmo, é anterior a toda e qualquer visualização. Visualização é a maneira projetiva da [[lexico:o:objetivacao:start|objetivação]] interpelativa, pela qual colocamos o fenômeno dentro de uma determinada [[lexico:p:perspectiva:start|perspectiva]] do inter-esse de um [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista. Hoje, sujeitos e agentes operativos do modo de ser da objetivação interpelativa, não percebemos, que o que nos vem de encontro a nós como objeto, coisa ‘em si’, ‘[[lexico:r:real:start|real]]’, não coincide com o que se mostra, ele mesmo, mas é algo assim como espectro do [[lexico:p:projeto:start|projeto]] do inter-esse de pontos de vista. Esse modo de ser [[lexico:c:chamado:start|chamado]] objetivação interpelativa é uma das modalidades da objetivação. Aqui para percebermos de que se trata, quando falamos do fenômeno como o que se mostra, a ele mesmo, anteriormente a toda e qualquer visualização da objetivação interpelativa, hodierna, reflitamos um [[lexico:t:texto:start|texto]] acerca do que seja objetivação. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}