===== ANTROPOLOGIA ===== Etimologicamente deriva do [[lexico:g:grego:start|grego]] e significa: doutrina do [[lexico:h:homem:start|homem]]. O [[lexico:t:termo:start|termo]] foi, a [[lexico:p:principio:start|princípio]], utilizado para designar a antropologia científico-natural, a qual, servindo-se dos métodos das ciências naturais (distintos dos que são peculiares às ciências do espirito) estuda o homem em suas propriedades somáticas. Contudo, nos últimos decênios prevaleceu definitivamente a [[lexico:a:antropologia-filosofica:start|antropologia filosófica]], cujo pioneiro se pode afirmar [[lexico:t:ter:start|ter]] sido Max [[lexico:s:scheler:start|Scheler]]. Para uma apreciação desta viragem na [[lexico:h:historia:start|história]] do [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]], bastará subministrar aqui umas quantas indicações. Sem [[lexico:d:duvida:start|dúvida]] alguma, o [[lexico:p:problema:start|problema]] do homem é, de algum [[lexico:m:modo:start|modo]], "o" [[lexico:t:tema:start|tema]] da [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]]; só que, no passado, ele [[lexico:n:nao:start|não]] constituía o [[lexico:p:ponto:start|ponto]] central dominante. A [[lexico:a:antiguidade:start|antiguidade]] centrava-se em torno do "cosmos" ou da [[lexico:n:natureza:start|natureza]] em si estática e encarava o homem em conexão com ela. Para a Idade Média o homem era um membro da "[[lexico:o:ordem:start|ordem]]" emanada de [[lexico:d:deus:start|Deus]]. A Idade [[lexico:m:moderna:start|moderna]] desprendeu o homem destas bases que o sustentavam, firmando-o sobre [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]], mas predominantemente como "[[lexico:s:sujeito:start|sujeito]]" ou [[lexico:r:razao:start|razão]], de [[lexico:s:sorte:start|sorte]] que esta, como sujeito [[lexico:t:transcendental:start|transcendental]] ou razão [[lexico:u:universal:start|universal]] panteisticamente absoluta, acabou por subjugar e volatilizar o homem, convertendo-o em [[lexico:m:momento:start|momento]] fugaz do curso evolutivo do [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]]. Por [[lexico:f:fim:start|fim]], o homem tomou [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] da inanidade de tais construções e verificou haver perdido tudo, incluindo sua própria [[lexico:p:personalidade:start|personalidade]], e que principalmente, depois de haver sacrificado a [[lexico:v:vida:start|vida]] do [[lexico:c:conceito:start|conceito]] [[lexico:a:abstrato:start|abstrato]] ilusório, se encontrava [[lexico:a:agora:start|agora]] perante o [[lexico:n:nada:start|nada]]. A viragem teve início, quando o homem se sentiu jogado sobre si mesmo e (em [[lexico:o:oposicao:start|oposição]] ao [[lexico:i:idealismo:start|Idealismo]]) precisamente sobre a concretidade [[lexico:p:pessoal:start|pessoal]] e histórica de sua vida que antecede e ultrapassa [[lexico:t:todo:start|todo]] e qualquer conceito. Por tal [[lexico:f:forma:start|forma]] o homem se torna para si mesmo "o" tema de toda [[lexico:e:especulacao:start|especulação]] filosófica: interessa estudar o homem e estudar tudo o mais apenas em [[lexico:r:relacao:start|relação]] a ele. Pelo que, a filosofia degenera mais ou menos em antropologia, e muitas vezes também se perde nela. O primeiro rompimento manifesta-se em Scheuing, no derradeiro período de sua filosofia, e em [[lexico:k:kierkegaard:start|Kierkegaard]]. Depois, a [[lexico:e:evolucao:start|evolução]] prossegue, passando por [[lexico:n:nietzsche:start|Nietzsche]], pela [[lexico:f:filosofia-da-vida:start|filosofia da vida]] e pela [[lexico:f:fenomenologia:start|fenomenologia]], até chegar a Scheler, o qual formula de modo [[lexico:e:explicito:start|explícito]] o tema antropológico como tal. Finalmente, a filosofia [[lexico:e:existencial:start|existencial]] ([[lexico:f:filosofia-da-existencia:start|filosofia da existência]]) representa a derradeira tentativa de aprofundar filosoficamente o assunto e como que o reu epílogo. Os diversos rumos, tomados pela antropologia, mostram, ao mesmo [[lexico:t:tempo:start|tempo]], os riscos que dentro em si alberga. Passando a vida para o primeiro [[lexico:p:plano:start|plano]], e [[lexico:a:alem:start|além]] disso encarando-a preponderantemente do ponto de vista do [[lexico:c:corpo:start|corpo]], sucede que a [[lexico:c:caracteristica:start|característica]] peculiar do homem de novo se desvanece; isto é o que transparece em Nietzsche e reiteradamente na filosofia da vida, e de modo especial nos derradeiros escritos de Scheler e em [[lexico:k:klages:start|Klages]]. As mais das vezes chega-se a preconizar uma volatilização dos restantes conteúdos da vida, por [[lexico:e:efeito:start|efeito]] do [[lexico:b:biologismo:start|biologismo]], do [[lexico:r:relativismo:start|relativismo]] e do [[lexico:p:psicologismo:start|psicologismo]]. Outros autores empenham-se em salientar o [[lexico:c:carater:start|caráter]] peculiar do homem, o qual, enquanto [[lexico:e:existencia:start|existência]], mediante sua auto-realização, leva [[lexico:v:vantagem:start|vantagem]] aos meros seres que o circundam: assim pensa Kierkegaard e, após ele, a filosofia existencial em [[lexico:g:geral:start|geral]]. Todavia mais e mais se [[lexico:n:nota:start|nota]] aqui a [[lexico:t:tendencia:start|tendência]] para tudo reduzir a puros modos de [[lexico:e:existir:start|existir]] do homem, [[lexico:a:atitude:start|atitude]] esta que demuda a antropologia em antropologismo! Importante [[lexico:r:raiz:start|raiz]] dos perigos apontados encontra-se principalmente no [[lexico:i:irracionalismo:start|irracionalismo]] ([[lexico:i:irracional:start|irracional]]), o qual não pretende alçar-se sobre a auto-experiência imediata da vida ou do homem e permite apenas a [[lexico:i:interpretacao:start|interpretação]] ou [[lexico:h:hermeneutica:start|hermenêutica]] ([[lexico:d:dilthey:start|Dilthey]]) da vida ou sua [[lexico:a:analise:start|análise]] fenomenológica (desde [[lexico:h:husserl:start|Husserl]].). A título de apreciação [[lexico:c:critica:start|crítica]] da antropologia, convém dizer que a filosofia, globalmente considerada, jamais poderá [[lexico:s:ser:start|ser]] reduzida a ela (antropologismo). A antropologia, encarada metafisicamente, é antes aquela [[lexico:p:parte:start|parte]] da filosofia que investiga a [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] [[lexico:e:essencial:start|essencial]] do homem. Contudo este ocupa o centro da especulação filosófica, na [[lexico:m:medida:start|medida]] em que tudo se deduz a partir dele, na medida em que ele torna acessíveis as realidades, que o transcendem, nos modos de seu existir relacionados com as mesmas. Pelo que, o [[lexico:c:caminho:start|caminho]] conducente aos domínios peculiares da [[lexico:o:ontologia:start|ontologia]] abre-se unicamente através de uma interpretação basicamente [[lexico:o:ontologica:start|ontológica]] do homem. Neste [[lexico:s:sentido:start|sentido]], uma prévia antropologia é a porta de [[lexico:a:acesso:start|acesso]] à filosofia, a qual, por [[lexico:e:esse:start|esse]] [[lexico:m:motivo:start|motivo]], fica determinada antropologicamente (não antropomorficamente!) na forma de sua [[lexico:e:expressao:start|expressão]]. — Lotz. (in. Anthropology; fr. Anthropologie; al. Anthropologie; it. Antropologia). [[lexico:e:exposicao:start|Exposição]] [[lexico:s:sistematica:start|sistemática]] dos conhecimentos que se têm a [[lexico:r:respeito:start|respeito]] do homem. Nesse sentido geral, a antropologia fez e faz parte da filosofia, mas, como [[lexico:d:disciplina:start|disciplina]] específica e relativamente autônoma, só nasceu em tempos modernos. [[lexico:k:kant:start|Kant]] distinguiu a antropologia fisiológica, que seria aquilo que a natureza faz do homem, da antropologia [[lexico:p:pragmatica:start|pragmática]], que seria aquilo que o homem faz como ser livre, ou então o que pode e deve fazer de si mesmo (Antr., pref.). Essa [[lexico:d:distincao:start|distinção]] permaneceu e hoje se [[lexico:f:fala:start|fala]] de antropologia [[lexico:f:fisica:start|física]], que considera o homem do ponto de vista biológico, isto é, em sua estrutura somática, em suas [[lexico:r:relacoes:start|relações]] com o [[lexico:a:ambiente:start|ambiente]], em suas classificações raciais, etc, e de antropologia cultural, que considera o homem nas características que derivam das suas relações sociais. A antropologia física costuma, por sua vez, ser dividida em paleontologia humana e [[lexico:s:somatologia:start|somatologia]]. A paleontologia humana trata da [[lexico:o:origem:start|origem]] e da evolução da [[lexico:e:especie:start|espécie]] humana, especialmente a partir do que é revelado pelos fósseis. A somatologia trata de todos os aspectos físicos do homem. A arqueologia e a [[lexico:e:etnologia:start|etnologia]] correspondem, no [[lexico:c:campo:start|campo]] cultural, às duas ciências precedentes; e a [[lexico:l:linguistica:start|linguística]] tem como [[lexico:o:objeto:start|objeto]] não só a análise e a [[lexico:c:classificacao:start|classificação]] das línguas, mas a [[lexico:c:compreensao:start|compreensão]], através das línguas, da [[lexico:p:psicologia:start|psicologia]] individual e de [[lexico:g:grupo:start|grupo]] (cf. R. Linton, ed., The Science of [[lexico:m:man:start|Man]] in the World Crisis, 1945, 1952). Segundo [[lexico:l:levi-strauss:start|Lévi-Strauss]], a antropologia distingue-se da [[lexico:s:sociologia:start|sociologia]] na medida em que tende a ser uma [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] [[lexico:s:social:start|social]] do observado, ao passo que a sociologia tende a ser a ciência social do [[lexico:o:observador:start|observador]] (Anthr. structurale, 1958, cap. XVII). Os filósofos sublinharam muitas vezes a importância da antropologia como ciência filosófica, isto é, como [[lexico:d:determinacao:start|determinação]] daquilo que o homem deve ser, em face do que é. [[lexico:h:humboldt:start|Humboldt]], p. ex., queria que a antropologia, embora procurasse determinar as condições naturais do homem ([[lexico:t:temperamento:start|temperamento]], [[lexico:r:raca:start|raça]], nacionalidade, etc.) visasse descobrir, através dessas condições, o [[lexico:p:proprio:start|próprio]] [[lexico:i:ideal:start|ideal]] da [[lexico:h:humanidade:start|humanidade]], a forma incondicionada à qual nenhum [[lexico:i:individuo:start|indivíduo]] está completamente [[lexico:a:adequado:start|adequado]], mas que permanece o [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]] a que todos os indivíduos tendem (Schriften, I, pp. 388 ss.). Nesse sentido a antropologia foi entendida por Scheler (O [[lexico:l:lugar:start|lugar]] do homem no cosmos, 1928), que por isso a coloca em [[lexico:s:situacao:start|situação]] intermediária entre a ciência positiva e a [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]]. — Mais especificamente, a [[lexico:t:tarefa:start|tarefa]] da antropologia filosófica deveria ser considerar o homem não simplesmente como natureza, como vida, como [[lexico:v:vontade:start|vontade]], como [[lexico:e:espirito:start|espírito]], etc, mas como homem, isto é, relacionar o [[lexico:c:complexo:start|complexo]] de condições ou de [[lexico:e:elementos:start|elementos]] que o constituem com seu modo de existência específico. Tal é a exigência feita, p. ex., por Biswanger (Ausgewahlte Vorträge und Ausätze, I, p. 176). Nesse sentido, o Ensaio sobre o homem (1944) de [[lexico:c:cassirer:start|Cassirer]] é um [[lexico:e:estudo:start|estudo]] de antropologia filosófica centrado no conceito de homem como [[lexico:a:animal-symbolicum:start|animal symbolicum]], isto é, como [[lexico:a:animal:start|animal]] que fala e cria o [[lexico:u:universo:start|universo]] [[lexico:s:simbolico:start|simbólico]] da [[lexico:l:lingua:start|língua]], do [[lexico:m:mito:start|mito]] e da [[lexico:r:religiao:start|religião]]. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}